Saneamento, a prioridade das prioridades para o Brasil.

Instituto Trata Brasil, Sabesp e Maurício de Souza Produções lançam cartilha sobre uso racional de água.

Despreze os 2 primeiros parágrafos, com nítida e infeliz intenção político-partidária, e você encontrará uma excelente analise de José Eli da Veiga sobre ser o saneamento a prioridade das prioridades para o Brasil de hoje.

“As taxas de retorno de investimentos em saneamento variam de 17% a 55%, com benefícios duas a oito vezes seus custos, informa o Banco Mundial. Porém, com menos da metade de sua população atendida por esgoto, o Brasil ocupa o 112º lugar na classificação mundial e o 12º na da América Latina. Em vizinhos como México e Venezuela, só 10% da população continuam a sofrer os malefícios de esgoto a céu aberto.”

Certamente este deveria ser o foco principal do anunciado e bem vindo super grupo de trabalho, no estilo do grupo de controle do plano de metas de JK (50 anos em 5), destinado a incentivar e romper barreiras nas parcerias público-privadas. Leia o artigo completo.

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Crescimento desqualificado e exponencial – a marca comum das propostas do PT e do PMDB.

“… não estão nem um pouco preocupados em explicar como um padrão de consumo da classe média das economias desenvolvidas possa ser expandido para bilhões de pessoas sem explodir o planeta. Quem sabe, pensem apenas num jeitinho de incluir uma parte dos brasileiros nesta “boquinha” que aliás não é tão boa assim.”

É curioso, as recentes propostas do PT (O futuro está na retomada das mudanças) e do PMDB (uma ponte para o futuro) são conflitantes apenas na aparência e no jargão. No fundo ambas defendem o mesmo e “esquecem” o principal. Achei especialmente importante trazer isto à tona porque além de criarem uma esperança vã, tais propostas, com pequenas nuances, são a base do credo de todos os partidos existentes e dos que estão por se criar.

Acesse aqui o post completo.

Gustavo Franco: Transparência é tudo quando se trata do funcionamento do mercado.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“Deixo ao leitor a divertida tarefa de espantar-se item após item, perceber a fraqueza de cada afirmação e a má intenção nela presente. Não resisto, porém, a falar da transparência. Na verdade, transparência é tudo o que os grandes conglomerados não desejam e não praticam.”

Um dos muitos bancos acusados de manipulação de taxas de câmbio no mercado mundial.

Parte 2 de 3 sobre a mão invisível do mercado.

O intérprete de tal absurdo é o jornalista Merval Pereira em seu artigo “Mercado e democracia”. E não para aí. Entre outras barbaridades, cita:

  • A impessoalidade do mercado sai sempre mais barata para o contribuinte. “Goste-se ou não, o mercado é a forma mais eficiente e influente de expressão da opinião pública.”
  • “Quanto mais distantes do mercado estiverem as relações entre o público e o privado, quanto mais discricionárias as decisões, e quanto menor a transparência, maior será a corrupção.”
  • A contribuição mais relevante do economista austríaco liberal Friederich Hayeck “é o seu papel de defensor dos mercados, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, onde se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado.”

Acesse aqui o post completo.

A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

Acesse aqui o post completo.

Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho sem fins lucrativos e que cria bens e produtos que são doados e não são objeto de troca.”

'Jahangir zodiacal gold coin Leo' photo (c) 2009, zeevveez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Economias duais.

Começo hoje uma série de posts com anotações de meu entendimento de algumas das mudanças que A Nova Economia precisa e impõe à teoria econômica.

Bem, antes de mais nada, vale desmentir algumas afirmações que tem sido feitas sem base:

  • Não é verdade que sem ter o lucro acima de tudo o capitalista não tem incentivo para investir, restringe-se sua iniciativa e caminha-se para o socialismo, entendido como o fim da propriedade privada.
  • Também não é verdade que o objeto da teoria econômica seja a alocação ótima de recursos escassos.

Acesse aqui o post completo.

Cidadania é o caminho

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Crowd' photo (c) 2007, James Cridland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Como estabilizar a população mundial que acaba de chegar a 7 bilhões e se prevê que possa atingir 10 bilhões até o fim do século? Isto, num mundo onde os seus habitantes têm mais e mais acesso à informação e desejam os mesmos bens e serviços.

Em excelente artigo Como estabilizar a população mundial?  publicado no EcoDebate em 26 de outubro o pesquisador e professor do ENCE/IBGE, José Eustáquio Diniz Alves, responde de forma detalhada, cuidadosa e especialmente respeitosa em relação aos direitos dos mais humildes.

Assunto de tremenda importância para a Nova Economia, tomei a liberdade de transcrever os trechos que me pareceram mais importantes, em especial as propostas, e deixar ao leitor a oportunidade de acessar a íntegra do artigo através do link acima. É o que passo a fazer.

Sete bilhões de habitantes no mundo poderia não ser muito se houvesse a adoção de um nível de consumo compatível com a sustentabilidade ambiental. Porém, o consumo médio da população mundial já está acima da capacidade de regeneração do Planeta e a demanda agregada continua crescendo.

E,

…devido à estrutura etária jovem prevalecente em uma parcela ampla da população mundial, mesmo com uma queda rápida da fecundidade, o crescimento atual da população vai continuar devido à inércia demográfica. Depois dos 7 bilhões de habitantes de 2011 os 8 bilhões de habitantes já estão encomendados para algum ano entre 2025 e 2030. Entretanto, a população mundial pode parar de crescer antes de chegar aos 9 bilhões de habitantes.

A estabilidade da população mundial não requer esforços extraordinários. Já existem países nos quais a população está decrescendo, como: Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, etc. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coreia do Sul, Irã, Vietnã, etc. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo.

Contudo, existem atualmente cerca de 30 países que possuem taxas de fecundidade muito altas e cujos governos apresentam dificuldades para ajudar suas populações a atingir o tamanho de famílias que desejam. Nestes países – que geralmente são pobres e possuem altos índices de violência e insegurança – o fenômeno da gravidez indesejada é muito alto. A maior parte do crescimento populacional projetado até 2.100 está concentrada nestes poucos países (a grande maioria na África ao sul do Saara).

Para estabilizar a população dos países com alto crescimento demográfico, ainda no século XXI, seria preciso trazer as taxas de fecundidade para o nível de reposição (2,1 filhos por mulher)…

É fato também, e os hábitos das pessoas nos países com baixas taxas de fecundidade comprovam isto, mesmo na China onde houve fortíssima ingerência do estado, que

…com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios.

E para isto, é necessário em todo o mundo e em especial para os mais pobres:

  1. Universalizar o ensino fundamental para todas as crianças e jovens do mundo;
  2. Garantir o pleno emprego e o trabalho decente;
  3. Garantir direitos iguais para homens e mulheres (equidade de gênero);
  4. Garantir habitação e serviços adequados de água, esgoto, lixo e luz para todos;
  5. Reduzir a mortalidade infantil e garantir o acesso universal à saúde, à higiene, combatendo as principais causas de epidemias;
  6. Garantir acesso universal à saúde sexual e reprodutiva (o que inclui disponibilidade e variedade de métodos de regulação da fecundidade);
  7. Garantir liberdade de organização, manifestação e acesso à informação;
  8. Garantir a governança nacional e o apoio e a coordenação internacional para implementar, de maneira universal e indivisível, a plenitude dos direitos humanos.

É claro, respeitando a soberania de cada país, mas num contexto onde todos precisam colaborar de forma digna para um objetivo comum de nossa civilização.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Simples e Relevante

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Simple 2photo © 2010 Kristian Bjornard | more info (via: Wylio)

Conforme mencionei no post “sustentável?“, o artigo “Simples e Relevante” escrito em parceria pelo diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB, Elimar Pinheiro do Nascimento, e Gisella Colares, e publicado em O Globo em 25 de fevereiro de 2011, tem grande afinidades com as teses da Nova Economia o que me leva a comentá-lo aqui.

O artigo apresenta de forma simples, original e comunicativa as “3 vias a serem percorridas”:

Desmaterialização da produção – “produzir mais e consumir melhor usando menos recursos naturais”. Produzir mais é inevitável pois será necessário atender os que “deverão ingressar no mercado de consumo, nos próximos vinte anos…, cerca de 2 bilhões e meio de consumidores demandando bens, energia, habitação, transporte e serviços diversos”. Usar menos recursos naturais, imagino que em termos relativos, também, dada a limitação do planeta. Parece-me que somente com a percepção concreta desta limitação (que deve ocorrer a “duras penas”) é que se definirá na prática o quanto de restrição ao consumo será necessária em complemento às inovações tecnológicas.

Descarbonização da economia – “reduzindo a produção de dióxido de carbono, o gás que mais contribui para o aquecimento global”, complementada com maior eficiência energética e redução do consumo de energia per capta.

Desmercantílização da economia – “…estímulo à autoprodução, tanto de bens quanto de serviços, e da troca não mercantil no interior de comunidades, inclusive com moeda própria. Enfim, incentivar as diversas formas de produção e consumo da economia solidária”.

O artigo não aborda, nem me parece que tenha esta intenção, o como fazer para que tais vias sejam percorridas. Neste ponto acredito que o movimento pela Nova Economia tenha uma contribuição importante, apesar de parcial. Hoje, as principais organizações envolvidas com o assunto defendem a ideia que é preciso formular, detalhar e divulgar ao máximos as ideias para que elas estejam disponíveis e sejam conhecidas quando o momento estiver amadurecido para a mudança.

Mas, é claro, para que haja a mudança é preciso mais do que isto: mobilização e luta, assunto que será objeto de um post específico.

Aproveito para informar que incluí o CDS da UnB nos links de referência pela afinidade com as teses da Nova Economia e pelas publicações e informações disponíveis. É provavelmente o centro teórico mais importante sobre o assunto no Brasil.

Em seu “site” existe uma descrição completa das capacidades do centro. Destaco apenas o fato de que, em média, uma tese ou dissertação é defendida por semana desde o ano 2000. E que publica uma revista semestral: “Sustentabilidade em Debate”.

Bem, termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

O Relatório Stiglitz

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Go for Mission Controlphoto © 2007 Mike Renlund | more info (via: Wylio)

Bem, em complemento ao último post que ressalta o dilema entre o desenvolvimento humano e o sustentável, abordo hoje o relatório Stiglitz que, dentre outros assuntos, trata das duas questões, como deve ser, de forma complementar.

Ampliando o esforço para superar as limitações do PIB como indicador, mais recentemente, em janeiro de 2008, o presidente francês encarregou 3 renomados economistas, Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi de formarem uma comissão especial e conduzirem um estudo relacionado à medida de performance econômica e ao progresso social. O resultado foi publicado em setembro de 2009 e é conhecido hoje como o relatório Stiglitz.

A proposta resultante vai bem além do IDH ampliado pois considera também as questões da sustentabilidade e do bem estar humano. O relatório trata os assuntos de uma forma abrangente e profunda. Salta aos olhos, por exemplo, o capitulo “Aspectos clássicos sobre o PIB”. Como um exemplo cito o relato dos diferentes pontos de vista e a análise sobre as despesas “defensivas” que seriam aquelas necessárias a manter o nível de consumo e o funcionamento da sociedade e que não trazem portanto um benefício direto e não se constituem num bem ou serviço final.

Além do artigo “The Rise and Fall of the GDP” mencionado no post sobre as limitações do PIB vale a pena ler dois artigos do professor José Eli da Veiga analisando especificamente o relatório: Para além do PIB e do IDH e Trindade para monitorar o desenvolvimento Sustentável.

No relatório são feitas 12 recomendações: 5 sobre as questões clássicas relativas ao PIB, 5 sobre as questões de bem estar e 2 sobre a sustentabilidade. Estas recomendações são apresentadas resumidamente no 1º capítulo do relatório. No cerne das conclusões e das recomendações está a noção de que é preciso monitorar não um mas um conjunto de indicadores que reflitam o desenvolvimento, bem estar e sustentabilidade e desta forma administrar uma realidade muito complexa.

Desde a sua publicação, as recomendações da comissão têm sido debatidas pelas mais importantes agências de estatística e desenvolvimento do mundo. Conforme citado por Jon Gertner, autor do artigo mencionado acima, a esperança de Stiglitz e dos demais autores é que as agências internacionais cheguem a um consenso, e em consequência, os governos, sobre como medir o progresso através de um “painel” com cerca de uma duzia de indicadores focando na economia, sociedade e meio ambiente.

Bem, termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

Sustentável?

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Talvez você, leitor, não tenha se detido na questão mas o o conceito “Desenvolvimento Humano Sustentável” proposto pelo PNUD e descrito no último post parece inapropriado. Esta em nada diminui, é claro, o enorme benefício do IDH e demais indicadores mas, precisa ser esclarecida pelas razões que se verá adiante.

Não há, que eu saiba, esclarecimento do PNUD sobre o conceito. Em principio, este seria o do desenvolvimento humano acrescido da condição que atenda ao requisito de preservação dos recursos naturais para as gerações seguintes. Ocorre que o IDH diz respeito à medidas de desenvolvimento humano e que são importantes num mundo com graves disparidades sociais. E mais, num mundo em que a superação de tais disparidades através do modelo de consumo e o estilo de vida decorrente é marcadamente insustentável, como vimos em posts anteriores.

No artigo “O desenvolvimento humano sustentável e os objetivos de desenvolvimento do milênio” escrito em 2006 por Marielza Oliveira, então Coordenadora da Unidade de Parcerias Estratégicas do PNUD, a autora sai do impasse concluindo que o conceito envolve ideias similares ás da Nova Economia. Tal abordagem entretanto nada tem a ver com a do PNUD que está longe de poder, mesmo que alguns de seus dirigentes o queiram, defender uma Nova Economia que substitua o modelo de consumo.

Tal confusão vem se espalhando. Por exemplo, A PUC – Minas criou em conjunto com o PNUD o Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável que em sua ação, da mesma forma que o PNUD, abandona o “sustentável” e se concentra nos temas relacionados aos índices elaborados pela agência das Nações Unidas.

O oposto também ocorre. Pretendo comentar em próximo post o belo artigo “Simples e Relevante” escrito em parceria pelo coordenador do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Ao estudá-lo verifiquei que o Centro está defendendo, o que é muito bom, é óbvio, ideias muito similares às da Nova Economia. Mas, faz isto por dizer que tem uma abordagem multidisciplinar que lhe permite sair de seu objetivo precípuo que é o contribuir para a preservação dos recursos naturais para as gerações seguintes.

Resumindo, parece-me que no primeiro caso seja mais apropriado não se referir à sustentabilidade. E no segundo, adotar a linha proposta pelo professor Gus Speth, que descrevi no post “Do ambientalismo para a Nova Economia“, e que implica em evoluir formalmente da questão ambiental para a da Nova Economia.

Bem, termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema.

Desenvolvimento Humano Sustentável

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Este blog atingiu no domingo a marca de 3.000 acessos de terceiros registrados pelo provedor do serviço, o WordPress, em pouco menos de 5 meses. Um belo resultado que mostra o interesse que o assunto está começando a despertar no Brasil.

Bem, ao analisar a questão do bem estar e depois de abordar as limitações do PIB como indicador, foi necessário mostrar que as pessoas desejam consumir, que tal desejo não tem limites e que a sociedade se mobiliza para isto. Não fossem as restrições ambientais e sociais dificilmente o modelo de consumo e o estilo de vida resultante mudariam. Mas, como é um modelo inviável, as crises e adaptações terão que ocorrer. Chama a atenção que a saída para a recente “grande recessão” está sendo “mais do mesmo”, ou seja cada país tenta sair do impasse através do crescimento econômico sem maiores considerações ambientais e sociais.

Tal caminho só tornarão mais difíceis e dramáticas as soluções. A ver. Aliás, isto torna real para todos, inclusive nós, mais cedo ou mais tarde, a possibilidade de revoltas populares como as que estão ocorrendo nos países do norte da África.

Volto à questão do bem estar, detalhando uma iniciativa da ONU.

Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD introduziu em todo o mundo o conceito de desenvolvimento humano sustentável focando nas pessoas e não na acumulação de riquezas o objetivo do desenvolvimento. Para aferir o grau de desenvolvimento humano sustentável de uma sociedade o PNUD utiliza o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) criado pelo professor Amartya Sen e publica anualmente o Relatório de Desenvolvimento Humano comparando 144 países e territórios.

Acione o mapa interativo e veja a versão interativa do quadro acima, inclusive com gráficos evolutivos. Observe que além do IDH o mapa contém 3 outros índices que foram incorporados a partir de 2010. O IDH combina 3 aspectos: saúde (expectativa de vida), educação (tempo de estudo) e renda média. Veja no mapa iterativo o Brasil com 0,699, os EUA com 0,902, a China com 0,663 e Moçambique com 0,284, entre outros.

Os outros 3 índices que também podem ser vistos no mapa interativo procuram um, medir o grau de desigualdade nas variáveis do IDH, outro, a desigualdade feminina e o último o grau de pobreza de cada país. Além destes índices compostos é possível ver a evolução de indicadores específicos sobre saúde, educação, renda, desigualdade, pobreza, gênero, sustentabilidade e segurança humana.

Na base deste trabalho formidável está o conceito de que “a verdadeira riqueza de uma nação são as pessoas”. O mapa, entretanto, evidencia o contrário, a dura situação da imensa maioria das pessoas em termos de qualidade de vida.

E que, infelizmente, com este quadro, não se pode deixar de considerar a possibilidade de uma solução que amplie o fosso entre os que participam do modelo de consumo e os excluídos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, sobre tal possibilidade.

As limitações do PIB como indicador

No sea...photo © 2007 Marina Carvalho | more info (via: Wylio)

 

Há tempos questionei o uso do PIB em comentário a um artigo do Carlos Alberto Sardenberg intitulado “Porque não crescer 10%” e publicado no O Globo. Recebi do autor a seguinte resposta: “Dizia John Kennedy: quando a maré sobe, leva todos os barcos”. É provável que Kennedy tenha feito tal afirmativa em outro contexto, mas, usando a metáfora da maré e os números que mostrei no último post, ao subir a maré, se o “navio” do crescimento econômico chegar a 16 nós, o “navio” da redução da pobreza extrema estará a apenas 0,6 nós. Ora, como a velocidade do comboio é a do navio mais lento, o que ocorre é o abandono deste navio mais lento. Nem abandono, de fato, já que dele nunca fez parte.

Aliás, o irmão, Robert Kennedy, em palestra na Universidade do Kansas em 18 de março de 1968, durante campanha eleitoral, fez uma brilhante síntese das limitações do indicador:

“O Produto Nacional Bruto contabiliza a poluição atmosférica e a publicidade de cigarros. E as ambulâncias para remover os feridos em auto estradas. Considera as fechaduras especiais para as nossas portas e as prisões para as pessoas que as arrombam … Conta a destruição das florestas e a perda, que se espalha caoticamente, de nossas belezas naturais. Ao mesmo tempo, o PNB não leva em conta a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação e a alegria de suas brincadeiras. Não inclui a beleza de nossa poesia ou a solidez de nossos casamentos, a inteligência de nossos debates públicos ou a integridade de nossos homens públicos … Mede tudo, em resumo, menos aquilo que faz com que a vida valha a pena”.

Mais recentemente, o jornalista Jon Gertner no belo e completo artigo “The Rise and Fall of the GDP” publicado no New York Times de 10 de maio 2010, faz uma divertida comparação entre duas pessoas: Uma, chamada de “Alto PNB” e outra, chamada de “Baixo PNB”. A primeira usa um carro de alto consumo e leva duas horas para chegar ou voltar do trabalho, isto lhe causa “stress” e problemas de saúde, e por aí vai o autor descrevendo a dura vida deste personagem. O outro, caminha para o trabalho, produz uma parte e prepara sua própria comida, e por aí vai o autor, salientando detalhes de um outro tipo de vida. Os hábitos do primeiro são a matéria prima do crescimento econômico, e os do segundo, o caminho para a recessão. Estranho, não?

Nas duas citações acima, parece-me que salta aos olhos a questão da qualidade da medida, a saber, o que está e o que não está sendo medido, muito mais do que como a medida é feita. O desperdício, por exemplo, não é medido nem entra negativamente na contabilização. Em consequência, se a sociedade se mobilizar para reduzir a perda de energia, de alimentos e de bens e serviços em geral, estará contribuindo para a redução do PIB e de empregos.

Este exemplo do desperdício mostra que crescimento econômico só faz sentido quando gera riqueza real. E mesmo assim, vale lembrar, ele está inevitavelmente limitado, conforme mostrado em posts anteriores, pelas imposições ambientais, pelo chamado “pico das energias intensas em carbono” e pelos conflitos sociais, dada a impossibilidade de oferecer a todos padrão de vida similar ao das classes mais favorecidas.

Bem Estar

Definitivamente, um assunto quase proibido. Por razões econômicas, históricas, culturais e religiosas, pensar e procurar o bem estar parece algo indevido para muitos. Duvida-se que a infraestrutura econômica seja capaz de prover condições adequadas de vida para todos, o rigor das praticas trabalhistas impõe regras espartanas de comportamento e a tradição luterana e de outras religiões ainda mantém forte reverência ao valor moral do trabalho.

O fato é que nesta fase de nossa civilização ainda estamos pouco acostumados a procurar diretamente o bem estar e não levamos isto a sério. O máximo a que se chega é a uma suposição de que havendo crescimento econômico haverá melhora da bem estar da humanidade, este entendido como melhor nível e qualidade de vida.

Infelizmente, o crescimento econômico é uma forma extremamente ineficiente de se alcançar a redução da pobreza. De acordo com dados do livro The New Economics, entre 1990 e 2001, para cada USD 100 de crescimento da renda per capta mundial apenas 0,60 USD contribuiu para reduzir a pobreza dos que estão abaixo da linha de 1 USD por dia. Reduzir à metade os que estão nesta faixa é, por sinal, um dos objetivos do milênio estabelecidos pela ONU, a ser atingido até 2015.

No estudo da nef National Accounts of Well-being esta realidade é bem descrita: “As economias são organizadas explicitamente em torno da necessidade de aumento do PIB…. Os modelos de negócio buscam a maximização dos lucros dos acionistas. e as pessoas são levadas a acreditar que quanto mais renda disponham, e consequentemente, quanto mais consumam, mais felizes serão. Mas, os indicadores econômicos nada dizem se as pessoas estão de fato percebendo que suas vidas estão indo bem. Existe uma urgente necessidade por uma melhor e mais direta forma de medir a performance da sociedade em termos do objetivo de melhora do bem estar”.

E continua: “Medir o progresso somente em temos econômicos faz esquecer um ponto chave de que a economia é um meio e não um fim em si mesma. Uma forte e saudável economia pode ser desejável, mas o é porque nos permite fazer as coisas que são realmente importantes: viver vidas felizes e plenas”.

Aos poucos e crescentemente, o PIB vem sendo contestado e complementado. Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento – PNUD introduziu em todo o mundo o conceito de desenvolvimento humano sustentável focando nas pessoas e não na acumulação de riquezas o objetivo do desenvolvimento. Para aferir o grau de desenvolvimento humano sustentável de uma sociedade o PNUD utiliza o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) criado pelo professor Amartya Sen e publica anualmente o Relatório de Desenvolvimento Humano comparando 144 países e territórios.

Mais recentemente, em janeiro de 2008 o presidente francês encarregou 3 renomados economistas, Joseph Stiglitz, Amartya Sen e Jean-Paul Fitoussi de formarem uma comissão especial e conduzirem um profundo estudo relacionado à medida de performance econômica e ao progresso social. O resultado foi publicado em setembro de 2009 e é conhecido hoje como o relatório Stiglitz.

No já mencionado estudo sobre Bem Estar, feito pela nef, o assunto é tratado de uma forma ainda mais abrangente. Enfrenta de forma entusiasmante a subjetividade do tema e busca mais do que a satisfação, entender as dimensões sociais e pessoais e medir sentimentos, funcionalidades e recursos psicológicos.

Em todas estas iniciativas há um pressuposto que parece bastante razoável de que ao se medir os aspectos relativos à qualidade de vida e bem estar e identificar os problemas se estará pressionando a própria sociedade a buscar mudanças, que são estruturais, nesta direção.

O assunto é complexo e amplo. Voltarei a ele analisando em posts algumas de suas dimensões mais salientes: Os problemas do PIB como indicador, a questão do consumismo, os indicadores do PNUD, o relatório Stiglitz e a medida do bem estar.

Termino este post perguntando se o irrealismo que muitos supõe ser enfatizar o bem estar, não estaria justamente no seu contrário, a saber, acreditar que seja possível continuar a não o fazer?

Os 12 tópicos mais relevantes

Cresce em todo o mundo a consciência de que já é possível alcançar um novo patamar de bem estar superando a obsessão pelo crescimento econômico, preservando o meio ambiente, respeitando a limitação dos recursos naturais e reduzindo as desigualdades sociais. E que, para atingir um objetivo deste porte é preciso uma mudança social complexa, sistêmica, integrada e global.

Acreditando que a elaboração teórica, a formulação de propostas, a mobilização de pessoas e o trabalho político possam superar os obstáculos e a reação à mudança, inúmeras organizações civis em todo o mundo estão, de uma forma completa ou parcial, desbravando o terreno e liderando a luta. New Economics Foundation, New Economics Institute, New Economy Network, Tellus e New Economy Working Group, são alguns dos exemplos significativos de organizações dedicadas a este movimento pela Nova Economia.

12 pontos me parecem os mais relevantes da proposta de mudança preconizada pelo movimento por uma Nova Economia. Descrevo-os resumidamente a seguir. Em novos posts abordarei cada um em mais detalhes.

1.Bem estar: A felicidade do ser humano pode ser melhor endereçada subordinando-se o crescimento econômico ao interesse público e não o contrário. Isto, é claro, atendendo as necessidades inerentes a uma qualidade de vida adequada para todos.
2.Custos sociais e ambientais: Inclusão dos custos e benefícios sociais e ambientais no preço de de um produto, serviço e no valor dos investimentos tanto privados quanto públicos, com consequente mudança no perfil, possibilidade e necessidades de consumo.
3.Jornada de trabalho: Redução para 21 horas semanais eliminando o desemprego, gerando tempo livre e enfatizando o trabalho não remunerado e o lazer.
4.Distribuição da renda: Redistribuição do tempo de trabalho, da renda e da riqueza, através de impostos e incentivos, diminuindo as desigualdades.
5.Coprodução: Envolvimento dos favorecidos através da coprodução de bens e serviços públicos em áreas como educação e saúde.
6.Esfera pública: Ampliação e fortalecimento dos bens e serviços públicos entendendo-os como pertencentes a todos e livre atuação do mercado neste contexto.
7.Esfera civil: Fortalecimento do setor sem fins lucrativos atuando em conjunto com os setores público e privado.
8.Decisões locais: Tomada de decisões públicas pelos diretamente afetados e interessados valorizando a especificidade de cada núcleo urbano e cultural, mas sem perder de vista que existem produtos e serviços cuja produção e tomada de decisões pertinentes possam se dar mais adequadamente nos níveis regional, nacional ou internacional.
9.Taxação: Irrigação econômica com a transferência da taxação do trabalho para o consumo, atividades com impacto negativo em termos sociais e ambientais, e atividades especulativas.
10.Instituições financeiras: Vínculo do crédito com a capacidade dos tomadores em criar valor social e ambientalmente, e enfase no atendimento de necessidades locais.
11.Interdependência das nações: Reconhecimento da interdependência das nações no enfrentamento das desigualdades sociais e problemas ambientais.
12.Teoria do bem estar: Formulação de uma nova teoria econômica voltada para o bem estar coletivo.

Cabe ainda mencionar que a publicação “The Great Transition” apresenta uma visão de como pode se dar a transição para a Nova Economia e é uma ótima referência para uma visão detalhada dos pontos apresentados.

A 3ª Revolução Industrial

No último post, dedicado à Nova Economia no Brasil, mencionei o artigo do professor Carlos Lessa no Valor Econômico intitulado “ A 3ª revolução industrial ainda não está à vista”. Vale a pena comentá-lo. Ele inicia o artigo mencionando que: “a versão realista de desenvolvimento socioeconômico sustentável se orienta para uma era cuja economia, produção industrial e vida social sejam baseadas na baixa emissão de carbono”.

E continua: “Essa nova era exige uma 3ª Revolução Industrial e provocará, em escala ciclópica, a destruição das atuais bases produtivas e equipamentos domésticos”. Mas, “o sistema capitalista resistirá de todos os meios e formas à introdução em massa dos procedimentos do baixo consumo de carbono. O único argumento que aceitará será o preço explosivo que irão assumindo todos os energéticos de carbono fóssil”. Daí o título que afirma que tal mudança não está à vista.

E pensar, que a baixa emissão de carbono, que gera tanta resistência, é apenas uma das componentes, todas com forte oposição, da visão de uma Nova Economia.

Particularizando para o caso brasileiro e ao período em que é forjada a 3ª revolução industrial, o professor menciona com certo pessimismo que “o Brasil, como “celeiro do mundo”, fornecedor de petróleo de alta qualidade e fortalecendo o plantio de cana-de-açúcar, não tem, nesse debate, lugar para o robustecimento da indústria, que é o setor gerador de emprego e renda de qualidade”.

Sobre isto vale argumentar que se o Brasil “celeiro do mundo” beneficiar o que produz, tal posição pode ser muito vantajosa dada a contínua incorporação ao mercado, anualmente, de centenas de milhões de seres humanos. Derivados de soja, café “blended”, açúcar, carne industrializada, aço e assim por diante podem ser produzidos de forma sustentável e serem parte significativa do perfil industrial brasileiro.

Quanto ao petróleo, o mencionado aumento explosivo de preços deve levar, finalmente, os EUA a adotarem uma pesada taxação específica, além da que se discute sobre a emissão de carbono, retendo a renda que seria enviada para os exportadores de petróleo, já que, de qualquer forma, o consumo será duramente afetado. Além disto, o aumento impulsiona e antecipa alternativas energéticas “limpas”. Isto significa que é alto o risco do Brasil, mais uma vez, estar tomando decisões que não estejam embasadas num cenário correto do futuro.

No balanço destas oportunidades e riscos, o Brasil parece estar numa posição bastante favorável. Esta, no entanto, não o retira do cenário mais amplo no qual predomina a incapacidade de resolverem-se os desequilíbrios mais profundos que provocaram a recente crise, em especial o descompasso entre consumo e poupança nos EUA. A persistir este quadro, a reação à mudança não será capaz de se contrapor às pressões pela transição para uma Nova Economia, que pode iniciar-se antes do que se imagina.

As pessoas e o planeta importam

 

Inicio este blog com um “post” sobre a nef – New Economics Foundation, um centro de pesquisa e ação inglês ao qual me associei recentemente e que é provavelmente o principal ponto de referência mundial sobre a Nova Economia.

Observo, de saída, que a palavra “economics” não deixa dúvidas. Trata-se de buscar os elementos para uma nova teoria que redefina desenvolvimento econômico conciliando crescimento, justiça social, sustentabilidade ambiental e bem estar da coletividade.

Fundada em 1986 pelos lideres do TOES (The Other Economic Summit) que se confrontava aos encontros do G7 e posteriormente G8, a nef tem uma impressionante produção acadêmica e também uma intensa atuação principalmente na Inglaterra.

A publicação “21 Hours” propondo a semana de trabalho de 21 horas chamou-me a atenção imediatamente por ser a jornada de trabalho uma questão que considero chave. Nas palavras da nef, a sua redução drástica possibilita equacionar “questões urgentes e inter-relacionadas: trabalho excessivo, desemprego, super consumo, alta emissão de carbono, baixo bem estar, desigualdades e falta de tempo para viver sustentavelmente, cuidar do próximo e simplesmente desfrutar a vida”.

A nef tem hoje 5 projetos chave: The Happy Planet Index, Social Return on Investment, Interdependence, Co-production e A new economic model, que são conduzidos por uma ou mais de suas 8 áreas de trabalho: Well-being, Democracy and Participation, Social Policy, Finance and Business, Valuing What Matters, Climate Change and Energy, Connected Economies e Natural Economies.

Hoje, todo este trabalho da nef está articulado em torno de uma campanha pela transição para a Nova Economia e que chama de “The Great Transition”. Esta campanha sugere medidas para efetivar a Nova Economia ao mesmo tempo em que desenvolve uma teoria econômica compatível. As principais medidas abordadas incluem a avaliação dos reais custos de um produto ou serviço levando em conta o impacto social e ambiental, a redistribuição do tempo de trabalho, da renda e da riqueza, o rebalanceamento dos mercados em relação à esfera pública ampliando a definição de bens públicos e preconizando o envolvimento dos favorecidos através da coprodução do bem estar coletivo, a tomada de decisões públicas pelos diretamente afetados e interessados valorizando a especificidade de cada núcleo urbano e cultura, a reeducação que permita que a produção e a tomada de decisões se deem localmente, a irrigação econômica com a mudança nos critérios de taxação e de ação das instituições financeiras, e o reconhecimento da interdependência das nações no enfrentamento das desigualdades sociais e problemas ambientais. Falarei sobre cada um destes assuntos em posts específicos.

Bem, com este breve quadro já é possível perceber o porte, a importância da atuação e a repercussão do trabalho da nef, que na verdade só é possível devido ao crescente reconhecimento pela sociedade da necessidade imperiosa de mudança.

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