Crescimento desqualificado e exponencial – a marca comum das propostas do PT e do PMDB.

“… não estão nem um pouco preocupados em explicar como um padrão de consumo da classe média das economias desenvolvidas possa ser expandido para bilhões de pessoas sem explodir o planeta. Quem sabe, pensem apenas num jeitinho de incluir uma parte dos brasileiros nesta “boquinha” que aliás não é tão boa assim.”

É curioso, as recentes propostas do PT (O futuro está na retomada das mudanças) e do PMDB (uma ponte para o futuro) são conflitantes apenas na aparência e no jargão. No fundo ambas defendem o mesmo e “esquecem” o principal. Achei especialmente importante trazer isto à tona porque além de criarem uma esperança vã, tais propostas, com pequenas nuances, são a base do credo de todos os partidos existentes e dos que estão por se criar.

Acesse aqui o post completo.

Anúncios

Além da economia de mercado.

O socialismo fracassou e agora, vinte anos após a queda do muro de Berlim, assistimos à falência do capitalismo e de seu fundamentalismo de mercado.”

Vinte anos da queda do muro de Berlim.

O artigo do historiador britânico Eric Hobsbawn intitulado “Beyond the free market” ajuda, e muito, a caracterizar o que se entende por pós-capitalismo. Vamos a ele, traduzido para o português, e, bom proveito.

O breve século XX foi uma era de guerras religiosas entre ideologias seculares. Por razões mais históricas do que lógicas, o século passado foi dominado pela oposição entre dois tipos de economia mutuamente excludentes: o “socialismo”, identificado com as economias centralmente planejadas do tipo soviético, e o “capitalismo”, que cobriu todo o resto.

Esta aparente oposição radical entre um sistema que tentou eliminar a busca do lucro pela empresa privada (ou seja, o mercado) e outro que procurou eliminar qualquer restrição do setor público e outras sobre o mercado, nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar o público e o privado de variadas maneiras e intensidades e de fato o fazem.

Acesse aqui o post completo.

Por que uma sociedade pós-capitalista?

”Não se consegue nem imaginar este mar de gente consumindo no chamado padrão “desenvolvido”: automóvel, estradas e vias de circulação para veículos individuais, bens descartáveis, desperdício, educação e saúde privadas, casa própria, saneamento, segurança, energia abundante e barata, lazer, viagens, e mais, muito mais.”

Porque o sistema econômico atual não tem como oferecer uma resposta apta para as questões ambientais e sociais e com isto, ameaça, de morte, a civilização. Umbilicalmente atrelado ao lucro e tratando-o como o motivador principal da ação humana, é incapaz de dirigir suas ações priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e maior bem estar.

E porque, a necessidade de uma nova economia, decorrente do acima exposto, traz, por sua vez, invitáveis e profundos desdobramentos nas dimensões política, social e demais aspectos da vida humana, o que significa, portanto, uma nova forma de convivência entre as pessoas.

Acesse aqui o post completo.

A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

Acesse aqui o post completo.

Boletim quinzenal do NEWGroup – edição de 9 de maio de 2014

a nova economia, hoje                                                                              

É preciso sustar a crise climática e a desigualdade

Acesse aqui o post completo.

Jornada de Trabalho: redução de 50%. E agora, para onde é que eu vou?

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“O que se espera é a recuperação das montadoras para que continuem sua missão de entupir, mais e mais, as ruas das cidades e rodovias que as interligam.”

Jânio Quadros na ponte em Uruguaiana. Foto de Erno Schneider: Prêmio de Jornalismo de 1962.

Não é que neste 1º de maio o governo brasileiro anunciou uma medida radical de redução da jornada em 50%? É claro, não estamos ainda numa Nova Economia, muito ao contrário, mas a chamada flexibilização da jornada mostra com tremenda clareza as contradições com que se defrontam, não só o Brasil, mas todos os países.

É é por esta notícia que reinicio a publicação semanal de posts às 4as feiras, com uma série sobre a decisiva questão da jornada de trabalho, assunto pendente de detalhamento neste blog. Continua também a publicação em português do boletim quinzenal do NEWGroup (sempre numa 6as feira) e que permite ao leitor uma visão mais ampla do que vem ocorrendo nos EUA, em termos da luta por uma Nova Economia.

Antes de detalhar a notícia, cabe lembrar que as mudanças preconizadas pela nova economia só vão ocorrer a partir de movimentos desvinculados das instituições vigentes, especialmente, daquelas que abrigam pseudo representantes da população e que na verdade defendem interesses deles mesmos e dos que os financiaram e não dos que neles votaram, a menos de quando estão “de olho” em manter ou ampliar seu eleitorado.

Acesse aqui o post completo.

A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”. Immanuel Wallerestein.

A grande recessão recrudesce.

Algumas “pérolas” do pensamento da diretora gerente do FMI publicadas no último dia 10 em O Globo sob o título: Para FMI, países ricos devem levar adiante políticas monetárias expansionistas:

O crescimento mundial continuará fraco, o que torna necessária a continuidade da política monetária expansionista dos países ricos”.

A ferramenta implica em riscos para emergentes, como o Brasil, referentes à taxa de câmbio, ao fluxo de capitais, à formação de bolhas de ativos e crédito e à estabilidade dos sistemas financeiros”.

A maior preocupação é que, assim como tudo que sobe desce, tudo que entra sai. Uma reversão abrupta de grandes fluxos de capital pode levar junto as economias. Por ora, o risco está sob controle”.

Acesse aqui o post completo.

Consumo dos 99% cresce menos que 0,5% ao ano e assim continuará por várias décadas

“Na mitologia grega, a cornucópia era representada por um vaso em forma de chifre, com uma enorme abundância de frutas e flores transbordando em torno dele. Na era moderna, a Cornucópia é representada pela mistificação da racionalidade humana e da tecnologia”. José Eustáquio Alves.

'horn of plenty cornucopia' photo (c) 2008,license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Em destaque.

E não é que a ideologia do crescimento econômico começa a ser questionada na grande mídia? Por enquanto questionada sob o também correto ponto de vista de que a produtividade é declinante. Não aceita ainda a sua inviabilidade sob o ponto de vista ambiental, social e de bem estar. Mas é um marcante evento. Baseado num importante trabalho acadêmico de Robert J. Gordon “Is U.S. Economic Growth Over? Faltering Innovation Confronts the Six Headwinds”, o renomado colunista do Financial Times, Martin Wolf, publicou em 2 de outubro último o artigo “Acabou a era do crescimento?”, republicado no dia seguinte no jornal Valor Econômico, e no qual adere à tese do citado estudo.

Continue lendo »

Uma leitura crítica do artigo “Emergente tardio” de Cristóvão Buarque

“Emergimos em direção a um objetivo que não mais satisfaz. É como uma família plebeia que emergisse à nobreza na Rússia Czarista na véspera da revolução socialista”.

'Precipicio' photo (c) 2009, ramos alejandro - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Emergente tardio.

Um excelente artigo que faz pensar e por isto mesmo desperta a crítica. A tese central do “Emergente tardio” é a de que o foco no crescimento do PIB pelos países emergentes se dá no momento em que o desafio é justamente superar o PIB como orientador da atividade econômica. E, no caso particular do Brasil, este tem uma tradição histórica de buscar objetivos ultrapassados.

Além de concordar com a tese, lembrei-me imediatamente da política nacional de informática que começou corretamente com o BNDE (na época) apoiando, a partir de meados da década de 60, centros de excelência em universidades brasileiras. A partir daí suas propostas ficaram sempre um passo atrás. Na época que os microcomputadores eram o caminho óbvio, financiou-se e privilegiou-se a fabricação nacional de minicomputadores. Um novo passo atrás deu-se quando a ligação em rede era o caminho e optou-se pela produção de microcomputadores. E seguiu nesta toada. Quando apostar em software era evidente, manteve-se a prioridade no hardware. E quando a informação mostrava-se ser o elemento critico, foi a vez da opção pelo software nacional. Depois disto, sumiu do mapa.

Ih!, acabo de ler que ressurgiu. Mais 500 milhões vão para o TI maior, novo “programa estratégico de software e serviços de tecnologia de informação”. É claro, “esqueceram” do software livre, os governos continuarão comprando softwares proprietários, a internet 2.0 continuará voltada para setores “prioritários” em geral do próprio governo, a criação multi-mídia, a comunicação e a interação de “muitos com públicos específicos”, possível novo paradigma que já se vislumbra, e o uso dos canais digitais, ainda sob domínio dos antigos detentores do espaço analógico, para a difusão da banda larga de verdade e de baixo custo continuarão a não merecer consideração, mantendo assim a tradição do “sempre um passo atrás”.

Bem, voltando ao artigo, ao lê-lo, constatei algumas incongruências que acho importante mencionar.

De início cita que “o mundo desenvolvido tem por base quatro grandes princípios: a Democracia Política, o Crescimento Econômico, o Bem-Estar Social e a Inovação Técnica”. Será? A democracia política via representação mostrou-se incapaz de promover os reais interesses dos representados. E, o bem estar social não é algo que esteja disseminado nos países desenvolvidos. Resta, sim, o crescimento econômico, com a inovação técnica a reboque e o voto e a seguridade social no papel de atenuador de tensões.

Continua dizendo que este países estão mudando devido a “…quatro novos fatores: os limites ecológicos ao crescimento, a mega concentração de renda, uma revolução científica e o descolamento do setor financeiro em relação tanto à realidade econômica quanto às fronteiras nacionais”. Os fatores, é verdade, existem, mas não há sinais de mudança.

Reforça o argumento dizendo que “daqui em diante, os países do Primeiro Mundo, países ricos, estão sendo obrigados a fazer escolhas entre continuar o crescimento econômico em direção a uma grave crise ecológica; restringir os benefícios sociais em direção ao equilíbrio fiscal; equilibrar suas economias nacionais em um mundo integrado; ajustar seus empregos aos tempos da nova ciência e tecnologia; dominar a mega concentração de renda sem ferir a democracia; cumprir compromissos presidenciais com uma população que vive mais anos”. Não, a escolha deles já está feita, e é pelo crescimento econômico a despeito das evidencias de consequências nefastas.

O artigo termina dizendo que “…o mundo evolui para mais tempo livre, maior produção cultural, melhor distribuição e mais qualidade nos serviços públicos, respeitando o meio ambiente; mais atenção à saúde pública, aos idosos e às crianças; revolução no atendimento universal e no conceito de educação por toda a vida; preocupação com o bem-estar e até com a felicidade…”. Não, não é verdade a despeito do desejo de muitos, mas que estão completamente à margem dos centros de decisão.

O fato é que emergentes, subdesenvolvidos e desenvolvidos estão juntos privilegiando o PIB, num salto para o inviável. E, não parece nem um pouco razoável que os emergentes e subdesenvolvidos possam provocar a mudança de caminho.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

As perguntas existenciais do mineiro: quécosô?, oncotô? e proncovô?

Uma das maiores trapaças da tecnologia moderna está na política da obsolescência planejada, ou seja, no envelhecimento premeditado dos objetos, com as mudanças desnecessárias de modelo ou “styling” (este anglicismo já é para enganar), e com peças calculadas para não durarem, ou sistemas que não permitem reparação. O auge desta trapaça está no objeto de um só uso.” José A. Lutzenberger.

Recebi de Dan Moche um excelente comentário ao último post. Com a devida autorização, selecionei trechos, incluindo a citação acima, para apresentá-lo em num post. A versão completa pode ser vista em “comentário de Dan Moche”. Vamos ao post:

Parque Nacional Grande Sertão – Veredas

Post escrito por Dan Moche Schneider:

Um amigo meu lá de Minas, véio Cássio, lixólogo de longuíssima data, foi quem me ensinou que as perguntas existenciais do mineiro: “quécosô?, oncotô? e proncovô?” podem ser úteis não somente para o autoconhecimento mas pra entender muitas situações.

Quécosô?

Já me perguntei muitas vezes; e sempre tive respostas diferentes. O mundo muda a gente muda, de onde concluo que sou mudança, viajante, filho dessa espaçonave Terra, tão extraordinariamente criada, que mantém a vida a bordo em regeneração, a despeito da entropia, graças à energia que obtemos da nave mãe – o Sol , que seguimos por espaços nunca dantes navegados.

Sou imaginação. A imaginação não é um detalhe de nossas vidas, é a própria essência do que somos. Somos co-criadores da nossa realidade. Mas sobre todas as crises, a crise da imaginação é a pior. Qual realidade precisa ser criada? Fecho os olhos, imagino e sinto: a ética controla a técnica; a dança substituiu o ritmo do capital; o antagonismo e controle foram substituídos pelo cuidado entre os homens e deles com a natureza. A economia passou a servir o ser humano. Os objetos já são produzidos para durar e serem compartilhados por todos. Já não um mundo de consumidores, mas de seres criativos, livres e cuidadosos. Um mundo com menos lixo.

Oncotamos?

Estamos numa nave em crise, provocada por modos de produção e consumo que desregulam os sistemas de regeneração da vida a bordo, e cujos timoneiros são incapazes de medidas arrojadas para alterar o curso do desastre. Os sistemas de regeneração de vida da nave, que criam, purificam e reintegram resíduos em ritmo natural, já não acolhem, pelo ritmo industrial em que são produzidos, tantos e tão diferentes tipos de resíduos.

Energia e recursos naturais são crescentemente demandados para a produção de objetos projetados para serem inviabilizados em seu uso prolongado . Pela necessidade de consumo dos objetos produzidos, desenvolveu-se também um complexo sistema de produção de consumidores para os objetos, pela colonização da imaginação. As desigualdades entre os tripulantes da espaçonave se acentuam e, pela primeira vez, a massa de passageiros não é mais necessária para manter o padrão de vida da primeira classe. Nesse sistema, o que, para que e com que consequências se produz, no fundo não interessa.

Proncovamos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, com a Lei Nacional de Saneamento Básico e a Lei de Consórcios Públicos constituem um marco na história recente das políticas ambientais e de saneamento brasileiro e passaram a nortear todas as ações de gestão e manejo de resíduos sólidos.

Depois de mais de vinte de anos de luta por esse marco regulatório, cuja implantação tem pela frente antigas mazelas e novos desafios, vamos proteger a saúde pública e o meio ambiente, segundo a PNRS, pela gestão e gerenciamento de resíduos sólidos:

“Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”.

A PNRS não indica, no entanto, como isso pode ser alcançado. Os desafios portanto permanecem:

– Como proibir a produção de objetos que não possam ser reutilizados ou reciclados?
– Como aumentar significativamente o prazo de garantia sobre objetos produzidos?
– Como estabelecer limites à produção e ao consumo, sobretudo das elites planetárias?
– Para onde direcionar o crescimento econômico nas regiões que ainda não atingiram condições mínimas?

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil

Os produtos, hoje, são projetados e construídos para deixarem de funcionar e com isto forçar sua substituição periódica, e quando não, o são já com novos modelos em vista, sem alterar as suas funcionalidades, e que por meio de marketing agressivo são “empurrados” para o consumidor. Tudo em nome de vendas incessantes e crescentes.

Feito para quebrar, velho por imposição.

Recebi do leitor Paulo Garcia um excelente vídeo sobre a pratica generalizada de fabricar produtos que durem muito menos do que poderiam. O vídeo é relativamente longo, 52 minutos, mas vale a pena. O título do vídeo “obsolescência programada” indica na verdade duas possibilidades principais. Uma, a do feito para quebrar. Lâmpadas, por exemplo, que duram 1.000 horas e poderiam ter vida útil quase que interminável. O vídeo mostra, aliás, uma festa de aniversário dos 100 anos de vida de uma lâmpada. Produtos descartáveis que não precisariam o ser, é um outro bom exemplo. O vídeo mostra o caso de uma impressora que tem embutido um chip que limita o número máximo de impressões.

A outra pratica, a do velho por imposição, talvez um pouco menos criminosa que a anterior, mas muito mais danosa, consiste na “imposição” de modelos novos fazendo com que o consumidor se sinta “obrigado” a trocar, acrescentar ou jogar fora um produto para ter a versão mais recente. E para isto o “marketing” tem um papel decisivo. O automóvel é talvez o exemplo mais marcante. Ano após ano vai aumentando a pressão “psicológica” em cima do consumidor para trocar o seu veículo visivelmente “velho” por um novo com a mesma funcionalidade.

Curiosamente, o vídeo é muito bom na parte factual, mas as conclusões tem pouco embasamento nos fatos que mostra. Tende a concluir que a prática mostra que é preciso diminuir, reduzir, encolher, decrescer, enfim, já que o mundo não é capaz de suportar o crescimento infinito.

Peca pela lógica, neste caso. Ora, se os produtos podem ser fabricados com vida útil de outra ordem de grandeza que os atuais, isto quer dizer, sim, que pode-se atender as necessidades de muito mais gente com a mesma base instalada. Isto, combinado com práticas de consumo mais saudáveis e um desenvolvimento material que não transgrida as barreiras ambientais, pode permitir que uma população estável venha a ter uma vida plena, saudável e com acesso a tudo de bom que a civilização criou até aqui, e virá a criar.

É óbvio que este mundo imaginado contempla práticas que se chocam com os interesses das empresas como existem hoje. Transporte público ao invés de automóveis, prevenção e saneamento em lugar de mais hospitais e assim por diante. Mas isto já é assunto para outro post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O que fazer

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 30 de maio de 2012):

Continuo hoje com a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando do que fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

É claro que o aumento na frequência e intensidade das catástrofes naturais devidas ao aquecimento global, o acirramento das tensões sociais e ambientais decorrentes da incorporação constante de pessoas aos padrões vigentes de consumo e do aumento populacional oriundo dos países mais pobres e a crescente percepção de que um maior bem estar já é possível e desejável, são tremendos impulsionadores para uma Nova Economia. Ocorre, que os que têm interesses contrários já estabelecidos, se não enfrentados, retardarão ao máximo a mudança, tornando-a mais danosa e dramática, se é que não nos levarão a um ponto sem retorno em termos de preservação da civilização.

Assim, é central se contrapor ao status quo e convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes.

Evidentemente, inúmeras possibilidades surgem à mente. Estabilização da população, mudança da mentalidade consumista, substituição das fontes de energia fóssil, são alguns exemplos. Mas, é preciso selecionar, dentre elas, aquelas que tenham o maior potencial de irradiar a mudança, o que por sua vez permite, o que é decisivo, focar a ação.

Quatro questões me parecem constituir este grupo: restringir os impactos sociais e ambientais negativos oriundos da produção e consumo de bens, reduzir a jornada de trabalho, romper com a teoria econômica ortodoxa e viabilizar decisões mandatórias globais.

Em relação aos impactos negativos, o uso de recursos naturais, em particular o que causa poluição atmosférica, emissão de carbono, depleção dos recursos hídricos e de cardumes, degradação do solo, desflorestamento e o esgotamento de fontes não renováveis, vem intuitivamente à mente, como exigindo uma compensação de forma a evitar ou se, inviável, limitar o dano.

Estes e outros impactos sociais e ambientais negativos são de complexa e difícil medição, tornando vulnerável qualquer uma das formas que têm sido aventadas para restringi-los. Mas, fato é, que a dificuldade não impede que sejam considerados.

É uma medida que dirige claramente a atividade produtiva no sentido dos interesses maiores da humanidade, principalmente em termos de proteção ambiental e da redução e redirecionamento do consumo.

A forma que parece, em geral, a mais adequada é a de quantificar e incluir os impactos quando do estabelecimento dos custos dos produtos, serviços e investimentos. O que, em outras palavras, significa passar a considerar no custo o que os economistas tradicionais chamam de externalidades, forma confortável de definir privilégios, passando a internalizá-las.

Este aspecto, aliás, tem sido objeto de especial atenção de Herman Dale. Um recente post “Quanto pior, melhor” faz referência a isto e detalha um pouco mais o assunto, que será ainda objeto de um novo, específico.

O mecanismo para a inclusão dos custos dos impactos negativos que, parece, vai se impor é o da taxação. Em especial, a do carbono, que consiste em uma taxa coletada pela coletividade e que incide na produção e importação de combustíveis fósseis. O Centro pela Taxação do Carbono (Carbon Tax Center) é uma ótima referência sobre o assunto.

Até do ponto de vista econômico tradicional a taxação pode ter um resultado positivo, pois, além dos benefícios da redução dos impactos é de se esperar a redistribuição social da taxa coletada. Evidentemente que a transição para este novo cenário não é simples, fazendo com que a taxa deva ser ajustada paulatinamente, enquanto a economia se reorganiza.

Parte 2.

 A segunda questão, a da redução da jornada de trabalho, é tão ou mais importante que a primeira. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

Do ponto de vista econômico a redução tende, mas não necessariamente, a valorizar a mão de obra e ser mais um fator de redistribuição de renda e realinhamento da produção de bens e serviços.

As objeções à redução são inúmeras. Parece até que a jornada é algo imutável e resultado de uma constante mágica da natureza. Pretendo analisar isto em detalhe em um post específico.

Bem, ao colocar na mesa as duas questões anteriores, está-se necessariamente rompendo com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, esta é a terceira grande questão.

Passa-se a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses e que a via indireta, descrita no post anterior, deve ser contida. Não é mais possível contar com a “lógica” da livre ação dos mercados para resolver os impasses sociais e ambientais da nossa época.

É interessante observar que faz parte da teoria dominante afirmar que o sistema econômico é na verdade um mecanismo onde a liberdade de iniciativa permite que os empreendimentos floresçam e que portanto não deve ser dirigido nesta ou naquela direção. Fazê-lo, caracterizaria o dirigismo estatal. Os mais radicais, dizem que significa adotar o socialismo. Será mesmo?

As recentes medidas tomadas pelo FED, em particular, mostram que nada está mais longe da verdade. Romperam com todas as regras, protegeram bancos e grandes grupos, inundaram o mundo com dólares aproveitando-se do fato de ser aquela a moeda de referência, tudo em nome da sobrevivência e estabilidade da economia, o que na visão deles significa dizer, primado do crescimento econômico como guia da evolução da atividade produtiva.

Quer dizer, dirigismo para orientar na direção do crescimento econômico, pode. Já, ações na direção dos reais interesses da humanidade, não. São puro socialismo.

A verdade, no entanto, é que nada impede, além do preconceito e de interesses menores, que se substitua a inflação e o crescimento pela taxação e a jornada de trabalho como elementos básicos a orientar a atividade produtiva, subordinando o lucro aos objetivos de aumento do bem estar, preservação ambiental e redução das desigualdades.

Finalmente, é interessante, e dramático, observar que, idealmente, as duas primeiras questões devem, em suas formas mais incisivas, serem implementadas globalmente sob pena, em geral, dos países que o fizerem independentemente perderem competitividade. Daí a última e importante questão, o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Por que é necessária

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Daikokuten at Shinagawa Shrine' photo (c) 2004, Stéfan - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Daikokuten, deus da riqueza

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 16 de maio de 2012):

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog.

Convém lembrar, antes de mais nada, que esta caracterização está alinhada com a do movimento que nasceu na Inglaterra em 1983 e que é representado hoje por uma ampla rede de organizações de pesquisa e de ação, dentre elas a nef e a NEI, cujos sites podem ser acessados através da seção “links de referência” à esquerda da página principal.

Num primeiro post sobre o assunto, “Por que, o que, como?“, procurei mostrar que é preciso saber com clareza e precisão o “por que” uma Nova Economia é necessária. Sem, isto, o movimento fica à deriva. É necessário também ser objetivo e seletivo no o “que é” preciso fazer, evitando a dispersão de esforços e aprofundando o debate em torno de alguns poucos pontos que tenham o necessário poder mobilizador. Mas, conceber uma Nova Economia é relativamente fácil. O difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Para tanto é preciso saber o “como” deve ser feita a transição para uma Nova Economia. Em outras palavras, quais as formas de mobilização que levarão ao sucesso do movimento.

No post de hoje, entro em mais detalhe em relação ao primeiro ponto.

A Nova Economia redireciona a atividade produtiva de forma a privilegiar diretamente e ao mesmo tempo a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar do ser humano.

Estes três objetivos foram abordados em muitos dos posts já publicados e que podem ser acessados optando pelo item correspondente na seção “Tópicos” à esquerda da página principal. Como visto, a mudança é necessária e decisiva para a própria sobrevivência de nossa civilização. Além disto, os dois primeiros objetivos são perfeitamente factíveis, já que a atual capacidade produtiva da humanidade os permitem. O último, o bem estar, concorre decisivamente e ao mesmo tempo decorre dos primeiros.

Acho interessante portanto, agora, tratar das principais dúvidas que vêm à mente quando se trata do assunto. Creio que elas são:

  • Mas, não é com crescimento econômico que se alcançam tais objetivos?
  • Não é a proposta de tal modo assustadora que impeça que seja sequer considerada?
  • Na prática, uma Nova Economia não significa o fim do capitalismo?

De fato, desde a 1ª revolução industrial, há mais de 300 anos, vem se consolidando a crença da importância do crescimento econômico. Inicialmente, a ampliação dos mercados e dos produtos e serviços consumidos foi naturalmente vista como a forma de dar vazão ao impeto dos empreendedores e à vontade dos que tinham capital de criar novos negócios e expandir os existentes. No início do século passado em resposta às crises, à luta trabalhista e aos levantes socialistas, foi-se também, principalmente no ocidente, associando ao crescimento econômico a ideia de que é ele que permite o progresso da civilização, e que ele só é plenamente atingido quando há liberdade de mercado e de iniciativa.

É a via indireta. Nesta ótica, as empresas precisam ter lucro para que possam investir e ampliar seus negócios e com isto gerar mais empregos. Ampliam-se em consequência os mercados, diminuí a desigualdade social e melhora o bem estar da população.

Parte 2:

Mesmo no campo socialista, que ganhou força a partir do final da 1ª guerra mundial e e ruiu na década de 90, o crescimento econômico, numa versão sem a liberdade de iniciativa, definiu o rumo das ações, principalmente relacionadas às chamadas indústrias de base indispensáveis para a sua defesa militar.

Até meados do século passado, tanto no mundo capitalista quando socialista, a ideologia do crescimento econômico reinou sem questionamentos e com bastante razão já que, além das necessidades bélicas, os demais bens materiais e serviços eram e continuam escassos em muitos países.

Aos poucos, o crescimento exponencial começou a ser questionado e, como mostrado em diversos posts, é hoje inviável tanto social quanto ambientalmente, sendo necessário que ao invés de esperar que o crescimento econômico traga os benefícios desejados, a humanidade passe a pensar e agir para conquistar aqueles benefícios diretamente, colocando, produção, consumo e investimento a seu serviço.

Restringir o crescimento gera, no entanto uma imensa reação, já que sua limitação acarreta queda na lucratividade das empresas e, como dito anteriormente, o lucro é que é o real motivador da chamada iniciativa privada.

E provoca também um imenso receio de depressão econômica e com ela a drástica queda no nível de emprego, a falta de bens materiais e de serviços para a população e a convulsão social.

Fica-se, entre a “cruz e caldeirinha”. De um lado a pressão dos grupos desfavorecidos, o risco de colapso ambiental e a evidência de que maior bem estar já é possível para todos e de outro o espectro da depressão e tudo de ruim que ela traz.

Mas é um falso dilema, pois o quadro de depressão somente ocorre num cenário onde o crescimento econômico comanda as ações. No outro, onde a capacidade produtiva é posta a serviço da humanidade a ameaça se dissolve. Os próximos dois posts mostrarão isto ao detalharem o que fazer e como chegar à Nova Economia.

E não se trata do fim do capitalismo. Não há uma mudança inevitável no sistema econômico. É claro que sem crescimento econômico as taxas de acumulação e de lucro declinam continuamente. Mas, permanece o espaço para a livre iniciativa atuar, provavelmente com uma tendência declinante pelo atrativo de outras formas de atuação. Novos tempos, novas práticas, novos indicadores e taxas decrescentes.

É que, à medida que a mudança se afirma, é maior o tempo livre das pessoas, levando a que, além de mais lazer, o trabalho não remunerado e altruísta ganhe força e prestígio por ser o canal natural para o ser humano satisfazer sua necessidade de ser produtivo e útil. Neste ponto vale a pena recorrer à “História da Riqueza do Homem” de Leo Huberman que mostra que diferentes sistemas produtivos conviveram e evoluíram ao mesmo tempo. O exemplo mais notável é o do capitalismo que nasceu de dentro do feudalismo. Traços deste último, aliás, perduram até hoje.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Serviços, imaterial?

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Fantasmas' photo (c) 2008, Santiago Rodríguez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Já de volta de viagem de férias, completo hoje a abordagem do setor de serviços sob a ótica de sua contribuição para a redução relativa no uso de recursos materiais.

Acredito que ficou claramente demonstrado no último post, com base no detalhamento do PIB divulgado pelo IBGE, que o chamado setor de serviços é dominante. Mas, detalhando o setor em serviços por atividade no Brasil, também segundo o IBGE, para o ano de 2009 (em milhões de reais), vê-se que pela definição do que seja serviços, este está longe de ser imaterial.

Observo, que há uma diferença de R$ 10 bilhões entre o total dos serviços da tabela abaixo (R$ 1.887.448.000) e o da tabela do post anterior, ambas produzidas pelo IBGE, que, embora não distorça a análise, é um pouco preocupante.

Bem, vamos ao detalhamento dos serviços:

0601 Comércio 349.061 18%
0701 Transporte, armazenagem e correio 134.232 7%
0801 Serviços de informação 99.741 5%
0901 Intermediação financeira, seguros, 202.216 11%
previdência complementar e serviços relacionados
1001 Atividades imobiliárias e aluguéis 233.757 12%
1101 Serviços de manutenção e reparação 2 9.076 2%
1102 Serviços de alojamento e alimentação 54.407 3%
1103 Serviços prestados às empresas 139.004 7%
1104 Educação mercantil 32.544 2%
1105 Saúde mercantil 55.017 3%
1106 Serviços prestados às famílias e associativas 64.266 3%
1107 Serviços domésticos 37.701 2%
1201 Educação pública 112.042 6%
1202 Saúde pública 5 8.621 3%
1203 Administração pública e seguridade social 285.763 15%

Pelo quadro comprova-se que o comércio é o carro-chefe do setor. Mas, é uma atividade que existe tão simplesmente porque é o veículo para escoar a produção agrícola e industrial. A segunda atividade mais representativa é a administração pública. Esta, além de depender das demais para se financiar, envolve, em boa parte, a contratação ou execução direta de atividades que nada tem a ver com a prestação de serviços.

As seguintes, em termos e representatividade, não deixam por menos. As atividades imobiliárias dependem essencialmente da construção civil. A intermediação financeira faz sentido quando apoia o consumo e o investimento. Os transportes, conduzem bens físicos e pessoas e são os maiores responsáveis pelo uso de energia. Mesmo educação, saúde e segurança são atividades altamente dependentes de bens físicos.

Na verdade, não há erro na definição que é adotada na contabilidade dos países, mas, sim, uma indução ao engano, já que a definição de serviços pouco tem a ver com atividades em que predomine a prestação de serviços e onde o suporte material seja secundário.

Mesmo no caso de serviços especializados, isto é verdade. O serviço de um engenheiro, por exemplo, ao elaborar um projeto, pode ou não ser considerado uma atividade que cria um bem imaterial. Se ele tiver algum vínculo, além do objeto específico do serviço, com o contratante, sua atividade é parte do resultado produzido pelo contratante.

É claro que interessa a qualquer país ter uma prestação de serviços independente, capaz e forte, pois gera empregos de qualidade. Projetistas, calculistas, cirurgiões, consultores são alguns exemplos deste tipo de atividade. Mas, o impacto de um imaginado setor de prestação de serviços, de qualquer forma, é muito pequeno frente aos demais e não altera o quadro.

É ilusório, portanto, supor que o chamado setor de serviços possa representar o desacoplamento da base material, o que, aliás, era de se esperar. Aventar uma sociedade virtual, como diz o Goodall, só mesmo com um ser humano também imaginário, o que pode ser o caso se continuarmos neste caminho desvairado.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Serviços, última esperança?

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'call center' photo (c) 2006, Vitor Lima - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É possível que o setor de serviços demande, relativamente aos demais, menos bens físicos e, por ter participação crescente na economia, ser a razão para que o crescimento exponencial possa continuar sem aumento da base material?

A resposta é, claramente, não. O setor é uma extensão da atividade agrícola ou industrial (comércio, transportes, etc.) ou depende fortemente de produtos para que o serviço possa ser prestado (saúde, informação, etc.). E, no caso da administração pública, além desta depender das demais para se financiar, envolve, em boa parte, a contratação ou execução direta de atividades que nada tem a ver com a prestação de serviços.

Não resta dúvida que o setor, na forma como é definido, é o mais importante, pois tem uma dimensão maior do que a dos demais, juntos. No caso brasileiro, O PIB, segundo o IBGE, teve a seguinte composição, tanto por classe de atividade quanto pela ótica da despesa, em valores correntes (milhões de reais):

2009
2010
Agropecuária 166.705 180.831
Indústria 696.611 841.024
Serviços 1.877.417 2.113.788
Valor adicionado a preços básicos 2.740.733 3.135.643
Impostos sobre produtos 444.392 539.321
PIB a preços de mercado 3.185.125
3.674.964
Despesas de consumo das famílias 1.966.492 2.226.056
Despesas de consumo do governo 694.597 778.013
Formação bruta de capital fixo 539.757 677.862
Exportação de bens e serviços 354.235 409.868
Importação de bens e serviços 356.015 446.386
Variação de estoque -13.941 29.551

Realmente, os números comprovam o que foi dito. Os serviços representaram em 2010, 58% do total. O mesmo ocorre nas principais economias. O artigo Don’t Be Afraid of the Service Sector publicado pelo International Economic Bulletin por Uri Dadush e Zaahira Wyne em 10 de novembro último, ilustra bem este fato: “Nos países desenvolvidos o setor de serviços respondeu por 90% do crescimento do PIB entre 1985 e 2005. Em 1991, os serviços constituíram 2/3 do PIB, saltando para 3/4 em 2008. O setor de serviços respondeu por todo o crescimento no número de empregos. Em 2008 o setor empregava 72% da força de trabalho, 10% a mais do que em 1991″.

É bom lembrar que é baixa a qualidade dos empregos que o setor de serviços gera em grande quantidade. Dentre outros, os postos de atendentes nas áreas de saúde, comercial e de telemarketing são mal remunerados, estressantes e desestimulantes. Um excelente artigo no The Nation do último dia 27 de fevereiro “One mancession later, are women really victors in the new economy?” mostra como este fato é especialmente relevante nos EUA, onde boa parte destes novos postos são ocupados por mulheres o que as levou a ocupar, hoje, metade do mercado de trabalho daquele país.

O artigo salienta ainda que uma das consequências da maior participação das mulheres é que num cenário de alto desemprego, os homens são os mais atingidos por este. É este tipo degradado de posto de trabalho, aliás, que está evitando o aumento acentuado do desemprego naquele país e explica eventuais pequenas melhoras, aspecto que não aparece nas estatísticas. Cabe explicar que o termo “new economy” no artigo significa apenas a economia como ela é, hoje.

Mas, o principal é que, como foi dito anteriormente e que será detalhado no próximo post, o setor é totalmente dependente dos demais. Redefinido, retirando-se dele as atividades subordinadas aos demais, ele deixa de ter um papel relevante.

Basta ver o caso do comércio, seu carro-chefe. A atividade existe tão simplesmente porque é o veículo para escoar a produção agrícola e industrial. O que faz com que, sem sua base material, o comércio não faça o menor sentido, esvaziando, em relação a esta atividade em particular, qualquer ilusão de pico de recursos materiais.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Mais emissões significa…

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Air polution' photo (c) 2006, Konstantinos Mavroudis - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/Outro a contestar com veemência a tese do pico material é George Monbiot. O faz no post Is the ‘peak consumption’ hypothesis correct? publicado em 3 de novembro último em seu blog. Dentre os inúmeros argumentos destaco a pergunta que faz sobre a disparidade entre o uso de recursos e a emissão de gases de efeito estufa.

“Por que existe uma aguda disparidade entre o uso de recursos – incluindo a produção primária de energia – e a emissão de gases de efeito estufa? Enquanto a produção primária de energia atingiu seu pico em 2001, a emissão de gases de efeito estufa no Reino Unido cresceu ininterruptamente ao longo dos anos de “boom” da última década (2000 a 2006). E isto sem levar em conta as emissões de terceiros (geradas em outros países para produzir bens que nós consumimos). Tais emissões parecem anular todas as reduções materiais havidas no Reino Unido desde 1990 e que foram largamente o resultado da mudança de carvão por gás natural e do declínio da indústria manufatureira”.

Já Hugo Penteado, da lista “Decrescimento” lembra em e-mail que consumo menor por unidade de produto jamais interrompeu a pressão absoluta sobre os ecossistemas, porque a produção cresce exponencialmente.

E Philippe Lena, da mesma lista, comenta em e-mail um outro aspecto do artigo do Goodall, que transcrevo:

“O crescimento do PIB é perfeitamente compatível com um menor consumo energético e material numa sociedade onde crescem as desigualdades sociais. No caso da Inglaterra, o crescimento do PIB pré-crise era justamente devido, em grande parte, à financeirização da economia inglesa e mundial (primeira praça financeira mundial). O consumo de muitos encolheu. O que provocou as rebeliões urbanas às quais assistimos.

O próprio autor diz que pode haver um viés nesse sentido e também no fato de se tratar de séries muito curtas, pouca expressivas para se tirar conclusões precipitadas”.

E ainda: “Se a sociedade inglesa voltasse a ter o mesmo nível de “igualdade” que em 1970, com certeza o consumo material conheceria um aumento que corresponderia a toda a demanda reprimida. Essa recente diminuição da demanda não parece corresponder a uma orientação virtuosa mas sim a um arrocho salarial e ao desemprego. Sem mais estudos, esses dados parecem mostrar que sem uma maior igualdade e sem a escolha de outros rumos econômicos, qualquer diminuição do consumo material pode significar injustiça social”.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A “prima-dona” da economia

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio 1' photo (c) 2009, Milton Jung - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/A economia moderna gira, sem exagero, em torno do automóvel. Sua produção, os serviços que demanda, a infraestrutura que necessita e a energia que consome são o principal impulso da atividade produtiva. Não importa que mais carros entulhem ao absurdo as cidades, que o transporte rodoviário seja ineficiente, que a poluição que gera seja insuportável e que a garantia de seu suprimento energético tenha sido o principal objetivo das recentes guerras “antiterror”. O fato é que o PIB se “alimenta” do automóvel.

Repare leitor que no caso dos automóveis, utilitários, caminhões e ônibus o que mais importa, na avaliação dos efeitos nefastos, é a frota e não o aumento da produção anual. E o Reino Unido continua absorvendo, segundo o artigo Peak stuff: the data cerca de 2 milhões de carros por ano (2,5 milhões em 2007, antes da crise e em ascensão desde 2010), com consequente aumento constante da frota. O que é agravado pelo fato de que os carros duram mais, com a crise tendem a rodar por mais tempo e apesar de menores são mais pesados. O mesmo ocorre com os demais tipos de veículos mencionados.

Duas consequências deste fato saltam aos olhos imediatamente. Não faz o menor sentido falar em pico material enquanto a frota continua crescendo. E, ainda mais importante e dramático, é que enquanto o automóvel for a “prima dona” da economia, o modelo econômico não muda.

Aliás, nem queda do número de veículos novos é razoável esperar-se. No artigo Carros de sobra de Míriam Leitão publicado em O Globo em 20 de janeiro pode-se perceber que o setor fará de tudo para escoar sua produção potencial. A indústria mundial está ociosa em 20 milhões de veículos, cinco vezes mais que o mercado brasileiro que consumiu 3,7 milhões em 2011. A previsão é que este número aumente para 24 milhões em 2012 e que a capacidade produtiva chegue a 103 milhões de veículos.

Esta é alias uma das principais razões para suspeitar da chamada economia verde. Se as novas tecnologias forem destinadas, entre outros usos, à troca de motores a combustão por elétricos não estarão dando uma real contribuição para superar os agudos problemas que a inviável enfase no transporte individual, em detrimento do público, geram.

Bem, prosseguindo na questão do pico material, o próprio conceito de recurso material e sua medida precisam ser ser revistos. O peso é importante mas não decisivo para afirmar que seja possível crescimento sem aumento no uso de recursos. A quantidade é um indicador que tem que ser considerado também, e provavelmente, é tão importante quanto.

De fato, a tendência à miniaturização e diminuição do peso de uma parte dos produtos consumidos não significa que o uso de recursos naturais e intermediários seja menor. Eles vem em muitos casos de cadeias produtivas distintas com impactos diferentes na absorção de recursos e no meio ambiente, como os encanamentos prediais, por exemplo.

Em geral temos visto também o aumento na quantidade de itens consumidos resultado da redução nos custos, aprimoramento e criação de novos tipos de produtos e serviços. Computadores pessoais, notebooks, netbooks, tablets, celulares e os chamados “smart phones” são claros exemplos de expansão, aprimoramento e inovação.

Tal aumento na quantidade de itens consumidos, independentemente do peso, parece ser uma tendência inevitável gerada pela inovação tecnológica e a sofisticação dos hábitos das pessoas, o que leva à crescente diversificação dos bens que consomem. E não parece razoável atribuir isto ao consumismo ou pressão do marketing das empresas. Linhas inteiras de novos produtos são geradas a partir de novos conceitos, dos quais tiram partido as empresas. Um bom exemplo é o do crescente reconhecimento da importância do exercício físico. Academias, vestuários, calçados, alimentos, bebidas e outro produtos deste segmento passaram a ser indispensáveis.

Ainda em relação à questão do pico de recursos, Alan Boccatto, da lista “Decrescimento“, lembra que mesmo que houvesse redução no uso de recursos, o que não é o caso, estes em muitos casos são finitos e não renováveis no horizonte da civilização humana. Minérios, petróleo e atmosfera são bons exemplos.

Assim é, pois, que por mais que se queira, a tese da sustentabilidade já nasceu capenga. Tudo o que não é fluxo, como bens agropastoris, não é sustentável por definição, já que ocorre degradação contínua do estoque.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Guerra e P…IB

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Bombs Away - The bombing of Baghdad' photo (c) 2010, 4WardEver  Campaign UK - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Deixei de falar no post “Quanto pior, melhor” sobre dois outros absurdos do uso do PIB como indicador, propositalmente, para destacá-los agora.

Veja só. A guerra e a destruição, sofrimento e miséria que causa, do ponto de vista do PIB, são a glória. Produção acelerada, destruição do que é produzido e de seus alvos e a reconstrução do que foi destruído não poderiam encontrar melhor acolhida.

E o desperdício? Basta pensar o oposto. Diminuir o desperdício significa queda no PIB. Daí o horror ao uso racional e parcimonioso dos bens e serviços. E pensar que a usina de Belo Monte, por exemplo, poderia ser mais do que substituída pelo aumento da eficiência energética na geração, distribuição e consumo. O leitor encontrará no estudo elaborado, sob pressão, pelo próprio Ministério das Minas e Energia intitulado “Plano Nacional de Eficiência Energética” a informação de que é possível reduzir o gasto em pelo menos 10%. É claro, até o ano 2030, para não prejudicar os interesses vigentes.

Bem, vamos a outras contestações à tese do pico material. Tim Jackson, autor de “Prosperity without Growth – economics for a finite planet” apresenta em artigo no Guardian dede novembro último “Peak stuff’ message is cold comfort – we need to embrace green technology” 3 argumentos que indicam que as conclusões da pesquisa analisada no post “Pico de recursos materiais?” não são aceitáveis.

Apesar de ser confortável, diz Jackson, acreditar que nós estejamos nos livrando da avidez por coisas materiais, a análise histórica mostra que qualquer declínio no consumo material do Reino Unido é no máximo muito pequeno, uns poucos centésimos ao longo de uma década. Em muitos casos, tais números são menores do que a margem de erro estatístico de sua medida. E quando você considera o aumento na intensidade de carbono nos produtos importados de parceiros como a China, tais possíveis benefícios desaparecem de vez.

E continua. Existem outras razões para ser cético em relação à rósea mensagem do pico material. Muito do crescimento econômico do Reino Unido nos anos do “boom” ocorreu pela expansão do setor financeiro que foi ou ilusória em termos de crescimento real ou apenas resultado da apropriação da renda dos mercados de commodities. Em outras palavras, o crescimento foi não apenas ecologicamente insustentável mas, diretamente responsável pela própria crise, e, ainda por cima, nos deixou mal equipados em relação à própria sustentabilidade financeira. De uma forma ou de outra, a extração e uso de mais recursos do exterior é a base de nosso estilo de vida. O modelo da economia globalizada permanece inalterado.

Finalmente, diz que o impacto na economia global não pode ser contestado: a extração global de recursos materiais está aumentando inexoravelmente em quase todas as categorias. A construção de infraestrutura pode ter caído no Reino Unido, mas a produção mundial de cimento até o ano anterior ao do início da crise financeira foi 125% superior ao nível de 1990. A extração de minério de ferro, 100%. E a bauxita, cobre e níquel aumentaram mais de 70%. A emissão de carbono aumentou em mais de 40%. As únicas commodities que sofreram redução (como os fosfatos) foram as que se tornaram escassas.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Tribunal Hessel na Rio +20

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Bertrand Russel

Uma ideia que pode fazer com que uma esvaziada Rio +20 venha a ser, mesmo que indiretamente, um evento realmente transformador. Implementada, seria uma ação de grande repercussão e exemplar.

Trata-se de um tribunal para julgar os crimes contra a humanidade que vem sendo cometidos pelos bancos centrais e autoridades financeiras governamentais dos EUA, União Europeia, Reino Unido, França e Alemanha, desde o início da crise de 2007, que perdura. Sob a alegação de evitar uma crise sistêmica, tais entidades insistem no resgate de parte do sistema financeiro internacional, principal responsável pela própria crise. E além disto promovem, nas palavras do artigo referido a seguir, “um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente”.

Stéphane Hessel é o renomado autor do livro “indignai-vos” cuja mensagem sensibilizou milhões de pessoas e que levou, “principalmente os jovens, a ocupar em diversos cantos do mundo, praças e ruas”, reagindo à um modelo econômico que “destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos e os condena à uma vida sem futuro”.

A proposta é do professor Cristovam Buarque, amigo de Hessel, feita em artigo “De Russell a Hessel” e publicado em O Globo neste sábado. Ela surgiu de uma ideia similar, o Tribunal Russell, também conhecido como Tribunal Interacional de Crimes de Guerra e Tribunal Russel – Sartre, criado em Novembro de 1966, para julgar crimes da intervenção militar dos EUA no Vietnã. Nas palavras do professor:

“Bertrand Russell, Prêmio Nobel de Literatura em 1950, criou o tribunal para julgar os crimes no Vietnã, e, caminhando ao lado de jovens, despertou o mundo para a tragédia vietnamita. Seu tribunal não tinha qualquer poder legal, mas uma imensa força moral capaz de encurralar os dirigentes da grande potência americana, com seus aviões e bombas, mas sem uma base ética para a guerra”.

Convocado por Hessel e composto por ele e por outras pessoas de excepcional força moral de todo o mundo o tribunal poderia ser instalado na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental constituída por cerca de 150 entidades de 27 países para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência oficial.

Acredito que o objetivo central do tribunal deveria ser o de julgar a conivência e conluio das autoridades com o sistema financeiro, socorrendo-o e ignorando seus crimes, em detrimento dos interesses das populações dos países sobre os quais têm autoridade e responsabilidade. Sobre isto ressalto o artigo, objeto de notícia neste blog, com o irônico título “Grande passo à frente” publicado pelo EconoMonitor no último dia 3 e que mostra que o resgate de Wall Street pelo FED significou que mais de USD 30 trilhões foram para o capitalismo conspícuo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Em destaque

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Um dos pais do real diz que mundo não pode voltar a crescer porque atingiu limite do planeta.

O jornal O Globo desatinou? Os tucanos perderam o rumo?

O fato é que a inviabilidade do crescimento foi a razão de dois destaques na 1ª página do jornal “O Globo” do último domingo e de duas paginas no caderno de economia da mesma edição. As duas são correlatas: uma entrevista com Lara Resende e outra com o ambientalista inglês Paul Gilding que é a principal referência de recente artigo do primeiro.

Será que os acontecimentos estão precipitando-se? Não é a toa que 3 importantes organizações, Stakeholder Forum, nef e NEI, uniram-se em torno do movimento “Transição Global 2012” propondo-se a acelerar a mudança para uma Nova Economia e tendo como objetivo imediato ampliar a sua influência na Rio +20. A ver.

Bem, vamos a esta nova edição do “Em destaque”:

  1. Temos que rever o que consideramos progresso” é o título da matéria com a entrevista de Lara Resende, que aborda tanto a questão ambiental quanto a social e a do bem estar, apesar de um certo direcionamento do jornal para o primeiro aspecto.

  2. É o fim da economia como a conhecemos“, diz Paul Gilding, que prevê a eclosão do impasse ainda nesta década.

  3. Os novos limites do possível” é o título do excelente artigo de Lara Resende publicado no Valor Econômico em 20 de janeiro último.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

%d blogueiros gostam disto: