A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

Acesse aqui o post completo.

Anúncios

A divulgação de documentos militares americanos pelo WikiLeaks foi decisiva para a eclosão da “primavera árabe”.

….Lembro da “audácia da esperança”.… Quem pode negar que o presidente dos EUA seja mesmo muito audacioso?! Não é muita audácia dizer, na 3ª-feira (após sua releição), que “os EUA apoiaram as forças da mudança” na Primavera Árabe”? Julian Assange.

Julian Assange Award, foto de Stefan Wermuth, Reuters. 2011.

Premio da Fundação pela Paz sediada em Sydney, Austrália.

A perseguição a Assange.

5 de abril de 2010: É divulgado o vídeo Collateral Murder mostrando disparos de um helicóptero de guerra americano contra civis iraquianos. Os soldados confundem uma câmera fotográfica com uma arma e atiram. E depois destroem uma camionete de transporte de crianças.

25 de julho de 2010: (Afghanistan War Logs) cerca de 92 mil documentos militares americanos sobre a guerra no Afeganistão são revelados. Eles relatam o crescimento da insurgência Taleban, o desapontamento dos civis com seu governo e a queixa de falta de recursos para empreender a guerra.

22 de outubro de 2010: (Iraq War Logs) cerca de 400 mil documentos militares americanos são revelados e mostram que 63% das mais de 109 mil mortes é de civis, casos de abusos e descontrole de seus soldados, que o exército americano ocultou casos de tortura dentro das prisões iraquianas e que haviam equipes encarregadas de perpetrar torturas e assassinatos.
Continue lendo »

Naves não tripuladas (drones) afrontam a lei internacional. A justificativa é o terror contra o terror.

“São naves leves, não identificáveis e que disparam mísseis letais e de alta precisão. … Uma nova caixa de pandora foi aberta. …Israel, Irã, Rússia, Índia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Taiwan, Turquia e Coreia do Norte, além dos EUA, já possuem drones de ataque”.

Direitos Humanos e o uso de “Drones”.

Dar como certo o respeito aos direitos humanos é um erro que o movimento por uma Nova Economia não pode cometer sob pena de sucumbir por um longo período. A violação de tais direitos pelos países com real poderio militar, principalmente os EUA, é patente e vem se institucionalizando, alegando que o fazem para se proteger do “terrorismo” e que este põe em risco a sua “segurança nacional”. Já vimos este filme há poucas décadas. Como aqui, naqueles países os militares vem assumindo cada vez mais um papel preponderante já que, em tese, são especialistas no assunto. E, sob a bandeira da segurança nacional tudo pode ser justificado, inclusive, se pensarem ser a saída para eles, isolar pela força os excluídos tanto internamente quanto nos demais países.


Continue lendo »

O que fazer

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 30 de maio de 2012):

Continuo hoje com a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando do que fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

É claro que o aumento na frequência e intensidade das catástrofes naturais devidas ao aquecimento global, o acirramento das tensões sociais e ambientais decorrentes da incorporação constante de pessoas aos padrões vigentes de consumo e do aumento populacional oriundo dos países mais pobres e a crescente percepção de que um maior bem estar já é possível e desejável, são tremendos impulsionadores para uma Nova Economia. Ocorre, que os que têm interesses contrários já estabelecidos, se não enfrentados, retardarão ao máximo a mudança, tornando-a mais danosa e dramática, se é que não nos levarão a um ponto sem retorno em termos de preservação da civilização.

Assim, é central se contrapor ao status quo e convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes.

Evidentemente, inúmeras possibilidades surgem à mente. Estabilização da população, mudança da mentalidade consumista, substituição das fontes de energia fóssil, são alguns exemplos. Mas, é preciso selecionar, dentre elas, aquelas que tenham o maior potencial de irradiar a mudança, o que por sua vez permite, o que é decisivo, focar a ação.

Quatro questões me parecem constituir este grupo: restringir os impactos sociais e ambientais negativos oriundos da produção e consumo de bens, reduzir a jornada de trabalho, romper com a teoria econômica ortodoxa e viabilizar decisões mandatórias globais.

Em relação aos impactos negativos, o uso de recursos naturais, em particular o que causa poluição atmosférica, emissão de carbono, depleção dos recursos hídricos e de cardumes, degradação do solo, desflorestamento e o esgotamento de fontes não renováveis, vem intuitivamente à mente, como exigindo uma compensação de forma a evitar ou se, inviável, limitar o dano.

Estes e outros impactos sociais e ambientais negativos são de complexa e difícil medição, tornando vulnerável qualquer uma das formas que têm sido aventadas para restringi-los. Mas, fato é, que a dificuldade não impede que sejam considerados.

É uma medida que dirige claramente a atividade produtiva no sentido dos interesses maiores da humanidade, principalmente em termos de proteção ambiental e da redução e redirecionamento do consumo.

A forma que parece, em geral, a mais adequada é a de quantificar e incluir os impactos quando do estabelecimento dos custos dos produtos, serviços e investimentos. O que, em outras palavras, significa passar a considerar no custo o que os economistas tradicionais chamam de externalidades, forma confortável de definir privilégios, passando a internalizá-las.

Este aspecto, aliás, tem sido objeto de especial atenção de Herman Dale. Um recente post “Quanto pior, melhor” faz referência a isto e detalha um pouco mais o assunto, que será ainda objeto de um novo, específico.

O mecanismo para a inclusão dos custos dos impactos negativos que, parece, vai se impor é o da taxação. Em especial, a do carbono, que consiste em uma taxa coletada pela coletividade e que incide na produção e importação de combustíveis fósseis. O Centro pela Taxação do Carbono (Carbon Tax Center) é uma ótima referência sobre o assunto.

Até do ponto de vista econômico tradicional a taxação pode ter um resultado positivo, pois, além dos benefícios da redução dos impactos é de se esperar a redistribuição social da taxa coletada. Evidentemente que a transição para este novo cenário não é simples, fazendo com que a taxa deva ser ajustada paulatinamente, enquanto a economia se reorganiza.

Parte 2.

 A segunda questão, a da redução da jornada de trabalho, é tão ou mais importante que a primeira. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

Do ponto de vista econômico a redução tende, mas não necessariamente, a valorizar a mão de obra e ser mais um fator de redistribuição de renda e realinhamento da produção de bens e serviços.

As objeções à redução são inúmeras. Parece até que a jornada é algo imutável e resultado de uma constante mágica da natureza. Pretendo analisar isto em detalhe em um post específico.

Bem, ao colocar na mesa as duas questões anteriores, está-se necessariamente rompendo com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, esta é a terceira grande questão.

Passa-se a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses e que a via indireta, descrita no post anterior, deve ser contida. Não é mais possível contar com a “lógica” da livre ação dos mercados para resolver os impasses sociais e ambientais da nossa época.

É interessante observar que faz parte da teoria dominante afirmar que o sistema econômico é na verdade um mecanismo onde a liberdade de iniciativa permite que os empreendimentos floresçam e que portanto não deve ser dirigido nesta ou naquela direção. Fazê-lo, caracterizaria o dirigismo estatal. Os mais radicais, dizem que significa adotar o socialismo. Será mesmo?

As recentes medidas tomadas pelo FED, em particular, mostram que nada está mais longe da verdade. Romperam com todas as regras, protegeram bancos e grandes grupos, inundaram o mundo com dólares aproveitando-se do fato de ser aquela a moeda de referência, tudo em nome da sobrevivência e estabilidade da economia, o que na visão deles significa dizer, primado do crescimento econômico como guia da evolução da atividade produtiva.

Quer dizer, dirigismo para orientar na direção do crescimento econômico, pode. Já, ações na direção dos reais interesses da humanidade, não. São puro socialismo.

A verdade, no entanto, é que nada impede, além do preconceito e de interesses menores, que se substitua a inflação e o crescimento pela taxação e a jornada de trabalho como elementos básicos a orientar a atividade produtiva, subordinando o lucro aos objetivos de aumento do bem estar, preservação ambiental e redução das desigualdades.

Finalmente, é interessante, e dramático, observar que, idealmente, as duas primeiras questões devem, em suas formas mais incisivas, serem implementadas globalmente sob pena, em geral, dos países que o fizerem independentemente perderem competitividade. Daí a última e importante questão, o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Por que é necessária

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Daikokuten at Shinagawa Shrine' photo (c) 2004, Stéfan - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Daikokuten, deus da riqueza

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 16 de maio de 2012):

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog.

Convém lembrar, antes de mais nada, que esta caracterização está alinhada com a do movimento que nasceu na Inglaterra em 1983 e que é representado hoje por uma ampla rede de organizações de pesquisa e de ação, dentre elas a nef e a NEI, cujos sites podem ser acessados através da seção “links de referência” à esquerda da página principal.

Num primeiro post sobre o assunto, “Por que, o que, como?“, procurei mostrar que é preciso saber com clareza e precisão o “por que” uma Nova Economia é necessária. Sem, isto, o movimento fica à deriva. É necessário também ser objetivo e seletivo no o “que é” preciso fazer, evitando a dispersão de esforços e aprofundando o debate em torno de alguns poucos pontos que tenham o necessário poder mobilizador. Mas, conceber uma Nova Economia é relativamente fácil. O difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Para tanto é preciso saber o “como” deve ser feita a transição para uma Nova Economia. Em outras palavras, quais as formas de mobilização que levarão ao sucesso do movimento.

No post de hoje, entro em mais detalhe em relação ao primeiro ponto.

A Nova Economia redireciona a atividade produtiva de forma a privilegiar diretamente e ao mesmo tempo a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar do ser humano.

Estes três objetivos foram abordados em muitos dos posts já publicados e que podem ser acessados optando pelo item correspondente na seção “Tópicos” à esquerda da página principal. Como visto, a mudança é necessária e decisiva para a própria sobrevivência de nossa civilização. Além disto, os dois primeiros objetivos são perfeitamente factíveis, já que a atual capacidade produtiva da humanidade os permitem. O último, o bem estar, concorre decisivamente e ao mesmo tempo decorre dos primeiros.

Acho interessante portanto, agora, tratar das principais dúvidas que vêm à mente quando se trata do assunto. Creio que elas são:

  • Mas, não é com crescimento econômico que se alcançam tais objetivos?
  • Não é a proposta de tal modo assustadora que impeça que seja sequer considerada?
  • Na prática, uma Nova Economia não significa o fim do capitalismo?

De fato, desde a 1ª revolução industrial, há mais de 300 anos, vem se consolidando a crença da importância do crescimento econômico. Inicialmente, a ampliação dos mercados e dos produtos e serviços consumidos foi naturalmente vista como a forma de dar vazão ao impeto dos empreendedores e à vontade dos que tinham capital de criar novos negócios e expandir os existentes. No início do século passado em resposta às crises, à luta trabalhista e aos levantes socialistas, foi-se também, principalmente no ocidente, associando ao crescimento econômico a ideia de que é ele que permite o progresso da civilização, e que ele só é plenamente atingido quando há liberdade de mercado e de iniciativa.

É a via indireta. Nesta ótica, as empresas precisam ter lucro para que possam investir e ampliar seus negócios e com isto gerar mais empregos. Ampliam-se em consequência os mercados, diminuí a desigualdade social e melhora o bem estar da população.

Parte 2:

Mesmo no campo socialista, que ganhou força a partir do final da 1ª guerra mundial e e ruiu na década de 90, o crescimento econômico, numa versão sem a liberdade de iniciativa, definiu o rumo das ações, principalmente relacionadas às chamadas indústrias de base indispensáveis para a sua defesa militar.

Até meados do século passado, tanto no mundo capitalista quando socialista, a ideologia do crescimento econômico reinou sem questionamentos e com bastante razão já que, além das necessidades bélicas, os demais bens materiais e serviços eram e continuam escassos em muitos países.

Aos poucos, o crescimento exponencial começou a ser questionado e, como mostrado em diversos posts, é hoje inviável tanto social quanto ambientalmente, sendo necessário que ao invés de esperar que o crescimento econômico traga os benefícios desejados, a humanidade passe a pensar e agir para conquistar aqueles benefícios diretamente, colocando, produção, consumo e investimento a seu serviço.

Restringir o crescimento gera, no entanto uma imensa reação, já que sua limitação acarreta queda na lucratividade das empresas e, como dito anteriormente, o lucro é que é o real motivador da chamada iniciativa privada.

E provoca também um imenso receio de depressão econômica e com ela a drástica queda no nível de emprego, a falta de bens materiais e de serviços para a população e a convulsão social.

Fica-se, entre a “cruz e caldeirinha”. De um lado a pressão dos grupos desfavorecidos, o risco de colapso ambiental e a evidência de que maior bem estar já é possível para todos e de outro o espectro da depressão e tudo de ruim que ela traz.

Mas é um falso dilema, pois o quadro de depressão somente ocorre num cenário onde o crescimento econômico comanda as ações. No outro, onde a capacidade produtiva é posta a serviço da humanidade a ameaça se dissolve. Os próximos dois posts mostrarão isto ao detalharem o que fazer e como chegar à Nova Economia.

E não se trata do fim do capitalismo. Não há uma mudança inevitável no sistema econômico. É claro que sem crescimento econômico as taxas de acumulação e de lucro declinam continuamente. Mas, permanece o espaço para a livre iniciativa atuar, provavelmente com uma tendência declinante pelo atrativo de outras formas de atuação. Novos tempos, novas práticas, novos indicadores e taxas decrescentes.

É que, à medida que a mudança se afirma, é maior o tempo livre das pessoas, levando a que, além de mais lazer, o trabalho não remunerado e altruísta ganhe força e prestígio por ser o canal natural para o ser humano satisfazer sua necessidade de ser produtivo e útil. Neste ponto vale a pena recorrer à “História da Riqueza do Homem” de Leo Huberman que mostra que diferentes sistemas produtivos conviveram e evoluíram ao mesmo tempo. O exemplo mais notável é o do capitalismo que nasceu de dentro do feudalismo. Traços deste último, aliás, perduram até hoje.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Tribunal Hessel na Rio +20

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Bertrand Russel

Uma ideia que pode fazer com que uma esvaziada Rio +20 venha a ser, mesmo que indiretamente, um evento realmente transformador. Implementada, seria uma ação de grande repercussão e exemplar.

Trata-se de um tribunal para julgar os crimes contra a humanidade que vem sendo cometidos pelos bancos centrais e autoridades financeiras governamentais dos EUA, União Europeia, Reino Unido, França e Alemanha, desde o início da crise de 2007, que perdura. Sob a alegação de evitar uma crise sistêmica, tais entidades insistem no resgate de parte do sistema financeiro internacional, principal responsável pela própria crise. E além disto promovem, nas palavras do artigo referido a seguir, “um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente”.

Stéphane Hessel é o renomado autor do livro “indignai-vos” cuja mensagem sensibilizou milhões de pessoas e que levou, “principalmente os jovens, a ocupar em diversos cantos do mundo, praças e ruas”, reagindo à um modelo econômico que “destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos e os condena à uma vida sem futuro”.

A proposta é do professor Cristovam Buarque, amigo de Hessel, feita em artigo “De Russell a Hessel” e publicado em O Globo neste sábado. Ela surgiu de uma ideia similar, o Tribunal Russell, também conhecido como Tribunal Interacional de Crimes de Guerra e Tribunal Russel – Sartre, criado em Novembro de 1966, para julgar crimes da intervenção militar dos EUA no Vietnã. Nas palavras do professor:

“Bertrand Russell, Prêmio Nobel de Literatura em 1950, criou o tribunal para julgar os crimes no Vietnã, e, caminhando ao lado de jovens, despertou o mundo para a tragédia vietnamita. Seu tribunal não tinha qualquer poder legal, mas uma imensa força moral capaz de encurralar os dirigentes da grande potência americana, com seus aviões e bombas, mas sem uma base ética para a guerra”.

Convocado por Hessel e composto por ele e por outras pessoas de excepcional força moral de todo o mundo o tribunal poderia ser instalado na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental constituída por cerca de 150 entidades de 27 países para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência oficial.

Acredito que o objetivo central do tribunal deveria ser o de julgar a conivência e conluio das autoridades com o sistema financeiro, socorrendo-o e ignorando seus crimes, em detrimento dos interesses das populações dos países sobre os quais têm autoridade e responsabilidade. Sobre isto ressalto o artigo, objeto de notícia neste blog, com o irônico título “Grande passo à frente” publicado pelo EconoMonitor no último dia 3 e que mostra que o resgate de Wall Street pelo FED significou que mais de USD 30 trilhões foram para o capitalismo conspícuo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Luz dissolve tese da USP

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Blocos de gelo caindo no Glaciar Perito Moreno - Parque Nacional Los Glaciares - Patagônia - Argentina' photo (c) 2007, CasalMALY - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Levei um susto com a divulgação em 29 de setembro último pela Agência USP de Notícias de uma matéria intitulada “Existência do aquecimento global é questionada em pesquisa” sobre a tese de doutorado: “Quando o Sol brilha, eles fogem para a sombra…”: a ideologia do aquecimento global. O título da matéria é até suave frente à incrível e principal “conclusão” da tese: “a hipótese do aquecimento global constitui a maior fraude científica e social de nosso tempo”.

Bem, fui verificar o fundamento do questionamento, resultado de extenso trabalho de uma pesquisadora do Departamento de Geografia de uma das melhores universidades do país, orientada por um doutor do mesmo departamento e aprovado por uma banca com outros 4 examinadores, todos doutores.

Para tanto, passei por uma “pegadinha” de mau gosto já que a autora deixa de fazer um resumo informando no capítulo de abertura que sente “muito em frustrá-lo e aconselhamos a repensar” o uso de resumos. “Por favor, leia o trabalho completo. Inicie a leitura na página 1, obedeça ao movimento da esquerda para a direita e de cima para baixo e leve o tempo necessário para segui-la até o fim, na página 521”. Fui portanto obrigado a ler a coisa toda, na verdade, 557 páginas.

O resultado é que posso informar que o fundamento é nenhum e, o que é mais preocupante, a universidade, o departamento, o orientador e a banca deram respaldo a um trabalho que nada tem de original e não trouxe sequer uma contribuição para o tema, contrariando uma exigência óbvia de inovação em teses de doutorado. É, a USP não faz mais do que seguir o triste papel da maioria de nossas instituições. Enfim …

Em prol do leitor, apresento em anexo os os meus comentários, capítulo a capítulo. Em síntese, constatei que o trabalho é composto por três partes principais devidamente desconexas:

  1. A transcrição durante 4 longos capítulos de textos já conhecidos de geografia.

  2. Um ataque irresponsável, em 5 capítulos, ao IPCC, aos pesquisadores de todo o mundo que colaboram voluntariamente com a organização e aos, coitados, modelos matemáticos, enfeitiçadores.

  3. E a conclusão, do nada, em 2 capítulos, de que a tese do aquecimento global é resultado de uma trama sinistra dos que querem perpetuar a ideologia capitalista, quando a verdade é exatamente o oposto.

Bem, não foi desta vez que o bombardeamento às evidências do aquecimento global vingou. Além do mais, recente estudo do Berkeley Earth Project confirma-o e responde diretamente às alegações mais competentes dos céticos.

“Nossa maior surpresa foi que os novos resultados concordam com os valores de aquecimento publicados anteriormente por outras equipes nos Estados Unidos e Grã-Bretanha”, afirmou o professor Richard Muller, que estabeleceu o Berkeley Earth Project na Universidade da Califórnia reunindo dez cientistas renomados.

“Isto confirma que estes estudos foram feitos cuidadosamente e que o potencial de (estudos) tendenciosos, identificados pelos céticos em relação ao aquecimento global, não afetam seriamente as conclusões”, acrescentou.

O grupo de cientistas também relata que, apesar de o efeito de aumento de calor perto de cidades – o chamado efeito ilha de calor urbano – ser real e já ter sido estabelecido, ele não é o responsável pelo aquecimento registrado pela maioria das estações climáticas no mundo todo.

O irônico desta estória, é que após a leitura de toda a tese (?) da USP não descobri a resposta à pergunta implícita no título: Quem foge para a sombra? Mas, em compensação, descobri que com um pouco de luz ela se dissolve.

Intrigante, também, é que logo na abertura da sua tese a autora transcreve um e-mail informando que os 3 trabalhos submetidos por ela à 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul, na mesma linha da tese, foram rejeitados pelo comitê cientifico por falta de fundamentação cientifica. 5 doutores ignoraram este aviso e assinaram embaixo de um trabalho que tem nenhuma, também. E com isto, além de não preservarem a pesquisadora em formação, comprometeram o nome do departamento e da instituição.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Piratas da Somália são europeus

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Pirates of corse' photo (c) 2004, keyboardsamurai - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Clique na figura para assistir ao vídeo

Recebi do leitor Luiz Rogatto a indicação de um impressionante vídeo, Piratas, sobre a depleção das áreas de pesca e poluição tóxica e radioativa na costa da Somália provocada por países desenvolvidos (?) e com consequências desastrosas para a já combalida população local.

Ganhe 23 minutos de informação preciosa neste cuidadoso vídeo feito por Juan Falque e verá que os “piratas” da Somália surgiram como reação aos que estão de fato saqueando o país aproveitando-se de sua fraqueza e incapacidade de defender-se.

É terrível. A Tsunami de 2004 levou às areias do litoral e revelou o conteúdo do que se despejava nas águas da Somália: resíduos tóxicos e radioativos. E despeja-se até hoje. Quem? Barcos da Espanha, França, EUA, Japão… E a pesca predatória, onde mais de 1/4 do que se pesca é jogado fora do próprio navio? Lamentável, mas de tão terrível, serve para marcar mais fundo na mente a importância da luta por uma Nova Economia.

E como é difícil aguentar a brutalidade dos fatos. Não para a ONU, que tem até observador especial para a Somália e que tem feito inúmeros alertas sobre a situação. Apesar dele e de outros, a entidade nada fez. Pelo contrário, Quando os países desenvolvidos (?) foram atingidos, sob que auspícios, formou-se uma força tarefa militar liderada pela Espanha e a França? Da ONU.

Não é a toa que a nef vem se preocupando cada vez mais com a depleção das áreas de pesca. Recentes e importantes trabalhos da fundação tratam do assunto. Destaco um, pois reforça e explica o que vem acontecendo na Somália e em outros países africanos.

O estudo Fish dependence – 2011 update mostra que “os europeus estão consumindo muito mais peixes do que os seus oceanos podem produzir, tornando-se cada vez mais dependentes da pesca em outras áreas. Se a Europa consumisse somente de suas águas não teria mais peixe a partir de 2 de julho de cada ano, ficando, a partir daí, totalmente dependente de peixe de outras fontes”.

Mas, a questão é global. A conclusão do sumário Scientific facts on fisheries produzido pela GreenFacts em colaboração com o Departamento de Pesca e Aquicultura da FAO, a partir do relatório World review of fisheries and aquaculture retratando a situação ao final de 2008, é dramática: “Cerca de três quartos dos estoques marinhos monitorados em todo o mundo estão totalmente explorados, super explorados ou esgotados. Em consequência, a indicação é que não há potencial para aumento da produção marinha e que o estado corrente dos peixes e de seus ecossistemas deixam pouco espaço para adiamento de ações para o melhor gerenciamento dos estoques de peixes que já deveriam ter sido tomadas nas últimas três décadas”.

E o Brasil não escapa desta realidade. O artigo Pesca no Brasil e seus aspectos institucionais – um registro para o futuro de José Dias Neto publicado na Revista CEPSUL – Biodiversidade e Conservação Marinha em janeiro de 2010 e no Blog do Axel Grael traz além de um resumo da situação mundial uma detalhada análise da crise da pesca no Brasil.

É, estamos diante de mais uma claríssima demonstração de que o crescimento exponencial é inviável e que tem consequências explosivas social e ambientalmente.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Existe almoço grátis

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'cat wallpaper only png collection2560x1600ubuntu font29' photo (c) 2011, skand gupt - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Nelson Motta é o irresponsável autor do artigo “Boca Livre high-tech” publicado no Estado de São Paulo e no O Globo na última sexta-feira, dia 14. Infelizmente, não se trata de um homônimo, é mesmo o jornalista, escritor e crítico musical. Lamentável. Indignado, inclusive porque atinge conceitos cruciais para a Nova Economia, enviei-lhe um e-mail, abaixo transcrito.

Antes, um breve resumo do besteirol: diz que o software livre e uma espécie de MST digital. Chama Richard Stalmann de Richard não-sei-o-quê, uma besta, e investe contra os que acreditam em almoço grátis.

Vamos então à resposta a este transloucado artigo:

Desta vez, Nelson Motta, você derrapou feio. E o que espanta é que, em geral, suas colunas tem sido divertidas e oportunas. Mas a de hoje, “boca livre high-tech” errou todas. Também, quem manda falar do que não conhece sem antes estudar um pouco.

Antes de mais nada convido-o a usar o Ubuntu e verá que é muito melhor do que os outros. O Windows e o iOS a ele não se comparam em termos de beleza, funcionalidade, performance e facilidade de uso. E por favor, não comente antes de pelo menos conhecer o dito cujo.

Ah, trata-se de um software livre. Assim, você descobrirá que existem milhares dos melhores programadores trabalhando colaborativamente em torno desta e de milhares de outras aplicações também livres.

Neste ponto já posso dizer-lhe: existe vida após o lucro, Nelson. Aliás, almoço grátis é o que mais existe por aí. Veja só, quando um custo ambiental ou social não é computado é almoço grátis para quem pode usar o recurso. Complicou? Pense na poluição de um automóvel, por exemplo. Este aspecto, é o que os economistas ortodoxos chamam de externalidades. Na verdade, forma elegante de definir privilégios.

Mas existe também o almoço grátis que embeleza a vida, além do software livre. Você Nelson, quando se dedica a seus filhos está lhes oferecendo o que? Se você parar para pensar um pouco verá que a maior parte das atividades humanas são realizadas sem fins lucrativos. Por exemplo, quando você cria, e bem, você está realmente à procura de lucro?

Lembre-se, as mães, os voluntários, uma parte do trabalho do artistas e das pessoas em geral são desconsiderados pela economia tradicional.

Se já não bastasse, leve em conta o incrível acervo criado pela humanidade que está, quando não é apropriado indebitamente, à disposição de todos nós.

Mas eu entendo. Você, com toda sua inteligência, caiu na armadilha que alguns “economistas” espalharam pelo mundo: reduziram a realidade e fazem crer que o reduzido é o todo.

Quanto à comparação com o MST, deve ser coisa do seu inconsciente tentando defender o “bem bom”. Qual o paralelo entre um movimento que revindica terras e um que cria softwares? Nenhum, sem demérito para o MST. A burrice da comparação vem, com certeza, da lembrança que o software livre, como muitas outras criações, tem, em geral, uma licença “creative commons” que incomoda muito pessoas como você.

Ah, duas observações finais. Veja só a lógica de “anta” que você usou: “Como não existe almoço grátis então não existe software livre”. E ainda, Nelson não-sei-o-quê, o Richard Stalmann é simplesmente o fundador da Free Software Foundation e do GNU Project.

Pula fora, meu amigo. Este é o meu almoço grátis para você.

Termino lembrando ao infeliz jornalista que a imagem que ilustra o post está protegida por uma licença “creative commons”. “Chato”, não é? E, sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Por que, o que, como?

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Postal' photo (c) 2011, Isaac  AraGuim - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Bem, conforme prometido, explico hoje as recentes alterações que fiz no blog e que tornam explícitos os tópicos “por que” uma Nova Economia é necessária e “o que” e “como” fazer para para suavizar e acelerar a transição.

Evidentemente, os posts já publicados trataram, direta ou indiretamente, de um ou mais destes aspectos. O que procurei com este novo enfoque foi tornar mais clara e direta a caracterização e o que me parece ser o melhor caminho para chegarmos a uma Nova Economia. O leitor poderá observar o acréscimo, na página principal, de uma seção focada nos três tópicos, e seus sub tópicos. Agora, ao optar por um tópico ou sub tópico serão mostrados todos os posts que dele tratam. Além disto, a seção “Post por assunto” está organizada segundo palavras-chave e com destaque proporcional ao número de referências.

Uma Nova Economia é necessária porque intenciona e possibilita promover diretamente e ao mesmo tempo, a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e a melhora do bem estar do ser humano. São necessidades inter-relacionadas e que se não atendidas comprometem a própria sobrevivência da humanidade. Veja só. Levas de seres humanos, cerca de 200 milhões, são incorporados ao mercado anualmente. Com o livre acesso à informação, estes e os que já estão no mercado sabem o que é possível e desejam os mesmos bens e serviços. Para atendê-los, no estilo de vida vigente, é preciso um contínuo aumento na produção de bens e serviços, o que compromete gravemente o equilíbrio ambiental. É uma situação inviável, que terá que ser mudada.

As pressões das catástrofes naturais, das tensões sociais e da procura por maior bem estar não são entretanto suficientes para garantir que a transição para uma Nova Economia ocorra a tempo e na direção correta, já que a reação a ela é imensa. Assim, é central convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes. Quatro questões me parecem prioritárias, são viáveis de serem objeto de consideração imediata e aceleram e suavizam a inevitável mudança.

Resumidamente, uma destas questões é a de serem considerados os impactos sociais e ambientais quando da formulação dos preços dos produtos serviços e nas decisões de investimentos. Por exemplo, o preço da gasolina deveria levar em conta o custo que traz em termos de poluição. Os economistas tradicionais chamam tais impactos de externalidades, forma confortável de definir privilégios. Trata-se, pois, de internalizar tais externalidades.

Uma segunda questão é a da jornada de trabalho. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

A terceira questão é a do rompimento com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, passar a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses.

A última, é o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Mas, falar em transição é relativamente fácil. Difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Três ações me parecem essenciais para tanto.

A mais importante delas é o ativismo principalmente o daqueles mais atingidos. Os acontecimentos no norte da Africa, na Espanha, na Itália, na Inglaterra e agora nos EUA, mostram que o impensável começa a ocorrer, a rebelião. Fôrça, é claro, da crise.

Infelizmente não se pode contar com a democracia de representação para apoiar a mudança. Ao contrário, a função dela tende a ser a de preservar o status quo. A forma de superar esta barreira é a adoção da democracia direta, local, regional e nacionalmente, e que hoje é tremendamente facilitada pela internet, tanto para decidir quanto para pressionar pelas necessárias mudanças.

E o papel das entidades civis é fundamental para canalizar corretamente a insatisfação. É através delas que pode se dar um grande impulso à transição. Sua atuação vai desde a formulação das ideias que instruem a transformação até o apoio para que a luta pela mudança possa ocorrer.

As questões e ações acima mencionadas precisam, é claro, de detalhamento, o que será feito em novos posts, específicos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A Rio +20. É possível

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Apesar das considerações trazidas no último post apontando para as dificuldades resultantes da persistente reação dos interesses constituídos às inadiáveis mudanças, acredito que é possível que a cúpula de 2012 traga importantes e inesperados resultados.

Vale lembrar que 20 anos atrás, a conferência de então enfrentou muitas resistências. Um bom exemplo é o do presidente americano (Bush, pai) que compareceu em decisão de última hora pressionado pelo impacto negativo de sua atitude. Mesmo assim, a conferência extrapolou seus limites, produziu documentos marcantes e foi, como mencionei em post anterior (A Rio +20. Decisiva?) a origem de 2 vertentes, cada uma com inúmeros desdobramentos, uma delas desembocando agora na Rio +20.

O mesmo deve se repetir e com impacto multiplicado.

De 1992 para cá as entidades civis expandiram-se enormemente em número, força e atuação. O Greenpeace, a WWF, a Fundação Onda Azul e o Fórum Social Mundial são apenas exemplos deste fenômeno que abrange não só a causa ambiental como a social. Assim, é de se prever, que a forte ação de ONGs havida em 1992 se reproduza amplificadamente. Os sinais disto já são visíveis. Alguns exemplos:

Cerca de 150 entidades de 27 países constituíram a Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência, denunciando o “mito da economia verde”.

A ISEEThe International Society for Ecological Economics fará sua 12ª conferência bianual de 29 de maio a 1 de junho de 2012 no Rio de Janeiro com o objetivo explícito de influenciar a Rio +20. A Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), afiliada à ISEE promove o seu IX Encontro Nacional de 4 a 8 de outubro de 2011, preparatório para a conferência da ISEE.

O “World Symposium on Sustainable Development at Universities” e que visa refletir e trazer a contribuição de universidades de todo o mundo para a Rio +20, ocorrerá no Rio de janeiro paralelamente ao evento.

Curiosamente, apesar da tese da economia verde, como mostrei em post anterior (A economia verde. Ilusão?), não sobreviver à cúpula de 2012, mesmo com os interesses econômicos favoráveis em jogo, as duas vertentes devem voltar a convergir e é possível que a conferência, da mesma forma que em 1992, extrapole os seus limites e venha a ser o início de uma ação com efeito global produzindo um acordo climático mandatório e uma diretriz que comece a colocar a força produtiva a serviço do equilíbrio social e do bem estar, e, de passagem, resolva a parafernália de organizações e eventos que foram surgindo desde 1992.

Em algum momento a força dos fatos irá se impor. Aliás, uma versão simplificada de uma citação de Keynes expressa isto bem: “quando os fatos mudam, eu mudo de ideia. E você?” A conferência pode ser o gatilho da mudança, justificando o esforço da diplomacia brasileira pelo sucesso do evento.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

A Rio +20 já fracassou?

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Volto a tratar da Rio +20 neste e no próximo post após desvio provocado pela nova onda da “grande recessão” que, aliás, passou a ser considerada por muitos como a 2ª “grande contração” explicitando a gravidade da conjuntura econômica atual.

Antes, note que o blog tem agora uma central de comentários e que fiz também alterações visando deixar claro o “por que” uma Nova Economia é necessária, o “que é” preciso mudar para que ocorra e “como” tal mudança pode ocorrer. Em posts após este e o próximo pretendo detalhar e explicar estes tópicos.

Bem, vamos ao tema de hoje. O título do post é uma pergunta que pode parecer precipitada pois a conferência só irá ocorrer em junho do próximo ano. Mas, não, porque está centrada em uma proposta que, muitos pensam, conforme analisei no post (A economia verde. Ilusão?) nunca foi viável. Explico.

Os temas da conferência Rio+20 são:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
  • A base institucional para o desenvolvimento sustentável.

O primeiro tema já indica a tentativa de dar uma roupagem de “economia verde” ao desenvolvimento sustentável e de incluir naquela a erradicação da pobreza. Evidentemente, isto vem da força dos interesses econômicos que tentam preservar a ideologia do crescimento econômico. Em vão, como vimos.

A razão do segundo tema, dita pela própria ONU, é superar “a proliferação de acordos ambientais multilaterais e a fragmentação de instituições para este mesmo fim”. É a burocracia lutando contra a burocracia.

Vale lembrar que o desenvolvimento sustentável propõe-se a ser um que garanta às gerações futuras os bens naturais existentes seja pela preservação seja por reposição. Como já ficou claro que isto requer, entre outras providências, a substituição da energia fóssil pelas de baixo carbono, ele evoluiu para a economia verde. Esta, além de propor a substituição das fontes energéticas, defende a tese de que ao fazê-lo e com o uso intenso de novas tecnologias haverá um descasamento cada vez maior entre a quantidade de insumos materiais e o aumento do produto, o que permite, nesta visão, crescimento econômico com preservação ambiental e maior justiça social.

Se já não bastasse, espera-se ainda na conferência, como dito, que a “economia verde” contenha os ingredientes para a erradicação da pobreza. Isto, mesmo tendo como pano de fundo a previsão populacional divulgada pela própria ONU e as recentes conclusões do painel de mudanças climáticas da mesma ONU evidenciando o acirramento da crise ambiental e social. A saber.

A ONU prevê que a população do mundo somente estabilize em 2100 alcançando cerca de 10 bilhões de pessoas, a partir das hoje 7 bilhões de pessoas e chegando a 9,3 bilhões em meados do século. O terrível é que o aumento vem de países com alta taxa de fertilidade e pobreza: 39 da africa, 9 da Asia, 6 da Oceania e 4 da América Latina.

O IPCC – Painel de Mudanças Climáticas da ONU, em sua última estimativa mostra que para conter o aumento da temperatura global à faixa de 2.0 a 2.4 graus centigrados será necessário haver uma redução até 2050 entre 50 e 85% nas emissões relativamente ao ano 2000. Neste caso o pico das emissões ocorreria no máximo até 2015. À medida que o mundo for se distanciando deste objetivo o aumento da temperatura vai se tornando mais intenso podendo no pior caso chegar um valor entre 4,9 e 6,4 graus centigrados, e com ele, mais e piores catástrofes naturais.

Em 2010, segundo a AIE o mundo emitiu 30,6 giga toneladas de CO2 o que significa um aumento de cerca de 40% em relação a 1990 e 30% em relação ao ano 2000.

Alguma esperança vem da estimativa do IPCC divulgada em junho último de que é possível alcançar em 2050, 77% de uso de fontes renováveis de energia. Isto, partindo-se de 12,9% em 2008. Mas, mostra, infelizmente, que o pior cenário possível é um aumento para apenas 15% em 2050.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

A economia verde. Ilusão?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Green Economy resized' photo (c) 2011, Philippe Put - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Como ressaltei no último post, em junho de 2012 ocorrerá no Rio de Janeiro uma nova conferência de cúpula da ONU centrada no que tem se chamado de economia verde. Convém pois, antes de descrever em mais detalhe o encontro e comentar suas propostas e possibilidades, analisar o seu tema principal. A UNEP define a economia verde “como sendo aquela que resulta em aumento do bem estar e justiça social, e ao mesmo tempo reduz significantemente os riscos ambientais e a escassez ecológica. Em sua expressão simples, pode ser pensada como uma de baixo carbono, eficiente no uso de recursos e inclusiva socialmente”.

Desconsiderando uma certa imprecisão, a semelhança com as propostas por uma Nova Economia logo desaparece, pois, continua: “em termos práticos, a economia verde é uma onde o crescimento e o emprego são movidos por investimentos públicos e privados que reduzem a emissão de carbono e a poluição, aumenta a eficiência energética e de uso dos recursos e evita a perda na biodiversidade e nos serviços do ecossistema”. Ou seja, quer dirigir a onda verde para que ao invés de colidir promova e dê continuidade ao crescimento econômico como objetivo maior para a humanidade. Muito mais do que sobrevida ao desenvolvimento sustentável, a economia verde é uma proposta para “fazer do limão uma limonada” transformando a inadiável transição para o baixo carbono num novo motor do crescimento econômico, superando os impasses da grande recessão em curso.

O passe de mágica da proposta de uma economia verde está na ideia de que “o descolamento relativo” entre a quantidade produzida e o uso de recursos supere os limites naturais cada vez mais evidentes do crescimento econômico.

O “decoupling” realmente ocorre, por força principalmente do avanço tecnológico. Por exemplo, Por 25 anos, até 2006, o CO2 emitido no mundo por uso de energias fósseis caiu de pouco mais de um quilo para 770 gramas por unidade do PIB medido em dólares. Mas, o que realmente importa são os valores absolutos.

Leitor, veja a gravidade da situação. O recomendável é que a humanidade alcance uma redução de 50% nas emissões até 2050, relativamente à 1990. Isto para limitar o aquecimento global a 2º minimizando os riscos de calamidades. Mas, caminhou em sentido contrário. Hoje, em termos absolutos, as emissões globais oriundas do uso de energias fósseis já são 40% superiores às de 1990.

Aprofundando a questão, lembro, conforme o post “Dúvidas sobre a declaração do CASSE” que princípios consolidados da física e da ecologia sustentam a obviedade dos limites ao crescimento econômico. Dentre eles, as duas primeiras leis da termodinâmica, o conceito de nível trófico (cadeia alimentar) e o da exclusão competitiva. Não há como esperar que o “decoupling” evite mais e mais uso de recursos naturais.

Além disto, há a possibilidade, muito bem apresentada no artigo “O grande embaraço da Rio – 2012” de José Eli da Veiga, “da poupança obtida com aumento de eficiência energética ser empregada no consumo de outros bens e serviços com custos energéticos que podem até provocar um jogo de soma zero, situação descrita como “tiro pela culatra”. Basta pensar, por exemplo, em uma economia feita com a aquisição de um carro flex que viabilize a compra de mais uma viagem aérea”.

Bem, fica assim claro que a “economia verde” mesmo com o “descasamento” não é solução.

Interessante é que a economia verde parece estar se dividindo em duas correntes. Uma centrada na transição para o baixo carbono e outra com grande identidade com as propostas por uma Nova Economia. O belo, amplo e profundo trabalho patrocinado pela Conservação Internacional Brasil publicado no número 8 de sua revista eletrônica “Política Ambiental” mostra isto. São 18 artigos de especialistas de diversos setores da sociedade sobre alternativas econômicas e sociais rumo a uma economia de baixo carbono, mais inclusiva e sustentável.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

A Rio +20. Decisiva?

1)  Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A conferência de Cúpula da ONU Rio+20 realiza-se de 4 a 6 de junho de 2012. (O evento foi transferido para 20 a 22 de junho, parte do esforço do governo brasileiro de tentar garantir a presença dos chefes de estado ou de governo dos principais países. Durante a 2ª quinzena de junho ocorrerão importantes eventos paralelos, em especial os promovidos pela sociedade civil).  É +20 pois decorre da Cúpula da Terra de 1992 também realizada na cidade.

Da Cúpula da Terra participaram 172 países, 108 dos quais liderados por seus chefes de estado ou de governo. Dentre estes últimos, os mais expressivos em termos econômicos. Contou ainda com a presença de 2.400 representantes de Organizações Não Governamentais e deu voz ao Fórum das ONGs, evento paralelo do qual participaram 17.000 pessoas. Ao longo de quase duas semanas cerca de 10.000 jornalistas credenciados foram os porta-vozes da mensagem que despertou o mundo para a importância do desenvolvimento sustentável.

A Agenda 21, a declaração do Rio sobre desenvolvimento e meio ambiente, a formalização dos Princípios das Florestas, a convenção sobre mudança climática e a convenção sobre a diversidade biológica, todos, resultaram do evento.

A Cúpula da Terra influenciou decisivamente todas as conferências subsequentes da ONU relacionadas a assuntos como direitos humanos, população, desenvolvimento social, valorização da mulher e da criança e o desenvolvimento ambiental sustentável.

Dela derivaram duas vertentes, uma voltada para a questão climática e outra voltada para o desenvolvimento sustentável.

O protocolo de Kyoto, o roteiro de Bali, a conferência de Cancún e a próxima conferência em Durban, Africa do Sul, em dezembro são expressões da 1ª vertente. Em Kyoto, em 1997, pela 1ª vez firmou-se um compromisso obrigatório de redução de 5% (em relação aos níveis de 1990) das emissões por 37 países mais desenvolvidos além dos 15, na época, países membros da comunidade europeia, a iniciar-se em 2005 e com duração até 2012. Ressalto que os EUA assinaram mas até hoje não ratificaram o acordo e nada indica que venha a fazê-lo ou mesmo que venha a concordar com sua renovação, mesmo que incluídos os demais países, especialmente a China.

Note ainda que, ao contrário do acordado, os países desenvolvidos aumentaram as emissões de 1990 até 2010 em cerca de 30%, conforme a Agéncia Internacional de Energia.

A 2ª vertente, teve vários desdobramentos e desemboca, agora, na Rio +20. O plano de implementação de Johannesburg, de 2002 e o documento resultante da cúpula mundial de 2005 com a consequente criação do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) são as suas manifestações mais importantes.

Bem, espera-se que na conferência de 2012 repita-se a presença massiva de chefes de estado e de governo e que haja uma movimentação ainda maior do que na de 1992, dada a gravidade do quadro ambiental e social. Se produzirá resultados, são “outros quinhentos”, questão a ser abordada em próximo post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema.

Decrescimento – qual a consistência?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'qual é a dúvida?' photo (c) 2007, Diego Dacal - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

O título deste post, peguei “emprestado” do trabalho “Décroissance: Qual a consistência?” de Elimar do Nascimento e Gisella Colares apresentado no VIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica em 2009, e que é uma excelente fonte para um aprofundamento das questões propostas pelo decrescimento, objeto do último post. Ele é a fonte também da citação e resumo transcritos no texto a seguir. Para uma visão geral do trabalho, veja os slides da apresentação feita no encontro.

O leitor encontrará também, no blog, 2 links de sites que se dedicam ao assunto e que contém excelentes informações, indicações de outros sites e bibliografia.

Dito isto, passo aos meus comentários sobre o assunto.

O mais importante é que o movimento pelo decrescimento tem uma abordagem de convivência e diálogo com as obras, autores e outros movimentos que tratam da mesma temática, e que não se vê como detentor exclusivo da visão crítica do papel do crescimento econômico. E isto é muito bom, pois é juntando forças, como diz bem Gus Speth (do Ambientalismo à Nova Economia) que os movimentos ambientalistas, por uma Nova Economia, por uma Economia em Equilíbrio, Decrescimento e outros similares poderão antecipar e viabilizar as mudanças e com isto abreviar o sofrimento, especialmente o das populações carentes.

Um segundo comentário é sobre o nome. Citando Serge Latouche: “…o decrescimento não é um conceito, no sentido tradicional do termo, e que não seria o caso de falar propriamente de “teoria do decrescimento” como os economistas souberam elaborar as teorias do crescimento. O decrescimento é simplesmente um slogan, lançado por aqueles que procedem a uma crítica radical do desenvolvimento a fim de quebrar a rigidez economicista e de desenhar um projeto de reserva para uma política de pós-desenvolvimento”. O termo decrescimento, parece-me pois, é usado para expressar o rompimento com a ideologia do crescimento econômico a qualquer custo.

 Finalmente, ressalto a quase completa afinidade do decrescimento com o movimento pela Nova Economia, o por uma Economia em Equilíbrio e outros. Basta comparar a proposta dos oito erres, de autoria de Latouche, apresentadas resumidamente a seguir, com a “declaração do CASSE” e o documento “The Great Transition” da nef:

“1. Reduzir o consumo em geral, e com isso a produção, afinal é possível viver melhor com menos, pois grande parte de nosso consumo é induzido e pouca relação tem com nossas mais profundas necessidades;

2. Reciclar os produtos existentes para dispensar a produção de novos, criando a cultura da conservação e do reaproveitamento ao invés do descarte;

3. Reutilizar o que já existe de forma inteligente economizando recursos naturais e energia;

4. Reavaliar os nossos consumos, os nossos hábitos, os nossos procedimentos que são na maioria das vezes degradadores da natureza;

5. Reconceituar a nossa vida, o nosso consumo, as nossas relações e vínculos sociais para uma direção mais saudável;

6. Reestruturar, ou seja, adaptar as estruturas econômicas e as instituições políticas e sociais aos novos objetivos de uma sociedade convivial;

7. Redistribuir melhor os bens existentes, incluindo a participação nos processos decisórios, portanto, uma redistribuição econômica, mas também política, cultura e social;

8. Relocalizar a produção, o trabalho, a moradia para que o “não transporte” possa ser disseminado, para que os transportes de mercadorias sejam reduzidos, assim como o de pessoas;”

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Decrescimento

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Na Europa, em especial na França e na Espanha, o movimento pelo “decrescimento” vem defendendo ideias que têm muita afinidade com as da Nova Economia. Por isto, convidei Edson Franco, economista e co-moderador da lista brasileira sobre o decrescimento para fazer uma apresentação do tema.

Edson Franco

O avanço da ciência e da técnica tem trazido benefícios para as populações, mas também vários problemas de ordem econômica, política, ambiental e social. O decrescimento é uma proposta para resolver esses problemas de forma profunda e eficaz.

O decrescimento é uma evolução conceitual do pensamento de críticos à modernização de nossas sociedades. Dentre muitos, vale destacar, já no início da década de 60, Ivan Illich (pensador austríaco) e Rachel Carson (bióloga estadunidense) que alertaram para os efeitos negativos da economia contemporânea, Ernst Schumacher, autor do livro “Small is beautiful” lançado em 1973 e Nicholas Georgescu Roegen, que em estudo de 1971 inovou ao utilizar as leis da termodinâmica para demonstrar a limitação do crescimento econômico.

A proposta formal do decrescimento econômico veio a ser lançada somente três décadas depois, mais precisamente em novembro de 2003, através do artigo “Pour une société de décroissance” no jornal “Le monde diplomatique” escrito por Serge Latouche. A ideia ganhou força e conta desde então com a contribuição teórica de Latouche e vários outros pensadores.

Bem a proposito, o simbolo do decrescimento é o caracol, adotando um exemplo trazido por Ivan Illich. O caracol constrói espirais cada vez maiores até bruscamente começar a fazer voltas cada vez menores. Se continuasse crescendo, em apenas uma volta sua concha seria 16 vezes maior inviabilizando sua existência.

'Caracol sobre hoja' photo (c) 2007, Enrique Dans - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É importante destacar que o decrescimento nada tem a ver com o conceito de desenvolvimento sustentável. O decrescimento alerta que não é possível um crescimento infinito num planeta finito. A escassez de recursos naturais e energia, entre outros, faz com que o paradigma do crescimento infinito tenha que ser superado com urgência. Por isso, defender o desenvolvimento sustentável é ludibriar-se.

Uma outra forma de abordar tal limitação ambiental é através da “pegada ecológica” que expressa a quantidade de terra e água necessária para sustentar uma determinada população tendo em vista todos os recursos materiais e energéticos gastos por essas mesma população. A pegada ecológica da humanidade alcançou tamanhos alarmantes. Segundo a WWF, o aumento do consumo dos países subdesenvolvidos, aos índices de consumo dos EUA, representaria a necessidade de outros 6 planetas Terra.

Isso aponta para mais um problema: a superpopulação. E, dados recentes divulgados pela ONU prevendo que a população total da terra em 2100 será de 10,1 bilhões de pessoas mostram que ficará ainda mais agudo. Falta de alimento, água e trabalho, e piora ainda maior na qualidade de vida, violência urbana e desigualdade social são algumas das consequências do quadro demográfico.

Para resolver estes e outros problemas, o decrescimento econômico propõe a diminuição das atividades econômicas: menos produção de bens comerciáveis, menos deslocamentos, menos quantidade de horas trabalhadas, menos poluição e desmatamento. O decrescimento enxerga no menos, o mais, e propõe que as pessoas retirem do seu imaginário o crescimento econômico como um valor inquestionável.

Bem, no próximo post apresentarei mais informações e comentários a respeito.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Os pobres vão herdar a Terra

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Metáfora Guerra Preventivaphoto © 2009 Amio Cajander | more info (via: Wylio)

O post da semana passada Pobreza Extrema: apenas uma questão de renda? gerou um interesse muito grande. Em um só dia foram 152 acessos. E diversos comentários ao longo da semana. Continuo no tópico, agora com uma abordagem global.

“Hoje, 4 das 7 maiores economias são países em desenvolvimento: China, Índia, Rússia e Brasil. 30 anos de crescimento anual de 10% transformaram a China de uma economia pobre e agrária num gigante industrial e 2ª economia em tamanho do mundo”. “E nós prevemos que já na próxima geração, o Japão e a Alemanha sairão da lista e os EUA serão o único país desenvolvido a constar da lista dos 7 maiores”.

São dados apresentados no artigo “The Poor Will Inherit the Earth” de Uri Dadush e William Shaw publicado no último dia 20 no site do “The Carnegie Endowment for International Peace“. E o artigo aprofunda-se, citando que:

“Paradoxalmente, as novas potencias devem manter-se relativamente pobres. O PIB chines em torno de 2035 ultrapassará o dos EUA, mas a renda per capita será apenas a metade. A economia da Índia, a terceira então, será 3 vezes maior do que a japonesa, mas com renda per capita quatro vezes menor”.

É a visão de um mundo onde as nações pobres têm cada vez mais influência, e que reforça, sob uma outra perspectiva, o diagnóstico da necessidade de uma Nova Economia.

De um lado, a divisão internacional do poder terá que, inevitavelmente, acompanhar esta nova realidade, o que traz um enorme risco de conflitos graves, dado que, com o seu poderio militar desproporcional, dificilmente os EUA cederão espaço sem luta.

De outro, e tão preocupante quanto, os habitantes destas nações emergentes estarão ávidos pelos bens e serviços aos quais grande parte das populações dos países desenvolvidos se acostumaram. Como isto é inviável, a acomodação será ainda mais dura, pois todos terão que se mover na direção do equilíbrio econômico de forma a preservar o meio ambiente e buscar justiça social. E, junto com o equilíbrio, vem a afirmação do bem estar como valor maior a ser perseguido.

Felizmente, nesta visão, é remota a possibilidade de persistirem grandes áreas de exclusão social, devido à forte presença econômica destes que estão herdando (ou conquistando) a terra.

É uma Nova Economia que está sendo forjada, mas que não é inevitável, e que, portanto, depende da luta por ela por todos nós e desde agora.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Pobreza Extrema: apenas uma questão de renda?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Niños de mi almaphoto © 2008 Mario Torres Montoya | more info (via: Wylio)

Vejam só um exemplo das limitações da democracia representativa salientadas no último post num tema particularmente importante para a Nova Economia, pois o bem estar, seu objetivo central, somente poderá existir se, entre outras condições, não existirem pessoas vivendo em condições indignas.

No artigo “Metas antipobreza” publicado no jornal A Folha de São Paulo no último dia 8 o professor José Eli da Veiga esbraveja dizendo que “nada pode ser mais imoral do que ajeitar a linha de pobreza extrema especialmente talhada para tornar factível o mito de “erradicação” em poucos anos”.

Ele claramente refere-se ao plano do governo brasileiro “Brasil Sem Miséria” que define a pobreza extrema pela renda familiar per capita mensal de até R$ 70. Para o atual governo, os miseráveis seriam hoje um contingente de 16,2 milhões de pessoas, 8,6% da população, que, se alcançado o objetivo do plano, o deixariam de ser no horizonte da administração atual.

Corretamente, a meu ver, e apoiado em estudos e recomendações de medidas de erradicação da pobreza feitos pela União Europeia (“Estratégia de Lisboa”) e pelos EUA (“Supplemental Poverty Measure”), ele ressalta que a renda, no caso brasileiro, não é o fator mais importante, pois “quanto mais pobre é um país, mais” a “pobreza de condições de vida” supera em importância a tradicional “pobreza de renda” (ou “monetária”). Ao contrário do que ocorre com as nações mais avançadas.

Para tanto, diz que é preciso acrescentar que “é miserável qualquer família que viva em condições insalubres (seja qual for sua renda)”, tornando portanto a universalização do saneamento, um pré-requisito. Isto, sem falar no “acesso a outros bens públicos (principalmente educação e saúde)”.

Ora, mas o que espera ele de um governo que tem que apresentar resultados no curto prazo para sobreviver à eleições a cada 2 anos? O fato é que as políticas sociais, por conta disto, são limitadas, apesar de trazerem resultados e ajudarem a mudar a realidade do país, mas num ritmo lento.

Tanto é que a fome devia ser zero, virou Bolsa Família e continua existindo. Dados do IBGE indicam que existem hoje cerca de 44 milhões de pessoas que estão na pobreza absoluta (até 1/2 salário mínimo mensal per capita) e portanto sob permanente ameaça de não terem o necessário para alimentar-se.

 Faltam, portanto, pelo menos cerca de 28 milhões de pessoas no plano do governo, além das sem saneamento, educação e saúde. Ou, seguindo o raciocínio do José Eli, não seria miserável quem está em permanente ameaça de fome?

 É uma dura verdade, mas a realidade do sistema político contribui decisivamente para que este quadro de fome e pobreza extrema continue existindo e não consiga ser eliminado, já que, desconsideradas as sua demais mazelas, traz, inerentemente a ele, a impossibilidade de agir com objetivos estratégicos e o uso de expedientes táticos.

E, ainda, outras mazelas à parte (corrupção, gastos desordenados, e mais), a limitação da democracia por representação responde também pelo ranço burocrático, que pode facilmente ser percebido lendo-se o plano do governo, e por prioridades da economia desviadas dos interesses dos representados, ambos, agravando o problema.

Enfim, é tempo de ao invés de aceitarmos passivamente a frase de efeito do Churchill: “a democracia é o pior regime, exceto todos os outros” e que não qualifica o que seja democracia, considerar que é possível construirmos um regime democrático adequado, o que, aliás, é parte da proposta da Nova Economia.

 Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A democracia sobreviverá ao século 21?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Republico hoje, com a devida licença, artigo de 30 de maio último no Correio Brasiliense do professor Elimar Pinheiro do Nascimento, sociólogo e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Ao expor em detalhes a questão da viabilidade da democracia o artigo, acredito, traz uma imensa contribuição para a discussão do “como” fazer a transição para uma Nova Economia. Vamos a ele:

Elimar do Nascimento

A democracia é uma das mais belas invenções da sociedade moderna. Não é algo completamente novo, com suas raízes encravadas na Grécia Antiga, nem nasceu de repente, resultado de um longo processo social que ocorreu na Europa entre os séculos 18 e 20.

 A democracia transformou-se, juntamente com a produção capitalista, no projeto europeu da modernidade, que se disseminou no mundo de maneira desigual. O capitalismo vingou um pouco em toda parte, a democracia encontrou mais resistências. A novidade é que essas resistências parecem crescer hoje em dia. Esse foi um dos temas abordados pela Université Internationale d´Été, em evento que teve lugar em Poitiers, entre 27 e 30 de novembro de 2010, no Espace Mendès France, e que terá sequência agora em junho de 2011, em Dijon.

A grande pergunta que surgiu naquele seminário foi: a democracia conseguirá sobreviver ao século 21? Os cinco principais argumentos que fundamentam a pergunta e alimentam a desconfiança quanto a uma resposta positiva e inequívoca estão relacionados nos parágrafos seguintes.

Primeiro, a capacidade de representação e funcionalidade do espaço político democrático declina. As suas instituições e atores, como os partidos políticos e os governos, não são capazes de responder às demandas de seus povos. Aos poucos, as pessoas se afastam da política, não se reconhecem nos políticos e abominam os governantes. A apatia política se alastra na Europa e nas Américas. No Brasil por ocasião das eleições de 3 de outubro, metade da população declarou que vota apenas porque o voto é obrigatório.

Segundo argumento: diversos povos e culturas do Sul têm enormes dificuldades de se reger sob o regime democrático. O mundo islâmico parece-lhe impenetrável. Com algumas exceções, como a Índia e o Japão, a democracia é uma estranha na Ásia, e igualmente na África, onde ela morre e renasce constantemente. Tem dificuldades também de se consolidar no continente americano. A resistência advém, em geral, de traços culturais de povos nativos que compreendem os processos decisórios, de representação e participação, de maneira distinta.

Em terceiro lugar, há um claro deslocamento, nos países sob regime democrático, do processo decisório do espaço público para o espaço privado. Cada vez mais as verdadeiras decisões residem nas direções das empresas multinacionais que controlam governos, organismos multilaterais e a mídia. As ações no espaço público da política tornam-se cada vez mais ritualísticas, despidas de sentido e eficácia.

Quarto ponto: o espaço da política deixa gradativamente de ser o espaço originário das mudanças sociais. Todo o século 20 foi regido pelas mudanças provocadas pelo (e no) espaço da política, opondo-se ou afirmando a democracia, desde a revolução russa, passando pelo nazismo e a vitória dos aliados em 1945, até as independências africanas nos anos 1960. Esse período encerra-se em 1989 com a queda do muro de Berlim, último acontecimento político de monta do século 20. Desde então, é o espaço das inovações tecnológicas a origem das mudanças sociais — ele cria uma nova noção de tempo e espaço, introduz novos valores e desfaz antigos.

a crise ambiental suscita dúvidas sobre a capacidade de os regimes democráticos implantarem políticas consistentes para enfrentar os riscos das mudanças climáticas. Opinião de um número crescente de intelectuais, entre os quais Hans Jonas e David Shearman. A razão central parece residir no antagonismo entre a temporalidade da dinâmica política e da ambiental. Uma funciona com um parâmetro de meses e a outra de décadas. Uma asseguraria a liberdade e a outra a sobrevivência. Entre as duas opções parece não existir dúvidas quando, tornando-se excludentes, os homens tiverem que optar.

Esses processos, que ocorrem desigualmente nos diversos países, se articularão com força suficiente para extinguir a democracia? E o que poderá vir em seu lugar, caso isso ocorra?

Observo que tomei a liberdade de grifar alguns trechos do artigo.

Volto ao assunto em próximos posts comentando este duro e, me parece, excelente e original diagnóstico, explorando a possibilidade de uma evolução das práticas democráticas, quem sabe apoiada no mencionado “espaço das inovações tecnológicas”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Dúvidas sobre a declaração do CASSE

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Recebi e-mails dos leitores e amigos Mario Simas e Benedito Oliveira com questionamentos a respeito da declaração do CASSE. Ao analisá-los percebi que os pontos levantados e as respostas poderiam ser de interesse dos demais leitores, daí este post, que aborda, a seguir, cada um dos pontos mencionados. Ressalto que o artigo mencionado ao final deste post é uma excelente referência para aqueles que desejarem aprofundar-se nas questões.

1) Estão realmente consolidados os princípios da física e da ecologia indicando limites para o crescimento econômico, e quais são eles?

As duas primeiras leis da termodinâmica, o conceito de nível trófico (cadeia alimentar) e o da exclusão competitiva são os princípios cuja aplicação já está bastante consolidada no estudo e configuração da necessidade de uma Nova Economia.

2) É viável esperar que as nações movam-se em comum acordo na direção de uma Economia em Equilíbrio e que as mais ricas aportem recursos para tanto sem afetar a soberania dos demais?

Acredito que não. As nações estão muito longe de aceitarem a tão mencionada governança global. Assim, é previsível supor que será necessário que as catástrofes ambientais, o aumento do consumo per capita e da massa de consumidores e o acirramento da crise social fiquem mais do que evidentes para que os países se vejam forçados a convergirem para um entendimento, isto, se houver tempo.

3) Porque não não é viável esperar que o progresso tecnológico possa vir a amenizar o conflito entre crescimento econômico, ecologia e bem estar, a longo prazo?

As inovações não tem sido usadas para tal fim e não é de se esperar que o venham a ser por estrem intimamente ligadas ao crescimento econômico e dele depender para o seu financiamento.

4) Por que o aumento do consumo per capita é apenas marginalmente afetado pelo aumento da população?

A incorporação anual ao mercado de cerca de 200 milhões de pessoas faz com que parte do que é produzido seja consumido por estes, mas num quadro em que continua havendo crescimento per capita.

5) No cenário de uma Economia em Equilíbrio, terão as nações mais ricas recursos para apoiar as demais, na transição?

É claro que sim, quando estiverem suficientemente aflitas.

6) Por que é adequado manter-se o aumento do consumo per capita como objetivo para as nações que não tenham atingido patamar estabelecido de bem estar?

Para atender as necessidades das populações carentes.

7) E, por fim, uma questão mais ampla: será que a situação vai realmente ficar tão ruim?

O tempo dirá. Além de indicações muito fortes de crise ambiental e social ainda existe o fato de que já é possível ao ser humano conquistar um maior bem estar saindo da “roda viva” do crescimento econômico. Assim, o quanto antes a humanidade puder agir, melhor.

Observo que, buscando melhor expressar o ponto de vista do CASSE, conversei com o seu presidente, Brian Czech, principalmente sobre as respostas às primeira e terceira perguntas. Observo ainda que consultei, ao responder, o artigo por ele escrito e publicado na “Conservation Biology” e que é, ao meu ver, uma das melhores fontes para aprofundar-se o assunto.

Aproveito para mencionar que o site do CASSE está muito bem feito, apresenta os assuntos de maneira leve e bastante completa além de apresentar uma excelente lista de leitura atualizada e por tópicos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

%d blogueiros gostam disto: