As melhores incubadoras de inovação estão nas favelas.

Vale a pena ler a entrevista do professor Kirk Bowman recém publicada e cujo título é o mesmo deste post.

Certamente, ao invés de incubadora seria melhor referir-se a semente já que não se tratam de empreendimentos nascentes mas sim de exemplos concretos em que os os próprios interessados partem para a ação, mas, o que não invalida o conteúdo da entrevista.

 Dentre outras passagens, vale a pena citar:

“A inovação que eu não conhecia até vir para o Brasil é esse processo local, que cria redes de pessoas, encontros, novas comunidades e que traz felicidade. Estamos interessados em inovação social, que usa novas configurações de comunidades bem-sucedidas e desenvolvimento global a nível local.”

 “O Brasil está acordando. Você não pode depender de políticos e grandes empresas para cuidar das pessoas. As pessoas devem criar as próprias soluções. E isso está sendo feito nas favelas. E muitas pessoas de classe média estão unindo esforços nessas comunidades por meio do voluntariado e de projetos.”

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Objeções a uma semana de trabalho de 21 horas.

Mais tempo livre permite ao ser humano ter uma vida mais plena dando vazão ao seu potencial criativo e atendendo aos seus e à sua comunidade.”

 

É claro que a reação à redução radical da jornada é enorme, certamente pela percepção dos que controlam e se beneficiam do sistema econômico vigente de que sua implementação força a mudança, desfavorável para eles, na direção de uma sociedade, como previu Keynes, com jornadas de 15 horas semanais e voltada para o bem estar.

Isto faz com que uma medida óbvia seja alvo de um sem número de objeções buscando impedi-la e com isto eliminar o risco de perdas. Mesmo sabendo disto e com a argumentação já apresentada nos posts anteriores, encerro esta série, rebatendo, a seguir, o que considero serem as 10 principais objeções.

Acesse aqui o post completo.

Benefícios da redução da jornada de trabalho.

(Participe da pesquisa de opinião acima, sobre este post)

Você já se perguntou por que está tão ocupado, onde passa o seu tempo, ou o quanto o seu tempo realmente vale?”

 Antes de apresentar, no próximo post, as respostas às principais objeções à redução da jornada de trabalho, relaciono e comento hoje alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e as vezes controversas, óticas, desta mudança inevitável.

Acesse aqui o post completo.

O que aconteceria se adotada a semana de 21 horas de trabalho no Brasil?

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“6% dos ocupados trabalham até 14 horas por semana, 20%, de 15 a 39 horas, 43% de 40 a 44 horas, 15% de 45 a 48 horas e 16% trabalham 49 horas ou mais.”

Trabalho feliz (no caso, voluntário)

Com o post de hoje e os dois que se seguirão encerro a série sobre a redução radical da jornada de trabalho. No da próxima semana relaciono e comento alguns artigos e notícias que reforçam os benefícios, sob novas, e, às vezes, controversas óticas, desta mudança inevitável. E no último post respondo às críticas enumeradas no post “As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais” e que serve também como um resumo dos posts anteriores da série.

Hoje o desafio é mostrar que a redução é factível mesmo para um país com carências básicas por parte da imensa maioria de sua população. Para chegar lá é preciso um retrato do mercado de trabalho.

Acesse aqui o post completo.

Classes sociais e o movimento por uma Nova Economia.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Destas mudanças, a que maior impacto causou, a meu ver, é a televisão. Ao levar informação à imensa maioria da população, acelerou a subversão das antigas rígidas fronteiras ideológicas…”

Família de Pernambuco em frente à TV

A tendência contínua de expansão do mercado consumidor mundial fruto da necessidade de crescimento exponencial do sistema produtivo de mercado na luta pela preservação de sua margens de lucro tem provocado ondas gigantescas de mudança no ambiente social.

E, o mundo de hoje é marcado, claro, por tais mudanças. A afirmação da globalização, a facilidade de comunicação, a rapidez nos transportes e a difusão da informação pelos jornais, radio, TV e internet, todos tendo como base principal a evolução tecnológica, são exemplos evidentes no nosso dia a dia.

Acesse aqui o post completo.

E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 1

Originalmente publicado em 4 de junho de 2014.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“E a famosa previsão de Keynes feita em 1930 de que no início do século 21 a semana de trabalho teria sido cortada dramaticamente, para 15 horas?”

Movimento por 10 horas Diárias

Resultado do movimento por 10 horas Diárias

Parte 1.

Acesse aqui o post completo.

E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 2

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria. Fonte: The Conference Board Total Economy Database™,January 2014.

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria.
Fonte: The Conference Board Total Economy Database™, January 2014.

Parte 2. (Acesse aqui a Parte 1 que foi publicada em 4 de junho de 2014)

Acesse aqui o post completo.

As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Quem seria, então, o ditador global para implementar tudo isto?” (comentário ao artigo de Herman Daly descrevendo as 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio).”

Charlie Chaplin – Tempos Modernos

Retorno hoje à série sobre a jornada de trabalho.

Nunca é demais relembrar que trata-se de uma “bandeira de luta” capaz de aglutinar a grande maioria da população e em especial, os movimentos sociais e que se alcançada junto com a internalização de custos “traz” a mudança do sistema econômico.

Ou seja, não se trata de ficar enumerando o que um ente imaginário deve fazer para que uma Nova Economia se implante senão, torna-se verdadeiro o comentário, com algum humor, de um leitor ao artigo “As 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio” de Herman Daly, e que diz, em tradução livre:

Acesse aqui o post completo.

Boletim quinzenal do NEWGroup – edição de 25 de abril de 2014

a nova economia, hoje                                                                                          

A verdadeira riqueza de Economias voltadas para a vida

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Mais médicos, menos saúde. Antes de tudo, água corrente e esgoto em 100% das casas.

“Tratar o cocô não dá voto. As obras são subterrâneas e o objeto considerado abjeto”.

Mais médicos, menos saúde.

Comunidade Vila Dique (RS) – 62,7% das doenças entre os moradores estão ligadas a falta de saneamento básico.

No recente artigo “É hora de falar de saneamento“, Ana Paula Barcellos, mesmo num tom excessivamente cauteloso, faz perguntas e afirmativas que vão ao centro da questão (em azul, meu comentário, abaixo de cada item):

Mais médicos e remédios seriam os meios para superar os principais desafios de saúde no Brasil?
– Como se verá mais adiante, o principal problema de saúde pública resulta da falta de saneamento. A autora ressalta, com base em estudo da OMS, que cada dólar gasto com saneamento poupa quatro dólares com gastos em saúde.

O que torna um problema de saúde mais importante que outros? Doenças que afetam mais pessoas devem ter prioridade ou o cuidado de determinados grupos (crianças ou pessoas de baixa renda)?

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A existência de uma economia dual. Respostas ao espanto, dúvida e reação.

“… se os benefícios da inovação e do aumento de produtividade convergirem para as pessoas, estas terão que exercer cada vez menos trabalho remunerado.”

Questionamentos.

A afirmação da existência, hoje, de um outro sistema produtivo e, ainda por cima, em expansão, causa espanto, dúvida e reação. Para ajudar a supera-los, relaciono a seguir os que me parece serem os principais questionamentos:

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A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 2.

A sociedade civil, apoiada na força da expansão da economia dual, vai, ao longo do tempo, pressionando e criando os mecanismos para que se reformulem ou sejam substituídas as instituições de todos os tipos, governamentais ou não, deixando estas de ser o que são hoje, em sua maioria, instrumentos do sistema econômico de mercado.”

A economia dual – Parte 2.

Como vimos, o trabalho doado assume, hoje, uma dimensão equivalente ao remunerado e com uma tendência de forte expansão relativa. Isto faz com que a economia dual, que dele deriva, tenda a ser a força principal na orientação das relações econômicas e sociais.

Convém, neste ponto, detalhar um pouco mais uma das figuras apresentadas na parte 1, agora incluindo os principais fatores envolvidos em cada tipo de economia e os tipos de bens e serviços que cada uma gera, o que é mostrado na figura 1 abaixo, complementada por explicações apresentadas logo a seguir.

Retrato atual

Figura 1 – Retrato atual

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O trabalho não remunerado. Os muitos e importantes bens e serviços que dele dependem – parte 2.

Somente bem mais recentemente, com o modo de produção capitalista, é que o trabalho remunerado se impôs como relação dominante na produção dos bens e serviços seja para consumo seja para investimento.”

Trabalho não remunerado – Parte 2.

Soa como uma contradição, tal a crença que se formou que trabalho e remuneração andam juntos.

Mas não. Basta relembrar que outros tipos além do remunerado ocorreram com maior ou menor intensidade ao longo da história, dentre eles o trabalhos isolado, cooperativo, coletivo, não remunerado, escravo e feudal. Uma ou mais destas formas de trabalho e de sua apropriação parcial ou total por terceiros foram dominantes em cada época. Algumas, se mantém até hoje.

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O trabalho não remunerado. Os muitos e importantes bens e serviços que dele dependem – parte 1.

Apesar das evidências, pode-se imaginar um certo irrealismo ao crer que seja possível existir trabalho não remunerado, tal o peso da crença que se cristalizou de que o que motiva o ser humano é o ganho material e o que o obriga a trabalhar é a necessidade de sobrevivência.”

Trabalho não remunerado – Parte 1.

As dúvidas que enumerei no último post serão respondidas ao longo dos próximos posts e também em post específico ao final daqueles, consolidando as respostas.

Bem, como dito no penúltimo post, o trabalho doado ou não remunerado por decisão própria é a base da economia dual à de mercado e está em expansão ao contrário do trabalho remunerado que declina.

O trabalho não remunerado sempre existiu, e de forma expressiva. A produção de bens e serviços para o consumo familiar, o serviço doméstico, o estudo, treinamento e aprimoramento formais e informais, uma parte substancial da criação artística e científica, a atividade altruísta e a participação quando não remunerada e compulsória em guerras, conquistas, lutas sociais e de reconstrução após catástrofes e guerras são historicamente os exemplos mais interessantes. É a sua presença que, em boa parte, explica o surgimento e o progresso das civilizações.

Mais recentemente, a ação voluntária e a produção de informação digital destacaram-se e tornaram ainda maior e crescente a importância do trabalho não remunerado.

Acesse aqui o post completo.

Dúvidas.

O post desta semana é dedicado a instigar o leitor a analisar e comentar alguns dos aspectos da economia dual apresentados no último. Faço isto através de perguntas:

  •  A economia dual se opõe e pretende substituir a economia de mercado?
  • Existe um espaço comum entre os dois tipos de atividade produtiva?
  • Será, realmente, que alguém doa trabalho em uma fábrica, num escritório, no campo?
  • Acesse aqui o post completo.

A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 1.

Antes de mais nada vem a pergunta: será mesmo importante o trabalho exercido sem fins remunerativos? Muito. Muito mais do que se possa imaginar à primeira vista.”

Figura 1

Figura 1

A economia dual – Parte 1.

Nem o mais insensível daqueles que possuem a famosa “voracidade animal” ou dos que pensam em seu favor consegue negar que o que gera valor é o trabalho humano. Curiosamente, apenas uma parcela deste trabalho é considerada, o que me levou a afirmar, no último post que reconhecer a importância crescente do trabalho sem fins remunerativos sugeria a existência de dois mundos, o da troca no mercado e o da doação, esquematicamente representados na figura 1, acima.

Acesse aqui o post completo.

Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho sem fins lucrativos e que cria bens e produtos que são doados e não são objeto de troca.”

'Jahangir zodiacal gold coin Leo' photo (c) 2009, zeevveez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Economias duais.

Começo hoje uma série de posts com anotações de meu entendimento de algumas das mudanças que A Nova Economia precisa e impõe à teoria econômica.

Bem, antes de mais nada, vale desmentir algumas afirmações que tem sido feitas sem base:

  • Não é verdade que sem ter o lucro acima de tudo o capitalista não tem incentivo para investir, restringe-se sua iniciativa e caminha-se para o socialismo, entendido como o fim da propriedade privada.
  • Também não é verdade que o objeto da teoria econômica seja a alocação ótima de recursos escassos.

Acesse aqui o post completo.

O Papa e o meteoro, O que diria Jesus? e Golpe contra novos rumos.

“Seria bom saber que todos os políticos eleitos usam os mesmos serviços públicos de seus eleitores.” Cristovam Buarque.

'2009 Leonid Meteor (cropped, afterglow closeup)' photo (c) 2009, Ed Sweeney - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Em destaque.

Acordei sábado, dia 23 último, com uma bela surpresa. 3 ótimos, 2 deles divertidos, artigos no jornal O Globo, e que têm tudo a ver com a Nova Economia.

Aliás, antes que me perguntem, registro que diariamente me surpreendo com o mencionado jornal que tem uma orientação claramente conservadora e ainda por cima é monopolista. A bem da verdade, monopolista por incompetência dos antigos Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Última Hora.

Acesse aqui o post completo.

Uma leitura crítica do artigo “Emergente tardio” de Cristóvão Buarque

“Emergimos em direção a um objetivo que não mais satisfaz. É como uma família plebeia que emergisse à nobreza na Rússia Czarista na véspera da revolução socialista”.

'Precipicio' photo (c) 2009, ramos alejandro - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Emergente tardio.

Um excelente artigo que faz pensar e por isto mesmo desperta a crítica. A tese central do “Emergente tardio” é a de que o foco no crescimento do PIB pelos países emergentes se dá no momento em que o desafio é justamente superar o PIB como orientador da atividade econômica. E, no caso particular do Brasil, este tem uma tradição histórica de buscar objetivos ultrapassados.

Além de concordar com a tese, lembrei-me imediatamente da política nacional de informática que começou corretamente com o BNDE (na época) apoiando, a partir de meados da década de 60, centros de excelência em universidades brasileiras. A partir daí suas propostas ficaram sempre um passo atrás. Na época que os microcomputadores eram o caminho óbvio, financiou-se e privilegiou-se a fabricação nacional de minicomputadores. Um novo passo atrás deu-se quando a ligação em rede era o caminho e optou-se pela produção de microcomputadores. E seguiu nesta toada. Quando apostar em software era evidente, manteve-se a prioridade no hardware. E quando a informação mostrava-se ser o elemento critico, foi a vez da opção pelo software nacional. Depois disto, sumiu do mapa.

Ih!, acabo de ler que ressurgiu. Mais 500 milhões vão para o TI maior, novo “programa estratégico de software e serviços de tecnologia de informação”. É claro, “esqueceram” do software livre, os governos continuarão comprando softwares proprietários, a internet 2.0 continuará voltada para setores “prioritários” em geral do próprio governo, a criação multi-mídia, a comunicação e a interação de “muitos com públicos específicos”, possível novo paradigma que já se vislumbra, e o uso dos canais digitais, ainda sob domínio dos antigos detentores do espaço analógico, para a difusão da banda larga de verdade e de baixo custo continuarão a não merecer consideração, mantendo assim a tradição do “sempre um passo atrás”.

Bem, voltando ao artigo, ao lê-lo, constatei algumas incongruências que acho importante mencionar.

De início cita que “o mundo desenvolvido tem por base quatro grandes princípios: a Democracia Política, o Crescimento Econômico, o Bem-Estar Social e a Inovação Técnica”. Será? A democracia política via representação mostrou-se incapaz de promover os reais interesses dos representados. E, o bem estar social não é algo que esteja disseminado nos países desenvolvidos. Resta, sim, o crescimento econômico, com a inovação técnica a reboque e o voto e a seguridade social no papel de atenuador de tensões.

Continua dizendo que este países estão mudando devido a “…quatro novos fatores: os limites ecológicos ao crescimento, a mega concentração de renda, uma revolução científica e o descolamento do setor financeiro em relação tanto à realidade econômica quanto às fronteiras nacionais”. Os fatores, é verdade, existem, mas não há sinais de mudança.

Reforça o argumento dizendo que “daqui em diante, os países do Primeiro Mundo, países ricos, estão sendo obrigados a fazer escolhas entre continuar o crescimento econômico em direção a uma grave crise ecológica; restringir os benefícios sociais em direção ao equilíbrio fiscal; equilibrar suas economias nacionais em um mundo integrado; ajustar seus empregos aos tempos da nova ciência e tecnologia; dominar a mega concentração de renda sem ferir a democracia; cumprir compromissos presidenciais com uma população que vive mais anos”. Não, a escolha deles já está feita, e é pelo crescimento econômico a despeito das evidencias de consequências nefastas.

O artigo termina dizendo que “…o mundo evolui para mais tempo livre, maior produção cultural, melhor distribuição e mais qualidade nos serviços públicos, respeitando o meio ambiente; mais atenção à saúde pública, aos idosos e às crianças; revolução no atendimento universal e no conceito de educação por toda a vida; preocupação com o bem-estar e até com a felicidade…”. Não, não é verdade a despeito do desejo de muitos, mas que estão completamente à margem dos centros de decisão.

O fato é que emergentes, subdesenvolvidos e desenvolvidos estão juntos privilegiando o PIB, num salto para o inviável. E, não parece nem um pouco razoável que os emergentes e subdesenvolvidos possam provocar a mudança de caminho.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O que fazer

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 30 de maio de 2012):

Continuo hoje com a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando do que fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

É claro que o aumento na frequência e intensidade das catástrofes naturais devidas ao aquecimento global, o acirramento das tensões sociais e ambientais decorrentes da incorporação constante de pessoas aos padrões vigentes de consumo e do aumento populacional oriundo dos países mais pobres e a crescente percepção de que um maior bem estar já é possível e desejável, são tremendos impulsionadores para uma Nova Economia. Ocorre, que os que têm interesses contrários já estabelecidos, se não enfrentados, retardarão ao máximo a mudança, tornando-a mais danosa e dramática, se é que não nos levarão a um ponto sem retorno em termos de preservação da civilização.

Assim, é central se contrapor ao status quo e convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes.

Evidentemente, inúmeras possibilidades surgem à mente. Estabilização da população, mudança da mentalidade consumista, substituição das fontes de energia fóssil, são alguns exemplos. Mas, é preciso selecionar, dentre elas, aquelas que tenham o maior potencial de irradiar a mudança, o que por sua vez permite, o que é decisivo, focar a ação.

Quatro questões me parecem constituir este grupo: restringir os impactos sociais e ambientais negativos oriundos da produção e consumo de bens, reduzir a jornada de trabalho, romper com a teoria econômica ortodoxa e viabilizar decisões mandatórias globais.

Em relação aos impactos negativos, o uso de recursos naturais, em particular o que causa poluição atmosférica, emissão de carbono, depleção dos recursos hídricos e de cardumes, degradação do solo, desflorestamento e o esgotamento de fontes não renováveis, vem intuitivamente à mente, como exigindo uma compensação de forma a evitar ou se, inviável, limitar o dano.

Estes e outros impactos sociais e ambientais negativos são de complexa e difícil medição, tornando vulnerável qualquer uma das formas que têm sido aventadas para restringi-los. Mas, fato é, que a dificuldade não impede que sejam considerados.

É uma medida que dirige claramente a atividade produtiva no sentido dos interesses maiores da humanidade, principalmente em termos de proteção ambiental e da redução e redirecionamento do consumo.

A forma que parece, em geral, a mais adequada é a de quantificar e incluir os impactos quando do estabelecimento dos custos dos produtos, serviços e investimentos. O que, em outras palavras, significa passar a considerar no custo o que os economistas tradicionais chamam de externalidades, forma confortável de definir privilégios, passando a internalizá-las.

Este aspecto, aliás, tem sido objeto de especial atenção de Herman Dale. Um recente post “Quanto pior, melhor” faz referência a isto e detalha um pouco mais o assunto, que será ainda objeto de um novo, específico.

O mecanismo para a inclusão dos custos dos impactos negativos que, parece, vai se impor é o da taxação. Em especial, a do carbono, que consiste em uma taxa coletada pela coletividade e que incide na produção e importação de combustíveis fósseis. O Centro pela Taxação do Carbono (Carbon Tax Center) é uma ótima referência sobre o assunto.

Até do ponto de vista econômico tradicional a taxação pode ter um resultado positivo, pois, além dos benefícios da redução dos impactos é de se esperar a redistribuição social da taxa coletada. Evidentemente que a transição para este novo cenário não é simples, fazendo com que a taxa deva ser ajustada paulatinamente, enquanto a economia se reorganiza.

Parte 2.

 A segunda questão, a da redução da jornada de trabalho, é tão ou mais importante que a primeira. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

Do ponto de vista econômico a redução tende, mas não necessariamente, a valorizar a mão de obra e ser mais um fator de redistribuição de renda e realinhamento da produção de bens e serviços.

As objeções à redução são inúmeras. Parece até que a jornada é algo imutável e resultado de uma constante mágica da natureza. Pretendo analisar isto em detalhe em um post específico.

Bem, ao colocar na mesa as duas questões anteriores, está-se necessariamente rompendo com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, esta é a terceira grande questão.

Passa-se a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses e que a via indireta, descrita no post anterior, deve ser contida. Não é mais possível contar com a “lógica” da livre ação dos mercados para resolver os impasses sociais e ambientais da nossa época.

É interessante observar que faz parte da teoria dominante afirmar que o sistema econômico é na verdade um mecanismo onde a liberdade de iniciativa permite que os empreendimentos floresçam e que portanto não deve ser dirigido nesta ou naquela direção. Fazê-lo, caracterizaria o dirigismo estatal. Os mais radicais, dizem que significa adotar o socialismo. Será mesmo?

As recentes medidas tomadas pelo FED, em particular, mostram que nada está mais longe da verdade. Romperam com todas as regras, protegeram bancos e grandes grupos, inundaram o mundo com dólares aproveitando-se do fato de ser aquela a moeda de referência, tudo em nome da sobrevivência e estabilidade da economia, o que na visão deles significa dizer, primado do crescimento econômico como guia da evolução da atividade produtiva.

Quer dizer, dirigismo para orientar na direção do crescimento econômico, pode. Já, ações na direção dos reais interesses da humanidade, não. São puro socialismo.

A verdade, no entanto, é que nada impede, além do preconceito e de interesses menores, que se substitua a inflação e o crescimento pela taxação e a jornada de trabalho como elementos básicos a orientar a atividade produtiva, subordinando o lucro aos objetivos de aumento do bem estar, preservação ambiental e redução das desigualdades.

Finalmente, é interessante, e dramático, observar que, idealmente, as duas primeiras questões devem, em suas formas mais incisivas, serem implementadas globalmente sob pena, em geral, dos países que o fizerem independentemente perderem competitividade. Daí a última e importante questão, o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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