Saneamento, a prioridade das prioridades para o Brasil.

Instituto Trata Brasil, Sabesp e Maurício de Souza Produções lançam cartilha sobre uso racional de água.

Despreze os 2 primeiros parágrafos, com nítida e infeliz intenção político-partidária, e você encontrará uma excelente analise de José Eli da Veiga sobre ser o saneamento a prioridade das prioridades para o Brasil de hoje.

“As taxas de retorno de investimentos em saneamento variam de 17% a 55%, com benefícios duas a oito vezes seus custos, informa o Banco Mundial. Porém, com menos da metade de sua população atendida por esgoto, o Brasil ocupa o 112º lugar na classificação mundial e o 12º na da América Latina. Em vizinhos como México e Venezuela, só 10% da população continuam a sofrer os malefícios de esgoto a céu aberto.”

Certamente este deveria ser o foco principal do anunciado e bem vindo super grupo de trabalho, no estilo do grupo de controle do plano de metas de JK (50 anos em 5), destinado a incentivar e romper barreiras nas parcerias público-privadas. Leia o artigo completo.

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A ênfase nas comunidades locais não é a chave para o paraíso.

Mesmo Marx, ao elogiar as cooperativas de trabalhadores como o prenuncio de uma nova ordem reconheceu que tais cooperativas não tem como deixar de reproduzir todas as deficiências do sistema vigente.

Assembleia Geral discute temas de interesse das comunidades locais de Tiquié e baixo Uaupés.

Nos EUA e em alguns países da Europa, principalmente, tem havido uma forte disseminação da ideia de que o foco no desenvolvimento local é a chave para a humanidade superar a crise ambiental e social e promover o bem estar individual. A proposta central desta solução “comunitária” consiste em substituir localmente os produtos hoje importados para a região. Lotes menores de produção, métodos de fabricação mais intensivos em mão de obra, tecnologia adequada à escala e otimização do transporte representam uma expansão do movimento de produção sustentável de alimentos.

Acesse aqui o post completo.

Por que uma sociedade pós-capitalista?

”Não se consegue nem imaginar este mar de gente consumindo no chamado padrão “desenvolvido”: automóvel, estradas e vias de circulação para veículos individuais, bens descartáveis, desperdício, educação e saúde privadas, casa própria, saneamento, segurança, energia abundante e barata, lazer, viagens, e mais, muito mais.”

Porque o sistema econômico atual não tem como oferecer uma resposta apta para as questões ambientais e sociais e com isto, ameaça, de morte, a civilização. Umbilicalmente atrelado ao lucro e tratando-o como o motivador principal da ação humana, é incapaz de dirigir suas ações priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e maior bem estar.

E porque, a necessidade de uma nova economia, decorrente do acima exposto, traz, por sua vez, invitáveis e profundos desdobramentos nas dimensões política, social e demais aspectos da vida humana, o que significa, portanto, uma nova forma de convivência entre as pessoas.

Acesse aqui o post completo.

A natureza não pode ser precificada, avaliada, monetizada ou financializada.

“… Nós estamos testemunhando a morte tanto da teoria quanto da prática do capitalismo neoliberal. Esta é a doutrina que afirma que o mercado pode resolver quase todos os problemas sociais, econômicos e políticos.”

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

O Ministro do Meio Ambiente peruano encerra as negociações do COP-20 em Lima.

Externalidades – 4.

Encerro hoje a série sobre a internalização de externalidades com uma relação comentada de alguns artigos e notícias que ajudam a ampliar a compreensão de tema aparentemente complexo mas que na verdade é quase autoevidente, além, é claro, de ser aplicação essencial para a transição para uma Nova Economia.

Antes, retorno à pergunta feita no 1º post: Será que o recente acordo entre os EUA e a China definindo limites a serem alcançados até 2030 e diretrizes para a descarbonização atende aos objetivos de redução da desigualdade, preservação ambiental e bem estar?

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Afinal, taxação e impostos são a mesma coisa?

Simon Kuznets estava errado. Não só o crescimento capitalista não reduz a desigualdade, ele a aumenta.”

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Externalidades -3.

Volto hoje à questão da internalização de custos sociais e ambientais tratando da taxa Tobin e do uso de impostos. No próximo post, último da série, respondo à dúvida apresentada no 1o sobre o recente acordo ambiental dos EUA e China.

A taxa Tobin, proposta por James Tobin, tornou-se a principal opção em discussão para compensar externalidades apesar de, até hoje, não ter sido implementada, mesmo porque depende de sua aceitação, ao mesmo tempo, pelas economias mais importantes. Essencialmente, trata-se de uma taxa aplicada sobre toda e qualquer transação financeira privada entre países.

Tal taxa, segundo Tobin, é voltada para atender prioridades globais tanto ambientais quanto sociais, ajuda a evitar a volatilidade do mercado cambial e a restaurar a soberania econômica das nações. Estima-se que a receita associada à taxa alcance um valor entre 100 e 300 bilhões de dólares anuais, a partir de um percentual entre 0,1 e 0,25 incidindo sobre as transações especulativas de moeda que alcançam diariamente cerca de 1,8 trilhões de dólares.

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Marina erra, de novo.

“A rede, iniciativa fabulosa, perde sua legitimidade ao atuar como partido político.”

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Arthur Cecil Pigou

Externalidades -2.

E não é que na última semana Marina Silva anunciou que a Rede Sustentabilidade pretende transformar-se em partido até março do ano que vem. E, como acha que não pode deixar de estar atrelada a um partido, na mesma entrevista informa que deixará o PSB na mesma data.

Será possível que voltará a insistir em criar mais um partido? Talvez, para concorrer nas próximas eleições de prefeitos e vereadores, abocanhar verbas e inevitavelmente fazer concessões para evitar o “mal maior”. Contudo, como não tem vocação para esse papel menor, a rede, iniciativa fabulosa, perde sua legitimidade ao atuar como partido político.

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Benefícios da redução da jornada de trabalho.

(Participe da pesquisa de opinião acima, sobre este post)

Você já se perguntou por que está tão ocupado, onde passa o seu tempo, ou o quanto o seu tempo realmente vale?”

 Antes de apresentar, no próximo post, as respostas às principais objeções à redução da jornada de trabalho, relaciono e comento hoje alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e as vezes controversas, óticas, desta mudança inevitável.

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O que aconteceria se adotada a semana de 21 horas de trabalho no Brasil?

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“6% dos ocupados trabalham até 14 horas por semana, 20%, de 15 a 39 horas, 43% de 40 a 44 horas, 15% de 45 a 48 horas e 16% trabalham 49 horas ou mais.”

Trabalho feliz (no caso, voluntário)

Com o post de hoje e os dois que se seguirão encerro a série sobre a redução radical da jornada de trabalho. No da próxima semana relaciono e comento alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e, às vezes, controversas óticas, desta mudança inevitável. E no último post respondo às críticas enumeradas no post “As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais” e que serve também como um resumo dos posts anteriores da série.

Hoje o desafio é mostrar que a redução é factível mesmo para um país com carências básicas por parte da imensa maioria de sua população. Para chegar lá é preciso um retrato do mercado de trabalho.

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Marcha do Povo pelo Clima, neste domingo em Nova Iorque. Previstas mais de 1 milhão de pessoas.

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“É um caso exemplar de mobilização da sociedade para impor-se em relação a um tema claro e decisivo.”

Tenho insistido neste blog sobre a necessidade da sociedade exercer o controle e, mais do que isto, subordinar a si o estado. Pode parecer uma afirmativa um tanto vaga, mas não é. Não é vaga, é possível e enquanto não ocorrer, o sistema de representação jamais cumprirá o seu papel democrático.

Veja só como a Marcha do Povo pelo Clima está sendo organizada. E trata-se de um evento gigantesco. Mais de 1.000 organizações uniram-se para promover a marcha no próximo domingo, abrangendo grupos locais da região de Nova York e de outras comunidades, ONGs internacionais, redes de base, empresas, sindicatos, grupos religiosos, iniciativas visando a preservação ambiental, escolas, ações por justiça social e mais. Veja aqui a lista de organizações participantes.

O objetivo é produzir a maior mobilização de massas já havida sobre o tema e levar os participantes da reunião da ONU sobre o clima, 2 dias depois, a agir decisivamente em prol do planeta.

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A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

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Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

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A marcha à ré da “civilização do automóvel”

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“Ao contrário do que diz, há crise no setor, sim, e estrutural. “A civilização do automóvel” tem cada vez menos espaço e não será o carro elétrico ou outra fonte “limpa” que reabrirá suas portas.”

1.050 metros do elevado da perimetral demolidos, parte da revitalização do porto do Rio de Janeiro. Foto: Beth Santos – AFP.

Continuo hoje a série sobre a decisiva questão da jornada de trabalho, detalhando-a um pouco mais sob a ótica do setor automobilístico.

O artigo de Míriam Leitão, “Ponto morto”, do último dia 3 ajuda a ilustrar a situação, mesmo que sob a ótica invertida de privilegiar o crescimento econômico independentemente de sua qualidade. Diz ela:

Não há uma crise no setor automobilístico. Aconteceu o previsto. A redução de impostos provocou antecipação de compras e agora as montadoras estão tendo um ano mais fraco. Além disso, a queda é principalmente nas exportações.

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Jornada de Trabalho: redução de 50%. E agora, para onde é que eu vou?

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“O que se espera é a recuperação das montadoras para que continuem sua missão de entupir, mais e mais, as ruas das cidades e rodovias que as interligam.”

Jânio Quadros na ponte em Uruguaiana. Foto de Erno Schneider: Prêmio de Jornalismo de 1962.

Não é que neste 1º de maio o governo brasileiro anunciou uma medida radical de redução da jornada em 50%? É claro, não estamos ainda numa Nova Economia, muito ao contrário, mas a chamada flexibilização da jornada mostra com tremenda clareza as contradições com que se defrontam, não só o Brasil, mas todos os países.

É é por esta notícia que reinicio a publicação semanal de posts às 4as feiras, com uma série sobre a decisiva questão da jornada de trabalho, assunto pendente de detalhamento neste blog. Continua também a publicação em português do boletim quinzenal do NEWGroup (sempre numa 6as feira) e que permite ao leitor uma visão mais ampla do que vem ocorrendo nos EUA, em termos da luta por uma Nova Economia.

Antes de detalhar a notícia, cabe lembrar que as mudanças preconizadas pela nova economia só vão ocorrer a partir de movimentos desvinculados das instituições vigentes, especialmente, daquelas que abrigam pseudo representantes da população e que na verdade defendem interesses deles mesmos e dos que os financiaram e não dos que neles votaram, a menos de quando estão “de olho” em manter ou ampliar seu eleitorado.

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Rede Sustentabilidade – uma grande chance perdida.

“Será que alguém acredita que o PSB terá a coragem de defender a noção, essencial para a sustentabilidade, de que o PIB é um indicador que deve ser liminarmente descartado?”

Mais de 920 mil apoiadores, desperdiçados.

#Rede – a grande chance perdida.

Há males que poderiam vir para o bem. A recente decisão oficial de negar o registro da #Rede como partido político a tempo de disputar as eleições do próximo ano abriu um enorme espaço para que o grupo que trabalha pela sua criação redefinisse seus objetivos maiores e, ao invés de pretender ser um partido, se voltasse para a promoção e apoio de ações de transformação indispensáveis a uma sociedade sustentável. Explico-me.

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Mais médicos, menos saúde. Antes de tudo, água corrente e esgoto em 100% das casas.

“Tratar o cocô não dá voto. As obras são subterrâneas e o objeto considerado abjeto”.

Mais médicos, menos saúde.

Comunidade Vila Dique (RS) – 62,7% das doenças entre os moradores estão ligadas a falta de saneamento básico.

No recente artigo “É hora de falar de saneamento“, Ana Paula Barcellos, mesmo num tom excessivamente cauteloso, faz perguntas e afirmativas que vão ao centro da questão (em azul, meu comentário, abaixo de cada item):

Mais médicos e remédios seriam os meios para superar os principais desafios de saúde no Brasil?
– Como se verá mais adiante, o principal problema de saúde pública resulta da falta de saneamento. A autora ressalta, com base em estudo da OMS, que cada dólar gasto com saneamento poupa quatro dólares com gastos em saúde.

O que torna um problema de saúde mais importante que outros? Doenças que afetam mais pessoas devem ter prioridade ou o cuidado de determinados grupos (crianças ou pessoas de baixa renda)?

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Rede Sustentabilidade, incompetência já na largada.

Pior ainda é o jogo de palavras que induz o incauto a achar que se trata de um movimento da sociedade civil. Não é. Trata-se apenas de mais um partido nesta selva chamada democracia representativa.”

Rede insustentável.

Uma breve pausa na descrição dos princípios para uma macroeconomia de transição para uma Nova Economia para abordar alguns assuntos da atualidade, afins com o tema.

Bem, vamos ao caso da Rede Sustentabilidade. Querer transformar o sistema por dentro já é altamente discutível. O Obama está aí para mostrar que o sistema é quem muda as pessoas, basta um mínimo de oportunismo e vontade de assumir o poder pelo poder.

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Degelo do Ártico abre a exploração de carvão, gás natural, petróleo, cobre, cobalto, níquel e rotas marítimas.

“Derretimento recorde do Pólio Norte assusta cientistas, ameaça o clima do planeta e acirra a corrida de empresas e governos por recursos que não podiam ser explorados até agora. Aquecimento global vira um bom negócio”. Agostinho Vieira.

Saque no Ártico.

Com um dramático paralelo com o saque de um caminhão lotado de produtos, Agostinho Vieira faz em artigo “Mudança$ climática$” publicado na Coluna Economia Verde de O globo de 25 de setembro último um alerta para o que está acontecendo, em escala muito maior, é claro, no Ártico.

Nas palavras do autor:

Nas últimas semanas, especialistas do mundo todo vêm alertando para o nível cada vez mais crítico de degelo na região. Imagens de satélite do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC) dos EUA revelaram que no último dia 16 de setembro a camada de gelo ficou com 3,42 milhões de Km2, a menor extensão desde que começou a ser medida, em 1979. O que representa um nível de declínio no gelo marinho de 13% a cada década. Até 2000, a velocidade de redução era de 6%.

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Os cinco patrocínios mais hipócritas

McDonalds, Coca-Cola, Walmart, o banco Wells Fargo, o plano de saúde United Health e a empresa de alimentos ConAgra, dentre muitas, tentam associar suas imagens com organizações de cunho social que praticam exatamente o oposto a elas.

'Coca-Cola & McDonald's' photo (c) 2012, Walter Lim - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Patrocínio hipócrita.

Um recente artigo de Alyssa FigueroaThe Top 5 Most Hypocritical Corporate Sponsors” publicado na revista AlterNet traz casos gritantes de conflito de interesses entre organizações que promovem ações de grande alcance social e corporações que, de fato, remam no sentido contrário e que as patrocinam.

O caso é grave por envolver o argumento de que as entidades da sociedade civil precisam de recursos. Mas, a que preço? Bem, vamos aos 5 casos.

1) McDonalds e Coca-Cola patrocinaram as Olimpíadas de 2012 em Londres.

Este caso provocou grande polemica pela evidente contradição entre uma das missões das olimpíadas, “a promoção da saúde e da atividade física”, e os efeitos nocivos da “fast food” e de bebidas com ciclamato de sódio e/ou açúcar. Isto ocorreu num país onde 60.8% dos adultos e 31.1 das crianças estão acima do peso.

E não é que o prefeito de Londres declarou que: “Trata-se de esnobismo burguês, uma histeria liberal clássica contra alimentos nutritivos, deliciosos e muito bons para as pessoas, fui informado – não que eu os consuma”.

2) Walmart patrocina a “American Cancer Society”.

Por mais que tente limpar sua reputação a empresa é especialmente não sustentável em suas práticas, financia candidatos “anti-ambientais”, oferece e estimula o consumo de alimentos de baixo preço mas prejudiciais à saúde e não tem plano de saúde para a maioria de seus empregados.

3) O banco Wells Fargo patrocina a “Habitat for Humanity”.

Um dos campeões, nos EUA, da retomada de cerca de 4 milhões de imóveis hipotecados em processos em muitos casos fraudulentos e resultado da crise de 2007 provocada pelos próprios bancos.

4) Os planos de saúde da United Health e WellPoint patrocinam a “American Red Cross”.

As duas maiores corporações de seguro saúde dos EUA em conluio com outras do setor fazem lobby, ao mesmo tempo, contra o “Affordable Care Act” que garante acesso à saúde a toda a população e acabam de doar, com o mesmo propósito, USD 100 milhões para a Câmara de Comércio.

5) A empresa de alimentos ConAgra patrocina a “Feeding America”.

A “Feeding America” é a organização americana líder na ajuda aos que precisam de alimentos e tem entre suas prioridades “aumentar o acesso à comida nutritiva e saudável pelos americanos carentes”. E isto nada tem a ver com a ConAgra. A empresa já foi flagrada com salmonela em suas instalações e produtos, etiquetas fraudulentas, e faz lobby para preservar a batata frita e pizzas no almoço escolar e cortar a ajuda federal para alimentos.

Bem, termino pedindo ao leitor que, se os souber, me envie exemplos brasileiros de patrocínio indevido para divulgação em um próximo post. Desde já, incluo os casos da Vale, Santander e Petrobrás, dentre outros, que procuram, oportunisticamente, mostrarem-se como defensores do meio ambiente e que são sérios candidatos aos cinco mais.

E, sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Uma leitura crítica do artigo “Emergente tardio” de Cristóvão Buarque

“Emergimos em direção a um objetivo que não mais satisfaz. É como uma família plebeia que emergisse à nobreza na Rússia Czarista na véspera da revolução socialista”.

'Precipicio' photo (c) 2009, ramos alejandro - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Emergente tardio.

Um excelente artigo que faz pensar e por isto mesmo desperta a crítica. A tese central do “Emergente tardio” é a de que o foco no crescimento do PIB pelos países emergentes se dá no momento em que o desafio é justamente superar o PIB como orientador da atividade econômica. E, no caso particular do Brasil, este tem uma tradição histórica de buscar objetivos ultrapassados.

Além de concordar com a tese, lembrei-me imediatamente da política nacional de informática que começou corretamente com o BNDE (na época) apoiando, a partir de meados da década de 60, centros de excelência em universidades brasileiras. A partir daí suas propostas ficaram sempre um passo atrás. Na época que os microcomputadores eram o caminho óbvio, financiou-se e privilegiou-se a fabricação nacional de minicomputadores. Um novo passo atrás deu-se quando a ligação em rede era o caminho e optou-se pela produção de microcomputadores. E seguiu nesta toada. Quando apostar em software era evidente, manteve-se a prioridade no hardware. E quando a informação mostrava-se ser o elemento critico, foi a vez da opção pelo software nacional. Depois disto, sumiu do mapa.

Ih!, acabo de ler que ressurgiu. Mais 500 milhões vão para o TI maior, novo “programa estratégico de software e serviços de tecnologia de informação”. É claro, “esqueceram” do software livre, os governos continuarão comprando softwares proprietários, a internet 2.0 continuará voltada para setores “prioritários” em geral do próprio governo, a criação multi-mídia, a comunicação e a interação de “muitos com públicos específicos”, possível novo paradigma que já se vislumbra, e o uso dos canais digitais, ainda sob domínio dos antigos detentores do espaço analógico, para a difusão da banda larga de verdade e de baixo custo continuarão a não merecer consideração, mantendo assim a tradição do “sempre um passo atrás”.

Bem, voltando ao artigo, ao lê-lo, constatei algumas incongruências que acho importante mencionar.

De início cita que “o mundo desenvolvido tem por base quatro grandes princípios: a Democracia Política, o Crescimento Econômico, o Bem-Estar Social e a Inovação Técnica”. Será? A democracia política via representação mostrou-se incapaz de promover os reais interesses dos representados. E, o bem estar social não é algo que esteja disseminado nos países desenvolvidos. Resta, sim, o crescimento econômico, com a inovação técnica a reboque e o voto e a seguridade social no papel de atenuador de tensões.

Continua dizendo que este países estão mudando devido a “…quatro novos fatores: os limites ecológicos ao crescimento, a mega concentração de renda, uma revolução científica e o descolamento do setor financeiro em relação tanto à realidade econômica quanto às fronteiras nacionais”. Os fatores, é verdade, existem, mas não há sinais de mudança.

Reforça o argumento dizendo que “daqui em diante, os países do Primeiro Mundo, países ricos, estão sendo obrigados a fazer escolhas entre continuar o crescimento econômico em direção a uma grave crise ecológica; restringir os benefícios sociais em direção ao equilíbrio fiscal; equilibrar suas economias nacionais em um mundo integrado; ajustar seus empregos aos tempos da nova ciência e tecnologia; dominar a mega concentração de renda sem ferir a democracia; cumprir compromissos presidenciais com uma população que vive mais anos”. Não, a escolha deles já está feita, e é pelo crescimento econômico a despeito das evidencias de consequências nefastas.

O artigo termina dizendo que “…o mundo evolui para mais tempo livre, maior produção cultural, melhor distribuição e mais qualidade nos serviços públicos, respeitando o meio ambiente; mais atenção à saúde pública, aos idosos e às crianças; revolução no atendimento universal e no conceito de educação por toda a vida; preocupação com o bem-estar e até com a felicidade…”. Não, não é verdade a despeito do desejo de muitos, mas que estão completamente à margem dos centros de decisão.

O fato é que emergentes, subdesenvolvidos e desenvolvidos estão juntos privilegiando o PIB, num salto para o inviável. E, não parece nem um pouco razoável que os emergentes e subdesenvolvidos possam provocar a mudança de caminho.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

As perguntas existenciais do mineiro: quécosô?, oncotô? e proncovô?

Uma das maiores trapaças da tecnologia moderna está na política da obsolescência planejada, ou seja, no envelhecimento premeditado dos objetos, com as mudanças desnecessárias de modelo ou “styling” (este anglicismo já é para enganar), e com peças calculadas para não durarem, ou sistemas que não permitem reparação. O auge desta trapaça está no objeto de um só uso.” José A. Lutzenberger.

Recebi de Dan Moche um excelente comentário ao último post. Com a devida autorização, selecionei trechos, incluindo a citação acima, para apresentá-lo em num post. A versão completa pode ser vista em “comentário de Dan Moche”. Vamos ao post:

Parque Nacional Grande Sertão – Veredas

Post escrito por Dan Moche Schneider:

Um amigo meu lá de Minas, véio Cássio, lixólogo de longuíssima data, foi quem me ensinou que as perguntas existenciais do mineiro: “quécosô?, oncotô? e proncovô?” podem ser úteis não somente para o autoconhecimento mas pra entender muitas situações.

Quécosô?

Já me perguntei muitas vezes; e sempre tive respostas diferentes. O mundo muda a gente muda, de onde concluo que sou mudança, viajante, filho dessa espaçonave Terra, tão extraordinariamente criada, que mantém a vida a bordo em regeneração, a despeito da entropia, graças à energia que obtemos da nave mãe – o Sol , que seguimos por espaços nunca dantes navegados.

Sou imaginação. A imaginação não é um detalhe de nossas vidas, é a própria essência do que somos. Somos co-criadores da nossa realidade. Mas sobre todas as crises, a crise da imaginação é a pior. Qual realidade precisa ser criada? Fecho os olhos, imagino e sinto: a ética controla a técnica; a dança substituiu o ritmo do capital; o antagonismo e controle foram substituídos pelo cuidado entre os homens e deles com a natureza. A economia passou a servir o ser humano. Os objetos já são produzidos para durar e serem compartilhados por todos. Já não um mundo de consumidores, mas de seres criativos, livres e cuidadosos. Um mundo com menos lixo.

Oncotamos?

Estamos numa nave em crise, provocada por modos de produção e consumo que desregulam os sistemas de regeneração da vida a bordo, e cujos timoneiros são incapazes de medidas arrojadas para alterar o curso do desastre. Os sistemas de regeneração de vida da nave, que criam, purificam e reintegram resíduos em ritmo natural, já não acolhem, pelo ritmo industrial em que são produzidos, tantos e tão diferentes tipos de resíduos.

Energia e recursos naturais são crescentemente demandados para a produção de objetos projetados para serem inviabilizados em seu uso prolongado . Pela necessidade de consumo dos objetos produzidos, desenvolveu-se também um complexo sistema de produção de consumidores para os objetos, pela colonização da imaginação. As desigualdades entre os tripulantes da espaçonave se acentuam e, pela primeira vez, a massa de passageiros não é mais necessária para manter o padrão de vida da primeira classe. Nesse sistema, o que, para que e com que consequências se produz, no fundo não interessa.

Proncovamos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, com a Lei Nacional de Saneamento Básico e a Lei de Consórcios Públicos constituem um marco na história recente das políticas ambientais e de saneamento brasileiro e passaram a nortear todas as ações de gestão e manejo de resíduos sólidos.

Depois de mais de vinte de anos de luta por esse marco regulatório, cuja implantação tem pela frente antigas mazelas e novos desafios, vamos proteger a saúde pública e o meio ambiente, segundo a PNRS, pela gestão e gerenciamento de resíduos sólidos:

“Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”.

A PNRS não indica, no entanto, como isso pode ser alcançado. Os desafios portanto permanecem:

– Como proibir a produção de objetos que não possam ser reutilizados ou reciclados?
– Como aumentar significativamente o prazo de garantia sobre objetos produzidos?
– Como estabelecer limites à produção e ao consumo, sobretudo das elites planetárias?
– Para onde direcionar o crescimento econômico nas regiões que ainda não atingiram condições mínimas?

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O que fazer

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 30 de maio de 2012):

Continuo hoje com a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando do que fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

É claro que o aumento na frequência e intensidade das catástrofes naturais devidas ao aquecimento global, o acirramento das tensões sociais e ambientais decorrentes da incorporação constante de pessoas aos padrões vigentes de consumo e do aumento populacional oriundo dos países mais pobres e a crescente percepção de que um maior bem estar já é possível e desejável, são tremendos impulsionadores para uma Nova Economia. Ocorre, que os que têm interesses contrários já estabelecidos, se não enfrentados, retardarão ao máximo a mudança, tornando-a mais danosa e dramática, se é que não nos levarão a um ponto sem retorno em termos de preservação da civilização.

Assim, é central se contrapor ao status quo e convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes.

Evidentemente, inúmeras possibilidades surgem à mente. Estabilização da população, mudança da mentalidade consumista, substituição das fontes de energia fóssil, são alguns exemplos. Mas, é preciso selecionar, dentre elas, aquelas que tenham o maior potencial de irradiar a mudança, o que por sua vez permite, o que é decisivo, focar a ação.

Quatro questões me parecem constituir este grupo: restringir os impactos sociais e ambientais negativos oriundos da produção e consumo de bens, reduzir a jornada de trabalho, romper com a teoria econômica ortodoxa e viabilizar decisões mandatórias globais.

Em relação aos impactos negativos, o uso de recursos naturais, em particular o que causa poluição atmosférica, emissão de carbono, depleção dos recursos hídricos e de cardumes, degradação do solo, desflorestamento e o esgotamento de fontes não renováveis, vem intuitivamente à mente, como exigindo uma compensação de forma a evitar ou se, inviável, limitar o dano.

Estes e outros impactos sociais e ambientais negativos são de complexa e difícil medição, tornando vulnerável qualquer uma das formas que têm sido aventadas para restringi-los. Mas, fato é, que a dificuldade não impede que sejam considerados.

É uma medida que dirige claramente a atividade produtiva no sentido dos interesses maiores da humanidade, principalmente em termos de proteção ambiental e da redução e redirecionamento do consumo.

A forma que parece, em geral, a mais adequada é a de quantificar e incluir os impactos quando do estabelecimento dos custos dos produtos, serviços e investimentos. O que, em outras palavras, significa passar a considerar no custo o que os economistas tradicionais chamam de externalidades, forma confortável de definir privilégios, passando a internalizá-las.

Este aspecto, aliás, tem sido objeto de especial atenção de Herman Dale. Um recente post “Quanto pior, melhor” faz referência a isto e detalha um pouco mais o assunto, que será ainda objeto de um novo, específico.

O mecanismo para a inclusão dos custos dos impactos negativos que, parece, vai se impor é o da taxação. Em especial, a do carbono, que consiste em uma taxa coletada pela coletividade e que incide na produção e importação de combustíveis fósseis. O Centro pela Taxação do Carbono (Carbon Tax Center) é uma ótima referência sobre o assunto.

Até do ponto de vista econômico tradicional a taxação pode ter um resultado positivo, pois, além dos benefícios da redução dos impactos é de se esperar a redistribuição social da taxa coletada. Evidentemente que a transição para este novo cenário não é simples, fazendo com que a taxa deva ser ajustada paulatinamente, enquanto a economia se reorganiza.

Parte 2.

 A segunda questão, a da redução da jornada de trabalho, é tão ou mais importante que a primeira. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

Do ponto de vista econômico a redução tende, mas não necessariamente, a valorizar a mão de obra e ser mais um fator de redistribuição de renda e realinhamento da produção de bens e serviços.

As objeções à redução são inúmeras. Parece até que a jornada é algo imutável e resultado de uma constante mágica da natureza. Pretendo analisar isto em detalhe em um post específico.

Bem, ao colocar na mesa as duas questões anteriores, está-se necessariamente rompendo com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, esta é a terceira grande questão.

Passa-se a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses e que a via indireta, descrita no post anterior, deve ser contida. Não é mais possível contar com a “lógica” da livre ação dos mercados para resolver os impasses sociais e ambientais da nossa época.

É interessante observar que faz parte da teoria dominante afirmar que o sistema econômico é na verdade um mecanismo onde a liberdade de iniciativa permite que os empreendimentos floresçam e que portanto não deve ser dirigido nesta ou naquela direção. Fazê-lo, caracterizaria o dirigismo estatal. Os mais radicais, dizem que significa adotar o socialismo. Será mesmo?

As recentes medidas tomadas pelo FED, em particular, mostram que nada está mais longe da verdade. Romperam com todas as regras, protegeram bancos e grandes grupos, inundaram o mundo com dólares aproveitando-se do fato de ser aquela a moeda de referência, tudo em nome da sobrevivência e estabilidade da economia, o que na visão deles significa dizer, primado do crescimento econômico como guia da evolução da atividade produtiva.

Quer dizer, dirigismo para orientar na direção do crescimento econômico, pode. Já, ações na direção dos reais interesses da humanidade, não. São puro socialismo.

A verdade, no entanto, é que nada impede, além do preconceito e de interesses menores, que se substitua a inflação e o crescimento pela taxação e a jornada de trabalho como elementos básicos a orientar a atividade produtiva, subordinando o lucro aos objetivos de aumento do bem estar, preservação ambiental e redução das desigualdades.

Finalmente, é interessante, e dramático, observar que, idealmente, as duas primeiras questões devem, em suas formas mais incisivas, serem implementadas globalmente sob pena, em geral, dos países que o fizerem independentemente perderem competitividade. Daí a última e importante questão, o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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