A divulgação de documentos militares americanos pelo WikiLeaks foi decisiva para a eclosão da “primavera árabe”.

….Lembro da “audácia da esperança”.… Quem pode negar que o presidente dos EUA seja mesmo muito audacioso?! Não é muita audácia dizer, na 3ª-feira (após sua releição), que “os EUA apoiaram as forças da mudança” na Primavera Árabe”? Julian Assange.

Julian Assange Award, foto de Stefan Wermuth, Reuters. 2011.

Premio da Fundação pela Paz sediada em Sydney, Austrália.

A perseguição a Assange.

5 de abril de 2010: É divulgado o vídeo Collateral Murder mostrando disparos de um helicóptero de guerra americano contra civis iraquianos. Os soldados confundem uma câmera fotográfica com uma arma e atiram. E depois destroem uma camionete de transporte de crianças.

25 de julho de 2010: (Afghanistan War Logs) cerca de 92 mil documentos militares americanos sobre a guerra no Afeganistão são revelados. Eles relatam o crescimento da insurgência Taleban, o desapontamento dos civis com seu governo e a queixa de falta de recursos para empreender a guerra.

22 de outubro de 2010: (Iraq War Logs) cerca de 400 mil documentos militares americanos são revelados e mostram que 63% das mais de 109 mil mortes é de civis, casos de abusos e descontrole de seus soldados, que o exército americano ocultou casos de tortura dentro das prisões iraquianas e que haviam equipes encarregadas de perpetrar torturas e assassinatos.
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Naves não tripuladas (drones) afrontam a lei internacional. A justificativa é o terror contra o terror.

“São naves leves, não identificáveis e que disparam mísseis letais e de alta precisão. … Uma nova caixa de pandora foi aberta. …Israel, Irã, Rússia, Índia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Taiwan, Turquia e Coreia do Norte, além dos EUA, já possuem drones de ataque”.

Direitos Humanos e o uso de “Drones”.

Dar como certo o respeito aos direitos humanos é um erro que o movimento por uma Nova Economia não pode cometer sob pena de sucumbir por um longo período. A violação de tais direitos pelos países com real poderio militar, principalmente os EUA, é patente e vem se institucionalizando, alegando que o fazem para se proteger do “terrorismo” e que este põe em risco a sua “segurança nacional”. Já vimos este filme há poucas décadas. Como aqui, naqueles países os militares vem assumindo cada vez mais um papel preponderante já que, em tese, são especialistas no assunto. E, sob a bandeira da segurança nacional tudo pode ser justificado, inclusive, se pensarem ser a saída para eles, isolar pela força os excluídos tanto internamente quanto nos demais países.


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Impasse à vista: Câmara aprova criação de Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

“… o fórum da economia solidária passa por uma prova de fogo quanto à sua capacidade de atuar com independência financeira e gerencial, aspecto, aliás, vital para as organizações da sociedade civil que agem genuinamente em prol do interesse público”.

Plenário da Câmara em 7 de novembro de 2012

6º e último post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

A importância da sociedade civil.

O célebre, e nem por isto verdadeiro, ditado de Churchill “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras” expressa bem o teor de algumas das reações, as contrárias, ao último post sobre as limitações dos processo eleitoral e a impossibilidade de ser o caminho para se chegar a uma Nova Economia. O ditado faz apenas um jogo de palavras e, ao mesmo tempo em que defende, expõe, de fato, a profunda fraqueza do regime eleitoral.

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A democracia representativa está falida e precisa ser contida. É a hora da democracia direta e da ação da sociedade civil.

A Constituição, por exemplo, declara solenemente que todo poder emana do povo. Quem meditar, porém, nem que seja um instante, sobre a realidade brasileira, percebe claramente que o povo é, e sempre foi, mero figurante no teatro político”. Fábio Konder Comparato.

A Liberdade Guiando o Povo, por Eugène Delacroix, 1890, Museu do Louvre, Paris.

Nota: A reeleição do Obama, celebrada nesta madrugada, vem com o sabor amargo da falência. A pequena margem por si já indica isto. É democrático um processo onde 2 milhões decidam ao invés dos 122 milhões que votaram? Indo mais além, como os candidatos, no fundo, eram bastante parecidos e instrumentos de interesses estabelecidos, tanto faz, tanto fez. De fato, a eleição girou em torno do que não foi discutido: a limitação do setor financeiro, a retomada das residências hipotecadas, a inviabilidade do crescimento econômico ilimitado, o controle da venda de armas, a preservação ambiental, o uso da base em Guantánamo para prender sem garantir os direitos humanos básicos, o uso de “drones” para assassinar teleguiadamente pessoas em outros países, a intervenção militar, e por aí vai, numa lista interminável do que realmente deveria importar.

É a velha história, se os “líderes” assumirem um papel de vanguarda ficarão “segurando a lâmpada sem a escada”. Se seguirem o que as pesquisas indicam como sendo o que o eleitor quer, a eleição passa a ser uma luta pelo poder, subordinado, é claro, porque este já tem dono.

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Mudança: uma força surpreendente, transformadora, inevitável, contínua

Veja, é importante procurar viver sustentavelmente. Como disse Gandhi: “seja a mudança”… Este é um grande ponto de partida. Mas, péssimo ponto de chegada. Afinal, será que nós sequer saberíamos quem Gandhi foi se ele apenas costurasse suas próprias roupas e ficasse esperando os britânicos saírem da Índia?”. Annie Leonard.

A força das mudanças.

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando da terceira e última parte, a de como fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

As duas primeiras partes dizem respeito às razões que impõe uma Nova Economia e em quais mudanças mais convém focar e já foram analisadas em posts específicos. Agora, o desafio é expor as formas de ação que podem levar a uma Nova Economia e com o menor trauma possível.

Ao preparar o texto me deparei com a necessidade de aprofundar alguns tópicos, dentre eles:

Mudança social.
Reforma ou revolução.
Democracia.
Direitos humanos.
Sociedade civil.
Ativismo.
Vivência (valores e atitudes).
Transição.

Isto, na esperança de que detalhando tais tópicos pudesse responder algumas das questões mais importantes sobre a mudança e que me vêm à mente, insistentemente:

  1. O quanto a vivência e a experiência pessoal podem ser exemplares, embrionárias e transformadoras?
  2. Até onde a chamada democracia política é capaz de modificar a realidade social ou é uma preservadora do status quo?
  3. Se as instituições oriundas da chamada democracia política, em especial, as que se justificam pela tão falada separação de poderes, promovem ou vem a reboque da luta pelos direitos humanos?
  4. Quão real é a possibilidade dos privilégiados imporem a direção da mudança e com isto cristalizar um mundo com castas, guetos e nações inteiras de excluídos?

Na própria formulação das perguntas acho que dá para perceber um certo pessimismo e a visão de um caminho com inúmeras dificuldades para que se chegue a uma mudança do porte da prevista pela Nova Economia. E a percepção de que a mudança é inevitável mas os resultados dela não. Depende da intensidade das crises, da evolução social e sobretudo do grau de consciência, luta e obstinação daqueles que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações das nações do mundo. Em suma, mesmo com um resultado incerto, o que é preciso mesmo é engajamento para que a Nova Economia se imponha.

Por isto, escolhi começar esta última etapa da caracterização de uma Nova Economia referindo-me a um filme legendado, simples e curto, “A história das mudanças”, e que faz pensar na mudança. O filme foi produzido pelo projeto “História das coisas”, narrado por Annie Leonard e animado pela RSA Animate. Observo que história, no caso, tem um sentido de pequena narrativa e não uma análise de sua ocorrência ao longo do tempo.

Um post de Taís CapeliniMuito além do ativismo de teclado” publicado no Blog Coletivo Outras Palavras, apesar do título que parece desvalorizar o trabalho intelectual, faz uma boa análise do filme. Mas, leia antes algumas das passagens do filme que me chamaram especial atenção:

Mudança de verdade ocorre quando os cidadãos se unem para mudarem as regras do jogo …

Veja, é importante procurar viver sustentavelmente. Como disse Gandhi: “seja a mudança”… Este é um grande ponto de partida. Mas, péssimo ponto de chegada. Afinal, será que nós sequer saberíamos quem Gandhi foi se ele apenas costurasse suas próprias roupas e ficasse esperando os britânicos saírem da Índia?

Portanto, como fazer uma grande mudança?

Para responder esta questão, eu olhei para Gandhi, para o movimento anti-apartheid na Africa do Sul, o movimento pelos direitos civis nos EUA e as vitorias em prol do meio ambiente também nos EUA na década de 70. Eles não apenas induziram as pessoas à escolhas perfeitas em seu dia a dia. Eles mudaram as regras do jogo.

Percebe-se que três aspectos estão presentes quando tais mudanças ocorrem.

Primeiro, as pessoas partilham uma grande ideia de como as coisas poderiam ser melhores. Não apenas um pouco melhor para algumas pessoas mas, muito melhores para todos … Elas atingem o coração do problema, mesmo que isto signifique mudar sistemas que não querem ser mudados. E isto pode ser assustador …

Segundo, as milhões de pessoas que fizeram mudanças extraordinárias não tentaram fazê-las sozinhas e sim trabalharam juntas até o problema ser resolvido …

E finalmente, tais movimentos alcançaram seus objetivos porque pegaram uma grande ideia e sua disposição para lutarem juntas, e partiram para a ação”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Uma leitura crítica do artigo “Emergente tardio” de Cristóvão Buarque

“Emergimos em direção a um objetivo que não mais satisfaz. É como uma família plebeia que emergisse à nobreza na Rússia Czarista na véspera da revolução socialista”.

'Precipicio' photo (c) 2009, ramos alejandro - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Emergente tardio.

Um excelente artigo que faz pensar e por isto mesmo desperta a crítica. A tese central do “Emergente tardio” é a de que o foco no crescimento do PIB pelos países emergentes se dá no momento em que o desafio é justamente superar o PIB como orientador da atividade econômica. E, no caso particular do Brasil, este tem uma tradição histórica de buscar objetivos ultrapassados.

Além de concordar com a tese, lembrei-me imediatamente da política nacional de informática que começou corretamente com o BNDE (na época) apoiando, a partir de meados da década de 60, centros de excelência em universidades brasileiras. A partir daí suas propostas ficaram sempre um passo atrás. Na época que os microcomputadores eram o caminho óbvio, financiou-se e privilegiou-se a fabricação nacional de minicomputadores. Um novo passo atrás deu-se quando a ligação em rede era o caminho e optou-se pela produção de microcomputadores. E seguiu nesta toada. Quando apostar em software era evidente, manteve-se a prioridade no hardware. E quando a informação mostrava-se ser o elemento critico, foi a vez da opção pelo software nacional. Depois disto, sumiu do mapa.

Ih!, acabo de ler que ressurgiu. Mais 500 milhões vão para o TI maior, novo “programa estratégico de software e serviços de tecnologia de informação”. É claro, “esqueceram” do software livre, os governos continuarão comprando softwares proprietários, a internet 2.0 continuará voltada para setores “prioritários” em geral do próprio governo, a criação multi-mídia, a comunicação e a interação de “muitos com públicos específicos”, possível novo paradigma que já se vislumbra, e o uso dos canais digitais, ainda sob domínio dos antigos detentores do espaço analógico, para a difusão da banda larga de verdade e de baixo custo continuarão a não merecer consideração, mantendo assim a tradição do “sempre um passo atrás”.

Bem, voltando ao artigo, ao lê-lo, constatei algumas incongruências que acho importante mencionar.

De início cita que “o mundo desenvolvido tem por base quatro grandes princípios: a Democracia Política, o Crescimento Econômico, o Bem-Estar Social e a Inovação Técnica”. Será? A democracia política via representação mostrou-se incapaz de promover os reais interesses dos representados. E, o bem estar social não é algo que esteja disseminado nos países desenvolvidos. Resta, sim, o crescimento econômico, com a inovação técnica a reboque e o voto e a seguridade social no papel de atenuador de tensões.

Continua dizendo que este países estão mudando devido a “…quatro novos fatores: os limites ecológicos ao crescimento, a mega concentração de renda, uma revolução científica e o descolamento do setor financeiro em relação tanto à realidade econômica quanto às fronteiras nacionais”. Os fatores, é verdade, existem, mas não há sinais de mudança.

Reforça o argumento dizendo que “daqui em diante, os países do Primeiro Mundo, países ricos, estão sendo obrigados a fazer escolhas entre continuar o crescimento econômico em direção a uma grave crise ecológica; restringir os benefícios sociais em direção ao equilíbrio fiscal; equilibrar suas economias nacionais em um mundo integrado; ajustar seus empregos aos tempos da nova ciência e tecnologia; dominar a mega concentração de renda sem ferir a democracia; cumprir compromissos presidenciais com uma população que vive mais anos”. Não, a escolha deles já está feita, e é pelo crescimento econômico a despeito das evidencias de consequências nefastas.

O artigo termina dizendo que “…o mundo evolui para mais tempo livre, maior produção cultural, melhor distribuição e mais qualidade nos serviços públicos, respeitando o meio ambiente; mais atenção à saúde pública, aos idosos e às crianças; revolução no atendimento universal e no conceito de educação por toda a vida; preocupação com o bem-estar e até com a felicidade…”. Não, não é verdade a despeito do desejo de muitos, mas que estão completamente à margem dos centros de decisão.

O fato é que emergentes, subdesenvolvidos e desenvolvidos estão juntos privilegiando o PIB, num salto para o inviável. E, não parece nem um pouco razoável que os emergentes e subdesenvolvidos possam provocar a mudança de caminho.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Conferência da Nova Economia – 8 a 10 de junho de 2012

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Workshop' photo (c) 2011, Heinrich-Böll-Stiftung - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/O Instituto pela Nova Economia ( NEI – New Economics Institute), com o intenso apoio da nef (New Economics Foundation), promove em junho próximo no Bard College no Estado de Nova Iorque um encontro de 3 dias com cerca de 60 reuniões de trabalho, palestras, discussões localizadas e resoluções plenárias e ao qual são bem vindos os que queiram conhecer mais sobre o tema e participar dos debates.

Denominada “Estratégias para uma Nova Economia“, a conferência representa, pela sua amplitude, mais um passo na direção do amadurecimento do movimento. Organizado em torno de 10 temas, o evento destacará as melhores experiências práticas e trabalhos teóricos relativos a cada um. E pretende, em última instância, demonstrar que uma economia decentralizada, sustentável e cooperativa já está se formando.

As inscrições podem ser feitas acessando a pagina “registration“.

Os 10 temas são:

  1. Bancos e financiamento numa Nova Economia: escala, critérios e inovação – explorando sistemas financeiros alternativos que promovam o desenvolvimento sustentável.
  2. Medição do bem estar: alternativas de indicadores de riqueza e progresso – compreendendo as medidas de prosperidade, incluindo indicadores ecológicos e de qualidade de vida.
  3. Comunicação: educação, mídia e campanhas públicas – discutindo com se dá a comunicação acerca de e numa Nova Economia.
  4. Governos comprometidos: política que priorize as pessoas e o planeta – discutindo como a ação local, nacional e global deve se dar.
  5. Economia local: mecanismos para a sua resiliência – reconstruindo as economias locais.
  6. Propriedade e trabalho: cooperativas, participação e estrutura corporativa – reimaginando a propriedade e o trabalho.
  7. Produção e consumo: sustentabilidade, simplicidade, suficiência e abundância – analisando como atender as necessidades e aspirações numa sociedade pós-consumo.
  8. Uso do coletivo: identificação, alocação e restauração. Explorando a proteção, restauração e uso do patrimônio coletivo.
  9. Transformação do dinheiro: estruturação, emissão e valor de novos meios de troca. Explorando sistemas de troca justos que promovam o desenvolvimento local e justiça social.
  10. Visualização e modelagem da Nova Economia: prosperidade para todos dentro dos limites do planeta – considerando as economias das comunidades e do planeta operando dentro dos limites ambientais.

Os organizadores da conferência colocaram à disposição os textos mais importantes relativos a cada um dos temas. 31 palestrantes, dos mais destacados, já confirmaram sua participação.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Tribunal Hessel na Rio +20

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Bertrand Russel

Uma ideia que pode fazer com que uma esvaziada Rio +20 venha a ser, mesmo que indiretamente, um evento realmente transformador. Implementada, seria uma ação de grande repercussão e exemplar.

Trata-se de um tribunal para julgar os crimes contra a humanidade que vem sendo cometidos pelos bancos centrais e autoridades financeiras governamentais dos EUA, União Europeia, Reino Unido, França e Alemanha, desde o início da crise de 2007, que perdura. Sob a alegação de evitar uma crise sistêmica, tais entidades insistem no resgate de parte do sistema financeiro internacional, principal responsável pela própria crise. E além disto promovem, nas palavras do artigo referido a seguir, “um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente”.

Stéphane Hessel é o renomado autor do livro “indignai-vos” cuja mensagem sensibilizou milhões de pessoas e que levou, “principalmente os jovens, a ocupar em diversos cantos do mundo, praças e ruas”, reagindo à um modelo econômico que “destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos e os condena à uma vida sem futuro”.

A proposta é do professor Cristovam Buarque, amigo de Hessel, feita em artigo “De Russell a Hessel” e publicado em O Globo neste sábado. Ela surgiu de uma ideia similar, o Tribunal Russell, também conhecido como Tribunal Interacional de Crimes de Guerra e Tribunal Russel – Sartre, criado em Novembro de 1966, para julgar crimes da intervenção militar dos EUA no Vietnã. Nas palavras do professor:

“Bertrand Russell, Prêmio Nobel de Literatura em 1950, criou o tribunal para julgar os crimes no Vietnã, e, caminhando ao lado de jovens, despertou o mundo para a tragédia vietnamita. Seu tribunal não tinha qualquer poder legal, mas uma imensa força moral capaz de encurralar os dirigentes da grande potência americana, com seus aviões e bombas, mas sem uma base ética para a guerra”.

Convocado por Hessel e composto por ele e por outras pessoas de excepcional força moral de todo o mundo o tribunal poderia ser instalado na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental constituída por cerca de 150 entidades de 27 países para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência oficial.

Acredito que o objetivo central do tribunal deveria ser o de julgar a conivência e conluio das autoridades com o sistema financeiro, socorrendo-o e ignorando seus crimes, em detrimento dos interesses das populações dos países sobre os quais têm autoridade e responsabilidade. Sobre isto ressalto o artigo, objeto de notícia neste blog, com o irônico título “Grande passo à frente” publicado pelo EconoMonitor no último dia 3 e que mostra que o resgate de Wall Street pelo FED significou que mais de USD 30 trilhões foram para o capitalismo conspícuo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Cidadania é o caminho

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'Crowd' photo (c) 2007, James Cridland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Como estabilizar a população mundial que acaba de chegar a 7 bilhões e se prevê que possa atingir 10 bilhões até o fim do século? Isto, num mundo onde os seus habitantes têm mais e mais acesso à informação e desejam os mesmos bens e serviços.

Em excelente artigo Como estabilizar a população mundial?  publicado no EcoDebate em 26 de outubro o pesquisador e professor do ENCE/IBGE, José Eustáquio Diniz Alves, responde de forma detalhada, cuidadosa e especialmente respeitosa em relação aos direitos dos mais humildes.

Assunto de tremenda importância para a Nova Economia, tomei a liberdade de transcrever os trechos que me pareceram mais importantes, em especial as propostas, e deixar ao leitor a oportunidade de acessar a íntegra do artigo através do link acima. É o que passo a fazer.

Sete bilhões de habitantes no mundo poderia não ser muito se houvesse a adoção de um nível de consumo compatível com a sustentabilidade ambiental. Porém, o consumo médio da população mundial já está acima da capacidade de regeneração do Planeta e a demanda agregada continua crescendo.

E,

…devido à estrutura etária jovem prevalecente em uma parcela ampla da população mundial, mesmo com uma queda rápida da fecundidade, o crescimento atual da população vai continuar devido à inércia demográfica. Depois dos 7 bilhões de habitantes de 2011 os 8 bilhões de habitantes já estão encomendados para algum ano entre 2025 e 2030. Entretanto, a população mundial pode parar de crescer antes de chegar aos 9 bilhões de habitantes.

A estabilidade da população mundial não requer esforços extraordinários. Já existem países nos quais a população está decrescendo, como: Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, etc. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coreia do Sul, Irã, Vietnã, etc. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo.

Contudo, existem atualmente cerca de 30 países que possuem taxas de fecundidade muito altas e cujos governos apresentam dificuldades para ajudar suas populações a atingir o tamanho de famílias que desejam. Nestes países – que geralmente são pobres e possuem altos índices de violência e insegurança – o fenômeno da gravidez indesejada é muito alto. A maior parte do crescimento populacional projetado até 2.100 está concentrada nestes poucos países (a grande maioria na África ao sul do Saara).

Para estabilizar a população dos países com alto crescimento demográfico, ainda no século XXI, seria preciso trazer as taxas de fecundidade para o nível de reposição (2,1 filhos por mulher)…

É fato também, e os hábitos das pessoas nos países com baixas taxas de fecundidade comprovam isto, mesmo na China onde houve fortíssima ingerência do estado, que

…com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios.

E para isto, é necessário em todo o mundo e em especial para os mais pobres:

  1. Universalizar o ensino fundamental para todas as crianças e jovens do mundo;
  2. Garantir o pleno emprego e o trabalho decente;
  3. Garantir direitos iguais para homens e mulheres (equidade de gênero);
  4. Garantir habitação e serviços adequados de água, esgoto, lixo e luz para todos;
  5. Reduzir a mortalidade infantil e garantir o acesso universal à saúde, à higiene, combatendo as principais causas de epidemias;
  6. Garantir acesso universal à saúde sexual e reprodutiva (o que inclui disponibilidade e variedade de métodos de regulação da fecundidade);
  7. Garantir liberdade de organização, manifestação e acesso à informação;
  8. Garantir a governança nacional e o apoio e a coordenação internacional para implementar, de maneira universal e indivisível, a plenitude dos direitos humanos.

É claro, respeitando a soberania de cada país, mas num contexto onde todos precisam colaborar de forma digna para um objetivo comum de nossa civilização.

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1º Ano

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'Construção' photo (c) 2008, nandinhazinha - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Na última 5ª feira completou-se 1 ano desde o lançamento deste blog. Com um número crescente de acessos semanais, atualmente 600, alcançou 12 mil no total.

O blog é inteiramente dedicado à causa da Nova Economia. A sua grande referência foi e continua sendo a nef, the new economics foundation, que é, a meu ver, o principal centro de estudos sobre o assunto. É espantosa a alta qualidade e a quantidade de estudos e atividades desenvolvidas pela fundação.

A Nova Economia tem uma mensagem relativamente simples: voltar a capacidade produtiva da humanidade para seu próprio benefício, reduzindo a desigualdade social, preservando o meio ambiente e buscando o bem estar. Difícil é implementá-la, pois as resistências são enormes e variadas. É verdade que a crise, que vem desde 2008, com fortes efeitos em todo o mundo, trouxe um novo impulso para que a mudança se imponha.

No Brasil, especificamente, frente às enormes carências de grande parcela da população, é mais difícil escapar da lógica do “crescimento econômico” como meio para resolver os problemas, apesar dele ser, de fato, a sua causa. Mas, cedo ou tarde, é inevitável que por aqui também, o movimento se afirme.

Enfim, difícil ou não, a causa me entusiasma, torna leve o trabalho e faz desta uma marcante experiência de vida.

De todos os posts, dois foram, para mim, especiais. Um, Do Ambientalismo para a Nova Economia focado numa brilhante palestra de Gus Speth (preso recentemente por protestar em frente da Casa Branca) e que mostra a necessidade de entendimento e ação conjunta de todos os que militam em áreas afins. O outro, A democracia sobreviverá?, foi o 1º post de outro autor neste blog, uma transcrição de artigo publicado por Elimar do Nascimento e que faz um preciso e inovador diagnóstico da democracia por representação.

Foram ao todo 45 posts, além de pesquisas semanais, das notícias e textos “Em destaque” e de citações em “Você concorda?”. O que mais me surpreende e agrada, apesar de não ter sido fácil entender isto antes de decidir-me a lança-lo, é que o blog está sempre em elaboração, mutação, melhoria, mesmo conservando sua concepção original. E que é com o passar do tempo e publicação de posts que ele vai ganhando consistência e qualidade.

A criação da central de comentários foi uma destas mudanças, permitindo a troca de ideias independentemente do tema de um post ou da publicação de um novo. Ela começa a ser usada e espero que se afirme ao longo do próximo ano.

A criação da página de notícias permitiu a informação diária de links para notícias e textos que possam interessar o leitor e que sejam relevantes para a Nova Economia.

A reindexação do conteúdo nos tópicos “por que”, “o que” e “como”, e seus sub tópicos foi outra mudança importante, que, aliás, ainda está em processo à medida que procuro caracterizar os principais aspectos envolvendo a Nova Economia.

Tornar-se um apoio para o CASSE (Centro para o avanço da economia em equilíbrio) no Rio de Janeiro foi outro acontecimento importante no período. A partir daí seguiu-se a preparação, divulgação e coleta de assinaturas para versão brasileira de sua declaração de princípios e a troca de ideias com colaboradores do centro. 

Bem, vamos em frente. A causa vale a pena.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Em destaque

  1. Utilize a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Festa Junina' photo (c) 2008, Daniel Jaeger - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Inicio hoje uma nova seção, “Em destaque”, na forma de um post com notícias ou textos recém divulgados no site “notícias” sempre que ache que devam ter um destaque especial, com comentário e link para cada item. Isto, além do post semanal, à exceção deste. Caso você deseje receber um e-mail sempre que um novo “Em destaque” for publicado basta fornecer seu endereço na opção à direita.

Gostaria de contar com a sua contribuição, leitor, informando via “central de comentários” notícias e textos recém divulgados, que tenham relação com a Nova Economia e que lhes pareça mereçam ser divulgados e/ou ressaltados. Aproveito para lembrar que este blog está disponível para a publicação de posts de terceiros, como aliás já ocorreu.

Adio portanto por uma semana a explicação da recente reorganização do conteúdo do blog em três tópicos principais, e sub tópicos.

Vamos aos destaques de hoje:

1) O poeta Marco Lucchesi escreve uma belíssima carta a um poeta turco, “Do Mediterrâneo vieste…“, sobre falências e convulsões que agitam o berço do ocidente e do capitalismo.

2) “O ajuste vai ser pela deflação“, artigo de Carlos Thadeu publicado no último sábado (24 de setembro) permite, a meu ver, uma precisa compreensão da conjuntura econômica mundial.

3) A jornalista Deborah Berlinck teve publicada no último domingo uma importante matéria: “Nas barricadas da indignação” com o perfil de Stéphane Hessel, inspirador do movimento dos indignados que ganha força especialmente na Espanha.

4) “Compradores de tempo” é um artigo escrito pelo professor Cristovam Buarque que consegue de forma muito feliz mostrar que os atuais tomadores de decisão estão apenas tentando “empurrar com a barriga” os problemas. E o faz com argumentos bastante pertinentes ao conceito de uma Nova Economia. Aproveito para destacar um artigo anterior do autor, “Quase 200 anos“, descrevendo encontro recente com Stéphane Hessel (objeto da notícia anterior) e Edgar Morin, e um outro, “Economia colorida“, também muito pertinente às questões da Nova Economia.

Bem, espero que esta nova seção agrade.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Pobreza Extrema: apenas uma questão de renda?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Niños de mi almaphoto © 2008 Mario Torres Montoya | more info (via: Wylio)

Vejam só um exemplo das limitações da democracia representativa salientadas no último post num tema particularmente importante para a Nova Economia, pois o bem estar, seu objetivo central, somente poderá existir se, entre outras condições, não existirem pessoas vivendo em condições indignas.

No artigo “Metas antipobreza” publicado no jornal A Folha de São Paulo no último dia 8 o professor José Eli da Veiga esbraveja dizendo que “nada pode ser mais imoral do que ajeitar a linha de pobreza extrema especialmente talhada para tornar factível o mito de “erradicação” em poucos anos”.

Ele claramente refere-se ao plano do governo brasileiro “Brasil Sem Miséria” que define a pobreza extrema pela renda familiar per capita mensal de até R$ 70. Para o atual governo, os miseráveis seriam hoje um contingente de 16,2 milhões de pessoas, 8,6% da população, que, se alcançado o objetivo do plano, o deixariam de ser no horizonte da administração atual.

Corretamente, a meu ver, e apoiado em estudos e recomendações de medidas de erradicação da pobreza feitos pela União Europeia (“Estratégia de Lisboa”) e pelos EUA (“Supplemental Poverty Measure”), ele ressalta que a renda, no caso brasileiro, não é o fator mais importante, pois “quanto mais pobre é um país, mais” a “pobreza de condições de vida” supera em importância a tradicional “pobreza de renda” (ou “monetária”). Ao contrário do que ocorre com as nações mais avançadas.

Para tanto, diz que é preciso acrescentar que “é miserável qualquer família que viva em condições insalubres (seja qual for sua renda)”, tornando portanto a universalização do saneamento, um pré-requisito. Isto, sem falar no “acesso a outros bens públicos (principalmente educação e saúde)”.

Ora, mas o que espera ele de um governo que tem que apresentar resultados no curto prazo para sobreviver à eleições a cada 2 anos? O fato é que as políticas sociais, por conta disto, são limitadas, apesar de trazerem resultados e ajudarem a mudar a realidade do país, mas num ritmo lento.

Tanto é que a fome devia ser zero, virou Bolsa Família e continua existindo. Dados do IBGE indicam que existem hoje cerca de 44 milhões de pessoas que estão na pobreza absoluta (até 1/2 salário mínimo mensal per capita) e portanto sob permanente ameaça de não terem o necessário para alimentar-se.

 Faltam, portanto, pelo menos cerca de 28 milhões de pessoas no plano do governo, além das sem saneamento, educação e saúde. Ou, seguindo o raciocínio do José Eli, não seria miserável quem está em permanente ameaça de fome?

 É uma dura verdade, mas a realidade do sistema político contribui decisivamente para que este quadro de fome e pobreza extrema continue existindo e não consiga ser eliminado, já que, desconsideradas as sua demais mazelas, traz, inerentemente a ele, a impossibilidade de agir com objetivos estratégicos e o uso de expedientes táticos.

E, ainda, outras mazelas à parte (corrupção, gastos desordenados, e mais), a limitação da democracia por representação responde também pelo ranço burocrático, que pode facilmente ser percebido lendo-se o plano do governo, e por prioridades da economia desviadas dos interesses dos representados, ambos, agravando o problema.

Enfim, é tempo de ao invés de aceitarmos passivamente a frase de efeito do Churchill: “a democracia é o pior regime, exceto todos os outros” e que não qualifica o que seja democracia, considerar que é possível construirmos um regime democrático adequado, o que, aliás, é parte da proposta da Nova Economia.

 Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A democracia sobreviverá ao século 21?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Republico hoje, com a devida licença, artigo de 30 de maio último no Correio Brasiliense do professor Elimar Pinheiro do Nascimento, sociólogo e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Ao expor em detalhes a questão da viabilidade da democracia o artigo, acredito, traz uma imensa contribuição para a discussão do “como” fazer a transição para uma Nova Economia. Vamos a ele:

Elimar do Nascimento

A democracia é uma das mais belas invenções da sociedade moderna. Não é algo completamente novo, com suas raízes encravadas na Grécia Antiga, nem nasceu de repente, resultado de um longo processo social que ocorreu na Europa entre os séculos 18 e 20.

 A democracia transformou-se, juntamente com a produção capitalista, no projeto europeu da modernidade, que se disseminou no mundo de maneira desigual. O capitalismo vingou um pouco em toda parte, a democracia encontrou mais resistências. A novidade é que essas resistências parecem crescer hoje em dia. Esse foi um dos temas abordados pela Université Internationale d´Été, em evento que teve lugar em Poitiers, entre 27 e 30 de novembro de 2010, no Espace Mendès France, e que terá sequência agora em junho de 2011, em Dijon.

A grande pergunta que surgiu naquele seminário foi: a democracia conseguirá sobreviver ao século 21? Os cinco principais argumentos que fundamentam a pergunta e alimentam a desconfiança quanto a uma resposta positiva e inequívoca estão relacionados nos parágrafos seguintes.

Primeiro, a capacidade de representação e funcionalidade do espaço político democrático declina. As suas instituições e atores, como os partidos políticos e os governos, não são capazes de responder às demandas de seus povos. Aos poucos, as pessoas se afastam da política, não se reconhecem nos políticos e abominam os governantes. A apatia política se alastra na Europa e nas Américas. No Brasil por ocasião das eleições de 3 de outubro, metade da população declarou que vota apenas porque o voto é obrigatório.

Segundo argumento: diversos povos e culturas do Sul têm enormes dificuldades de se reger sob o regime democrático. O mundo islâmico parece-lhe impenetrável. Com algumas exceções, como a Índia e o Japão, a democracia é uma estranha na Ásia, e igualmente na África, onde ela morre e renasce constantemente. Tem dificuldades também de se consolidar no continente americano. A resistência advém, em geral, de traços culturais de povos nativos que compreendem os processos decisórios, de representação e participação, de maneira distinta.

Em terceiro lugar, há um claro deslocamento, nos países sob regime democrático, do processo decisório do espaço público para o espaço privado. Cada vez mais as verdadeiras decisões residem nas direções das empresas multinacionais que controlam governos, organismos multilaterais e a mídia. As ações no espaço público da política tornam-se cada vez mais ritualísticas, despidas de sentido e eficácia.

Quarto ponto: o espaço da política deixa gradativamente de ser o espaço originário das mudanças sociais. Todo o século 20 foi regido pelas mudanças provocadas pelo (e no) espaço da política, opondo-se ou afirmando a democracia, desde a revolução russa, passando pelo nazismo e a vitória dos aliados em 1945, até as independências africanas nos anos 1960. Esse período encerra-se em 1989 com a queda do muro de Berlim, último acontecimento político de monta do século 20. Desde então, é o espaço das inovações tecnológicas a origem das mudanças sociais — ele cria uma nova noção de tempo e espaço, introduz novos valores e desfaz antigos.

a crise ambiental suscita dúvidas sobre a capacidade de os regimes democráticos implantarem políticas consistentes para enfrentar os riscos das mudanças climáticas. Opinião de um número crescente de intelectuais, entre os quais Hans Jonas e David Shearman. A razão central parece residir no antagonismo entre a temporalidade da dinâmica política e da ambiental. Uma funciona com um parâmetro de meses e a outra de décadas. Uma asseguraria a liberdade e a outra a sobrevivência. Entre as duas opções parece não existir dúvidas quando, tornando-se excludentes, os homens tiverem que optar.

Esses processos, que ocorrem desigualmente nos diversos países, se articularão com força suficiente para extinguir a democracia? E o que poderá vir em seu lugar, caso isso ocorra?

Observo que tomei a liberdade de grifar alguns trechos do artigo.

Volto ao assunto em próximos posts comentando este duro e, me parece, excelente e original diagnóstico, explorando a possibilidade de uma evolução das práticas democráticas, quem sabe apoiada no mencionado “espaço das inovações tecnológicas”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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