10 princípios para uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia.

“… os recentes massacres no Egito indicam que existe a possibilidade real dos desprovidos serem contidos em guetos, impedida a diminuição do trabalho remunerado e imposta, a qualquer custo, a preservação de privilégios.”

Princípios.

8 dos últimos 9 posts foram dedicados a propor e detalhar a existência de uma economia dual à de mercado. Cabe agora mostrar que a adoção deste modelo econômico mais complexo favorece e melhor embasa, dentre outros, o movimento em prol de uma Nova Economia.

Antes de mais nada, convém ressaltar que a economia dual não é um desejo e sim uma constatação que resulta do reconhecimento do trabalho não remunerado e livre. Junto com a economia de mercado forma o todo da atividade produtiva humana. Com seu crescimento, ao longo do tempo, relativamente à de mercado, em razão da expansão do voluntariado e da criação digital, além da pressão pela diminuição contínua da necessidade do trabalho de sobrevivência, a economia dual, em algum momento, torna-se dominante.

Acesse aqui o post completo.

Anúncios

Grupos de estudantes do movimento em prol da Nova Economia estão ativos em 14 câmpus de universidades dos EUA.

“Será que a mobilização de estudantes brasileiros não seria também uma alavanca em prol de uma Nova Economia por aqui combinando justiça social, preservação ambiental e bem estar?”

Estudantes se engajam nos EUA.

Ao relatar em recente post a formação de uma coalização por uma Nova Economia e o início de amplo movimento popular nos EUA, mencionei que a principal iniciativa de liderada por Bob Messie, presidente da Coalizão, além da própria expansão da coalizão, seria focar na difusão do movimento nas universidades americanas.

Acesse aqui o post completo.

A hora e a vez da sociedade civil

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Confraternização da Stakeholder e convidados

Desapontamento à parte, faço hoje algumas observações e trago notícias sobre ocorrências paralelas à RIO +20 e relacionadas à Nova Economia.

Com surpresa, constatei que o termo “Nova Economia” foi usado em diferentes momentos e circunstâncias. Até em palestra do presidente do BNDES, o que no caso significou a velha economia recauchutada.

Outro exemplo, e o que mais me surpreendeu, foi o Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, evento de 3 dias realizado no espaço Humanidade 2012 organizado pela Ashoka em parceria com a Fundação Avina, a Fundação Roberto Marinho e a Skoll Foundation.

Antes, convém lembrar que o Humanidade 2012 é realização da FIESP e da FIRJAN razão da surpresa já que estes estão longe de quererem uma Nova Economia. Acho que escapou meio que “pelos dedos”, talvez porque o fórum foi apoiado pelo Instituto Arapyaú que tem fortes laços com aquelas entidades.

O fórum foi fraco com exceção do painel principal que tratou muito bem do tema. O outro painel mencionando o tema foi tão ruim que deveria ter se chamado, como sugeriu um participante, “Modelos de Negócios para a Velha Economia”. Os demais simplesmente ignoraram a segunda parte do tema. Aliás, a primeira parte também foi mal abordada. O pessoal da “Economia Solidária” não foi convidado e nem sequer mencionado no evento.

E por falar em Fundação Roberto Marinho, em plena abertura da Cúpula a TV Globo deu destaque, em matéria do Jornal Nacional, aos que contestam o aquecimento global e sequer abriu a palavra para os que pensam, e são a quase totalidade, o contrário. Foi como dizer: a conferência fracassou, mas que importância isto tem? Além de entrevistar um cientista americano que diz que as gerações futuras vão até agradecer pelas crescentes emissões de CO2, traz mais uma grande “contribuição” do departamento de Geografia da USP, uma entrevista com um professor, José Bueno Conti, dizendo que o mundo já existe a bilhões de anos e que o aquecimento é apenas parte de um ciclo natural. Isto é que é visão de longo prazo, professor. Será que não ocorreu a ele que a conferência sequer dizia respeito à questões climáticas e que o nome da USP estava em jogo? É, tudo por 5 minutos de “fama”.

Contrariando o ditado “de onde menos se espera, é dali que nada vem, mesmo”, não é que neste domingo, em pleno “Fantástico” foi apresentado mais um episódio de uma bem feita e impactante série “Planeta Terra – Lotação esgotada”, desta vez focado na cidade de São Paulo e que, de forma impecável, faz um diagnóstico que leva à inexorável necessidade de uma Nova Economia.

Outra surpresa foi o destaque dado pela imprensa ao debate entre Ricardo Abramovay, Tim Jackson e Armínio Fraga sobre os limites do crescimento econômico, em painel sobre a economia verde no fórum citado acima. O embate sobre crescimento causou forte preocupação ao beneficiário da privatização da Siderúrgica Nacional que a expressou em artigo na Folha de São Paulo. Como argumento, o artigo apoia-se na velha cantilena da via indireta. Quem sabe ele aceite trocar a ordem dos beneficiários. Desenvolvimento econômico orientado para a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar. E, como resultado indireto, o lucro. E este último, se vier, veio, se não, paciência.

Bem, o fato é que a questão do crescimento ilimitado está se impondo no amplo debate sobre o futuro, inclusive na chamada “grande mídia”, obviamente, com enorme tendenciosidade, por enquanto.

Estiveram por aqui participando dos eventos da Rio +20 e da conferência da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE2012) pesquisadores e dirigentes da NEI – New Economics Institute, nef – New Economics Foundation e CASSE – Center for the Advancement of the Steady State Economy, dentre outros.

Em particular, no último sábado tivemos, organizado pelo autor deste post, um jantar de confraternização da Stakeholder Forum e seus convidados (ver foto). Comparecerem mais de 30 pessoas, das quais, 12 dirigentes e especialistas da Stakeholder que vieram apoiar a Rio +20. A Stakeholder Forum junto com a nef e a NEI é responsável pela iniciativa chamada “Global Transition 2012” e que busca promover a mudança para a Nova Economia o mais rápida e harmonicamente possível.

Comecei o post expressando meu descontentamento, mas, pensando melhor, acho que a Rio +20 permitiu uma grande articulação e movimentação da sociedade civil. Ora, ficou mais claro do que nunca que ela é que é o agente da mudança. Aos poucos, as diferentes correntes, principalmente ambientais e sociais, vão encontrar pontos de identidade e de ação conjunta viabilizando a mudança e da forma menos traumática possível. Organizações como a Stakeholder Forum atuam exatamente nesta direção, e de forma relevante.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

As Regras para o Bem Estar

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Ciclista en la paredphoto © 2010 Toni Perelló | more info (via: Wylio)

Conectar-se, ser ativo, estar informado, aprender, dar.

Verdadeira receita de autoajuda.

Bem, vamos ao detalhe da proposta da nef (Five Ways to Well-being) que é baseada em evidências e que busca identificar regras a serem adotadas pelos indivíduos em seu dia a dia e que possam ser objeto da ação de políticas governamentais visando melhorar o bem estar.

Conectar-se: “As relações sociais são críticas para nosso bem estar”. … “O governo pode propor políticas que encorajem os cidadãos a dispender mais tempo com a família e amigos e menos no ambiente de trabalho”. Redução da jornada de trabalho e trabalho local são algumas das recomendações.

Ser ativo: “Exercitar-se melhora o humor e reduz as taxas de depressão e ansiedade”. O uso da bicicleta e mais áreas verdes são sugestões apresentadas.

Estar informado: “Refletir sobre nossas experiências” … “conscientizando sensações, pensamentos e impressões aumenta nosso auto conhecimento e bem estar”. Treinamento e regulação publicitária são algumas das ideias de políticas públicas.

Aprender: “O aprendizado encoraja a interação social, aumenta a autoestima e a sensação de competência”. O aprendizado em todas as fases da vida é a principal recomendação.

Dar: “… o comportamento cooperativo ativa áreas de satisfação do cérebro, sugerindo que nós somos voltados para ajudar-nos mutuamente”. A participação comunitária é o destaque.

Duas observações vêm logo à mente ao ler-se a proposta.

Muita coisa importante para o nosso bem estar ficou de fora, não é mesmo? Onde ficam, nesta estória, os sentimentos, os prazeres, as sensações e tudo o mais que compõe o nosso dia a dia e a nossa vida?

A segunda é ainda mais forte. Como é complicado e perigoso tentar reunir os dois mundos, o do nosso bem estar e o das políticas públicas para melhorá-lo. A ideia que transparece é a de que o agente é o governo e não o contrário, o individuo, que em sua ação dirige, ou ao menos procura, o seu destino.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

Medir o bem estar?

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

oscar Niemeyer art museum - tile muralphoto © 2006 Ian Burt | more info (via: Wylio)

Parece-lhe adequado, leitor, tentar medir o bem estar humano em toda sua amplitude, material, social e psicológica? Creio que não.

Levanto esta questão porque alguns do movimento pela Nova Economia defendem tal abordagem. Em especial a nef que propõe inclusive uma detalhada quantificação objetiva e subjetiva. É a National Accounts of Well-being. E acaba de produzir um novo documento aprofundando a abordagem: Measuring our Progress.

Acredito que seja prudente preservar a singeleza de de um conceito que expressa o que cada um de nós sente e que é fugaz como a própria vida. E deixar que outras áreas de conhecimento procurem decifrar os enigmas que encerram o bem estar, a felicidade, a satisfação e outros conceitos ligados a nossos sentimentos.

Veja a obra de arte ao lado. Sem dúvida, expressa uma forma de beleza, simplicidade e movimento, que pode ou não ser parte dos valores reais de cada um de nós, mas que, nem por isto, deixamos de admirar.

Isto em nada diminui a importância do bem estar no contexto de uma Nova Economia. Apenas indica que não é conveniente substituir um indicador, o PIB, por outro que expresse de forma completa o bem estar. Ao contrário, o uso de um “painel” de indicadores, retratando as questões ambientais, sociais e do bem estar, na linha do proposto pelo relatório Stiglitz, tem mais a ver com a complexidade do mundo em que vivemos.

Complexidade evidente, dadas as ameaças ambientais, as graves tensões sociais decorrentes da incorporação ao mercado de bilhões de pessoas e de uma incontrolável difusão de informações que leva a todos desejarem os mesmos bens e serviços, e a crescente percepção de que a coletividade já pode prover os meios para que cada um de nós tenha uma vida feliz e plena, dentro das condicionantes, é claro, muito mais amplas, das circunstâncias particulares a cada um de nós.

A polemica vai longe, pois traz o perigoso potencial de ainda maior interferência do estado em nossas vidas. Prova disto, é a recente decisão do governo inglês de se propor a quantificar o bem estar para ajudar na formulação de políticas públicas. Nos próximos posts vou detalhar e criticar as propostas de regras para o bem estar e de quantificação do bem estar e tratar da questão da qualidade de vida, esta sim, apropriada ao contexto da Nova Economia.

Bem, a respeito, deixo-os com uma “máxima” do Riobaldo, personagem do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa – “Viver é muito perigoso…” – e que retrata por um outro angulo a complexidade mencionada.

E termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

Bem Estar

Definitivamente, um assunto quase proibido. Por razões econômicas, históricas, culturais e religiosas, pensar e procurar o bem estar parece algo indevido para muitos. Duvida-se que a infraestrutura econômica seja capaz de prover condições adequadas de vida para todos, o rigor das praticas trabalhistas impõe regras espartanas de comportamento e a tradição luterana e de outras religiões ainda mantém forte reverência ao valor moral do trabalho.

O fato é que nesta fase de nossa civilização ainda estamos pouco acostumados a procurar diretamente o bem estar e não levamos isto a sério. O máximo a que se chega é a uma suposição de que havendo crescimento econômico haverá melhora da bem estar da humanidade, este entendido como melhor nível e qualidade de vida.

Infelizmente, o crescimento econômico é uma forma extremamente ineficiente de se alcançar a redução da pobreza. De acordo com dados do livro The New Economics, entre 1990 e 2001, para cada USD 100 de crescimento da renda per capta mundial apenas 0,60 USD contribuiu para reduzir a pobreza dos que estão abaixo da linha de 1 USD por dia. Reduzir à metade os que estão nesta faixa é, por sinal, um dos objetivos do milênio estabelecidos pela ONU, a ser atingido até 2015.

No estudo da nef National Accounts of Well-being esta realidade é bem descrita: “As economias são organizadas explicitamente em torno da necessidade de aumento do PIB…. Os modelos de negócio buscam a maximização dos lucros dos acionistas. e as pessoas são levadas a acreditar que quanto mais renda disponham, e consequentemente, quanto mais consumam, mais felizes serão. Mas, os indicadores econômicos nada dizem se as pessoas estão de fato percebendo que suas vidas estão indo bem. Existe uma urgente necessidade por uma melhor e mais direta forma de medir a performance da sociedade em termos do objetivo de melhora do bem estar”.

E continua: “Medir o progresso somente em temos econômicos faz esquecer um ponto chave de que a economia é um meio e não um fim em si mesma. Uma forte e saudável economia pode ser desejável, mas o é porque nos permite fazer as coisas que são realmente importantes: viver vidas felizes e plenas”.

Aos poucos e crescentemente, o PIB vem sendo contestado e complementado. Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento – PNUD introduziu em todo o mundo o conceito de desenvolvimento humano sustentável focando nas pessoas e não na acumulação de riquezas o objetivo do desenvolvimento. Para aferir o grau de desenvolvimento humano sustentável de uma sociedade o PNUD utiliza o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) criado pelo professor Amartya Sen e publica anualmente o Relatório de Desenvolvimento Humano comparando 144 países e territórios.

Mais recentemente, em janeiro de 2008 o presidente francês encarregou 3 renomados economistas, Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi de formarem uma comissão especial e conduzirem um profundo estudo relacionado à medida de performance econômica e ao progresso social. O resultado foi publicado em setembro de 2009 e é conhecido hoje como o relatório Stiglitz.

No já mencionado estudo sobre Bem Estar, feito pela nef, o assunto é tratado de uma forma ainda mais abrangente. Enfrenta de forma entusiasmante a subjetividade do tema e busca mais do que a satisfação, entender as dimensões sociais e pessoais e medir sentimentos, funcionalidades e recursos psicológicos.

Em todas estas iniciativas há um pressuposto que parece bastante razoável de que ao se medir os aspectos relativos à qualidade de vida e bem estar e identificar os problemas se estará pressionando a própria sociedade a buscar mudanças, que são estruturais, nesta direção.

O assunto é complexo e amplo. Voltarei a ele analisando em posts algumas de suas dimensões mais salientes: Os problemas do PIB como indicador, a questão do consumismo, os indicadores do PNUD, o relatório Stiglitz e a medida do bem estar.

Termino este post perguntando se o irrealismo que muitos supõe ser enfatizar o bem estar, não estaria justamente no seu contrário, a saber, acreditar que seja possível continuar a não o fazer?

Os 12 tópicos mais relevantes

Cresce em todo o mundo a consciência de que já é possível alcançar um novo patamar de bem estar superando a obsessão pelo crescimento econômico, preservando o meio ambiente, respeitando a limitação dos recursos naturais e reduzindo as desigualdades sociais. E que, para atingir um objetivo deste porte é preciso uma mudança social complexa, sistêmica, integrada e global.

Acreditando que a elaboração teórica, a formulação de propostas, a mobilização de pessoas e o trabalho político possam superar os obstáculos e a reação à mudança, inúmeras organizações civis em todo o mundo estão, de uma forma completa ou parcial, desbravando o terreno e liderando a luta. New Economics Foundation, New Economics Institute, New Economy Network, Tellus e New Economy Working Group, são alguns dos exemplos significativos de organizações dedicadas a este movimento pela Nova Economia.

12 pontos me parecem os mais relevantes da proposta de mudança preconizada pelo movimento por uma Nova Economia. Descrevo-os resumidamente a seguir. Em novos posts abordarei cada um em mais detalhes.

1.Bem estar: A felicidade do ser humano pode ser melhor endereçada subordinando-se o crescimento econômico ao interesse público e não o contrário. Isto, é claro, atendendo as necessidades inerentes a uma qualidade de vida adequada para todos.
2.Custos sociais e ambientais: Inclusão dos custos e benefícios sociais e ambientais no preço de de um produto, serviço e no valor dos investimentos tanto privados quanto públicos, com consequente mudança no perfil, possibilidade e necessidades de consumo.
3.Jornada de trabalho: Redução para 21 horas semanais eliminando o desemprego, gerando tempo livre e enfatizando o trabalho não remunerado e o lazer.
4.Distribuição da renda: Redistribuição do tempo de trabalho, da renda e da riqueza, através de impostos e incentivos, diminuindo as desigualdades.
5.Coprodução: Envolvimento dos favorecidos através da coprodução de bens e serviços públicos em áreas como educação e saúde.
6.Esfera pública: Ampliação e fortalecimento dos bens e serviços públicos entendendo-os como pertencentes a todos e livre atuação do mercado neste contexto.
7.Esfera civil: Fortalecimento do setor sem fins lucrativos atuando em conjunto com os setores público e privado.
8.Decisões locais: Tomada de decisões públicas pelos diretamente afetados e interessados valorizando a especificidade de cada núcleo urbano e cultural, mas sem perder de vista que existem produtos e serviços cuja produção e tomada de decisões pertinentes possam se dar mais adequadamente nos níveis regional, nacional ou internacional.
9.Taxação: Irrigação econômica com a transferência da taxação do trabalho para o consumo, atividades com impacto negativo em termos sociais e ambientais, e atividades especulativas.
10.Instituições financeiras: Vínculo do crédito com a capacidade dos tomadores em criar valor social e ambientalmente, e enfase no atendimento de necessidades locais.
11.Interdependência das nações: Reconhecimento da interdependência das nações no enfrentamento das desigualdades sociais e problemas ambientais.
12.Teoria do bem estar: Formulação de uma nova teoria econômica voltada para o bem estar coletivo.

Cabe ainda mencionar que a publicação “The Great Transition” apresenta uma visão de como pode se dar a transição para a Nova Economia e é uma ótima referência para uma visão detalhada dos pontos apresentados.

As pessoas e o planeta importam

 

Inicio este blog com um “post” sobre a nef – New Economics Foundation, um centro de pesquisa e ação inglês ao qual me associei recentemente e que é provavelmente o principal ponto de referência mundial sobre a Nova Economia.

Observo, de saída, que a palavra “economics” não deixa dúvidas. Trata-se de buscar os elementos para uma nova teoria que redefina desenvolvimento econômico conciliando crescimento, justiça social, sustentabilidade ambiental e bem estar da coletividade.

Fundada em 1986 pelos lideres do TOES (The Other Economic Summit) que se confrontava aos encontros do G7 e posteriormente G8, a nef tem uma impressionante produção acadêmica e também uma intensa atuação principalmente na Inglaterra.

A publicação “21 Hours” propondo a semana de trabalho de 21 horas chamou-me a atenção imediatamente por ser a jornada de trabalho uma questão que considero chave. Nas palavras da nef, a sua redução drástica possibilita equacionar “questões urgentes e inter-relacionadas: trabalho excessivo, desemprego, super consumo, alta emissão de carbono, baixo bem estar, desigualdades e falta de tempo para viver sustentavelmente, cuidar do próximo e simplesmente desfrutar a vida”.

A nef tem hoje 5 projetos chave: The Happy Planet Index, Social Return on Investment, Interdependence, Co-production e A new economic model, que são conduzidos por uma ou mais de suas 8 áreas de trabalho: Well-being, Democracy and Participation, Social Policy, Finance and Business, Valuing What Matters, Climate Change and Energy, Connected Economies e Natural Economies.

Hoje, todo este trabalho da nef está articulado em torno de uma campanha pela transição para a Nova Economia e que chama de “The Great Transition”. Esta campanha sugere medidas para efetivar a Nova Economia ao mesmo tempo em que desenvolve uma teoria econômica compatível. As principais medidas abordadas incluem a avaliação dos reais custos de um produto ou serviço levando em conta o impacto social e ambiental, a redistribuição do tempo de trabalho, da renda e da riqueza, o rebalanceamento dos mercados em relação à esfera pública ampliando a definição de bens públicos e preconizando o envolvimento dos favorecidos através da coprodução do bem estar coletivo, a tomada de decisões públicas pelos diretamente afetados e interessados valorizando a especificidade de cada núcleo urbano e cultura, a reeducação que permita que a produção e a tomada de decisões se deem localmente, a irrigação econômica com a mudança nos critérios de taxação e de ação das instituições financeiras, e o reconhecimento da interdependência das nações no enfrentamento das desigualdades sociais e problemas ambientais. Falarei sobre cada um destes assuntos em posts específicos.

Bem, com este breve quadro já é possível perceber o porte, a importância da atuação e a repercussão do trabalho da nef, que na verdade só é possível devido ao crescente reconhecimento pela sociedade da necessidade imperiosa de mudança.

%d blogueiros gostam disto: