A hora e a vez da sociedade civil

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  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Confraternização da Stakeholder e convidados

Desapontamento à parte, faço hoje algumas observações e trago notícias sobre ocorrências paralelas à RIO +20 e relacionadas à Nova Economia.

Com surpresa, constatei que o termo “Nova Economia” foi usado em diferentes momentos e circunstâncias. Até em palestra do presidente do BNDES, o que no caso significou a velha economia recauchutada.

Outro exemplo, e o que mais me surpreendeu, foi o Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, evento de 3 dias realizado no espaço Humanidade 2012 organizado pela Ashoka em parceria com a Fundação Avina, a Fundação Roberto Marinho e a Skoll Foundation.

Antes, convém lembrar que o Humanidade 2012 é realização da FIESP e da FIRJAN razão da surpresa já que estes estão longe de quererem uma Nova Economia. Acho que escapou meio que “pelos dedos”, talvez porque o fórum foi apoiado pelo Instituto Arapyaú que tem fortes laços com aquelas entidades.

O fórum foi fraco com exceção do painel principal que tratou muito bem do tema. O outro painel mencionando o tema foi tão ruim que deveria ter se chamado, como sugeriu um participante, “Modelos de Negócios para a Velha Economia”. Os demais simplesmente ignoraram a segunda parte do tema. Aliás, a primeira parte também foi mal abordada. O pessoal da “Economia Solidária” não foi convidado e nem sequer mencionado no evento.

E por falar em Fundação Roberto Marinho, em plena abertura da Cúpula a TV Globo deu destaque, em matéria do Jornal Nacional, aos que contestam o aquecimento global e sequer abriu a palavra para os que pensam, e são a quase totalidade, o contrário. Foi como dizer: a conferência fracassou, mas que importância isto tem? Além de entrevistar um cientista americano que diz que as gerações futuras vão até agradecer pelas crescentes emissões de CO2, traz mais uma grande “contribuição” do departamento de Geografia da USP, uma entrevista com um professor, José Bueno Conti, dizendo que o mundo já existe a bilhões de anos e que o aquecimento é apenas parte de um ciclo natural. Isto é que é visão de longo prazo, professor. Será que não ocorreu a ele que a conferência sequer dizia respeito à questões climáticas e que o nome da USP estava em jogo? É, tudo por 5 minutos de “fama”.

Contrariando o ditado “de onde menos se espera, é dali que nada vem, mesmo”, não é que neste domingo, em pleno “Fantástico” foi apresentado mais um episódio de uma bem feita e impactante série “Planeta Terra – Lotação esgotada”, desta vez focado na cidade de São Paulo e que, de forma impecável, faz um diagnóstico que leva à inexorável necessidade de uma Nova Economia.

Outra surpresa foi o destaque dado pela imprensa ao debate entre Ricardo Abramovay, Tim Jackson e Armínio Fraga sobre os limites do crescimento econômico, em painel sobre a economia verde no fórum citado acima. O embate sobre crescimento causou forte preocupação ao beneficiário da privatização da Siderúrgica Nacional que a expressou em artigo na Folha de São Paulo. Como argumento, o artigo apoia-se na velha cantilena da via indireta. Quem sabe ele aceite trocar a ordem dos beneficiários. Desenvolvimento econômico orientado para a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar. E, como resultado indireto, o lucro. E este último, se vier, veio, se não, paciência.

Bem, o fato é que a questão do crescimento ilimitado está se impondo no amplo debate sobre o futuro, inclusive na chamada “grande mídia”, obviamente, com enorme tendenciosidade, por enquanto.

Estiveram por aqui participando dos eventos da Rio +20 e da conferência da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE2012) pesquisadores e dirigentes da NEI – New Economics Institute, nef – New Economics Foundation e CASSE – Center for the Advancement of the Steady State Economy, dentre outros.

Em particular, no último sábado tivemos, organizado pelo autor deste post, um jantar de confraternização da Stakeholder Forum e seus convidados (ver foto). Comparecerem mais de 30 pessoas, das quais, 12 dirigentes e especialistas da Stakeholder que vieram apoiar a Rio +20. A Stakeholder Forum junto com a nef e a NEI é responsável pela iniciativa chamada “Global Transition 2012” e que busca promover a mudança para a Nova Economia o mais rápida e harmonicamente possível.

Comecei o post expressando meu descontentamento, mas, pensando melhor, acho que a Rio +20 permitiu uma grande articulação e movimentação da sociedade civil. Ora, ficou mais claro do que nunca que ela é que é o agente da mudança. Aos poucos, as diferentes correntes, principalmente ambientais e sociais, vão encontrar pontos de identidade e de ação conjunta viabilizando a mudança e da forma menos traumática possível. Organizações como a Stakeholder Forum atuam exatamente nesta direção, e de forma relevante.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Em destaque

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Acontecimentos recentes e que, me parece, merecem ser ressaltados, me levaram a publicar esta nova edição do “Em destaque”.

O principal deles é o Spring 99%. Uma série de artigos destacam a iniciativa, dentre eles o de Peter Rothberg para o The Nation intitulado The 99% Spring. Trata-se de uma impressionante coalizão de organizações, lideradas pelo MoveOn, e que, com uma clara inspiração no OWS – Occupy Wall Street, se propôs a recrutar e o treinar 100 mil pessoas para que conheçam a história da ação direta não-violenta e saibam como usá-la em ações visando denunciar o Banco da América, o Wells Fargo, a Exxon Mobil, a Chevron, a Sallie Mae e trinta outras multinacionais como principais responsáveis pela crise ao agir conscientemente em detrimento dos interesses maiores da população. O objetivo central do movimento é interferir nas reuniões anuais de acionistas de cada uma destas empresas, que na maioria dos casos ocorrem no trimestre em curso, através de protestos tanto no próprio local da reunião quanto nos arredores.

Outro fato é que este blog passa a contar até julho com uma seção na 1ª página dedicada à Rio +20. Em especial, além dos links de posts sobre o tema, vale conferir o Radar Rio +20 da Vitae Civilis.

E, finalmente, dois textos importantes e conflitantes acabam de ser divulgados. Um, o “Green Economy in a Blue World – Synthesis Reportfocado nos oceanos e desdobramento do estudo mais abrangente intitulado “Decoupling”, ambos publicados pela UNEP e que sustentam a ideia de que a economia verde permitirá o desacoplamento entre o uso de recursos materiais, em especial os fósseis, voltados para a produção de energia, e o crescimento econômico. Do outro lado, o estudo “Building a Sustainable and Desirable Economy‐in-Society‐in-Nature” elaborado por Herman Dale, Gar Alperovitz, Tim Jackson, Juliet Schor, Peter Victor e outros, que, apesar de patrocinado pela divisão de desenvolvimento sustentável da ONU e apresentado para consideração da Rio +20, mostra que não existe tal possibilidade, como, aliás, foi demonstrado em vários posts deste blog.

Parece clara a tentativa oficial da coordenação da Rio +20 de usar um hipotético potencial da chamada economia verde para defender a viabilidade do “mais do mesmo”. A ver, brevemente.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Tribunal Hessel na Rio +20

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Bertrand Russel

Uma ideia que pode fazer com que uma esvaziada Rio +20 venha a ser, mesmo que indiretamente, um evento realmente transformador. Implementada, seria uma ação de grande repercussão e exemplar.

Trata-se de um tribunal para julgar os crimes contra a humanidade que vem sendo cometidos pelos bancos centrais e autoridades financeiras governamentais dos EUA, União Europeia, Reino Unido, França e Alemanha, desde o início da crise de 2007, que perdura. Sob a alegação de evitar uma crise sistêmica, tais entidades insistem no resgate de parte do sistema financeiro internacional, principal responsável pela própria crise. E além disto promovem, nas palavras do artigo referido a seguir, “um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente”.

Stéphane Hessel é o renomado autor do livro “indignai-vos” cuja mensagem sensibilizou milhões de pessoas e que levou, “principalmente os jovens, a ocupar em diversos cantos do mundo, praças e ruas”, reagindo à um modelo econômico que “destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos e os condena à uma vida sem futuro”.

A proposta é do professor Cristovam Buarque, amigo de Hessel, feita em artigo “De Russell a Hessel” e publicado em O Globo neste sábado. Ela surgiu de uma ideia similar, o Tribunal Russell, também conhecido como Tribunal Interacional de Crimes de Guerra e Tribunal Russel – Sartre, criado em Novembro de 1966, para julgar crimes da intervenção militar dos EUA no Vietnã. Nas palavras do professor:

“Bertrand Russell, Prêmio Nobel de Literatura em 1950, criou o tribunal para julgar os crimes no Vietnã, e, caminhando ao lado de jovens, despertou o mundo para a tragédia vietnamita. Seu tribunal não tinha qualquer poder legal, mas uma imensa força moral capaz de encurralar os dirigentes da grande potência americana, com seus aviões e bombas, mas sem uma base ética para a guerra”.

Convocado por Hessel e composto por ele e por outras pessoas de excepcional força moral de todo o mundo o tribunal poderia ser instalado na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental constituída por cerca de 150 entidades de 27 países para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência oficial.

Acredito que o objetivo central do tribunal deveria ser o de julgar a conivência e conluio das autoridades com o sistema financeiro, socorrendo-o e ignorando seus crimes, em detrimento dos interesses das populações dos países sobre os quais têm autoridade e responsabilidade. Sobre isto ressalto o artigo, objeto de notícia neste blog, com o irônico título “Grande passo à frente” publicado pelo EconoMonitor no último dia 3 e que mostra que o resgate de Wall Street pelo FED significou que mais de USD 30 trilhões foram para o capitalismo conspícuo.

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Em destaque

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Um dos pais do real diz que mundo não pode voltar a crescer porque atingiu limite do planeta.

O jornal O Globo desatinou? Os tucanos perderam o rumo?

O fato é que a inviabilidade do crescimento foi a razão de dois destaques na 1ª página do jornal “O Globo” do último domingo e de duas paginas no caderno de economia da mesma edição. As duas são correlatas: uma entrevista com Lara Resende e outra com o ambientalista inglês Paul Gilding que é a principal referência de recente artigo do primeiro.

Será que os acontecimentos estão precipitando-se? Não é a toa que 3 importantes organizações, Stakeholder Forum, nef e NEI, uniram-se em torno do movimento “Transição Global 2012” propondo-se a acelerar a mudança para uma Nova Economia e tendo como objetivo imediato ampliar a sua influência na Rio +20. A ver.

Bem, vamos a esta nova edição do “Em destaque”:

  1. Temos que rever o que consideramos progresso” é o título da matéria com a entrevista de Lara Resende, que aborda tanto a questão ambiental quanto a social e a do bem estar, apesar de um certo direcionamento do jornal para o primeiro aspecto.

  2. É o fim da economia como a conhecemos“, diz Paul Gilding, que prevê a eclosão do impasse ainda nesta década.

  3. Os novos limites do possível” é o título do excelente artigo de Lara Resende publicado no Valor Econômico em 20 de janeiro último.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A Rio +20. É possível

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Apesar das considerações trazidas no último post apontando para as dificuldades resultantes da persistente reação dos interesses constituídos às inadiáveis mudanças, acredito que é possível que a cúpula de 2012 traga importantes e inesperados resultados.

Vale lembrar que 20 anos atrás, a conferência de então enfrentou muitas resistências. Um bom exemplo é o do presidente americano (Bush, pai) que compareceu em decisão de última hora pressionado pelo impacto negativo de sua atitude. Mesmo assim, a conferência extrapolou seus limites, produziu documentos marcantes e foi, como mencionei em post anterior (A Rio +20. Decisiva?) a origem de 2 vertentes, cada uma com inúmeros desdobramentos, uma delas desembocando agora na Rio +20.

O mesmo deve se repetir e com impacto multiplicado.

De 1992 para cá as entidades civis expandiram-se enormemente em número, força e atuação. O Greenpeace, a WWF, a Fundação Onda Azul e o Fórum Social Mundial são apenas exemplos deste fenômeno que abrange não só a causa ambiental como a social. Assim, é de se prever, que a forte ação de ONGs havida em 1992 se reproduza amplificadamente. Os sinais disto já são visíveis. Alguns exemplos:

Cerca de 150 entidades de 27 países constituíram a Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência, denunciando o “mito da economia verde”.

A ISEEThe International Society for Ecological Economics fará sua 12ª conferência bianual de 29 de maio a 1 de junho de 2012 no Rio de Janeiro com o objetivo explícito de influenciar a Rio +20. A Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), afiliada à ISEE promove o seu IX Encontro Nacional de 4 a 8 de outubro de 2011, preparatório para a conferência da ISEE.

O “World Symposium on Sustainable Development at Universities” e que visa refletir e trazer a contribuição de universidades de todo o mundo para a Rio +20, ocorrerá no Rio de janeiro paralelamente ao evento.

Curiosamente, apesar da tese da economia verde, como mostrei em post anterior (A economia verde. Ilusão?), não sobreviver à cúpula de 2012, mesmo com os interesses econômicos favoráveis em jogo, as duas vertentes devem voltar a convergir e é possível que a conferência, da mesma forma que em 1992, extrapole os seus limites e venha a ser o início de uma ação com efeito global produzindo um acordo climático mandatório e uma diretriz que comece a colocar a força produtiva a serviço do equilíbrio social e do bem estar, e, de passagem, resolva a parafernália de organizações e eventos que foram surgindo desde 1992.

Em algum momento a força dos fatos irá se impor. Aliás, uma versão simplificada de uma citação de Keynes expressa isto bem: “quando os fatos mudam, eu mudo de ideia. E você?” A conferência pode ser o gatilho da mudança, justificando o esforço da diplomacia brasileira pelo sucesso do evento.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

A Rio +20 já fracassou?

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Volto a tratar da Rio +20 neste e no próximo post após desvio provocado pela nova onda da “grande recessão” que, aliás, passou a ser considerada por muitos como a 2ª “grande contração” explicitando a gravidade da conjuntura econômica atual.

Antes, note que o blog tem agora uma central de comentários e que fiz também alterações visando deixar claro o “por que” uma Nova Economia é necessária, o “que é” preciso mudar para que ocorra e “como” tal mudança pode ocorrer. Em posts após este e o próximo pretendo detalhar e explicar estes tópicos.

Bem, vamos ao tema de hoje. O título do post é uma pergunta que pode parecer precipitada pois a conferência só irá ocorrer em junho do próximo ano. Mas, não, porque está centrada em uma proposta que, muitos pensam, conforme analisei no post (A economia verde. Ilusão?) nunca foi viável. Explico.

Os temas da conferência Rio+20 são:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
  • A base institucional para o desenvolvimento sustentável.

O primeiro tema já indica a tentativa de dar uma roupagem de “economia verde” ao desenvolvimento sustentável e de incluir naquela a erradicação da pobreza. Evidentemente, isto vem da força dos interesses econômicos que tentam preservar a ideologia do crescimento econômico. Em vão, como vimos.

A razão do segundo tema, dita pela própria ONU, é superar “a proliferação de acordos ambientais multilaterais e a fragmentação de instituições para este mesmo fim”. É a burocracia lutando contra a burocracia.

Vale lembrar que o desenvolvimento sustentável propõe-se a ser um que garanta às gerações futuras os bens naturais existentes seja pela preservação seja por reposição. Como já ficou claro que isto requer, entre outras providências, a substituição da energia fóssil pelas de baixo carbono, ele evoluiu para a economia verde. Esta, além de propor a substituição das fontes energéticas, defende a tese de que ao fazê-lo e com o uso intenso de novas tecnologias haverá um descasamento cada vez maior entre a quantidade de insumos materiais e o aumento do produto, o que permite, nesta visão, crescimento econômico com preservação ambiental e maior justiça social.

Se já não bastasse, espera-se ainda na conferência, como dito, que a “economia verde” contenha os ingredientes para a erradicação da pobreza. Isto, mesmo tendo como pano de fundo a previsão populacional divulgada pela própria ONU e as recentes conclusões do painel de mudanças climáticas da mesma ONU evidenciando o acirramento da crise ambiental e social. A saber.

A ONU prevê que a população do mundo somente estabilize em 2100 alcançando cerca de 10 bilhões de pessoas, a partir das hoje 7 bilhões de pessoas e chegando a 9,3 bilhões em meados do século. O terrível é que o aumento vem de países com alta taxa de fertilidade e pobreza: 39 da africa, 9 da Asia, 6 da Oceania e 4 da América Latina.

O IPCC – Painel de Mudanças Climáticas da ONU, em sua última estimativa mostra que para conter o aumento da temperatura global à faixa de 2.0 a 2.4 graus centigrados será necessário haver uma redução até 2050 entre 50 e 85% nas emissões relativamente ao ano 2000. Neste caso o pico das emissões ocorreria no máximo até 2015. À medida que o mundo for se distanciando deste objetivo o aumento da temperatura vai se tornando mais intenso podendo no pior caso chegar um valor entre 4,9 e 6,4 graus centigrados, e com ele, mais e piores catástrofes naturais.

Em 2010, segundo a AIE o mundo emitiu 30,6 giga toneladas de CO2 o que significa um aumento de cerca de 40% em relação a 1990 e 30% em relação ao ano 2000.

Alguma esperança vem da estimativa do IPCC divulgada em junho último de que é possível alcançar em 2050, 77% de uso de fontes renováveis de energia. Isto, partindo-se de 12,9% em 2008. Mas, mostra, infelizmente, que o pior cenário possível é um aumento para apenas 15% em 2050.

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A economia verde. Ilusão?

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2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Green Economy resized' photo (c) 2011, Philippe Put - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Como ressaltei no último post, em junho de 2012 ocorrerá no Rio de Janeiro uma nova conferência de cúpula da ONU centrada no que tem se chamado de economia verde. Convém pois, antes de descrever em mais detalhe o encontro e comentar suas propostas e possibilidades, analisar o seu tema principal. A UNEP define a economia verde “como sendo aquela que resulta em aumento do bem estar e justiça social, e ao mesmo tempo reduz significantemente os riscos ambientais e a escassez ecológica. Em sua expressão simples, pode ser pensada como uma de baixo carbono, eficiente no uso de recursos e inclusiva socialmente”.

Desconsiderando uma certa imprecisão, a semelhança com as propostas por uma Nova Economia logo desaparece, pois, continua: “em termos práticos, a economia verde é uma onde o crescimento e o emprego são movidos por investimentos públicos e privados que reduzem a emissão de carbono e a poluição, aumenta a eficiência energética e de uso dos recursos e evita a perda na biodiversidade e nos serviços do ecossistema”. Ou seja, quer dirigir a onda verde para que ao invés de colidir promova e dê continuidade ao crescimento econômico como objetivo maior para a humanidade. Muito mais do que sobrevida ao desenvolvimento sustentável, a economia verde é uma proposta para “fazer do limão uma limonada” transformando a inadiável transição para o baixo carbono num novo motor do crescimento econômico, superando os impasses da grande recessão em curso.

O passe de mágica da proposta de uma economia verde está na ideia de que “o descolamento relativo” entre a quantidade produzida e o uso de recursos supere os limites naturais cada vez mais evidentes do crescimento econômico.

O “decoupling” realmente ocorre, por força principalmente do avanço tecnológico. Por exemplo, Por 25 anos, até 2006, o CO2 emitido no mundo por uso de energias fósseis caiu de pouco mais de um quilo para 770 gramas por unidade do PIB medido em dólares. Mas, o que realmente importa são os valores absolutos.

Leitor, veja a gravidade da situação. O recomendável é que a humanidade alcance uma redução de 50% nas emissões até 2050, relativamente à 1990. Isto para limitar o aquecimento global a 2º minimizando os riscos de calamidades. Mas, caminhou em sentido contrário. Hoje, em termos absolutos, as emissões globais oriundas do uso de energias fósseis já são 40% superiores às de 1990.

Aprofundando a questão, lembro, conforme o post “Dúvidas sobre a declaração do CASSE” que princípios consolidados da física e da ecologia sustentam a obviedade dos limites ao crescimento econômico. Dentre eles, as duas primeiras leis da termodinâmica, o conceito de nível trófico (cadeia alimentar) e o da exclusão competitiva. Não há como esperar que o “decoupling” evite mais e mais uso de recursos naturais.

Além disto, há a possibilidade, muito bem apresentada no artigo “O grande embaraço da Rio – 2012” de José Eli da Veiga, “da poupança obtida com aumento de eficiência energética ser empregada no consumo de outros bens e serviços com custos energéticos que podem até provocar um jogo de soma zero, situação descrita como “tiro pela culatra”. Basta pensar, por exemplo, em uma economia feita com a aquisição de um carro flex que viabilize a compra de mais uma viagem aérea”.

Bem, fica assim claro que a “economia verde” mesmo com o “descasamento” não é solução.

Interessante é que a economia verde parece estar se dividindo em duas correntes. Uma centrada na transição para o baixo carbono e outra com grande identidade com as propostas por uma Nova Economia. O belo, amplo e profundo trabalho patrocinado pela Conservação Internacional Brasil publicado no número 8 de sua revista eletrônica “Política Ambiental” mostra isto. São 18 artigos de especialistas de diversos setores da sociedade sobre alternativas econômicas e sociais rumo a uma economia de baixo carbono, mais inclusiva e sustentável.

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A Rio +20. Decisiva?

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2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A conferência de Cúpula da ONU Rio+20 realiza-se de 4 a 6 de junho de 2012. (O evento foi transferido para 20 a 22 de junho, parte do esforço do governo brasileiro de tentar garantir a presença dos chefes de estado ou de governo dos principais países. Durante a 2ª quinzena de junho ocorrerão importantes eventos paralelos, em especial os promovidos pela sociedade civil).  É +20 pois decorre da Cúpula da Terra de 1992 também realizada na cidade.

Da Cúpula da Terra participaram 172 países, 108 dos quais liderados por seus chefes de estado ou de governo. Dentre estes últimos, os mais expressivos em termos econômicos. Contou ainda com a presença de 2.400 representantes de Organizações Não Governamentais e deu voz ao Fórum das ONGs, evento paralelo do qual participaram 17.000 pessoas. Ao longo de quase duas semanas cerca de 10.000 jornalistas credenciados foram os porta-vozes da mensagem que despertou o mundo para a importância do desenvolvimento sustentável.

A Agenda 21, a declaração do Rio sobre desenvolvimento e meio ambiente, a formalização dos Princípios das Florestas, a convenção sobre mudança climática e a convenção sobre a diversidade biológica, todos, resultaram do evento.

A Cúpula da Terra influenciou decisivamente todas as conferências subsequentes da ONU relacionadas a assuntos como direitos humanos, população, desenvolvimento social, valorização da mulher e da criança e o desenvolvimento ambiental sustentável.

Dela derivaram duas vertentes, uma voltada para a questão climática e outra voltada para o desenvolvimento sustentável.

O protocolo de Kyoto, o roteiro de Bali, a conferência de Cancún e a próxima conferência em Durban, Africa do Sul, em dezembro são expressões da 1ª vertente. Em Kyoto, em 1997, pela 1ª vez firmou-se um compromisso obrigatório de redução de 5% (em relação aos níveis de 1990) das emissões por 37 países mais desenvolvidos além dos 15, na época, países membros da comunidade europeia, a iniciar-se em 2005 e com duração até 2012. Ressalto que os EUA assinaram mas até hoje não ratificaram o acordo e nada indica que venha a fazê-lo ou mesmo que venha a concordar com sua renovação, mesmo que incluídos os demais países, especialmente a China.

Note ainda que, ao contrário do acordado, os países desenvolvidos aumentaram as emissões de 1990 até 2010 em cerca de 30%, conforme a Agéncia Internacional de Energia.

A 2ª vertente, teve vários desdobramentos e desemboca, agora, na Rio +20. O plano de implementação de Johannesburg, de 2002 e o documento resultante da cúpula mundial de 2005 com a consequente criação do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) são as suas manifestações mais importantes.

Bem, espera-se que na conferência de 2012 repita-se a presença massiva de chefes de estado e de governo e que haja uma movimentação ainda maior do que na de 1992, dada a gravidade do quadro ambiental e social. Se produzirá resultados, são “outros quinhentos”, questão a ser abordada em próximo post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

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