Grupos de estudantes do movimento em prol da Nova Economia estão ativos em 14 câmpus de universidades dos EUA.

“Será que a mobilização de estudantes brasileiros não seria também uma alavanca em prol de uma Nova Economia por aqui combinando justiça social, preservação ambiental e bem estar?”

Estudantes se engajam nos EUA.

Ao relatar em recente post a formação de uma coalização por uma Nova Economia e o início de amplo movimento popular nos EUA, mencionei que a principal iniciativa de liderada por Bob Messie, presidente da Coalizão, além da própria expansão da coalizão, seria focar na difusão do movimento nas universidades americanas.

Acesse aqui o post completo.

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Coalização marca o início de amplo movimento popular nos EUA por uma Nova Economia.

“A melhor chance de mudança é a convergência para uma causa comum dos que lutam pela preservação do meio ambiente, por justiça social, por uma democracia verdadeira e por bem estar.” Gus Speth.

Coalizão por uma Nova Economia.

Bem, inicio os posts de 2013 relatando a formação nos EUA em 8 de janeiro último da Coalizão por uma Nova Economia, inicialmente através da fusão do NEI – New Economics Institute com a NEN – New Economy Network e com o objetivo de atrair para seu universo todos as correntes afins, juntar forças e constituir um movimento de massas que se contraponha ao status quo e demonstre a vontade e a necessidade de mudança por justiça social, preservação ecológica e bem estar.

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Impasse à vista: Câmara aprova criação de Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

“… o fórum da economia solidária passa por uma prova de fogo quanto à sua capacidade de atuar com independência financeira e gerencial, aspecto, aliás, vital para as organizações da sociedade civil que agem genuinamente em prol do interesse público”.

Plenário da Câmara em 7 de novembro de 2012

6º e último post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

A importância da sociedade civil.

O célebre, e nem por isto verdadeiro, ditado de Churchill “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras” expressa bem o teor de algumas das reações, as contrárias, ao último post sobre as limitações dos processo eleitoral e a impossibilidade de ser o caminho para se chegar a uma Nova Economia. O ditado faz apenas um jogo de palavras e, ao mesmo tempo em que defende, expõe, de fato, a profunda fraqueza do regime eleitoral.

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Formulação teórica, mobilização, obtenção de recursos, treinamento, organização, divulgação e manifestação pública.

Quando há acumulação de massa crítica, não tem jeito, a “explosão” ocorre. É inevitável, quando se trata de extinguir interesses profundamente enraizados, mas são episódios relativamente curtos na história.

'green labyrinth at sunset' photo (c) 2007, Madalena Pestana - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Ativismo ou …

4º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Como visto até aqui, a Nova Economia é uma proposta que se pode visualizar como mais um elo do processo histórico de mudança que marca a “evolução” de nossa civilização e que teve origem há cerca de dez mil anos. É uma enorme mudança que depende de movimentos sociais e estes do ativismo.

O ativismo toma várias formas. Volto a citar o Alperovitz autor do artigo, em inglês, “Mais ativo do que se pensa”, para ilustrar uma delas, a da vivência por grupos relativamente pequenos de práticas que exemplificam uma Nova Economia. Na verdade, nem tão pequenos assim. No artigo, ele mostra que mais de 40% dos americanos estão envolvidos em atividades como: cooperativas, em particular as de crédito, empresas de propriedade dos próprios trabalhadores, propriedade comunitária da terra, empresas sem fins lucrativos, bancos estaduais e preservação ambiental. Na mesma linha, vale a pena conhecer os resultados de um projeto do “New Economics Instituteque mostra e mapeia iniciativas em todo o mundo que contribuem para o que chama de “A grande transição para uma Nova Economia”.

Entre nós, a “economia solidária” é o exemplo mais marcante da vivência e experiência em pequena e média escala de reconstrução evolutiva.

Além desta forma, a ação dos grupos interessados e organizados pode se dar também em outros dois cenários principais que ocorrem, juntamente com o anterior, como vimos, concomitantemente. Um, de dentro do sistema, tentando fazer com que este modifique a si mesmo. A democracia por representação é a pratica mais citada neste cenário. A tese é de que o processo eleitoral ao se repetir e consolidar leva ao aperfeiçoamento das instituições. Não creio. Voltarei a este tema detalhadamente, mas por ora basta lembrar as limitações do principal exemplo, o americano. Mas isto não invalida, de forma alguma, as atividades reformistas. A ação de profissionais bem intencionados “ajudados” pela “opinião pública”, em muitas áreas, tem levado a mudanças interessantes. Melhor educação, saúde, segurança, justiça são bons exemplos.

O último, é o do rompimento. Quando há acumulação de massa crítica, não tem jeito, a “explosão” ocorre. É inevitável quando se trata de extinguir interesses profundamente enraizados, mas são episódios relativamente curtos na história. Curtos porque tanto o imobilismo, contraditoriamente, e a revolução não são estados de equilíbrio. O fato é que nenhuma sociedade fica parada ou em revolução permanente. A primeira parte da afirmação é óbvia. A segunda, é evidenciada pela história. A revolução russa de 1918 mostrou isto muito bem. A partir dela seguiu-se uma trilha reformista buscando a criação de infraestrutura econômica e militar e de forma a enfrentar a guerra civil e a ameaça externa.

Outro exemplo é o das recentes “explosões” no norte da Africa, na Espanha, na Itália, na Inglaterra e agora nos EUA com os movimentos “Occupy Wall Street” e “99% Power” que parecem ter o potencial de se tornarem movimentos sociais. Que, por sua vez, podem consolidar as rupturas, induzirem a reforma e a evolução, ou também, no balanço de forças, evidenciar que o status quo é, neste momento, ainda o mais forte. A ver.

Enfim, para que um movimento social vá se construindo e fortalecendo é preciso também que o ativismo ocorra de forma coordenada. Para isto, é necessário, nos três cenários desenvolver as atividades clássicas e típicas dos grandes movimentos sociais: formulação teórica, mobilização, obtenção de recursos, treinamento, organização, divulgação e manifestação pública, claro, sempre adaptadas às circunstâncias específicas.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos

Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais.

'Wolves attack a grizzly mother & cubs.  She escapes' photo (c) 2012, *christopher* - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

O “dom” animalesco e voraz em sua versão mais pura

A implosão do sistema.

3º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Do ponto de vista social, parece-me que ficou claro que reforma, reconstrução evolucionária e revolução são parte de um mesmo quadro numa sociedade que está em movimento permanente.

Isto vale também para o caso específico da mudança para uma Nova Economia. Trata-se de um movimento de enorme envergadura e complexidade e que assume as três formas em distintos momentos e locais e requer ações que se adequem a tal complexidade. E até mais. Admite e precisa da ação de todos. Tanto dos que pelo exemplo constroem experiências típicas da Nova Economia, quanto dos que procuram, em boa fé, reformar o sistema por dentro, e, em especial, daqueles que protestam e lutam por um futuro melhor.

É um movimento que tem como objetivo a reorientação da atividade produtiva priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar e que pode alcançar isto, a meu ver, através, principalmente, de duas de suas principais linhas de ação, por terem o necessário poder de transformação: a redução da jornada de trabalho (veja o estudo em português da nef: 21 horas) e a internalização de custos hoje externalizados (veja o post Quanto pior, melhor). Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais. O máximo que se pode dizer, e é o que é dito, é que são inviáveis.

Claro, inviáveis, na visão dos que fazem parte do status quo e que não aceitam subordinar o lucro aos interesses maiores da sociedade. Estes chegam ao auge de sua argumentação esdrúxula dizendo que o lucro é a prioridade máxima porque é ele quem atrai o lado “animalesco e voraz” de alguns poucos seres humanos mais bem dotados de tal “dom” e considerados indispensáveis para que os empreendimentos surjam e floresçam.

Nada mais claro de que se trata de um choque de visões e interesses e que cabe ao movimento social em prol de uma Nova economia, a cada momento e lugar, propor o desdobramento daquelas duas grandes linhas de ações em “bandeiras” de luta que possam ser vitoriosas para, passo a passo, irem acumulando a energia necessária para a superação do impasse atual. A redução da semana de trabalho para 35 horas, por exemplo, foi uma bandeira importante na França no inicio deste século. A luta para que o “custo oculto” da usina de Belo Monte seja revelado, é outro bom exemplo.

Além do simples choque de visões e interesses está a dura luta pela manutenção dos privilégios, de um lado, e por uma vida melhor, do outro. Questões principalmente econômicas, enfim, é que levam os grupos sociais mais desfavorecidos a se mobilizarem e em muitos casos colocarem em risco sua próprias vidas. A verdade é que só com muita mobilização, muita luta é que será possível orientar a atividade produtiva na direção correta. Trata-se de um esforço coletivo e que tem sido chamado, pelas diversas correntes em favor da Nova Economia, de ativismo.

Mesmo sabendo que é indispensável agir, é interessante lembrar que, em paralelo, um vento a favor “oculto” está sempre presente. São as mudanças lentas e profundas de adequação à realidade que se transforma, sem a necessidade de nenhuma imposição moral, econômica ou social. A adequação, se dá pacificamente e é resultado da pressão do inevitável. A incrível penetração da televisão em todo o mundo e a consequente mudança no grau de consciência das pessoas em geral, é talvez o maior exemplo deste fator “invisível”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Reforma, revolução ou reconstrução evolucionária, qual o caminho para a Nova Economia?

É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…
As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política”.
Gar Alperovitz e Steve Dubb.

'March on Washington for Jobs and Freedom, Martin Luther King, Jr. and Joachim Prinz pictured, 1963' photo (c) 2012, Center for Jewish History, NYC - license: http://www.flickr.com/commons/usage/

Marcha pelos direitos civis. Washington, 1963.

Reforma ou revolução?

Continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, terceira e última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

No último post, acredito que ficou claro que uma Nova Economia somente se tornará realidade através de movimentos sociais de enorme alcance e motivados pelos que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações do mundo.

Hoje vou procurar detalhar um dos aspectos destes movimentos recorrendo a um artigo em inglês de Gar Alperovitz e Steve Dubb: “Se você não gosta do capitalismo nem do socialismo, o que é que você quer? onde descrevem três possibilidades básicas de mudança social:

“É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…

As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política. O planeta como um todo está ameaçado pelo aquecimento global. A vida de milhões esta afetada pelo sofrimento social e econômico. Nossas comunidades estão em decadência. Existe alguma saída para isto?…

Pensadores e ativistas têm abordado as possibilidades de mudança a partir de duas perspectivas. Uma, a tradição reformista que acredita que as instituições existentes são capazes de se adaptar e promover o progresso… Outra, a tradição revolucionária que prevê eliminação das instituições existentes, na maior parte dos casos, violentamente, e normalmente precipitada por um colapso do sistema vigente.

Mas, o que ocorre se o sistema nem se reforma nem entra em colapso?

Este é exatamente o caso dos EUA, que pode ficar nesta situação por décadas… Neste contexto, possibilidades estratégicas muito interessantes podem ser viáveis…São processos de longo prazo que podem ser bem descritos como reconstrução evolucionária, a saber, uma transformação institucional e sistêmica da politica econômica ao longo do tempo”.

A marca da reconstrução evolucionária me parece ser a da implantação prática, em relativamente pequena escala, de experiências que se dão à margem do sistema vigente e que podem ganhar massa crítica para o transformar. No dizer dos autores: “Cooperativas, áreas comuns, propriedades mistas com a municipalidade, propriedade pública, são algumas destas possibilidades e que levam à democratização da propriedade”.

O artigo todo é muito interessante, ajuda a pensar a questão da mudança mas me parece induzir a uma conclusão de que a reconstrução evolucionária é quase que uma síntese do conflito entre reforma e revolução. Não creio.

Na verdade, gradualismo e mudança de qualidade, assim como reforma e revolução no caso das mudanças sociais, se opõe mas, são parte do mesmo quadro. As instituições evoluem até o ponto de ruptura, e em seguida a evolução retoma seu curso, agora em novas bases. Isto não quer dizer que se possa ficar esperando a evolução gradual. Ao contrário, a história mostra que a pressão dos movimentos organizados levados adiante pelos grupos interessados é indispensável para que a mudança ocorra na direção que interessa à grande maioria.

Trata-se, acredito, de movimento de longo prazo, organizativo, que assume ao longo do tempo várias formas: reformista, revolucionário e evolutivo, adaptativo às circunstâncias e culturas e com vários polos e viéses. De grande complexidade, enfim.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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