De uma nova economia para o pós-capitalismo e agora, a economia dual

“Concretamente, os exemplos mais importantes de trabalho livre são o voluntário, a criação digital, o doméstico, o de autossubsistência, o do investimento pessoal, a criação artística, cultural ou científica, as atividades sociais e as atividades amadorísticas.”

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Figuras duais

As razões de nova mudança no foco deste blog.

Durante seus 4 primeiros anos este blog teve foco na Nova Economia, movimento que nasceu na Inglaterra em 1984 e que fortaleceu-se tanto lá quanto nos EUA. Ele pode ser sintetizado em três objetivos interligados: redução da desigualdade social, preservação ambiental e maior bem estar.

Ao longo destes anos ficou mais do que evidente que tais objetivos ameaçam de morte o sistema atual já que demandam a superação tanto dos pressupostos econômicos quanto das bases política e social do capitalismo.

Mas, tanto nos EUA quanto na Inglaterra as principais lideranças e organizações da Nova Economia, dada a forte rejeição, evitam abordar tais consequências. Neste países, via de regra, falar em superação do capitalismo significa socialismo, o que obviamente não é fato, mas o preconceito tem força suficiente para impedir que as mencionadas organizações e lideranças encarem de frente a questão. Em consequência, o movimento tem-se enfraquecido e derrapa na incongruência de suas propostas.

Acesse aqui o post completo.

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O capitalismo, como tudo, teve início e terá fim.

“Há 4 anos, quando comecei este blog, a noção de que ambientalistas e ativistas sociais precisavam unir esforços era parte essencial da pauta. E o movimento por um Nova Economia ajudou a que isto acontecesse. Hoje, está mais do que evidente, que aqueles e também o movimento por uma Nova Economia precisam evoluir de concepções e práticas reformistas para outras, transformadoras.”

Junto com o capitalismo, o fim da civilização atual?

Começo hoje uma nova fase desta aventura que tem sido manter vivo e atuante o blog sobre a Nova Economia.

Nova fase marcada pela afirmação clara de que as razões do movimento – redução da desigualdade, preservação ambiental e maior bem estar – implicam, para serem alcançadas, na superação do capitalismo.

As teses de uma Nova Economia permanecem, é claro, válidas. O fim da tirania do crescimento econômico como objetivo em si mesmo, a redução radical da jornada de trabalho, a taxação do carbono e demais internalizações dos custos sociais e ambientais, para vingarem, precisam de um amplo movimento de massas capaz de impor tais mudanças e que levam inevitavelmente a um novo sistema econômico, político e social que, por enquanto, melhor pode ser definido como pós-capitalismo já que seu contorno é ainda fluido e, na melhor de nossas esperanças, se dará a partir de praticas realmente democráticas.

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Objeções a uma semana de trabalho de 21 horas.

Mais tempo livre permite ao ser humano ter uma vida mais plena dando vazão ao seu potencial criativo e atendendo aos seus e à sua comunidade.”

 

É claro que a reação à redução radical da jornada é enorme, certamente pela percepção dos que controlam e se beneficiam do sistema econômico vigente de que sua implementação força a mudança, desfavorável para eles, na direção de uma sociedade, como previu Keynes, com jornadas de 15 horas semanais e voltada para o bem estar.

Isto faz com que uma medida óbvia seja alvo de um sem número de objeções buscando impedi-la e com isto eliminar o risco de perdas. Mesmo sabendo disto e com a argumentação já apresentada nos posts anteriores, encerro esta série, rebatendo, a seguir, o que considero serem as 10 principais objeções.

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Benefícios da redução da jornada de trabalho.

(Participe da pesquisa de opinião acima, sobre este post)

Você já se perguntou por que está tão ocupado, onde passa o seu tempo, ou o quanto o seu tempo realmente vale?”

 Antes de apresentar, no próximo post, as respostas às principais objeções à redução da jornada de trabalho, relaciono e comento hoje alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e as vezes controversas, óticas, desta mudança inevitável.

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O que aconteceria se adotada a semana de 21 horas de trabalho no Brasil?

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“6% dos ocupados trabalham até 14 horas por semana, 20%, de 15 a 39 horas, 43% de 40 a 44 horas, 15% de 45 a 48 horas e 16% trabalham 49 horas ou mais.”

Trabalho feliz (no caso, voluntário)

Com o post de hoje e os dois que se seguirão encerro a série sobre a redução radical da jornada de trabalho. No da próxima semana relaciono e comento alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e, às vezes, controversas óticas, desta mudança inevitável. E no último post respondo às críticas enumeradas no post “As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais” e que serve também como um resumo dos posts anteriores da série.

Hoje o desafio é mostrar que a redução é factível mesmo para um país com carências básicas por parte da imensa maioria de sua população. Para chegar lá é preciso um retrato do mercado de trabalho.

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Saídas para a atual crise da Nova Economia.

(Access here the English version)

Um primeiro passo e relativamente simples é voltar a disponibilizar na internet o histórico de realizações tanto da NEN quanto da NEI que desapareceram (!) junto com os respectivos sites.”

Cartaz de conferência promovida pelo New Economics Institute em julho de 2012.

Parte 3 (final), sobre a “renuncia” de Bob Massie.

A repercussão desta série sobre a renúncia de Massie reforça a importância de apontar para algumas das providências urgentes visando superar a crise que atravessa o movimento por uma Nova Economia.

Vale mencionar que não recebi nenhuma resposta ou ponderação que possa considerar um posicionamento de Massie ou da NEC, apenas manifestações de quem já foi ou é parte da organização. Sem exceção, todos confirmam os problemas aqui mencionados e em alguns casos com novos aspectos e fatos.

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E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 1

Originalmente publicado em 4 de junho de 2014.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“E a famosa previsão de Keynes feita em 1930 de que no início do século 21 a semana de trabalho teria sido cortada dramaticamente, para 15 horas?”

Movimento por 10 horas Diárias

Resultado do movimento por 10 horas Diárias

Parte 1.

Acesse aqui o post completo.

E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 2

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria. Fonte: The Conference Board Total Economy Database™,January 2014.

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria.
Fonte: The Conference Board Total Economy Database™, January 2014.

Parte 2. (Acesse aqui a Parte 1 que foi publicada em 4 de junho de 2014)

Acesse aqui o post completo.

As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Quem seria, então, o ditador global para implementar tudo isto?” (comentário ao artigo de Herman Daly descrevendo as 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio).”

Charlie Chaplin – Tempos Modernos

Retorno hoje à série sobre a jornada de trabalho.

Nunca é demais relembrar que trata-se de uma “bandeira de luta” capaz de aglutinar a grande maioria da população e em especial, os movimentos sociais e que se alcançada junto com a internalização de custos “traz” a mudança do sistema econômico.

Ou seja, não se trata de ficar enumerando o que um ente imaginário deve fazer para que uma Nova Economia se implante senão, torna-se verdadeiro o comentário, com algum humor, de um leitor ao artigo “As 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio” de Herman Daly, e que diz, em tradução livre:

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A marcha à ré da “civilização do automóvel”

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“Ao contrário do que diz, há crise no setor, sim, e estrutural. “A civilização do automóvel” tem cada vez menos espaço e não será o carro elétrico ou outra fonte “limpa” que reabrirá suas portas.”

1.050 metros do elevado da perimetral demolidos, parte da revitalização do porto do Rio de Janeiro. Foto: Beth Santos – AFP.

Continuo hoje a série sobre a decisiva questão da jornada de trabalho, detalhando-a um pouco mais sob a ótica do setor automobilístico.

O artigo de Míriam Leitão, “Ponto morto”, do último dia 3 ajuda a ilustrar a situação, mesmo que sob a ótica invertida de privilegiar o crescimento econômico independentemente de sua qualidade. Diz ela:

Não há uma crise no setor automobilístico. Aconteceu o previsto. A redução de impostos provocou antecipação de compras e agora as montadoras estão tendo um ano mais fraco. Além disso, a queda é principalmente nas exportações.

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A atividade econômica pode e deve ser orientada pela sociedade, e outros 3 princípios.

“… A “prima-dona” da economia deixa de ser o automóvel em prol do transporte coletivo.”

Princípios macroeconômicos – parte 1.

O post de hoje e o próximo são dedicados ao detalhamento dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a Nova Economia relacionados na última 4ª feira.

Vamos então ao detalhamento dos 4 primeiros daqueles princípios:

1 – O trabalho não remunerado e livre tem existência importante e crescente.

Como vimos, o trabalho doado assume, hoje, uma dimensão equivalente ao remunerado e, com uma tendência de forte expansão relativa. Isto faz com que a economia dual, que dele deriva, tenda a ser a força principal na orientação das relações econômicas e sociais. Esta questão foi abordada em detalhe nos posts Trabalho não remunerado – 1, Trabalho não remunerado – 2, O setor sem fins lucrativos e Trabalho doado no Brasil.

Acesse aqui o post completo.

Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho sem fins lucrativos e que cria bens e produtos que são doados e não são objeto de troca.”

'Jahangir zodiacal gold coin Leo' photo (c) 2009, zeevveez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Economias duais.

Começo hoje uma série de posts com anotações de meu entendimento de algumas das mudanças que A Nova Economia precisa e impõe à teoria econômica.

Bem, antes de mais nada, vale desmentir algumas afirmações que tem sido feitas sem base:

  • Não é verdade que sem ter o lucro acima de tudo o capitalista não tem incentivo para investir, restringe-se sua iniciativa e caminha-se para o socialismo, entendido como o fim da propriedade privada.
  • Também não é verdade que o objeto da teoria econômica seja a alocação ótima de recursos escassos.

Acesse aqui o post completo.

A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos

Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais.

'Wolves attack a grizzly mother & cubs.  She escapes' photo (c) 2012, *christopher* - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

O “dom” animalesco e voraz em sua versão mais pura

A implosão do sistema.

3º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Do ponto de vista social, parece-me que ficou claro que reforma, reconstrução evolucionária e revolução são parte de um mesmo quadro numa sociedade que está em movimento permanente.

Isto vale também para o caso específico da mudança para uma Nova Economia. Trata-se de um movimento de enorme envergadura e complexidade e que assume as três formas em distintos momentos e locais e requer ações que se adequem a tal complexidade. E até mais. Admite e precisa da ação de todos. Tanto dos que pelo exemplo constroem experiências típicas da Nova Economia, quanto dos que procuram, em boa fé, reformar o sistema por dentro, e, em especial, daqueles que protestam e lutam por um futuro melhor.

É um movimento que tem como objetivo a reorientação da atividade produtiva priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar e que pode alcançar isto, a meu ver, através, principalmente, de duas de suas principais linhas de ação, por terem o necessário poder de transformação: a redução da jornada de trabalho (veja o estudo em português da nef: 21 horas) e a internalização de custos hoje externalizados (veja o post Quanto pior, melhor). Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais. O máximo que se pode dizer, e é o que é dito, é que são inviáveis.

Claro, inviáveis, na visão dos que fazem parte do status quo e que não aceitam subordinar o lucro aos interesses maiores da sociedade. Estes chegam ao auge de sua argumentação esdrúxula dizendo que o lucro é a prioridade máxima porque é ele quem atrai o lado “animalesco e voraz” de alguns poucos seres humanos mais bem dotados de tal “dom” e considerados indispensáveis para que os empreendimentos surjam e floresçam.

Nada mais claro de que se trata de um choque de visões e interesses e que cabe ao movimento social em prol de uma Nova economia, a cada momento e lugar, propor o desdobramento daquelas duas grandes linhas de ações em “bandeiras” de luta que possam ser vitoriosas para, passo a passo, irem acumulando a energia necessária para a superação do impasse atual. A redução da semana de trabalho para 35 horas, por exemplo, foi uma bandeira importante na França no inicio deste século. A luta para que o “custo oculto” da usina de Belo Monte seja revelado, é outro bom exemplo.

Além do simples choque de visões e interesses está a dura luta pela manutenção dos privilégios, de um lado, e por uma vida melhor, do outro. Questões principalmente econômicas, enfim, é que levam os grupos sociais mais desfavorecidos a se mobilizarem e em muitos casos colocarem em risco sua próprias vidas. A verdade é que só com muita mobilização, muita luta é que será possível orientar a atividade produtiva na direção correta. Trata-se de um esforço coletivo e que tem sido chamado, pelas diversas correntes em favor da Nova Economia, de ativismo.

Mesmo sabendo que é indispensável agir, é interessante lembrar que, em paralelo, um vento a favor “oculto” está sempre presente. São as mudanças lentas e profundas de adequação à realidade que se transforma, sem a necessidade de nenhuma imposição moral, econômica ou social. A adequação, se dá pacificamente e é resultado da pressão do inevitável. A incrível penetração da televisão em todo o mundo e a consequente mudança no grau de consciência das pessoas em geral, é talvez o maior exemplo deste fator “invisível”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Reforma, revolução ou reconstrução evolucionária, qual o caminho para a Nova Economia?

É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…
As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política”.
Gar Alperovitz e Steve Dubb.

'March on Washington for Jobs and Freedom, Martin Luther King, Jr. and Joachim Prinz pictured, 1963' photo (c) 2012, Center for Jewish History, NYC - license: http://www.flickr.com/commons/usage/

Marcha pelos direitos civis. Washington, 1963.

Reforma ou revolução?

Continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, terceira e última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

No último post, acredito que ficou claro que uma Nova Economia somente se tornará realidade através de movimentos sociais de enorme alcance e motivados pelos que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações do mundo.

Hoje vou procurar detalhar um dos aspectos destes movimentos recorrendo a um artigo em inglês de Gar Alperovitz e Steve Dubb: “Se você não gosta do capitalismo nem do socialismo, o que é que você quer? onde descrevem três possibilidades básicas de mudança social:

“É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…

As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política. O planeta como um todo está ameaçado pelo aquecimento global. A vida de milhões esta afetada pelo sofrimento social e econômico. Nossas comunidades estão em decadência. Existe alguma saída para isto?…

Pensadores e ativistas têm abordado as possibilidades de mudança a partir de duas perspectivas. Uma, a tradição reformista que acredita que as instituições existentes são capazes de se adaptar e promover o progresso… Outra, a tradição revolucionária que prevê eliminação das instituições existentes, na maior parte dos casos, violentamente, e normalmente precipitada por um colapso do sistema vigente.

Mas, o que ocorre se o sistema nem se reforma nem entra em colapso?

Este é exatamente o caso dos EUA, que pode ficar nesta situação por décadas… Neste contexto, possibilidades estratégicas muito interessantes podem ser viáveis…São processos de longo prazo que podem ser bem descritos como reconstrução evolucionária, a saber, uma transformação institucional e sistêmica da politica econômica ao longo do tempo”.

A marca da reconstrução evolucionária me parece ser a da implantação prática, em relativamente pequena escala, de experiências que se dão à margem do sistema vigente e que podem ganhar massa crítica para o transformar. No dizer dos autores: “Cooperativas, áreas comuns, propriedades mistas com a municipalidade, propriedade pública, são algumas destas possibilidades e que levam à democratização da propriedade”.

O artigo todo é muito interessante, ajuda a pensar a questão da mudança mas me parece induzir a uma conclusão de que a reconstrução evolucionária é quase que uma síntese do conflito entre reforma e revolução. Não creio.

Na verdade, gradualismo e mudança de qualidade, assim como reforma e revolução no caso das mudanças sociais, se opõe mas, são parte do mesmo quadro. As instituições evoluem até o ponto de ruptura, e em seguida a evolução retoma seu curso, agora em novas bases. Isto não quer dizer que se possa ficar esperando a evolução gradual. Ao contrário, a história mostra que a pressão dos movimentos organizados levados adiante pelos grupos interessados é indispensável para que a mudança ocorra na direção que interessa à grande maioria.

Trata-se, acredito, de movimento de longo prazo, organizativo, que assume ao longo do tempo várias formas: reformista, revolucionário e evolutivo, adaptativo às circunstâncias e culturas e com vários polos e viéses. De grande complexidade, enfim.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Bem Estar

Definitivamente, um assunto quase proibido. Por razões econômicas, históricas, culturais e religiosas, pensar e procurar o bem estar parece algo indevido para muitos. Duvida-se que a infraestrutura econômica seja capaz de prover condições adequadas de vida para todos, o rigor das praticas trabalhistas impõe regras espartanas de comportamento e a tradição luterana e de outras religiões ainda mantém forte reverência ao valor moral do trabalho.

O fato é que nesta fase de nossa civilização ainda estamos pouco acostumados a procurar diretamente o bem estar e não levamos isto a sério. O máximo a que se chega é a uma suposição de que havendo crescimento econômico haverá melhora da bem estar da humanidade, este entendido como melhor nível e qualidade de vida.

Infelizmente, o crescimento econômico é uma forma extremamente ineficiente de se alcançar a redução da pobreza. De acordo com dados do livro The New Economics, entre 1990 e 2001, para cada USD 100 de crescimento da renda per capta mundial apenas 0,60 USD contribuiu para reduzir a pobreza dos que estão abaixo da linha de 1 USD por dia. Reduzir à metade os que estão nesta faixa é, por sinal, um dos objetivos do milênio estabelecidos pela ONU, a ser atingido até 2015.

No estudo da nef National Accounts of Well-being esta realidade é bem descrita: “As economias são organizadas explicitamente em torno da necessidade de aumento do PIB…. Os modelos de negócio buscam a maximização dos lucros dos acionistas. e as pessoas são levadas a acreditar que quanto mais renda disponham, e consequentemente, quanto mais consumam, mais felizes serão. Mas, os indicadores econômicos nada dizem se as pessoas estão de fato percebendo que suas vidas estão indo bem. Existe uma urgente necessidade por uma melhor e mais direta forma de medir a performance da sociedade em termos do objetivo de melhora do bem estar”.

E continua: “Medir o progresso somente em temos econômicos faz esquecer um ponto chave de que a economia é um meio e não um fim em si mesma. Uma forte e saudável economia pode ser desejável, mas o é porque nos permite fazer as coisas que são realmente importantes: viver vidas felizes e plenas”.

Aos poucos e crescentemente, o PIB vem sendo contestado e complementado. Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento – PNUD introduziu em todo o mundo o conceito de desenvolvimento humano sustentável focando nas pessoas e não na acumulação de riquezas o objetivo do desenvolvimento. Para aferir o grau de desenvolvimento humano sustentável de uma sociedade o PNUD utiliza o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) criado pelo professor Amartya Sen e publica anualmente o Relatório de Desenvolvimento Humano comparando 144 países e territórios.

Mais recentemente, em janeiro de 2008 o presidente francês encarregou 3 renomados economistas, Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi de formarem uma comissão especial e conduzirem um profundo estudo relacionado à medida de performance econômica e ao progresso social. O resultado foi publicado em setembro de 2009 e é conhecido hoje como o relatório Stiglitz.

No já mencionado estudo sobre Bem Estar, feito pela nef, o assunto é tratado de uma forma ainda mais abrangente. Enfrenta de forma entusiasmante a subjetividade do tema e busca mais do que a satisfação, entender as dimensões sociais e pessoais e medir sentimentos, funcionalidades e recursos psicológicos.

Em todas estas iniciativas há um pressuposto que parece bastante razoável de que ao se medir os aspectos relativos à qualidade de vida e bem estar e identificar os problemas se estará pressionando a própria sociedade a buscar mudanças, que são estruturais, nesta direção.

O assunto é complexo e amplo. Voltarei a ele analisando em posts algumas de suas dimensões mais salientes: Os problemas do PIB como indicador, a questão do consumismo, os indicadores do PNUD, o relatório Stiglitz e a medida do bem estar.

Termino este post perguntando se o irrealismo que muitos supõe ser enfatizar o bem estar, não estaria justamente no seu contrário, a saber, acreditar que seja possível continuar a não o fazer?

A Economia Solidária

A proposta da economia solidária tem importantes afinidades com o movimento pela Nova Economia. Destaco na entrevista de Paul Singer a afirmação de que aos poucos, muita gente tem optado pela economia solidária, porque trata-se não apenas de melhoria na renda, mas de uma relação de trabalho mais humana, que leva em conta a felicidade pessoal. Este movimento tem ajudado a dinamizar as economias locais, garantir trabalho digno e renda às famílias envolvidas, e promover a preservação ambiental e a conscientização sobre o consumo responsável.

O movimento, no Brasil, iniciou-se nos anos 80 e está hoje bastante difundido. O último mapeamento localizou 22 mil empreendimentos no setor. O número hoje deve ser significativamente maior pois o mapeamento foi feito em 2007 e abrangeu apenas 52% dos municípios. Em 2003 organizou-se através de um fórum nacional autônomo. A ideia foi, desde então, incorporada às políticas públicas em centenas de municípios, em 18 estados e no governo federal e tornou-se objeto de ensino, pesquisa e extensão em mais de 100 universidades em todas as regiões do Brasil.

A marca da economia solidária são as cooperativas, cujos donos são os próprios trabalhadores e gestores. Redes, facilitam a comercialização de produtos e serviços. São iniciativas de projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, catadores de materiais recicláveis, redes de produção, comercialização e consumo, instituições financeiras voltadas para empreendimentos populares solidários, empresas autogestionárias, cooperativas de agricultura familiar e agroecologia e cooperativas de prestação de serviços.

Igrejas, sindicatos, universidades, entidades da sociedade civil e governos envolvidos com a economia solidária têm um papel relevante de apoio.

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária, fundado em junho de 2003, é o coordenador nacional do movimento e não se confunde com o similar estatal, a Conselho Nacional de Economia Solidária. Seu desafio é apoiar o abastecimento e a comercialização, o uso de moeda social, promover rodadas de negócio, realizar feiras, fazer campanha de consumo consciente, comércio justo e solidário, constituir redes, cadeias produtivas, finanças solidárias e trabalhar no campo do marco legal (especialmente: lei geral do cooperativismo e cooperativa de trabalho). Dele participam entidades como Abcred, Anteag, Concrab, Ecosol, Unicafes, Unisol Brasil, Cáritas Brasileira, FASE Nacional, Ibase, IMS, PACS, Rede ITCPs e Rede Unitrabalho.

O professor Paul Singer, economista e sociólogo da USP é a principal voz do movimento em prol da economia solidária. Além de diversos trabalhos sobre o assunto, ajudou em 1998 a criar a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP e assumiu a coordenação acadêmica da incubadora. A partir de junho de 2003, passou a ser o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

A Nova Economia no Brasil

 

A questão que vem à mente de imediato é a de como conciliar, especialmente em países em desenvolvimento, as ideias da Nova Economia com a necessidade de muitos de virem a ter uma vida digna. A resposta é que para os defensores da Nova Economia, mesmo sendo esta imperiosa, é necessário diferenciar a abordagem para aqueles países, como o Brasil, que ainda tem grandes contingentes a serem incluídos socialmente. Aliás, a diferenciação vale também para os despossuídos nos países desenvolvidos. Isto significa crescimento do PIB, mas, claro, qualificado.

Além da proposta de crescimento zero, outras duas têm reduzido impacto, atualmente, no Brasil. Hoje, por aqui, discute-se acirradamente a redução da Jornada de trabalho para 40 horas semanais enquanto a redução drástica da jornada de trabalho para 21 horas semanais é um aspecto básico da luta por uma Nova Economia. Além disto, a preocupação em forjar uma economia voltada para o bem estar do ser humano também encontra pouco espaço.

Mas, mesmo sem a defesa aberta por uma Nova Economia, importantes pensadores brasileiros abordam de maneira corajosa um ou mais de seus aspectos. Selecionei trabalhos de alguns deles para embasar tal afirmativa.

Um, o artigo professor Carlos Lessa no Valor Econômico na última 5ª feira intitulado “ A 3ª revolução industrial ainda não está à vista”, que aborda aspectos do desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Outro, um capitulo do livro Brasil Pós-Crise, Agenda para a próxima década, Editora Campus 2009, páginas 305 a 324 intitulado A Sustentabilidade do Brasil e escrito por Sérgio Besserman Vianna, José Eli da Veiga e Sérgio Abranches .

E por fim, uma entrevista de Paul Singer ao Caderno Razão Social de O Globo de 17 de agosto de 2010 sobre economia solidária.

Nos próximos posts abordarei em mais detalhe tais trabalhos.

As pessoas e o planeta importam

 

Inicio este blog com um “post” sobre a nef – New Economics Foundation, um centro de pesquisa e ação inglês ao qual me associei recentemente e que é provavelmente o principal ponto de referência mundial sobre a Nova Economia.

Observo, de saída, que a palavra “economics” não deixa dúvidas. Trata-se de buscar os elementos para uma nova teoria que redefina desenvolvimento econômico conciliando crescimento, justiça social, sustentabilidade ambiental e bem estar da coletividade.

Fundada em 1986 pelos lideres do TOES (The Other Economic Summit) que se confrontava aos encontros do G7 e posteriormente G8, a nef tem uma impressionante produção acadêmica e também uma intensa atuação principalmente na Inglaterra.

A publicação “21 Hours” propondo a semana de trabalho de 21 horas chamou-me a atenção imediatamente por ser a jornada de trabalho uma questão que considero chave. Nas palavras da nef, a sua redução drástica possibilita equacionar “questões urgentes e inter-relacionadas: trabalho excessivo, desemprego, super consumo, alta emissão de carbono, baixo bem estar, desigualdades e falta de tempo para viver sustentavelmente, cuidar do próximo e simplesmente desfrutar a vida”.

A nef tem hoje 5 projetos chave: The Happy Planet Index, Social Return on Investment, Interdependence, Co-production e A new economic model, que são conduzidos por uma ou mais de suas 8 áreas de trabalho: Well-being, Democracy and Participation, Social Policy, Finance and Business, Valuing What Matters, Climate Change and Energy, Connected Economies e Natural Economies.

Hoje, todo este trabalho da nef está articulado em torno de uma campanha pela transição para a Nova Economia e que chama de “The Great Transition”. Esta campanha sugere medidas para efetivar a Nova Economia ao mesmo tempo em que desenvolve uma teoria econômica compatível. As principais medidas abordadas incluem a avaliação dos reais custos de um produto ou serviço levando em conta o impacto social e ambiental, a redistribuição do tempo de trabalho, da renda e da riqueza, o rebalanceamento dos mercados em relação à esfera pública ampliando a definição de bens públicos e preconizando o envolvimento dos favorecidos através da coprodução do bem estar coletivo, a tomada de decisões públicas pelos diretamente afetados e interessados valorizando a especificidade de cada núcleo urbano e cultura, a reeducação que permita que a produção e a tomada de decisões se deem localmente, a irrigação econômica com a mudança nos critérios de taxação e de ação das instituições financeiras, e o reconhecimento da interdependência das nações no enfrentamento das desigualdades sociais e problemas ambientais. Falarei sobre cada um destes assuntos em posts específicos.

Bem, com este breve quadro já é possível perceber o porte, a importância da atuação e a repercussão do trabalho da nef, que na verdade só é possível devido ao crescente reconhecimento pela sociedade da necessidade imperiosa de mudança.

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