Rede Sustentabilidade – uma grande chance perdida.

“Será que alguém acredita que o PSB terá a coragem de defender a noção, essencial para a sustentabilidade, de que o PIB é um indicador que deve ser liminarmente descartado?”

Mais de 920 mil apoiadores, desperdiçados.

#Rede – a grande chance perdida.

Há males que poderiam vir para o bem. A recente decisão oficial de negar o registro da #Rede como partido político a tempo de disputar as eleições do próximo ano abriu um enorme espaço para que o grupo que trabalha pela sua criação redefinisse seus objetivos maiores e, ao invés de pretender ser um partido, se voltasse para a promoção e apoio de ações de transformação indispensáveis a uma sociedade sustentável. Explico-me.

Acesse aqui o post completo.

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Rede Sustentabilidade, incompetência já na largada.

Pior ainda é o jogo de palavras que induz o incauto a achar que se trata de um movimento da sociedade civil. Não é. Trata-se apenas de mais um partido nesta selva chamada democracia representativa.”

Rede insustentável.

Uma breve pausa na descrição dos princípios para uma macroeconomia de transição para uma Nova Economia para abordar alguns assuntos da atualidade, afins com o tema.

Bem, vamos ao caso da Rede Sustentabilidade. Querer transformar o sistema por dentro já é altamente discutível. O Obama está aí para mostrar que o sistema é quem muda as pessoas, basta um mínimo de oportunismo e vontade de assumir o poder pelo poder.

Acesse aqui o post completo.

Os cinco patrocínios mais hipócritas

McDonalds, Coca-Cola, Walmart, o banco Wells Fargo, o plano de saúde United Health e a empresa de alimentos ConAgra, dentre muitas, tentam associar suas imagens com organizações de cunho social que praticam exatamente o oposto a elas.

'Coca-Cola & McDonald's' photo (c) 2012, Walter Lim - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Patrocínio hipócrita.

Um recente artigo de Alyssa FigueroaThe Top 5 Most Hypocritical Corporate Sponsors” publicado na revista AlterNet traz casos gritantes de conflito de interesses entre organizações que promovem ações de grande alcance social e corporações que, de fato, remam no sentido contrário e que as patrocinam.

O caso é grave por envolver o argumento de que as entidades da sociedade civil precisam de recursos. Mas, a que preço? Bem, vamos aos 5 casos.

1) McDonalds e Coca-Cola patrocinaram as Olimpíadas de 2012 em Londres.

Este caso provocou grande polemica pela evidente contradição entre uma das missões das olimpíadas, “a promoção da saúde e da atividade física”, e os efeitos nocivos da “fast food” e de bebidas com ciclamato de sódio e/ou açúcar. Isto ocorreu num país onde 60.8% dos adultos e 31.1 das crianças estão acima do peso.

E não é que o prefeito de Londres declarou que: “Trata-se de esnobismo burguês, uma histeria liberal clássica contra alimentos nutritivos, deliciosos e muito bons para as pessoas, fui informado – não que eu os consuma”.

2) Walmart patrocina a “American Cancer Society”.

Por mais que tente limpar sua reputação a empresa é especialmente não sustentável em suas práticas, financia candidatos “anti-ambientais”, oferece e estimula o consumo de alimentos de baixo preço mas prejudiciais à saúde e não tem plano de saúde para a maioria de seus empregados.

3) O banco Wells Fargo patrocina a “Habitat for Humanity”.

Um dos campeões, nos EUA, da retomada de cerca de 4 milhões de imóveis hipotecados em processos em muitos casos fraudulentos e resultado da crise de 2007 provocada pelos próprios bancos.

4) Os planos de saúde da United Health e WellPoint patrocinam a “American Red Cross”.

As duas maiores corporações de seguro saúde dos EUA em conluio com outras do setor fazem lobby, ao mesmo tempo, contra o “Affordable Care Act” que garante acesso à saúde a toda a população e acabam de doar, com o mesmo propósito, USD 100 milhões para a Câmara de Comércio.

5) A empresa de alimentos ConAgra patrocina a “Feeding America”.

A “Feeding America” é a organização americana líder na ajuda aos que precisam de alimentos e tem entre suas prioridades “aumentar o acesso à comida nutritiva e saudável pelos americanos carentes”. E isto nada tem a ver com a ConAgra. A empresa já foi flagrada com salmonela em suas instalações e produtos, etiquetas fraudulentas, e faz lobby para preservar a batata frita e pizzas no almoço escolar e cortar a ajuda federal para alimentos.

Bem, termino pedindo ao leitor que, se os souber, me envie exemplos brasileiros de patrocínio indevido para divulgação em um próximo post. Desde já, incluo os casos da Vale, Santander e Petrobrás, dentre outros, que procuram, oportunisticamente, mostrarem-se como defensores do meio ambiente e que são sérios candidatos aos cinco mais.

E, sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil

Os produtos, hoje, são projetados e construídos para deixarem de funcionar e com isto forçar sua substituição periódica, e quando não, o são já com novos modelos em vista, sem alterar as suas funcionalidades, e que por meio de marketing agressivo são “empurrados” para o consumidor. Tudo em nome de vendas incessantes e crescentes.

Feito para quebrar, velho por imposição.

Recebi do leitor Paulo Garcia um excelente vídeo sobre a pratica generalizada de fabricar produtos que durem muito menos do que poderiam. O vídeo é relativamente longo, 52 minutos, mas vale a pena. O título do vídeo “obsolescência programada” indica na verdade duas possibilidades principais. Uma, a do feito para quebrar. Lâmpadas, por exemplo, que duram 1.000 horas e poderiam ter vida útil quase que interminável. O vídeo mostra, aliás, uma festa de aniversário dos 100 anos de vida de uma lâmpada. Produtos descartáveis que não precisariam o ser, é um outro bom exemplo. O vídeo mostra o caso de uma impressora que tem embutido um chip que limita o número máximo de impressões.

A outra pratica, a do velho por imposição, talvez um pouco menos criminosa que a anterior, mas muito mais danosa, consiste na “imposição” de modelos novos fazendo com que o consumidor se sinta “obrigado” a trocar, acrescentar ou jogar fora um produto para ter a versão mais recente. E para isto o “marketing” tem um papel decisivo. O automóvel é talvez o exemplo mais marcante. Ano após ano vai aumentando a pressão “psicológica” em cima do consumidor para trocar o seu veículo visivelmente “velho” por um novo com a mesma funcionalidade.

Curiosamente, o vídeo é muito bom na parte factual, mas as conclusões tem pouco embasamento nos fatos que mostra. Tende a concluir que a prática mostra que é preciso diminuir, reduzir, encolher, decrescer, enfim, já que o mundo não é capaz de suportar o crescimento infinito.

Peca pela lógica, neste caso. Ora, se os produtos podem ser fabricados com vida útil de outra ordem de grandeza que os atuais, isto quer dizer, sim, que pode-se atender as necessidades de muito mais gente com a mesma base instalada. Isto, combinado com práticas de consumo mais saudáveis e um desenvolvimento material que não transgrida as barreiras ambientais, pode permitir que uma população estável venha a ter uma vida plena, saudável e com acesso a tudo de bom que a civilização criou até aqui, e virá a criar.

É óbvio que este mundo imaginado contempla práticas que se chocam com os interesses das empresas como existem hoje. Transporte público ao invés de automóveis, prevenção e saneamento em lugar de mais hospitais e assim por diante. Mas isto já é assunto para outro post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Piratas da Somália são europeus

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  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Pirates of corse' photo (c) 2004, keyboardsamurai - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Clique na figura para assistir ao vídeo

Recebi do leitor Luiz Rogatto a indicação de um impressionante vídeo, Piratas, sobre a depleção das áreas de pesca e poluição tóxica e radioativa na costa da Somália provocada por países desenvolvidos (?) e com consequências desastrosas para a já combalida população local.

Ganhe 23 minutos de informação preciosa neste cuidadoso vídeo feito por Juan Falque e verá que os “piratas” da Somália surgiram como reação aos que estão de fato saqueando o país aproveitando-se de sua fraqueza e incapacidade de defender-se.

É terrível. A Tsunami de 2004 levou às areias do litoral e revelou o conteúdo do que se despejava nas águas da Somália: resíduos tóxicos e radioativos. E despeja-se até hoje. Quem? Barcos da Espanha, França, EUA, Japão… E a pesca predatória, onde mais de 1/4 do que se pesca é jogado fora do próprio navio? Lamentável, mas de tão terrível, serve para marcar mais fundo na mente a importância da luta por uma Nova Economia.

E como é difícil aguentar a brutalidade dos fatos. Não para a ONU, que tem até observador especial para a Somália e que tem feito inúmeros alertas sobre a situação. Apesar dele e de outros, a entidade nada fez. Pelo contrário, Quando os países desenvolvidos (?) foram atingidos, sob que auspícios, formou-se uma força tarefa militar liderada pela Espanha e a França? Da ONU.

Não é a toa que a nef vem se preocupando cada vez mais com a depleção das áreas de pesca. Recentes e importantes trabalhos da fundação tratam do assunto. Destaco um, pois reforça e explica o que vem acontecendo na Somália e em outros países africanos.

O estudo Fish dependence – 2011 update mostra que “os europeus estão consumindo muito mais peixes do que os seus oceanos podem produzir, tornando-se cada vez mais dependentes da pesca em outras áreas. Se a Europa consumisse somente de suas águas não teria mais peixe a partir de 2 de julho de cada ano, ficando, a partir daí, totalmente dependente de peixe de outras fontes”.

Mas, a questão é global. A conclusão do sumário Scientific facts on fisheries produzido pela GreenFacts em colaboração com o Departamento de Pesca e Aquicultura da FAO, a partir do relatório World review of fisheries and aquaculture retratando a situação ao final de 2008, é dramática: “Cerca de três quartos dos estoques marinhos monitorados em todo o mundo estão totalmente explorados, super explorados ou esgotados. Em consequência, a indicação é que não há potencial para aumento da produção marinha e que o estado corrente dos peixes e de seus ecossistemas deixam pouco espaço para adiamento de ações para o melhor gerenciamento dos estoques de peixes que já deveriam ter sido tomadas nas últimas três décadas”.

E o Brasil não escapa desta realidade. O artigo Pesca no Brasil e seus aspectos institucionais – um registro para o futuro de José Dias Neto publicado na Revista CEPSUL – Biodiversidade e Conservação Marinha em janeiro de 2010 e no Blog do Axel Grael traz além de um resumo da situação mundial uma detalhada análise da crise da pesca no Brasil.

É, estamos diante de mais uma claríssima demonstração de que o crescimento exponencial é inviável e que tem consequências explosivas social e ambientalmente.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Em destaque

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'Festa Junina' photo (c) 2008, Daniel Jaeger - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Inicio hoje uma nova seção, “Em destaque”, na forma de um post com notícias ou textos recém divulgados no site “notícias” sempre que ache que devam ter um destaque especial, com comentário e link para cada item. Isto, além do post semanal, à exceção deste. Caso você deseje receber um e-mail sempre que um novo “Em destaque” for publicado basta fornecer seu endereço na opção à direita.

Gostaria de contar com a sua contribuição, leitor, informando via “central de comentários” notícias e textos recém divulgados, que tenham relação com a Nova Economia e que lhes pareça mereçam ser divulgados e/ou ressaltados. Aproveito para lembrar que este blog está disponível para a publicação de posts de terceiros, como aliás já ocorreu.

Adio portanto por uma semana a explicação da recente reorganização do conteúdo do blog em três tópicos principais, e sub tópicos.

Vamos aos destaques de hoje:

1) O poeta Marco Lucchesi escreve uma belíssima carta a um poeta turco, “Do Mediterrâneo vieste…“, sobre falências e convulsões que agitam o berço do ocidente e do capitalismo.

2) “O ajuste vai ser pela deflação“, artigo de Carlos Thadeu publicado no último sábado (24 de setembro) permite, a meu ver, uma precisa compreensão da conjuntura econômica mundial.

3) A jornalista Deborah Berlinck teve publicada no último domingo uma importante matéria: “Nas barricadas da indignação” com o perfil de Stéphane Hessel, inspirador do movimento dos indignados que ganha força especialmente na Espanha.

4) “Compradores de tempo” é um artigo escrito pelo professor Cristovam Buarque que consegue de forma muito feliz mostrar que os atuais tomadores de decisão estão apenas tentando “empurrar com a barriga” os problemas. E o faz com argumentos bastante pertinentes ao conceito de uma Nova Economia. Aproveito para destacar um artigo anterior do autor, “Quase 200 anos“, descrevendo encontro recente com Stéphane Hessel (objeto da notícia anterior) e Edgar Morin, e um outro, “Economia colorida“, também muito pertinente às questões da Nova Economia.

Bem, espero que esta nova seção agrade.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

O profeta do apocalipse retorna

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Helicopter Ben

Os acontecimentos das últimas semanas me levaram a interromper uma série de posts sobre a Rio +20 e comentar o que parece ser um repentino acirramento da grande recessão. No último post, expus a surpreendente, apesar de óbvia, comparação feita por Jacques Attali da rolagem da dívida pelos países desenvolvidos com o esquema da piramide.

O post de hoje centra-se em nova previsão de Nouriel Roubini professor de economia da NYU e um dos poucos a antecipar a eclosão da crise de 2008. Ignorado e criticado até então, chegou a receber a alcunha de “senhor apocalipse”, mas acabou por obter grande reconhecimento, o que fez sua empresa de consultoria econômica RGE tornar-se voz importante. Tão importante que ficou nítido o cuidado excessivo com que passou, desde então, a tratar os temas e o alinhamento com os novos cavaleiros do apocalipse (Bernanke, presidente do FED e Geithner, secretário do Tesouro).

Em seu último artigo, entretanto, “Estará o capitalismo arruinado?”, ele rompe com esta passividade e volta a fazer uma cuidadosa, embasada e dramática análise da situação atual, certamente optando por manter sua base de leitores (na verdade, clientes) corretamente informados.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção no artigo foi a afirmativa de que o FED (banco central americano) já esgotou os mecanismos de manipulação capazes de contornar a crise. Em enfática afirmação na entrevista ao WSJ em apoio ao artigo ele voltou ao ponto: Evitar nova recessão é missão impossível. O mundo caminha para um segundo mergulho na crise e não se pode mais “tirar coelho da cartola”.

Nesta sexta-feira, espera-se que que Bernanke anuncie novas medidas e será possível confirmar se há ainda algum “coelho na cartola”. O que parece certo é que o banco central americano tentará uma nova rodada de afrouxamento monetário (“quantitative easing”). Vale a pena lembrar que Bernanke, estudioso da grande depressão, é adepto da tese de que com afrouxamento monetário não se teria chegado à tamanha crise na década de 30. É por isto que em 2002 chegou a dizer que se fosse necessário “jogaria” dólares de helicóptero para garantir a fluidez do sistema, o que lhe valeu o apelido de “helicopter Ben”. É claro que pôde dizer isto apoiado no fato que o dólar é a moeda de referência mundial. Num primeiro momento, pelo menos, pode emitir sem maiores consequências.

 “Jogar” dinheiro do céu dá uma ideia de imparcialidade na sua distribuição. Mas, é sintomático que quando pôs sua teoria em ação atingiu do seu “helicóptero” os  alvos com precisão: Bancos. Nem ao menos os que estavam com o pagamento de suas hipotecas atrasado foram contemplados. Enfim …

Voltando ao artigo do Roubini, mais adiante ele afirma ainda que o doloroso processo de desalavancagem das famílias, bancos, instituições financeiras, corporações e governos locais e centrais mal começou e que a redução forçada do débito (calote) será necessária para que aqueles possam reequilibrar suas finanças.

E, talvez para chamar atenção para suas propostas, ele afirma que a possibilidade aventada por Marx de autodestruição do capitalismo se confirmará caso não se consiga evitar que a atual crise evolua para o que ele chama de “a grande depressão 2.0”, daí o título do artigo.

Roubini termina com uma série de sugestões para que o capitalismo possa sobreviver e se desenvolver. Para tanto, sugere a criação de empregos via estímulo, taxação, rigor fiscal, reforço na atuação monetária dos bancos centrais, redução dos débitos (calote) das famílias e outros agentes que estejam insolventes, políticas efetivas de crescimento, supervisão e regulação da atividade financeira, e investimento no capital humano.

É mais um a insistir no crescimento econômico como solução. E pior, as medidas que propõe para tanto ou já foram implementadas ou são politicamente inviáveis, como se viu no recente impasse na renegociação do teto da dívida americana.

Uma coisa é certa. A necessidade de soluções efetivas torna inevitável considerar novos caminhos. O que amplia e antecipa a possibilidade de transição para uma Nova Economia. E com ela, forjar um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar. Infelizmente, não sem grandes traumas sociais, já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá após vencidos os interesses estabelecidos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Madoff é o grande mestre

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'three horsemen of the apocalypse, greenspan, et al' photo (c) 2009, derek visser - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Os três cavaleiros do apocalipse: Greenspan (centro), Rubin e Summers

As nações desenvolvidas estão fazendo de suas dívidas enormes pirâmides, agindo como o Madoff. A pertinente afirmação foi feita por Jacques Attali em entrevista para o Le Monde na última 4ª feira e reproduzida no O Globo no dia seguinte.

Bernard Madoff, financista americano, foi quem provocou, em 2008, perdas de 65 bilhões de dólares com o golpe da piramide, pagando a seus investidores altos rendimentos, enquanto pôde, utilizando os recursos advindos dos novos investidores atraídos pelos mesmos altos rendimentos.

Vale lembrar que no post publicado em maio último A Grande Recessão se desdobra e apoiado em estudo da Auvest ficou claro que “o problema de débito excessivo não pode ser resolvido assumindo-se mais débito” e que estamos apenas na 2ª de 5 fases de acirramento da crise global, cujo ápice foi previsto para meados desta década. As ocorrências da última semana, provocadas pelo rebaixamento da classificação da dívida soberana americana e a impossibilidade da Europa gerir a crise da dívida que agora atinge a Espanha, a Itália e a França, por contágio da que se instalou na Irlanda, Grécia e Portugal, indicam que o desfecho pode se dar antes do que o imaginado.

É um mundo em turbulência, com o desemprego instalado e ampliando-se e que leva à revoltas populares na Espanha, Grécia, Norte da África, Israel e Síria, e agora com grande fúria, na Inglaterra.

Retornando à entrevista, o entrevistado vê fundamento no pânico que se instalou na semana passada, já que “a crise não foi resolvida, nem a do endividamento, nem a da governança tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O sistema está super endividado e os mercados sabem que um dia será preciso pagar a conta”.

O problema está concentrado nos países desenvolvidos. No estudo “Debt burden in advanced economies, now a global threat” de Eswar Prasad e Mengjie Ding, tanto o problema quanto a concentração ficam claros: “O percentual do débito líquido em relação ao PIB dos países desenvolvidos foi de 46% em 2007 para 70% em 2011 e chegará a 80% em 2016. Já para as economias emergentes o mesmo percentual foi de 28% em 2007 para 26% em 2011 e chegará a 21% em 2016. Para mais e impressionantes detalhes, comparando países, o leitor poderá cessar o gráfico interativo online do Financial Times mediante registro gratuito.

O entrevistado não para por ai. Ele ressalta que na Espanha e nos EUA já começaram as moratórias no setor privado e que um calote da dívida americana só não ocorre graças ao poder que tem de imprimir dólares. E mencionou que após 2008 o ocidente não fez as reformas estruturais, apenas adiou o problema. Foi como dizer: “um momento, senhor carrasco”.

Mas, capitula na conclusão ao insistir no crescimento econômico como solução. Curiosamente, ele “esqueceu” que da mesma forma que mais dívida não resolve a dívida, mais crescimento somente irá aguçar os problemas que este mesmo gerou.

A crise se acirra e tem desfecho incerto. As guerras impulsionaram, historicamente, a “destruição criadora” teorizada por Schumpeter (ver o post Socialismo?) mas hoje teriam, se entre potencias bélicas, consequências catastróficas. A inflação, dissolveria as dívidas, mas traria efeitos políticos e sociais igualmente graves.

Em algum momento, portanto, a humanidade irá iniciar a transição para uma Nova Economia, forjando um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar.  Infelizmente, não sem grandes traumas sociais já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá, previsivelmente, após esgotadas as tentativas via crescimento, guerra e inflação.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A “grande recessão” se desdobra

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A Nova Economia é uma resposta concreta à crise ambiental, ao desiquilíbrio social e à procura por um já possível bem estar. Estas são questões que, mesmo urgentes, tendem a ser enfrentadas somente a longo prazo. Um fato contudo, pode levar a que a mudança se antecipe e comece em meados desta década. Trata-se da “Grande Recessão” que ao contrario de estar acabando, tudo indica, está se desdobrando em movimentos ainda mais graves.

Um artigo que acaba de ser publicado no RGE – Roubini Global Economics – “The End of Financial Vandalism – Moving Forward to the Real Economy” de Humayun Shahryar e Santi Rasanayagam no último dia 5, e principalmente o cuidadoso estudo, com o mesmo título, que o embasa e preparado pela Auvest Services Limited traz uma descrição contundente dos mencionados desdobramentos.

Os autores dão consequência em termos de análise a uma constatação já evidente: “O problema de débito excessivo não pode ser resolvido assumindo-se mais débito” e que foi exatamente o recurso utilizado pelos Bancos Centrais dos países desenvolvidos. Isto dá grande solidez à previsão que fazem. No documento a crise é vista em 5 grandes movimentos:

Crise de Crédito Global (já ocorrido): A escalada da alavancagem e o subsequente colapso no preço dos ativos levou a uma crise bancária e contração no crédito. Uma repentina queda no consumo e falta de financiamento para o comercio levou a um acirrado declínio no comércio internacional.

 Suicídio soberano (implementado nos países desenvolvidos): O amplo resgate de bancos e empresas pelo estado e os imensos estímulos fiscais em conjunto com menor receita de impostos resultou na disparada no débito governamental. Já sem opções de políticas fiscais, os bancos centrais recorreram a políticas monetárias não convencionais para gerar crescimento econômico.

A Falência do Mercado Emergente (em curso): O excesso de liquidez esta levando à inflação dos ativos, “commodities” e preços dos produtos e serviços nos mercados emergentes ao mesmo tempo em que cresce a pressão dos países desenvolvidos pela reavaliação das moedas. O aumento da inflação gera conflitos nas políticas econômicas e instabilidade política e social.

A Destruição do Débito (a ocorrer nos países desenvolvidos): O forte aumento no endividamento levará a um aumento no custo de seu financiamento nos próximos anos. Muitos devedores não vão conseguir honrar ou terão que reestruturar suas obrigações e o contágio resultante causará um colapso no preço dos ativos.

O Fim da Globalização (a ocorrer até meados da década): Falta de demanda final, alto desemprego no mundo desenvolvido e inflação nos países emergentes levará ao protecionismo e eventualmente a uma guerra de moedas e de cambio. Um novo sistema monetário terá que substituir o atual.

 Os autores indicam a Índia como o país emergente com maior possibilidade de iniciar a fuga de capitais. Isto devido à inflação, o custo dos alimentos e os déficits fiscal e de conta corrente. Ressaltam também a crise no mercado europeu. Mas, como outras crises têm demonstrado, qualquer acontecimento mais forte, ou mesmo o passar do tempo, pode deflagrar o desdobramento desta.

Sobre a crise europeia em particular, a jornalista Míriam Leitão publicou um excelente artigo, “De novo, a Europa” em O Globo, no último dia 10, onde ressalta que “Em algum momento os países mais fragilizados financeiramente do continente terão que renegociar suas dívidas, dando calote parcial nos bancos”. E mais adiante, reforça a visão de uma crise ainda se desdobrando: “A situação na Europa é crítica. Não há saídas fáceis pela frente. Tudo ainda é consequência da crise que atingiu o mundo desenvolvido em 2008”.

Aliás, ela volta ao assunto de forma ainda mais enfática na coluna de hoje “Na corda bamba” focando na situação da Grécia. “O país enfrenta enorme fuga de capitais dos próprios gregos para outros países”. A renegociação parece inevitável e “… a possibilidade de contágio em caso de calote grego é grande” porque “… a renegociação da dívida implicaria em perda para os bancos, e como a crise americana mostrou todo o sistema está interligado”.

É provável que o Brasil não venha a estar no epicentro da crise já que esta se deslocará para os países desenvolvidos a partir do 4º movimento, mas sofrerá com a inflação, uma forte redução no valor dos ativos (ações, imóveis, etc.) e recessão devida à redução no volume e valor do comércio internacional.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema. 

Comentários sobre a Pesquisa anterior

Dame el votophoto © 2010 Daniel Lobo | more info (via: Wylio)

Acho que a pesquisa feita na semana anterior mostrou-se um instrumento válido. No espaço de uma semana desde a publicação foram 21 respostas, num universo de 184 acessos.  Dos 21 que responderam, 15 indicaram que não acreditam que as pessoas mudarão seus hábitos independentemente das demais. O computo das respostas por quesito  pode ser visto  optando por “Pesquisas” no item  “Posts por Assunto”  no lado direito.

Pode parecer um número pequeno de respostas, leitor, mas indica que é possível que este blog venha a se tornar, além de informativo, um local de discussão sobre a Nova Economia. É o meu sonho. Vejo que tal participação ocorre e de forma empolgante, em alguns outros blogs e sites, mas sei que não é fácil chegar lá. Devagar, chegaremos lá também.

Com o bom resultado, vou continuar com nova pesquisa por semana. Se você tiver alguma pesquisa a fazer, apresente-a num comentário e a incluirei na semana aonde caiba. Além disto, se puder, responda, comente. Sei que comentar exige um razoável trabalho, mas a importância do tema e possibilidade de vir a ser parte de um grupo com o mesmo propósito, pode lhe dar um certo impulso.

Bem, vou parar por aqui para não sobrepor dois assuntos, e este é muito importante.

Fica para o próximo post minha explicação à discordância quanto aos principais conceitos sintetizados no termo consumismo.

E, deixo-os com a pesquisa desta semana e que é decorrente do resultado da primeira. Noto que, a partir de agora, no próprio espaço da pergunta, você, leitor, poderá verificar como está indo a votação.

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A Economia Solidária

A proposta da economia solidária tem importantes afinidades com o movimento pela Nova Economia. Destaco na entrevista de Paul Singer a afirmação de que aos poucos, muita gente tem optado pela economia solidária, porque trata-se não apenas de melhoria na renda, mas de uma relação de trabalho mais humana, que leva em conta a felicidade pessoal. Este movimento tem ajudado a dinamizar as economias locais, garantir trabalho digno e renda às famílias envolvidas, e promover a preservação ambiental e a conscientização sobre o consumo responsável.

O movimento, no Brasil, iniciou-se nos anos 80 e está hoje bastante difundido. O último mapeamento localizou 22 mil empreendimentos no setor. O número hoje deve ser significativamente maior pois o mapeamento foi feito em 2007 e abrangeu apenas 52% dos municípios. Em 2003 organizou-se através de um fórum nacional autônomo. A ideia foi, desde então, incorporada às políticas públicas em centenas de municípios, em 18 estados e no governo federal e tornou-se objeto de ensino, pesquisa e extensão em mais de 100 universidades em todas as regiões do Brasil.

A marca da economia solidária são as cooperativas, cujos donos são os próprios trabalhadores e gestores. Redes, facilitam a comercialização de produtos e serviços. São iniciativas de projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, catadores de materiais recicláveis, redes de produção, comercialização e consumo, instituições financeiras voltadas para empreendimentos populares solidários, empresas autogestionárias, cooperativas de agricultura familiar e agroecologia e cooperativas de prestação de serviços.

Igrejas, sindicatos, universidades, entidades da sociedade civil e governos envolvidos com a economia solidária têm um papel relevante de apoio.

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária, fundado em junho de 2003, é o coordenador nacional do movimento e não se confunde com o similar estatal, a Conselho Nacional de Economia Solidária. Seu desafio é apoiar o abastecimento e a comercialização, o uso de moeda social, promover rodadas de negócio, realizar feiras, fazer campanha de consumo consciente, comércio justo e solidário, constituir redes, cadeias produtivas, finanças solidárias e trabalhar no campo do marco legal (especialmente: lei geral do cooperativismo e cooperativa de trabalho). Dele participam entidades como Abcred, Anteag, Concrab, Ecosol, Unicafes, Unisol Brasil, Cáritas Brasileira, FASE Nacional, Ibase, IMS, PACS, Rede ITCPs e Rede Unitrabalho.

O professor Paul Singer, economista e sociólogo da USP é a principal voz do movimento em prol da economia solidária. Além de diversos trabalhos sobre o assunto, ajudou em 1998 a criar a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP e assumiu a coordenação acadêmica da incubadora. A partir de junho de 2003, passou a ser o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

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