Corrupção endêmica, estelionato eleitoral e aguda crise econômica – o que revelam?

“O estelionato eleitoral é mais uma face da falência do sistema de representação pelo voto no qual o representante nada tem a ver com o representado.”

Os acontecimentos em curso no Brasil, muito mais do que tomar partido por um grupo ou outro, leva-nos a constatar as profundas dificuldades por que passa o atual sistema econômico, político e social e ajudam a vislumbrar que para superá-las será preciso que uma nova ordem se imponha.

A corrupção endêmica carrega a marca do capitalismo que se auto proclama da livre inciativa mas que no mundo moderno mantêm suas margens de lucro através de monopólios, oligopólios e falsa competição. O estelionato eleitoral é mais uma face da falência do sistema de representação pelo voto no qual o representante nada tem a ver com o representado. E a crise econômica mostra ao mesmo tempo um estado que tudo quer fazer e pouco pode e uma realidade profunda a qual se tenta ver como passageira, mais um ciclo do sistema econômico.

Acesse aqui o post completo.

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Decrescimento – qual a consistência?

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'qual é a dúvida?' photo (c) 2007, Diego Dacal - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

O título deste post, peguei “emprestado” do trabalho “Décroissance: Qual a consistência?” de Elimar do Nascimento e Gisella Colares apresentado no VIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica em 2009, e que é uma excelente fonte para um aprofundamento das questões propostas pelo decrescimento, objeto do último post. Ele é a fonte também da citação e resumo transcritos no texto a seguir. Para uma visão geral do trabalho, veja os slides da apresentação feita no encontro.

O leitor encontrará também, no blog, 2 links de sites que se dedicam ao assunto e que contém excelentes informações, indicações de outros sites e bibliografia.

Dito isto, passo aos meus comentários sobre o assunto.

O mais importante é que o movimento pelo decrescimento tem uma abordagem de convivência e diálogo com as obras, autores e outros movimentos que tratam da mesma temática, e que não se vê como detentor exclusivo da visão crítica do papel do crescimento econômico. E isto é muito bom, pois é juntando forças, como diz bem Gus Speth (do Ambientalismo à Nova Economia) que os movimentos ambientalistas, por uma Nova Economia, por uma Economia em Equilíbrio, Decrescimento e outros similares poderão antecipar e viabilizar as mudanças e com isto abreviar o sofrimento, especialmente o das populações carentes.

Um segundo comentário é sobre o nome. Citando Serge Latouche: “…o decrescimento não é um conceito, no sentido tradicional do termo, e que não seria o caso de falar propriamente de “teoria do decrescimento” como os economistas souberam elaborar as teorias do crescimento. O decrescimento é simplesmente um slogan, lançado por aqueles que procedem a uma crítica radical do desenvolvimento a fim de quebrar a rigidez economicista e de desenhar um projeto de reserva para uma política de pós-desenvolvimento”. O termo decrescimento, parece-me pois, é usado para expressar o rompimento com a ideologia do crescimento econômico a qualquer custo.

 Finalmente, ressalto a quase completa afinidade do decrescimento com o movimento pela Nova Economia, o por uma Economia em Equilíbrio e outros. Basta comparar a proposta dos oito erres, de autoria de Latouche, apresentadas resumidamente a seguir, com a “declaração do CASSE” e o documento “The Great Transition” da nef:

“1. Reduzir o consumo em geral, e com isso a produção, afinal é possível viver melhor com menos, pois grande parte de nosso consumo é induzido e pouca relação tem com nossas mais profundas necessidades;

2. Reciclar os produtos existentes para dispensar a produção de novos, criando a cultura da conservação e do reaproveitamento ao invés do descarte;

3. Reutilizar o que já existe de forma inteligente economizando recursos naturais e energia;

4. Reavaliar os nossos consumos, os nossos hábitos, os nossos procedimentos que são na maioria das vezes degradadores da natureza;

5. Reconceituar a nossa vida, o nosso consumo, as nossas relações e vínculos sociais para uma direção mais saudável;

6. Reestruturar, ou seja, adaptar as estruturas econômicas e as instituições políticas e sociais aos novos objetivos de uma sociedade convivial;

7. Redistribuir melhor os bens existentes, incluindo a participação nos processos decisórios, portanto, uma redistribuição econômica, mas também política, cultura e social;

8. Relocalizar a produção, o trabalho, a moradia para que o “não transporte” possa ser disseminado, para que os transportes de mercadorias sejam reduzidos, assim como o de pessoas;”

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Decrescimento

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Na Europa, em especial na França e na Espanha, o movimento pelo “decrescimento” vem defendendo ideias que têm muita afinidade com as da Nova Economia. Por isto, convidei Edson Franco, economista e co-moderador da lista brasileira sobre o decrescimento para fazer uma apresentação do tema.

Edson Franco

O avanço da ciência e da técnica tem trazido benefícios para as populações, mas também vários problemas de ordem econômica, política, ambiental e social. O decrescimento é uma proposta para resolver esses problemas de forma profunda e eficaz.

O decrescimento é uma evolução conceitual do pensamento de críticos à modernização de nossas sociedades. Dentre muitos, vale destacar, já no início da década de 60, Ivan Illich (pensador austríaco) e Rachel Carson (bióloga estadunidense) que alertaram para os efeitos negativos da economia contemporânea, Ernst Schumacher, autor do livro “Small is beautiful” lançado em 1973 e Nicholas Georgescu Roegen, que em estudo de 1971 inovou ao utilizar as leis da termodinâmica para demonstrar a limitação do crescimento econômico.

A proposta formal do decrescimento econômico veio a ser lançada somente três décadas depois, mais precisamente em novembro de 2003, através do artigo “Pour une société de décroissance” no jornal “Le monde diplomatique” escrito por Serge Latouche. A ideia ganhou força e conta desde então com a contribuição teórica de Latouche e vários outros pensadores.

Bem a proposito, o simbolo do decrescimento é o caracol, adotando um exemplo trazido por Ivan Illich. O caracol constrói espirais cada vez maiores até bruscamente começar a fazer voltas cada vez menores. Se continuasse crescendo, em apenas uma volta sua concha seria 16 vezes maior inviabilizando sua existência.

'Caracol sobre hoja' photo (c) 2007, Enrique Dans - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É importante destacar que o decrescimento nada tem a ver com o conceito de desenvolvimento sustentável. O decrescimento alerta que não é possível um crescimento infinito num planeta finito. A escassez de recursos naturais e energia, entre outros, faz com que o paradigma do crescimento infinito tenha que ser superado com urgência. Por isso, defender o desenvolvimento sustentável é ludibriar-se.

Uma outra forma de abordar tal limitação ambiental é através da “pegada ecológica” que expressa a quantidade de terra e água necessária para sustentar uma determinada população tendo em vista todos os recursos materiais e energéticos gastos por essas mesma população. A pegada ecológica da humanidade alcançou tamanhos alarmantes. Segundo a WWF, o aumento do consumo dos países subdesenvolvidos, aos índices de consumo dos EUA, representaria a necessidade de outros 6 planetas Terra.

Isso aponta para mais um problema: a superpopulação. E, dados recentes divulgados pela ONU prevendo que a população total da terra em 2100 será de 10,1 bilhões de pessoas mostram que ficará ainda mais agudo. Falta de alimento, água e trabalho, e piora ainda maior na qualidade de vida, violência urbana e desigualdade social são algumas das consequências do quadro demográfico.

Para resolver estes e outros problemas, o decrescimento econômico propõe a diminuição das atividades econômicas: menos produção de bens comerciáveis, menos deslocamentos, menos quantidade de horas trabalhadas, menos poluição e desmatamento. O decrescimento enxerga no menos, o mais, e propõe que as pessoas retirem do seu imaginário o crescimento econômico como um valor inquestionável.

Bem, no próximo post apresentarei mais informações e comentários a respeito.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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