Boletim quinzenal do NEWGroup – edição de 28 de março de 2014

a nova economia, hoje                                                 

O quanto de energia renovável é possível?

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Boletim quinzenal do NEWGroup – edição de 14 de março de 2014

a nova economia, hoje                                              

O que você faria com 26,7 bilhões de dólares?

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Boletim quinzenal do NEWGroup – Grupo de Trabalho sobre a Nova Economia

Este blog começa hoje a publicar regularmente  a versão em português dos boletins do NEWGroup sem prejuízo dos posts que são publicados às quartas-feiras conforme a programação para o ano. Acredito que a publicação pode trazer, dentre outros, dois grandes benefícios. Um, o das matérias em si, que são de ótima qualidade e pertinência. O outro, a percepção do esforço que vem sendo feito em prol da Nova Economia nos EUA pelos mais variados grupos e formas.

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O Papa e o meteoro, O que diria Jesus? e Golpe contra novos rumos.

“Seria bom saber que todos os políticos eleitos usam os mesmos serviços públicos de seus eleitores.” Cristovam Buarque.

'2009 Leonid Meteor (cropped, afterglow closeup)' photo (c) 2009, Ed Sweeney - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Em destaque.

Acordei sábado, dia 23 último, com uma bela surpresa. 3 ótimos, 2 deles divertidos, artigos no jornal O Globo, e que têm tudo a ver com a Nova Economia.

Aliás, antes que me perguntem, registro que diariamente me surpreendo com o mencionado jornal que tem uma orientação claramente conservadora e ainda por cima é monopolista. A bem da verdade, monopolista por incompetência dos antigos Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora.

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A hora e a vez da sociedade civil

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Confraternização da Stakeholder e convidados

Desapontamento à parte, faço hoje algumas observações e trago notícias sobre ocorrências paralelas à RIO +20 e relacionadas à Nova Economia.

Com surpresa, constatei que o termo “Nova Economia” foi usado em diferentes momentos e circunstâncias. Até em palestra do presidente do BNDES, o que no caso significou a velha economia recauchutada.

Outro exemplo, e o que mais me surpreendeu, foi o Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, evento de 3 dias realizado no espaço Humanidade 2012 organizado pela Ashoka em parceria com a Fundação Avina, a Fundação Roberto Marinho e a Skoll Foundation.

Antes, convém lembrar que o Humanidade 2012 é realização da FIESP e da FIRJAN razão da surpresa já que estes estão longe de quererem uma Nova Economia. Acho que escapou meio que “pelos dedos”, talvez porque o fórum foi apoiado pelo Instituto Arapyaú que tem fortes laços com aquelas entidades.

O fórum foi fraco com exceção do painel principal que tratou muito bem do tema. O outro painel mencionando o tema foi tão ruim que deveria ter se chamado, como sugeriu um participante, “Modelos de Negócios para a Velha Economia”. Os demais simplesmente ignoraram a segunda parte do tema. Aliás, a primeira parte também foi mal abordada. O pessoal da “Economia Solidária” não foi convidado e nem sequer mencionado no evento.

E por falar em Fundação Roberto Marinho, em plena abertura da Cúpula a TV Globo deu destaque, em matéria do Jornal Nacional, aos que contestam o aquecimento global e sequer abriu a palavra para os que pensam, e são a quase totalidade, o contrário. Foi como dizer: a conferência fracassou, mas que importância isto tem? Além de entrevistar um cientista americano que diz que as gerações futuras vão até agradecer pelas crescentes emissões de CO2, traz mais uma grande “contribuição” do departamento de Geografia da USP, uma entrevista com um professor, José Bueno Conti, dizendo que o mundo já existe a bilhões de anos e que o aquecimento é apenas parte de um ciclo natural. Isto é que é visão de longo prazo, professor. Será que não ocorreu a ele que a conferência sequer dizia respeito à questões climáticas e que o nome da USP estava em jogo? É, tudo por 5 minutos de “fama”.

Contrariando o ditado “de onde menos se espera, é dali que nada vem, mesmo”, não é que neste domingo, em pleno “Fantástico” foi apresentado mais um episódio de uma bem feita e impactante série “Planeta Terra – Lotação esgotada”, desta vez focado na cidade de São Paulo e que, de forma impecável, faz um diagnóstico que leva à inexorável necessidade de uma Nova Economia.

Outra surpresa foi o destaque dado pela imprensa ao debate entre Ricardo Abramovay, Tim Jackson e Armínio Fraga sobre os limites do crescimento econômico, em painel sobre a economia verde no fórum citado acima. O embate sobre crescimento causou forte preocupação ao beneficiário da privatização da Siderúrgica Nacional que a expressou em artigo na Folha de São Paulo. Como argumento, o artigo apoia-se na velha cantilena da via indireta. Quem sabe ele aceite trocar a ordem dos beneficiários. Desenvolvimento econômico orientado para a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar. E, como resultado indireto, o lucro. E este último, se vier, veio, se não, paciência.

Bem, o fato é que a questão do crescimento ilimitado está se impondo no amplo debate sobre o futuro, inclusive na chamada “grande mídia”, obviamente, com enorme tendenciosidade, por enquanto.

Estiveram por aqui participando dos eventos da Rio +20 e da conferência da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE2012) pesquisadores e dirigentes da NEI – New Economics Institute, nef – New Economics Foundation e CASSE – Center for the Advancement of the Steady State Economy, dentre outros.

Em particular, no último sábado tivemos, organizado pelo autor deste post, um jantar de confraternização da Stakeholder Forum e seus convidados (ver foto). Comparecerem mais de 30 pessoas, das quais, 12 dirigentes e especialistas da Stakeholder que vieram apoiar a Rio +20. A Stakeholder Forum junto com a nef e a NEI é responsável pela iniciativa chamada “Global Transition 2012” e que busca promover a mudança para a Nova Economia o mais rápida e harmonicamente possível.

Comecei o post expressando meu descontentamento, mas, pensando melhor, acho que a Rio +20 permitiu uma grande articulação e movimentação da sociedade civil. Ora, ficou mais claro do que nunca que ela é que é o agente da mudança. Aos poucos, as diferentes correntes, principalmente ambientais e sociais, vão encontrar pontos de identidade e de ação conjunta viabilizando a mudança e da forma menos traumática possível. Organizações como a Stakeholder Forum atuam exatamente nesta direção, e de forma relevante.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Conferência da Nova Economia – 8 a 10 de junho de 2012

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
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  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Workshop' photo (c) 2011, Heinrich-Böll-Stiftung - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/O Instituto pela Nova Economia ( NEI – New Economics Institute), com o intenso apoio da nef (New Economics Foundation), promove em junho próximo no Bard College no Estado de Nova Iorque um encontro de 3 dias com cerca de 60 reuniões de trabalho, palestras, discussões localizadas e resoluções plenárias e ao qual são bem vindos os que queiram conhecer mais sobre o tema e participar dos debates.

Denominada “Estratégias para uma Nova Economia“, a conferência representa, pela sua amplitude, mais um passo na direção do amadurecimento do movimento. Organizado em torno de 10 temas, o evento destacará as melhores experiências práticas e trabalhos teóricos relativos a cada um. E pretende, em última instância, demonstrar que uma economia decentralizada, sustentável e cooperativa já está se formando.

As inscrições podem ser feitas acessando a pagina “registration“.

Os 10 temas são:

  1. Bancos e financiamento numa Nova Economia: escala, critérios e inovação – explorando sistemas financeiros alternativos que promovam o desenvolvimento sustentável.
  2. Medição do bem estar: alternativas de indicadores de riqueza e progresso – compreendendo as medidas de prosperidade, incluindo indicadores ecológicos e de qualidade de vida.
  3. Comunicação: educação, mídia e campanhas públicas – discutindo com se dá a comunicação acerca de e numa Nova Economia.
  4. Governos comprometidos: política que priorize as pessoas e o planeta – discutindo como a ação local, nacional e global deve se dar.
  5. Economia local: mecanismos para a sua resiliência – reconstruindo as economias locais.
  6. Propriedade e trabalho: cooperativas, participação e estrutura corporativa – reimaginando a propriedade e o trabalho.
  7. Produção e consumo: sustentabilidade, simplicidade, suficiência e abundância – analisando como atender as necessidades e aspirações numa sociedade pós-consumo.
  8. Uso do coletivo: identificação, alocação e restauração. Explorando a proteção, restauração e uso do patrimônio coletivo.
  9. Transformação do dinheiro: estruturação, emissão e valor de novos meios de troca. Explorando sistemas de troca justos que promovam o desenvolvimento local e justiça social.
  10. Visualização e modelagem da Nova Economia: prosperidade para todos dentro dos limites do planeta – considerando as economias das comunidades e do planeta operando dentro dos limites ambientais.

Os organizadores da conferência colocaram à disposição os textos mais importantes relativos a cada um dos temas. 31 palestrantes, dos mais destacados, já confirmaram sua participação.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Em destaque

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  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Um dos pais do real diz que mundo não pode voltar a crescer porque atingiu limite do planeta.

O jornal O Globo desatinou? Os tucanos perderam o rumo?

O fato é que a inviabilidade do crescimento foi a razão de dois destaques na 1ª página do jornal “O Globo” do último domingo e de duas paginas no caderno de economia da mesma edição. As duas são correlatas: uma entrevista com Lara Resende e outra com o ambientalista inglês Paul Gilding que é a principal referência de recente artigo do primeiro.

Será que os acontecimentos estão precipitando-se? Não é a toa que 3 importantes organizações, Stakeholder Forum, nef e NEI, uniram-se em torno do movimento “Transição Global 2012” propondo-se a acelerar a mudança para uma Nova Economia e tendo como objetivo imediato ampliar a sua influência na Rio +20. A ver.

Bem, vamos a esta nova edição do “Em destaque”:

  1. Temos que rever o que consideramos progresso” é o título da matéria com a entrevista de Lara Resende, que aborda tanto a questão ambiental quanto a social e a do bem estar, apesar de um certo direcionamento do jornal para o primeiro aspecto.

  2. É o fim da economia como a conhecemos“, diz Paul Gilding, que prevê a eclosão do impasse ainda nesta década.

  3. Os novos limites do possível” é o título do excelente artigo de Lara Resende publicado no Valor Econômico em 20 de janeiro último.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Culpe o aposentado

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
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  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'domino' photo (c) 2009, jmarconi - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/A nova ministra do trabalho italiana chorou mas fez sua parte no ajuste de 30 bilhões de euros nas contas do país apresentado no último dia 4 de dezembro: A idade mínima de aposentadoria foi elevada para 62 anos no caso das mulheres e 66 anos para os homens. Pensões acima de 960 euros foram congeladas.

O desemprego grassa, a economia engasga e a solução é mais aperto, mais cortes. Isto vem acontecendo em todo o mundo. Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e Itália são os destaques. E nos EUA, o FED não deixa por menos. Tudo pelo PIB, mesmo a custa de empregos.

E não foi com menos espanto que li o recente artigo de Fábio Giambiagi intitulado “O desafio demográfico” publicado em O Globo em 11 de novembro último e que me levou a escrever um e-mail para o autor, que transcrevo:

Prezado Fábio,
O seu recente artigo publicado no O Globo parece indicar que se deve alongar o prazo para a aposentadoria em resposta à nova realidade demográfica. É isto mesmo?
Tenho observado que algumas das recomendações para os países europeus em crise vão pela mesma linha, o que me parece estarrecedor.
Num mundo onde falta trabalho, a solução é concentrar as ofertas?
Não será que a nossa época já permite um maior bem estar ao ser humano diminuindo a intensidade do trabalho remunerado e aumentando o tempo livre para outro tipo de atividade produtiva ou não? Abraços, Christopher.

Em resposta, ele escreveu:

Prezado Christopher,
Recebi seu e-mail, que agradeço. De fato, eu defendo essas ideias, mas leve em conta que: a) a idade em que na média as mulheres se aposentam por tempo de contribuição no Brasil é de 51 anos, sendo que no caso dos homens é de 54 anos, o que honestamente me parece muito cedo; e
b) nossa situação é diferente da europeia, uma vez que a União Europeia está passando por uma recessão severa, enquanto que nós estamos no mínimo histórico da taxa de desemprego.
O que eu defendo é uma adaptação suave e diluída ao longo de décadas das condições de aposentadoria à realidade demográfica dos próximos 30 a 40 anos, quando as pessoas tenderão a viver cada vez mais.
Novamente, obrigado pela sua mensagem. Cordialmente, Fábio Giambiagi

Respeito o trabalho do autor do artigo mas, fico pasmo ao verificar o impasse em que os economistas se colocam, impedindo-se de pensar no aparato produtivo posto a serviço do homem. Aumentou a expectativa de vida, o que parece ótimo? Arrocho. Aumentou a produtividade, o que em tese é excelente? Aumente-se o desemprego.

Ao contrário do que o Fábio Giambiagi diz em seu artigo, não há um mega desafio demográfico pela frente. O que há, sim, é a premente necessidade de mudar a teoria econômica vigente, superar a obsessão pelo PIB e relativizar a importância do lucro frente a questões mais importantes para todos nós: preservação ambiental, equidade social e bem estar.

Bem, estas questões mostram, me parece, é que, por bem ou por mal, uma Nova Economia terá que se impor.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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