Objeções a uma semana de trabalho de 21 horas.

Mais tempo livre permite ao ser humano ter uma vida mais plena dando vazão ao seu potencial criativo e atendendo aos seus e à sua comunidade.”

 

É claro que a reação à redução radical da jornada é enorme, certamente pela percepção dos que controlam e se beneficiam do sistema econômico vigente de que sua implementação força a mudança, desfavorável para eles, na direção de uma sociedade, como previu Keynes, com jornadas de 15 horas semanais e voltada para o bem estar.

Isto faz com que uma medida óbvia seja alvo de um sem número de objeções buscando impedi-la e com isto eliminar o risco de perdas. Mesmo sabendo disto e com a argumentação já apresentada nos posts anteriores, encerro esta série, rebatendo, a seguir, o que considero serem as 10 principais objeções.

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Boletim quinzenal do NEWGroup – Grupo de Trabalho sobre a Nova Economia

Este blog começa hoje a publicar regularmente  a versão em português dos boletins do NEWGroup sem prejuízo dos posts que são publicados às quartas-feiras conforme a programação para o ano. Acredito que a publicação pode trazer, dentre outros, dois grandes benefícios. Um, o das matérias em si, que são de ótima qualidade e pertinência. O outro, a percepção do esforço que vem sendo feito em prol da Nova Economia nos EUA pelos mais variados grupos e formas.

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A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”. Immanuel Wallerestein.

A grande recessão recrudesce.

Algumas “pérolas” do pensamento da diretora gerente do FMI publicadas no último dia 10 em O Globo sob o título: Para FMI, países ricos devem levar adiante políticas monetárias expansionistas:

O crescimento mundial continuará fraco, o que torna necessária a continuidade da política monetária expansionista dos países ricos”.

A ferramenta implica em riscos para emergentes, como o Brasil, referentes à taxa de câmbio, ao fluxo de capitais, à formação de bolhas de ativos e crédito e à estabilidade dos sistemas financeiros”.

A maior preocupação é que, assim como tudo que sobe desce, tudo que entra sai. Uma reversão abrupta de grandes fluxos de capital pode levar junto as economias. Por ora, o risco está sob controle”.

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Consumo dos 99% cresce menos que 0,5% ao ano e assim continuará por várias décadas

“Na mitologia grega, a cornucópia era representada por um vaso em forma de chifre, com uma enorme abundância de frutas e flores transbordando em torno dele. Na era moderna, a Cornucópia é representada pela mistificação da racionalidade humana e da tecnologia”. José Eustáquio Alves.

'horn of plenty cornucopia' photo (c) 2008,license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Em destaque.

E não é que a ideologia do crescimento econômico começa a ser questionada na grande mídia? Por enquanto questionada sob o também correto ponto de vista de que a produtividade é declinante. Não aceita ainda a sua inviabilidade sob o ponto de vista ambiental, social e de bem estar. Mas é um marcante evento. Baseado num importante trabalho acadêmico de Robert J. Gordon “Is U.S. Economic Growth Over? Faltering Innovation Confronts the Six Headwinds”, o renomado colunista do Financial Times, Martin Wolf, publicou em 2 de outubro último o artigo “Acabou a era do crescimento?”, republicado no dia seguinte no jornal Valor Econômico, e no qual adere à tese do citado estudo.

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A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos

Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais.

'Wolves attack a grizzly mother & cubs.  She escapes' photo (c) 2012, *christopher* - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

O “dom” animalesco e voraz em sua versão mais pura

A implosão do sistema.

3º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Do ponto de vista social, parece-me que ficou claro que reforma, reconstrução evolucionária e revolução são parte de um mesmo quadro numa sociedade que está em movimento permanente.

Isto vale também para o caso específico da mudança para uma Nova Economia. Trata-se de um movimento de enorme envergadura e complexidade e que assume as três formas em distintos momentos e locais e requer ações que se adequem a tal complexidade. E até mais. Admite e precisa da ação de todos. Tanto dos que pelo exemplo constroem experiências típicas da Nova Economia, quanto dos que procuram, em boa fé, reformar o sistema por dentro, e, em especial, daqueles que protestam e lutam por um futuro melhor.

É um movimento que tem como objetivo a reorientação da atividade produtiva priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar e que pode alcançar isto, a meu ver, através, principalmente, de duas de suas principais linhas de ação, por terem o necessário poder de transformação: a redução da jornada de trabalho (veja o estudo em português da nef: 21 horas) e a internalização de custos hoje externalizados (veja o post Quanto pior, melhor). Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais. O máximo que se pode dizer, e é o que é dito, é que são inviáveis.

Claro, inviáveis, na visão dos que fazem parte do status quo e que não aceitam subordinar o lucro aos interesses maiores da sociedade. Estes chegam ao auge de sua argumentação esdrúxula dizendo que o lucro é a prioridade máxima porque é ele quem atrai o lado “animalesco e voraz” de alguns poucos seres humanos mais bem dotados de tal “dom” e considerados indispensáveis para que os empreendimentos surjam e floresçam.

Nada mais claro de que se trata de um choque de visões e interesses e que cabe ao movimento social em prol de uma Nova economia, a cada momento e lugar, propor o desdobramento daquelas duas grandes linhas de ações em “bandeiras” de luta que possam ser vitoriosas para, passo a passo, irem acumulando a energia necessária para a superação do impasse atual. A redução da semana de trabalho para 35 horas, por exemplo, foi uma bandeira importante na França no inicio deste século. A luta para que o “custo oculto” da usina de Belo Monte seja revelado, é outro bom exemplo.

Além do simples choque de visões e interesses está a dura luta pela manutenção dos privilégios, de um lado, e por uma vida melhor, do outro. Questões principalmente econômicas, enfim, é que levam os grupos sociais mais desfavorecidos a se mobilizarem e em muitos casos colocarem em risco sua próprias vidas. A verdade é que só com muita mobilização, muita luta é que será possível orientar a atividade produtiva na direção correta. Trata-se de um esforço coletivo e que tem sido chamado, pelas diversas correntes em favor da Nova Economia, de ativismo.

Mesmo sabendo que é indispensável agir, é interessante lembrar que, em paralelo, um vento a favor “oculto” está sempre presente. São as mudanças lentas e profundas de adequação à realidade que se transforma, sem a necessidade de nenhuma imposição moral, econômica ou social. A adequação, se dá pacificamente e é resultado da pressão do inevitável. A incrível penetração da televisão em todo o mundo e a consequente mudança no grau de consciência das pessoas em geral, é talvez o maior exemplo deste fator “invisível”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

As perguntas existenciais do mineiro: quécosô?, oncotô? e proncovô?

Uma das maiores trapaças da tecnologia moderna está na política da obsolescência planejada, ou seja, no envelhecimento premeditado dos objetos, com as mudanças desnecessárias de modelo ou “styling” (este anglicismo já é para enganar), e com peças calculadas para não durarem, ou sistemas que não permitem reparação. O auge desta trapaça está no objeto de um só uso.” José A. Lutzenberger.

Recebi de Dan Moche um excelente comentário ao último post. Com a devida autorização, selecionei trechos, incluindo a citação acima, para apresentá-lo em num post. A versão completa pode ser vista em “comentário de Dan Moche”. Vamos ao post:

Parque Nacional Grande Sertão – Veredas

Post escrito por Dan Moche Schneider:

Um amigo meu lá de Minas, véio Cássio, lixólogo de longuíssima data, foi quem me ensinou que as perguntas existenciais do mineiro: “quécosô?, oncotô? e proncovô?” podem ser úteis não somente para o autoconhecimento mas pra entender muitas situações.

Quécosô?

Já me perguntei muitas vezes; e sempre tive respostas diferentes. O mundo muda a gente muda, de onde concluo que sou mudança, viajante, filho dessa espaçonave Terra, tão extraordinariamente criada, que mantém a vida a bordo em regeneração, a despeito da entropia, graças à energia que obtemos da nave mãe – o Sol , que seguimos por espaços nunca dantes navegados.

Sou imaginação. A imaginação não é um detalhe de nossas vidas, é a própria essência do que somos. Somos co-criadores da nossa realidade. Mas sobre todas as crises, a crise da imaginação é a pior. Qual realidade precisa ser criada? Fecho os olhos, imagino e sinto: a ética controla a técnica; a dança substituiu o ritmo do capital; o antagonismo e controle foram substituídos pelo cuidado entre os homens e deles com a natureza. A economia passou a servir o ser humano. Os objetos já são produzidos para durar e serem compartilhados por todos. Já não um mundo de consumidores, mas de seres criativos, livres e cuidadosos. Um mundo com menos lixo.

Oncotamos?

Estamos numa nave em crise, provocada por modos de produção e consumo que desregulam os sistemas de regeneração da vida a bordo, e cujos timoneiros são incapazes de medidas arrojadas para alterar o curso do desastre. Os sistemas de regeneração de vida da nave, que criam, purificam e reintegram resíduos em ritmo natural, já não acolhem, pelo ritmo industrial em que são produzidos, tantos e tão diferentes tipos de resíduos.

Energia e recursos naturais são crescentemente demandados para a produção de objetos projetados para serem inviabilizados em seu uso prolongado . Pela necessidade de consumo dos objetos produzidos, desenvolveu-se também um complexo sistema de produção de consumidores para os objetos, pela colonização da imaginação. As desigualdades entre os tripulantes da espaçonave se acentuam e, pela primeira vez, a massa de passageiros não é mais necessária para manter o padrão de vida da primeira classe. Nesse sistema, o que, para que e com que consequências se produz, no fundo não interessa.

Proncovamos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, com a Lei Nacional de Saneamento Básico e a Lei de Consórcios Públicos constituem um marco na história recente das políticas ambientais e de saneamento brasileiro e passaram a nortear todas as ações de gestão e manejo de resíduos sólidos.

Depois de mais de vinte de anos de luta por esse marco regulatório, cuja implantação tem pela frente antigas mazelas e novos desafios, vamos proteger a saúde pública e o meio ambiente, segundo a PNRS, pela gestão e gerenciamento de resíduos sólidos:

“Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”.

A PNRS não indica, no entanto, como isso pode ser alcançado. Os desafios portanto permanecem:

– Como proibir a produção de objetos que não possam ser reutilizados ou reciclados?
– Como aumentar significativamente o prazo de garantia sobre objetos produzidos?
– Como estabelecer limites à produção e ao consumo, sobretudo das elites planetárias?
– Para onde direcionar o crescimento econômico nas regiões que ainda não atingiram condições mínimas?

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil

Os produtos, hoje, são projetados e construídos para deixarem de funcionar e com isto forçar sua substituição periódica, e quando não, o são já com novos modelos em vista, sem alterar as suas funcionalidades, e que por meio de marketing agressivo são “empurrados” para o consumidor. Tudo em nome de vendas incessantes e crescentes.

Feito para quebrar, velho por imposição.

Recebi do leitor Paulo Garcia um excelente vídeo sobre a pratica generalizada de fabricar produtos que durem muito menos do que poderiam. O vídeo é relativamente longo, 52 minutos, mas vale a pena. O título do vídeo “obsolescência programada” indica na verdade duas possibilidades principais. Uma, a do feito para quebrar. Lâmpadas, por exemplo, que duram 1.000 horas e poderiam ter vida útil quase que interminável. O vídeo mostra, aliás, uma festa de aniversário dos 100 anos de vida de uma lâmpada. Produtos descartáveis que não precisariam o ser, é um outro bom exemplo. O vídeo mostra o caso de uma impressora que tem embutido um chip que limita o número máximo de impressões.

A outra pratica, a do velho por imposição, talvez um pouco menos criminosa que a anterior, mas muito mais danosa, consiste na “imposição” de modelos novos fazendo com que o consumidor se sinta “obrigado” a trocar, acrescentar ou jogar fora um produto para ter a versão mais recente. E para isto o “marketing” tem um papel decisivo. O automóvel é talvez o exemplo mais marcante. Ano após ano vai aumentando a pressão “psicológica” em cima do consumidor para trocar o seu veículo visivelmente “velho” por um novo com a mesma funcionalidade.

Curiosamente, o vídeo é muito bom na parte factual, mas as conclusões tem pouco embasamento nos fatos que mostra. Tende a concluir que a prática mostra que é preciso diminuir, reduzir, encolher, decrescer, enfim, já que o mundo não é capaz de suportar o crescimento infinito.

Peca pela lógica, neste caso. Ora, se os produtos podem ser fabricados com vida útil de outra ordem de grandeza que os atuais, isto quer dizer, sim, que pode-se atender as necessidades de muito mais gente com a mesma base instalada. Isto, combinado com práticas de consumo mais saudáveis e um desenvolvimento material que não transgrida as barreiras ambientais, pode permitir que uma população estável venha a ter uma vida plena, saudável e com acesso a tudo de bom que a civilização criou até aqui, e virá a criar.

É óbvio que este mundo imaginado contempla práticas que se chocam com os interesses das empresas como existem hoje. Transporte público ao invés de automóveis, prevenção e saneamento em lugar de mais hospitais e assim por diante. Mas isto já é assunto para outro post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Serviços, imaterial?

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Fantasmas' photo (c) 2008, Santiago Rodríguez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Já de volta de viagem de férias, completo hoje a abordagem do setor de serviços sob a ótica de sua contribuição para a redução relativa no uso de recursos materiais.

Acredito que ficou claramente demonstrado no último post, com base no detalhamento do PIB divulgado pelo IBGE, que o chamado setor de serviços é dominante. Mas, detalhando o setor em serviços por atividade no Brasil, também segundo o IBGE, para o ano de 2009 (em milhões de reais), vê-se que pela definição do que seja serviços, este está longe de ser imaterial.

Observo, que há uma diferença de R$ 10 bilhões entre o total dos serviços da tabela abaixo (R$ 1.887.448.000) e o da tabela do post anterior, ambas produzidas pelo IBGE, que, embora não distorça a análise, é um pouco preocupante.

Bem, vamos ao detalhamento dos serviços:

0601 Comércio 349.061 18%
0701 Transporte, armazenagem e correio 134.232 7%
0801 Serviços de informação 99.741 5%
0901 Intermediação financeira, seguros, 202.216 11%
previdência complementar e serviços relacionados
1001 Atividades imobiliárias e aluguéis 233.757 12%
1101 Serviços de manutenção e reparação 2 9.076 2%
1102 Serviços de alojamento e alimentação 54.407 3%
1103 Serviços prestados às empresas 139.004 7%
1104 Educação mercantil 32.544 2%
1105 Saúde mercantil 55.017 3%
1106 Serviços prestados às famílias e associativas 64.266 3%
1107 Serviços domésticos 37.701 2%
1201 Educação pública 112.042 6%
1202 Saúde pública 5 8.621 3%
1203 Administração pública e seguridade social 285.763 15%

Pelo quadro comprova-se que o comércio é o carro-chefe do setor. Mas, é uma atividade que existe tão simplesmente porque é o veículo para escoar a produção agrícola e industrial. A segunda atividade mais representativa é a administração pública. Esta, além de depender das demais para se financiar, envolve, em boa parte, a contratação ou execução direta de atividades que nada tem a ver com a prestação de serviços.

As seguintes, em termos e representatividade, não deixam por menos. As atividades imobiliárias dependem essencialmente da construção civil. A intermediação financeira faz sentido quando apoia o consumo e o investimento. Os transportes, conduzem bens físicos e pessoas e são os maiores responsáveis pelo uso de energia. Mesmo educação, saúde e segurança são atividades altamente dependentes de bens físicos.

Na verdade, não há erro na definição que é adotada na contabilidade dos países, mas, sim, uma indução ao engano, já que a definição de serviços pouco tem a ver com atividades em que predomine a prestação de serviços e onde o suporte material seja secundário.

Mesmo no caso de serviços especializados, isto é verdade. O serviço de um engenheiro, por exemplo, ao elaborar um projeto, pode ou não ser considerado uma atividade que cria um bem imaterial. Se ele tiver algum vínculo, além do objeto específico do serviço, com o contratante, sua atividade é parte do resultado produzido pelo contratante.

É claro que interessa a qualquer país ter uma prestação de serviços independente, capaz e forte, pois gera empregos de qualidade. Projetistas, calculistas, cirurgiões, consultores são alguns exemplos deste tipo de atividade. Mas, o impacto de um imaginado setor de prestação de serviços, de qualquer forma, é muito pequeno frente aos demais e não altera o quadro.

É ilusório, portanto, supor que o chamado setor de serviços possa representar o desacoplamento da base material, o que, aliás, era de se esperar. Aventar uma sociedade virtual, como diz o Goodall, só mesmo com um ser humano também imaginário, o que pode ser o caso se continuarmos neste caminho desvairado.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Serviços, última esperança?

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  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'call center' photo (c) 2006, Vitor Lima - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É possível que o setor de serviços demande, relativamente aos demais, menos bens físicos e, por ter participação crescente na economia, ser a razão para que o crescimento exponencial possa continuar sem aumento da base material?

A resposta é, claramente, não. O setor é uma extensão da atividade agrícola ou industrial (comércio, transportes, etc.) ou depende fortemente de produtos para que o serviço possa ser prestado (saúde, informação, etc.). E, no caso da administração pública, além desta depender das demais para se financiar, envolve, em boa parte, a contratação ou execução direta de atividades que nada tem a ver com a prestação de serviços.

Não resta dúvida que o setor, na forma como é definido, é o mais importante, pois tem uma dimensão maior do que a dos demais, juntos. No caso brasileiro, O PIB, segundo o IBGE, teve a seguinte composição, tanto por classe de atividade quanto pela ótica da despesa, em valores correntes (milhões de reais):

2009
2010
Agropecuária 166.705 180.831
Indústria 696.611 841.024
Serviços 1.877.417 2.113.788
Valor adicionado a preços básicos 2.740.733 3.135.643
Impostos sobre produtos 444.392 539.321
PIB a preços de mercado 3.185.125
3.674.964
Despesas de consumo das famílias 1.966.492 2.226.056
Despesas de consumo do governo 694.597 778.013
Formação bruta de capital fixo 539.757 677.862
Exportação de bens e serviços 354.235 409.868
Importação de bens e serviços 356.015 446.386
Variação de estoque -13.941 29.551

Realmente, os números comprovam o que foi dito. Os serviços representaram em 2010, 58% do total. O mesmo ocorre nas principais economias. O artigo Don’t Be Afraid of the Service Sector publicado pelo International Economic Bulletin por Uri Dadush e Zaahira Wyne em 10 de novembro último, ilustra bem este fato: “Nos países desenvolvidos o setor de serviços respondeu por 90% do crescimento do PIB entre 1985 e 2005. Em 1991, os serviços constituíram 2/3 do PIB, saltando para 3/4 em 2008. O setor de serviços respondeu por todo o crescimento no número de empregos. Em 2008 o setor empregava 72% da força de trabalho, 10% a mais do que em 1991″.

É bom lembrar que é baixa a qualidade dos empregos que o setor de serviços gera em grande quantidade. Dentre outros, os postos de atendentes nas áreas de saúde, comercial e de telemarketing são mal remunerados, estressantes e desestimulantes. Um excelente artigo no The Nation do último dia 27 de fevereiro “One mancession later, are women really victors in the new economy?” mostra como este fato é especialmente relevante nos EUA, onde boa parte destes novos postos são ocupados por mulheres o que as levou a ocupar, hoje, metade do mercado de trabalho daquele país.

O artigo salienta ainda que uma das consequências da maior participação das mulheres é que num cenário de alto desemprego, os homens são os mais atingidos por este. É este tipo degradado de posto de trabalho, aliás, que está evitando o aumento acentuado do desemprego naquele país e explica eventuais pequenas melhoras, aspecto que não aparece nas estatísticas. Cabe explicar que o termo “new economy” no artigo significa apenas a economia como ela é, hoje.

Mas, o principal é que, como foi dito anteriormente e que será detalhado no próximo post, o setor é totalmente dependente dos demais. Redefinido, retirando-se dele as atividades subordinadas aos demais, ele deixa de ter um papel relevante.

Basta ver o caso do comércio, seu carro-chefe. A atividade existe tão simplesmente porque é o veículo para escoar a produção agrícola e industrial. O que faz com que, sem sua base material, o comércio não faça o menor sentido, esvaziando, em relação a esta atividade em particular, qualquer ilusão de pico de recursos materiais.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Mais emissões significa…

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'Air polution' photo (c) 2006, Konstantinos Mavroudis - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Outro a contestar com veemência a tese do pico material é George Monbiot. O faz no post Is the ‘peak consumption’ hypothesis correct? publicado em 3 de novembro último em seu blog. Dentre os inúmeros argumentos destaco a pergunta que faz sobre a disparidade entre o uso de recursos e a emissão de gases de efeito estufa.

“Por que existe uma aguda disparidade entre o uso de recursos – incluindo a produção primária de energia – e a emissão de gases de efeito estufa? Enquanto a produção primária de energia atingiu seu pico em 2001, a emissão de gases de efeito estufa no Reino Unido cresceu ininterruptamente ao longo dos anos de “boom” da última década (2000 a 2006). E isto sem levar em conta as emissões de terceiros (geradas em outros países para produzir bens que nós consumimos). Tais emissões parecem anular todas as reduções materiais havidas no Reino Unido desde 1990 e que foram largamente o resultado da mudança de carvão por gás natural e do declínio da indústria manufatureira”.

Já Hugo Penteado, da lista “Decrescimento” lembra em e-mail que consumo menor por unidade de produto jamais interrompeu a pressão absoluta sobre os ecossistemas, porque a produção cresce exponencialmente.

E Philippe Lena, da mesma lista, comenta em e-mail um outro aspecto do artigo do Goodall, que transcrevo:

“O crescimento do PIB é perfeitamente compatível com um menor consumo energético e material numa sociedade onde crescem as desigualdades sociais. No caso da Inglaterra, o crescimento do PIB pré-crise era justamente devido, em grande parte, à financeirização da economia inglesa e mundial (primeira praça financeira mundial). O consumo de muitos encolheu. O que provocou as rebeliões urbanas às quais assistimos.

O próprio autor diz que pode haver um viés nesse sentido e também no fato de se tratar de séries muito curtas, pouca expressivas para se tirar conclusões precipitadas”.

E ainda: “Se a sociedade inglesa voltasse a ter o mesmo nível de “igualdade” que em 1970, com certeza o consumo material conheceria um aumento que corresponderia a toda a demanda reprimida. Essa recente diminuição da demanda não parece corresponder a uma orientação virtuosa mas sim a um arrocho salarial e ao desemprego. Sem mais estudos, esses dados parecem mostrar que sem uma maior igualdade e sem a escolha de outros rumos econômicos, qualquer diminuição do consumo material pode significar injustiça social”.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A “prima-dona” da economia

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'Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio 1' photo (c) 2009, Milton Jung - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/A economia moderna gira, sem exagero, em torno do automóvel. Sua produção, os serviços que demanda, a infraestrutura que necessita e a energia que consome são o principal impulso da atividade produtiva. Não importa que mais carros entulhem ao absurdo as cidades, que o transporte rodoviário seja ineficiente, que a poluição que gera seja insuportável e que a garantia de seu suprimento energético tenha sido o principal objetivo das recentes guerras “antiterror”. O fato é que o PIB se “alimenta” do automóvel.

Repare leitor que no caso dos automóveis, utilitários, caminhões e ônibus o que mais importa, na avaliação dos efeitos nefastos, é a frota e não o aumento da produção anual. E o Reino Unido continua absorvendo, segundo o artigo Peak stuff: the data cerca de 2 milhões de carros por ano (2,5 milhões em 2007, antes da crise e em ascensão desde 2010), com consequente aumento constante da frota. O que é agravado pelo fato de que os carros duram mais, com a crise tendem a rodar por mais tempo e apesar de menores são mais pesados. O mesmo ocorre com os demais tipos de veículos mencionados.

Duas consequências deste fato saltam aos olhos imediatamente. Não faz o menor sentido falar em pico material enquanto a frota continua crescendo. E, ainda mais importante e dramático, é que enquanto o automóvel for a “prima dona” da economia, o modelo econômico não muda.

Aliás, nem queda do número de veículos novos é razoável esperar-se. No artigo Carros de sobra de Míriam Leitão publicado em O Globo em 20 de janeiro pode-se perceber que o setor fará de tudo para escoar sua produção potencial. A indústria mundial está ociosa em 20 milhões de veículos, cinco vezes mais que o mercado brasileiro que consumiu 3,7 milhões em 2011. A previsão é que este número aumente para 24 milhões em 2012 e que a capacidade produtiva chegue a 103 milhões de veículos.

Esta é alias uma das principais razões para suspeitar da chamada economia verde. Se as novas tecnologias forem destinadas, entre outros usos, à troca de motores a combustão por elétricos não estarão dando uma real contribuição para superar os agudos problemas que a inviável enfase no transporte individual, em detrimento do público, geram.

Bem, prosseguindo na questão do pico material, o próprio conceito de recurso material e sua medida precisam ser ser revistos. O peso é importante mas não decisivo para afirmar que seja possível crescimento sem aumento no uso de recursos. A quantidade é um indicador que tem que ser considerado também, e provavelmente, é tão importante quanto.

De fato, a tendência à miniaturização e diminuição do peso de uma parte dos produtos consumidos não significa que o uso de recursos naturais e intermediários seja menor. Eles vem em muitos casos de cadeias produtivas distintas com impactos diferentes na absorção de recursos e no meio ambiente, como os encanamentos prediais, por exemplo.

Em geral temos visto também o aumento na quantidade de itens consumidos resultado da redução nos custos, aprimoramento e criação de novos tipos de produtos e serviços. Computadores pessoais, notebooks, netbooks, tablets, celulares e os chamados “smart phones” são claros exemplos de expansão, aprimoramento e inovação.

Tal aumento na quantidade de itens consumidos, independentemente do peso, parece ser uma tendência inevitável gerada pela inovação tecnológica e a sofisticação dos hábitos das pessoas, o que leva à crescente diversificação dos bens que consomem. E não parece razoável atribuir isto ao consumismo ou pressão do marketing das empresas. Linhas inteiras de novos produtos são geradas a partir de novos conceitos, dos quais tiram partido as empresas. Um bom exemplo é o do crescente reconhecimento da importância do exercício físico. Academias, vestuários, calçados, alimentos, bebidas e outro produtos deste segmento passaram a ser indispensáveis.

Ainda em relação à questão do pico de recursos, Alan Boccatto, da lista “Decrescimento“, lembra que mesmo que houvesse redução no uso de recursos, o que não é o caso, estes em muitos casos são finitos e não renováveis no horizonte da civilização humana. Minérios, petróleo e atmosfera são bons exemplos.

Assim é, pois, que por mais que se queira, a tese da sustentabilidade já nasceu capenga. Tudo o que não é fluxo, como bens agropastoris, não é sustentável por definição, já que ocorre degradação contínua do estoque.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Guerra e P…IB

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Bombs Away - The bombing of Baghdad' photo (c) 2010, 4WardEver  Campaign UK - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Deixei de falar no post “Quanto pior, melhor” sobre dois outros absurdos do uso do PIB como indicador, propositalmente, para destacá-los agora.

Veja só. A guerra e a destruição, sofrimento e miséria que causa, do ponto de vista do PIB, são a glória. Produção acelerada, destruição do que é produzido e de seus alvos e a reconstrução do que foi destruído não poderiam encontrar melhor acolhida.

E o desperdício? Basta pensar o oposto. Diminuir o desperdício significa queda no PIB. Daí o horror ao uso racional e parcimonioso dos bens e serviços. E pensar que a usina de Belo Monte, por exemplo, poderia ser mais do que substituída pelo aumento da eficiência energética na geração, distribuição e consumo. O leitor encontrará no estudo elaborado, sob pressão, pelo próprio Ministério das Minas e Energia intitulado “Plano Nacional de Eficiência Energética” a informação de que é possível reduzir o gasto em pelo menos 10%. É claro, até o ano 2030, para não prejudicar os interesses vigentes.

Bem, vamos a outras contestações à tese do pico material. Tim Jackson, autor de “Prosperity without Growth – economics for a finite planet” apresenta em artigo no Guardian dede novembro último “Peak stuff’ message is cold comfort – we need to embrace green technology” 3 argumentos que indicam que as conclusões da pesquisa analisada no post “Pico de recursos materiais?” não são aceitáveis.

Apesar de ser confortável, diz Jackson, acreditar que nós estejamos nos livrando da avidez por coisas materiais, a análise histórica mostra que qualquer declínio no consumo material do Reino Unido é no máximo muito pequeno, uns poucos centésimos ao longo de uma década. Em muitos casos, tais números são menores do que a margem de erro estatístico de sua medida. E quando você considera o aumento na intensidade de carbono nos produtos importados de parceiros como a China, tais possíveis benefícios desaparecem de vez.

E continua. Existem outras razões para ser cético em relação à rósea mensagem do pico material. Muito do crescimento econômico do Reino Unido nos anos do “boom” ocorreu pela expansão do setor financeiro que foi ou ilusória em termos de crescimento real ou apenas resultado da apropriação da renda dos mercados de commodities. Em outras palavras, o crescimento foi não apenas ecologicamente insustentável mas, diretamente responsável pela própria crise, e, ainda por cima, nos deixou mal equipados em relação à própria sustentabilidade financeira. De uma forma ou de outra, a extração e uso de mais recursos do exterior é a base de nosso estilo de vida. O modelo da economia globalizada permanece inalterado.

Finalmente, diz que o impacto na economia global não pode ser contestado: a extração global de recursos materiais está aumentando inexoravelmente em quase todas as categorias. A construção de infraestrutura pode ter caído no Reino Unido, mas a produção mundial de cimento até o ano anterior ao do início da crise financeira foi 125% superior ao nível de 1990. A extração de minério de ferro, 100%. E a bauxita, cobre e níquel aumentaram mais de 70%. A emissão de carbono aumentou em mais de 40%. As únicas commodities que sofreram redução (como os fosfatos) foram as que se tornaram escassas.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Em destaque

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Um dos pais do real diz que mundo não pode voltar a crescer porque atingiu limite do planeta.

O jornal O Globo desatinou? Os tucanos perderam o rumo?

O fato é que a inviabilidade do crescimento foi a razão de dois destaques na 1ª página do jornal “O Globo” do último domingo e de duas paginas no caderno de economia da mesma edição. As duas são correlatas: uma entrevista com Lara Resende e outra com o ambientalista inglês Paul Gilding que é a principal referência de recente artigo do primeiro.

Será que os acontecimentos estão precipitando-se? Não é a toa que 3 importantes organizações, Stakeholder Forum, nef e NEI, uniram-se em torno do movimento “Transição Global 2012” propondo-se a acelerar a mudança para uma Nova Economia e tendo como objetivo imediato ampliar a sua influência na Rio +20. A ver.

Bem, vamos a esta nova edição do “Em destaque”:

  1. Temos que rever o que consideramos progresso” é o título da matéria com a entrevista de Lara Resende, que aborda tanto a questão ambiental quanto a social e a do bem estar, apesar de um certo direcionamento do jornal para o primeiro aspecto.

  2. É o fim da economia como a conhecemos“, diz Paul Gilding, que prevê a eclosão do impasse ainda nesta década.

  3. Os novos limites do possível” é o título do excelente artigo de Lara Resende publicado no Valor Econômico em 20 de janeiro último.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Quanto pior, melhor

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  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
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Arte: Uccello-nella-Primavera, por Anita Klein http://www.anitaklein.com

Bem, a hipótese de pico no uso de recursos materiais em economias desenvolvidas abre uma oportunidade de contestações de grande interesse para uma Nova Economia.

A primeira delas é sobre o PIB já que este é usado para dizer que há diminuição no uso de recursos ao mesmo tempo em que ocorre crescimento econômico.

A todo momento somos informados de medições, estimativas e ações justificadas pelo PIB. A crise e a queda do PIB na Europa, por exemplo, levam a medidas as mais absurdas, dentre elas, o aumento na idade da aposentadoria. Quer dizer, num ambiente onde já grassa o desemprego, principalmente dos jovens, os gênios de plantão, apresentam como solução mais desgraça, tudo em nome das condições para que no futuro o PIB possa crescer.

Hoje, a meu ver, é simplesmente ridículo que se use tal indicador. Num mundo altamente sofisticado onde um simples automóvel dispõe de um painel com vários indicadores para uma condução segura e um avião comercial, muito mais, é incrível que a atividade econômica seja monitorada por apenas 1 indicador, e ainda por cima, errado, para tal fim, como se verá a seguir.

É claro que isto interessa a muitos pois deixam de entrar no mérito do que realmente interessa: bem estar, preservação ambiental e equidade social, mas, mesmo com a força que têm na manutenção do status quo, nem para aqueles a prática se sustentará.

E digo isto porque fica cada dia mais evidente que o indicador é totalmente falho para fins de avaliação de crescimento, o que dirá, do desenvolvimento econômico.

Veja só, o PIB mede quantidade, não qualidade. Aos olhos dele as coisas mais incríveis são bem vindas.

Neste ponto vale a pena recorrer a um belo artigo do Herman Dale “Wealth, Illth, and Net Welfare” publicado no blog do CASSE em 13 de novembro último, adaptado de um artigo publicado na revista “Resurgence” do mesmo mês.

“A contabilidade nacional mede apenas a atividade econômica. Esta não é separada em custos e benefícios. Tudo é somado ao GDP, nada é subtraído”.

“O lixo nuclear, as áreas mortas no Golfo do México, a perda da biodiversidade, a mudança climática pelo excesso de carbono na atmosfera, minas exauridas, solo erodido, poços secos, trabalho perigoso e exaustivo, transito, etc, não entram na contabilidade”.

Mas é pior. Em um completo “nonsense” o custo para contornar tais problemas entra na contabilidade. A limpeza da poluição, por exemplo entra como aumento do PIB. As doenças, um outro exemplo, em boa parte advindas da miséria humana e ambiental não são computadas mas o seu tratamento, sim. Quanto mais doença, melhor, do ponto de vista do PIB, principalmente em países que privilegiam a medicina privada.

E se já não bastasse isto, a depleção de capital natural como florestas, peixes, petróleo, carvão, minérios, etc, é contabilizada como renda. Chegamos quase ao máximo do contrassenso ao lembrar que a reposição de bens produzidos pelo homem, como a manutenção de estradas e pontes, entra na contabilidade, sem, é claro, sua contrapartida, a depreciação.

Para culminar, quanto mais se produz, mais difícil é obter recursos naturais, o que aumenta o PIB. A extração do petróleo, por exemplo, é cada vez mais difícil, o que faz com que cresça a participação dessa industria no PIB. Do ponto de vista do PIB o pré-sal é o “nirvana”. Pode?

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Pico de recursos materiais?

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'Junk Shop, Astoria' photo (c) 2009, John Gullo - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Mais uma surpresa. Desta vez, uma pesquisa do ambientalista inglês Chris Goodall publicada no Carbon Commentary em 31 de outubro de 2011 e intitulada Peak Stuff – did the UK reach a maximum use of material resources in the early part of the last decade?, sugerindo que há fortes indícios de que em economias desenvolvidas é possível haver crescimento econômico sem aumento no uso de recursos.

O trabalho levanta questões muito interessantes o que me levou, apesar de contestar as conclusões, a apresentar um resumo no post de hoje. A quantificação, mesmo imprecisa, torna mais perceptível a atividade produtiva e seu impacto, impressionante. São cerca de 2.100 milhões de toneladas por ano no Reino Unido, ou 34 toneladas por habitante. Imagine transpor esta realidade para 9 ou 10 bilhões de habitantes em todo o mundo.

Trata-se de um trabalho criterioso, com muitas ressalvas sobre imprecisões nas medidas e validade das conclusões. É restrito ao Reino Unido, que dispõe de uma contabilidade específica do fluxo de recursos materiais.

Os tipos de recursos materiais considerados na pesquisa são a biomassa, os minerais e os combustíveis fósseis. O principal indicador utilizado é o da matéria total necessária, em inglês, TMR, que expressa o peso da biomassa, minerais e combustível fóssil retirados do solo no Reino Unido, adicionado das respectivas importações e deduzidas as exportações e acrescido de estimativa dos materiais empregados em outros países relativos a produtos importados.

O TMR do Reino Unido teria atingido o pico de 2.174 milhões toneladas em 2001, caindo 3,8% para 2.091 milhões toneladas em 2007, antes do início da recessão. Isto ocorreu ao mesmo tempo em que a população aumentou em 2,3% e o GDP (produto doméstico bruto) aumentou em 24%.

O autor parte em seguida para a análise de itens que concentram a maior parte do impacto ambiental na vida moderna: água, alimentos, papel, têxteis, fertilizantes, cimento, carros, energia, transporte e perdas.

Água: A distribuição de água atingiu o pico de 15,7 milhões de litros por dia em 2003 reduzindo-se em 4% até 2007.

Alimentos: A despeito do aumento da obesidade o consumo de calorias por pessoa por dia, incluindo bebidas alcoólicas, refeições fora, refrigerantes, e confeitos caiu de 2.400 kcal em 2001 para 2.300 kcal em 2007, cerca de 4% de redução.

Papel: O consumo de papel e cartolina atingiu o pico de 12,9 milhões de toneladas em 2001 e reduziu-se para 12,1 milhões de toneladas em 2007, cerca de 6% de redução.

Têxteis: Este é o único item em que há um aumento constante no consumo. Entre 2002 e 2007 aumentou em 16% chegando a cerca de 1,2 milhões de toneladas.

Fertilizantes: A aplicação de nitrogênio por hectare teve seu pico em 1991, 25% a mais do que em 2007. O fosfato teve uma redução de 40% entre meados da década de 80 e 2007. O uso de potássio caiu em cerca de 30% entre meados da década de 90 e 2007.

Cimento: Em 2007 as entregas de cimento foram de 11.6 milhões de toneladas, a maior quantidade em 10 anos, período em que esteve praticamente estável em torno de 11.2 milhões de toneladas por ano.

Carros: O número de carros novos chegou ao auge em 2003 com 2,75 milhões de veículos. Este número caiu 10% para 2,5 milhões. Novos veículos de transporte, motocicletas e ônibus tiveram reduções ainda maiores.

Energia: O total de energia primária inclui todo o consumo de combustíveis, como gasolina, carvão, e gás natural, tendo atingido 240 milhões de toneladas equivalentes de óleo em 2001, caindo 3% até 2007.

Transporte: O número de viagens de mais de 1 milha por todos os meios de transporte atingiu seu máximo em 2002 e caiu mais de 4% até 2007. Já o total de óleo refinado para transporte atingiu seu pico em 2007 com um aumento de 4% em relação aos 10 anos anteriores.

Perdas: O total de lixo doméstico coletado caiu 5% entre 2002 e 2007, tendo havido no período um sensível aumento na reciclagem. O entulho de construções e demolições caiu de 113,3 milhões de toneladas em 2004 para 109,5 em 2006. Já o lixo comercial e industrial caiu de 67,9 milhões de toneladas em 2002 para 47,9 milhões de toneladas em 2009.

Acredito que a análise dos itens destacados, com queda ou não, torna ainda mais palpável a realidade da atividade produtiva. Os números absolutos do consumo de uma sociedade desenvolvida valem por mil palavras.

Antecipo um dos pontos da análise que farei nos próximos posts, talvez o mais importante: A frota de automóveis, e tudo o que gira em torno dela, continua crescendo, mantendo o carro como um dos elementos mais dinâmicos da atividade econômica do Reino Unido, o que bate de frente com a ideia do crescimento econômico ambientalmente sustentável.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Culpe o aposentado

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'domino' photo (c) 2009, jmarconi - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/A nova ministra do trabalho italiana chorou mas fez sua parte no ajuste de 30 bilhões de euros nas contas do país apresentado no último dia 4 de dezembro: A idade mínima de aposentadoria foi elevada para 62 anos no caso das mulheres e 66 anos para os homens. Pensões acima de 960 euros foram congeladas.

O desemprego grassa, a economia engasga e a solução é mais aperto, mais cortes. Isto vem acontecendo em todo o mundo. Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e Itália são os destaques. E nos EUA, o FED não deixa por menos. Tudo pelo PIB, mesmo a custa de empregos.

E não foi com menos espanto que li o recente artigo de Fábio Giambiagi intitulado “O desafio demográfico” publicado em O Globo em 11 de novembro último e que me levou a escrever um e-mail para o autor, que transcrevo:

Prezado Fábio,
O seu recente artigo publicado no O Globo parece indicar que se deve alongar o prazo para a aposentadoria em resposta à nova realidade demográfica. É isto mesmo?
Tenho observado que algumas das recomendações para os países europeus em crise vão pela mesma linha, o que me parece estarrecedor.
Num mundo onde falta trabalho, a solução é concentrar as ofertas?
Não será que a nossa época já permite um maior bem estar ao ser humano diminuindo a intensidade do trabalho remunerado e aumentando o tempo livre para outro tipo de atividade produtiva ou não? Abraços, Christopher.

Em resposta, ele escreveu:

Prezado Christopher,
Recebi seu e-mail, que agradeço. De fato, eu defendo essas ideias, mas leve em conta que: a) a idade em que na média as mulheres se aposentam por tempo de contribuição no Brasil é de 51 anos, sendo que no caso dos homens é de 54 anos, o que honestamente me parece muito cedo; e
b) nossa situação é diferente da europeia, uma vez que a União Europeia está passando por uma recessão severa, enquanto que nós estamos no mínimo histórico da taxa de desemprego.
O que eu defendo é uma adaptação suave e diluída ao longo de décadas das condições de aposentadoria à realidade demográfica dos próximos 30 a 40 anos, quando as pessoas tenderão a viver cada vez mais.
Novamente, obrigado pela sua mensagem. Cordialmente, Fábio Giambiagi

Respeito o trabalho do autor do artigo mas, fico pasmo ao verificar o impasse em que os economistas se colocam, impedindo-se de pensar no aparato produtivo posto a serviço do homem. Aumentou a expectativa de vida, o que parece ótimo? Arrocho. Aumentou a produtividade, o que em tese é excelente? Aumente-se o desemprego.

Ao contrário do que o Fábio Giambiagi diz em seu artigo, não há um mega desafio demográfico pela frente. O que há, sim, é a premente necessidade de mudar a teoria econômica vigente, superar a obsessão pelo PIB e relativizar a importância do lucro frente a questões mais importantes para todos nós: preservação ambiental, equidade social e bem estar.

Bem, estas questões mostram, me parece, é que, por bem ou por mal, uma Nova Economia terá que se impor.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Capitalismo. Sem início nem fim?

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'Wall Street Bull Behind Bars - Illustration' photo (c) 2011, DonkeyHotey - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Ex economista-chefe do FMI, professor de Harvard e autor de livros e artigos importantes, Kenneth Rogoff é mais um que não consegue, ou não quer, encontrar soluções para o impasse atual. E o pior, lança ainda mais confusão. Em recente artigo “O moderno capitalismo é sustentável?” publicado no site do ProjectSyndicate e, traduzido, em O Globo em 18 de dezembro último, surge com uma “pérola”: “O capitalismo moderno tem tido um extraordinário curso desde o início da revolução industrial dois séculos atrás, tirando bilhões de pessoas comuns da pobreza”.

Ele começa o artigo respondendo a pergunta do título de seu artigo ao dizer que não há um substituto viável à espreita. E aí, fica a vontade para desfiar um rosário de problemas para os quais o capitalismo não tem tido resposta: preços para produtos públicos como ar e energia, desigualdade, saúde, bem estar e crise financeira.

Tanto num caso como no outro o autor, me parece, inverte a questão e transfere os méritos e críticas a um sistema econômico que nada mais é do que o resultado histórico do que foi possível ao homem construir. Pelo relato, parece que sempre existiu e continuará existindo. É claro que se aceitar o óbvio, que é resultado da evolução do sistema feudal, terá que aceitar também que mesmo que não consiga ver, sua superação é inevitável, o que, aliás, parece mais a espreita do que nunca.

É sempre bom lembrar que quem gerou o sistema, quem produziu bens e serviços e quem é responsável pelo progresso social é o próprio ser humano a despeito de formulas econômicas. E a que preço? Sofrimento, fome, miséria para a maioria e que perduram até hoje.

Rogoff termina o artigo com a mesma inversão que faz crer que, criado, aí sim, é que os benefícios do capitalismo se afirmaram, com a pergunta: “Será o capitalismo uma vítima de seu próprio sucesso ao produzir prosperidade maciça?

É, o que é efeito vira causa. E ao fazer a inversão, foge da perspectiva histórica e perde a chance de imaginar e lutar por sua natural, porém traumática, é claro, evolução.

Interessante é que em seu último artigo “Rethinking the growth imperative” cuja tradução foi publicada em O Globo no último dia 5, ao questionar seriamente o crescimento econômico como objetivo, apesar de não tornar explícito no artigo que diminuição do crescimento significa diminuição nas taxas de acumulação e lucro, ele, de fato, parece ter concluído pela insustentabilidade do moderno capitalismo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Faz de conta

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Bem, para iniciar o ano, um pouco de humor. Por indicação do leitor Edson Franco cheguei ao blog Chá de Burro que faz um breve resumo das consequências da crise na Grécia.

E vamos ao assunto do dia. Recebi do economista Hugo Penteado através da lista “Decrescimento” um e-mail com o título: “Desesperador”. Indignado com as projeções otimistas e a insistência no crescimento econômico como solução ele apresenta uma crítica irônica invertendo os fatos.

É um texto que, de uma forma original, serve também como um resumo dos principais aspectos envolvidos na Nova Economia. Vamos a ele:

Faz de conta que a produção brota do nada.
Faz de conta que a economia está totalmente separada da natureza, do tamanho do planeta, dos serviços ecológicos.
Faz de conta que o crescimento econômico jamais é deseconômico.
Faz de conta que o crescimento gera justiça social e bem estar e não guerras e devastação.
Faz de conta que poderemos dessalinizar e ressalinizar a água dos oceanos a um custo energético mínimo.
Faz de conta que a economia pode ser maior que o planeta.
Faz de conta que iremos usar terras de outros planetas para depositar nossas produções.
Faz de conta que a produção, a partir de um determinado ponto crítico, irá se tornar imaterial.
Faz de conta que as leis da termodinâmica são falsas.
Faz de conta que a economia não é uma pseudo-ciência autista que não se comunica com nenhuma outra descoberta científica relevante, como aquecimento global e a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos causados por nossa espécie.
Faz de conta que do ponto de vista da biologia não somos todos um e que o ser humano não faz parte dessa teia da vida sem a qual não teríamos água, ar para respirar, comida.

E para finalizar:

Faz de conta que todo esse faz de conta não rege universalmente todas as decisões governamentais e empresariais à nossa volta e que isso não irá causar a extinção da vida desse planeta e da nossa espécie animal.

Faz de conta.

Num segundo e-mail ele menciona que a saúde dos balanços dos sistemas previdenciário, tributário, fiscal, financeiro e empresarial está de tal forma vinculada ao crescimento econômico que apesar de contraproducente, é a única solução que os que decidem, antevem. Claro, sempre afirmando que é o caminho para a salvação social. E os governos, na melhor das hipóteses, fingem acreditar nessa mentira ao se mancomunarem com os interesses corporativos e produzirem as piores atrocidades contra as pessoas. Surreal, diz ele.

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Cidadania é o caminho

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'Crowd' photo (c) 2007, James Cridland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Como estabilizar a população mundial que acaba de chegar a 7 bilhões e se prevê que possa atingir 10 bilhões até o fim do século? Isto, num mundo onde os seus habitantes têm mais e mais acesso à informação e desejam os mesmos bens e serviços.

Em excelente artigo Como estabilizar a população mundial?  publicado no EcoDebate em 26 de outubro o pesquisador e professor do ENCE/IBGE, José Eustáquio Diniz Alves, responde de forma detalhada, cuidadosa e especialmente respeitosa em relação aos direitos dos mais humildes.

Assunto de tremenda importância para a Nova Economia, tomei a liberdade de transcrever os trechos que me pareceram mais importantes, em especial as propostas, e deixar ao leitor a oportunidade de acessar a íntegra do artigo através do link acima. É o que passo a fazer.

Sete bilhões de habitantes no mundo poderia não ser muito se houvesse a adoção de um nível de consumo compatível com a sustentabilidade ambiental. Porém, o consumo médio da população mundial já está acima da capacidade de regeneração do Planeta e a demanda agregada continua crescendo.

E,

…devido à estrutura etária jovem prevalecente em uma parcela ampla da população mundial, mesmo com uma queda rápida da fecundidade, o crescimento atual da população vai continuar devido à inércia demográfica. Depois dos 7 bilhões de habitantes de 2011 os 8 bilhões de habitantes já estão encomendados para algum ano entre 2025 e 2030. Entretanto, a população mundial pode parar de crescer antes de chegar aos 9 bilhões de habitantes.

A estabilidade da população mundial não requer esforços extraordinários. Já existem países nos quais a população está decrescendo, como: Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, etc. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coreia do Sul, Irã, Vietnã, etc. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo.

Contudo, existem atualmente cerca de 30 países que possuem taxas de fecundidade muito altas e cujos governos apresentam dificuldades para ajudar suas populações a atingir o tamanho de famílias que desejam. Nestes países – que geralmente são pobres e possuem altos índices de violência e insegurança – o fenômeno da gravidez indesejada é muito alto. A maior parte do crescimento populacional projetado até 2.100 está concentrada nestes poucos países (a grande maioria na África ao sul do Saara).

Para estabilizar a população dos países com alto crescimento demográfico, ainda no século XXI, seria preciso trazer as taxas de fecundidade para o nível de reposição (2,1 filhos por mulher)…

É fato também, e os hábitos das pessoas nos países com baixas taxas de fecundidade comprovam isto, mesmo na China onde houve fortíssima ingerência do estado, que

…com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios.

E para isto, é necessário em todo o mundo e em especial para os mais pobres:

  1. Universalizar o ensino fundamental para todas as crianças e jovens do mundo;
  2. Garantir o pleno emprego e o trabalho decente;
  3. Garantir direitos iguais para homens e mulheres (equidade de gênero);
  4. Garantir habitação e serviços adequados de água, esgoto, lixo e luz para todos;
  5. Reduzir a mortalidade infantil e garantir o acesso universal à saúde, à higiene, combatendo as principais causas de epidemias;
  6. Garantir acesso universal à saúde sexual e reprodutiva (o que inclui disponibilidade e variedade de métodos de regulação da fecundidade);
  7. Garantir liberdade de organização, manifestação e acesso à informação;
  8. Garantir a governança nacional e o apoio e a coordenação internacional para implementar, de maneira universal e indivisível, a plenitude dos direitos humanos.

É claro, respeitando a soberania de cada país, mas num contexto onde todos precisam colaborar de forma digna para um objetivo comum de nossa civilização.

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Luz dissolve tese da USP

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'Blocos de gelo caindo no Glaciar Perito Moreno - Parque Nacional Los Glaciares - Patagônia - Argentina' photo (c) 2007, CasalMALY - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Levei um susto com a divulgação em 29 de setembro último pela Agência USP de Notícias de uma matéria intitulada “Existência do aquecimento global é questionada em pesquisa” sobre a tese de doutorado: “Quando o Sol brilha, eles fogem para a sombra…”: a ideologia do aquecimento global. O título da matéria é até suave frente à incrível e principal “conclusão” da tese: “a hipótese do aquecimento global constitui a maior fraude científica e social de nosso tempo”.

Bem, fui verificar o fundamento do questionamento, resultado de extenso trabalho de uma pesquisadora do Departamento de Geografia de uma das melhores universidades do país, orientada por um doutor do mesmo departamento e aprovado por uma banca com outros 4 examinadores, todos doutores.

Para tanto, passei por uma “pegadinha” de mau gosto já que a autora deixa de fazer um resumo informando no capítulo de abertura que sente “muito em frustrá-lo e aconselhamos a repensar” o uso de resumos. “Por favor, leia o trabalho completo. Inicie a leitura na página 1, obedeça ao movimento da esquerda para a direita e de cima para baixo e leve o tempo necessário para segui-la até o fim, na página 521”. Fui portanto obrigado a ler a coisa toda, na verdade, 557 páginas.

O resultado é que posso informar que o fundamento é nenhum e, o que é mais preocupante, a universidade, o departamento, o orientador e a banca deram respaldo a um trabalho que nada tem de original e não trouxe sequer uma contribuição para o tema, contrariando uma exigência óbvia de inovação em teses de doutorado. É, a USP não faz mais do que seguir o triste papel da maioria de nossas instituições. Enfim …

Em prol do leitor, apresento em anexo os os meus comentários, capítulo a capítulo. Em síntese, constatei que o trabalho é composto por três partes principais devidamente desconexas:

  1. A transcrição durante 4 longos capítulos de textos já conhecidos de geografia.

  2. Um ataque irresponsável, em 5 capítulos, ao IPCC, aos pesquisadores de todo o mundo que colaboram voluntariamente com a organização e aos, coitados, modelos matemáticos, enfeitiçadores.

  3. E a conclusão, do nada, em 2 capítulos, de que a tese do aquecimento global é resultado de uma trama sinistra dos que querem perpetuar a ideologia capitalista, quando a verdade é exatamente o oposto.

Bem, não foi desta vez que o bombardeamento às evidências do aquecimento global vingou. Além do mais, recente estudo do Berkeley Earth Project confirma-o e responde diretamente às alegações mais competentes dos céticos.

“Nossa maior surpresa foi que os novos resultados concordam com os valores de aquecimento publicados anteriormente por outras equipes nos Estados Unidos e Grã-Bretanha”, afirmou o professor Richard Muller, que estabeleceu o Berkeley Earth Project na Universidade da Califórnia reunindo dez cientistas renomados.

“Isto confirma que estes estudos foram feitos cuidadosamente e que o potencial de (estudos) tendenciosos, identificados pelos céticos em relação ao aquecimento global, não afetam seriamente as conclusões”, acrescentou.

O grupo de cientistas também relata que, apesar de o efeito de aumento de calor perto de cidades – o chamado efeito ilha de calor urbano – ser real e já ter sido estabelecido, ele não é o responsável pelo aquecimento registrado pela maioria das estações climáticas no mundo todo.

O irônico desta estória, é que após a leitura de toda a tese (?) da USP não descobri a resposta à pergunta implícita no título: Quem foge para a sombra? Mas, em compensação, descobri que com um pouco de luz ela se dissolve.

Intrigante, também, é que logo na abertura da sua tese a autora transcreve um e-mail informando que os 3 trabalhos submetidos por ela à 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul, na mesma linha da tese, foram rejeitados pelo comitê cientifico por falta de fundamentação cientifica. 5 doutores ignoraram este aviso e assinaram embaixo de um trabalho que tem nenhuma, também. E com isto, além de não preservarem a pesquisadora em formação, comprometeram o nome do departamento e da instituição.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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