Referendo no Reino Unido – decisão direta mas inconsistente.

O líder vitorioso, xenófobo e o derrotado preso à tecnoburocracia e ao austericídio da UE.

Um esclarecedor e aprofundado artigo intitulado “Brexit, Grexit, União Europeia e a desglobalização” sobre o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia e escrito por José Eustáquio Diniz Alves é uma referência obrigatória para quem deseja uma análise histórica, cultura, econômica e política sobre um acontecimento que traz impactos previsivelmente dramáticos.

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A Petrobras, o pré-sal e o tiro no pé.

“O fato é que o pré-sal tem fracassado e, de certa forma, contribuiu para que o Brasil passe pela maior recessão de sua história. O sonho do Eldorado que forneceria recursos para a educação, a saúde e os municípios virou pesadelo. Em vez de industrialização liderada pelos combustíveis fósseis, temos uma grande desindustrialização do país e aumento das taxas de desemprego.” José Eustáquio Diniz Alves.

Alguns dos recentes “estrategistas” da Petrobras.

Em 2006 ocorreu a descoberta de petróleo no pré-sal brasileiro. De “olho grande” cada vez maior à medida que novas descobertas aconteciam os “estrategistas” brasileiros seguraram a partir de 2008 novas licitações pelo regime de concessão para que um novo modelo voltado para os “interesses nacionais” fosse implantado.

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Além da economia de mercado.

O socialismo fracassou e agora, vinte anos após a queda do muro de Berlim, assistimos à falência do capitalismo e de seu fundamentalismo de mercado.”

Vinte anos da queda do muro de Berlim.

O artigo do historiador britânico Eric Hobsbawn intitulado “Beyond the free market” ajuda, e muito, a caracterizar o que se entende por pós-capitalismo. Vamos a ele, traduzido para o português, e, bom proveito.

O breve século XX foi uma era de guerras religiosas entre ideologias seculares. Por razões mais históricas do que lógicas, o século passado foi dominado pela oposição entre dois tipos de economia mutuamente excludentes: o “socialismo”, identificado com as economias centralmente planejadas do tipo soviético, e o “capitalismo”, que cobriu todo o resto.

Esta aparente oposição radical entre um sistema que tentou eliminar a busca do lucro pela empresa privada (ou seja, o mercado) e outro que procurou eliminar qualquer restrição do setor público e outras sobre o mercado, nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar o público e o privado de variadas maneiras e intensidades e de fato o fazem.

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O mercado, dizem os especialistas, é essencialmente um instrumento da democracia.

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“Ora, acontece que democracia e capitalismo não andam juntos. Basta lembrar como são geridas as unidades básicas do capitalismo, as suas empresas. O comando e as decisões são simplesmente ditatoriais. Nelas, não há o menor espaço para decisões democraticamente tomadas pelos interessados.”

Parte 3, final, sobre a mão invisível do mercado.

Só faltava esta.

Os especialistas, no caso, são os economistas Gustavo Franco e André Lara Resende, relata Merval Pereira no artigo já referido no último post. As funções do mercado que atingem tão nobre resultado seriam a de transmissor de informações e a de expressar a opinião pública.

Mais uma vez vemos a lógica indireta. O mercado livre produz democracia.

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Os franceses parecem ver o Brasil como o país mais violento do Ocidente, devido, entre outros, ao movimento “não vai ter copa”. E, outros artigos.

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Nada indica que uma família sem adequada provisão de escola, saúde, cultura, segurança, moradia, água e esgoto saia da pobreza apenas porque pode comprar aproximadamente oito pães por pessoa a cada dia.” (Cristovam Buarque).

Abertura de “Meu pedacinho de chão”, novela exaltada por Diegues em artigo referido abaixo pela originalidade e beleza.

Em destaque.

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A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”. Immanuel Wallerestein.

A grande recessão recrudesce.

Algumas “pérolas” do pensamento da diretora gerente do FMI publicadas no último dia 10 em O Globo sob o título: Para FMI, países ricos devem levar adiante políticas monetárias expansionistas:

O crescimento mundial continuará fraco, o que torna necessária a continuidade da política monetária expansionista dos países ricos”.

A ferramenta implica em riscos para emergentes, como o Brasil, referentes à taxa de câmbio, ao fluxo de capitais, à formação de bolhas de ativos e crédito e à estabilidade dos sistemas financeiros”.

A maior preocupação é que, assim como tudo que sobe desce, tudo que entra sai. Uma reversão abrupta de grandes fluxos de capital pode levar junto as economias. Por ora, o risco está sob controle”.

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O profeta do apocalipse retorna

  1. Utilize a central de comentários acima para críticas, sugestões e observações. Mais do que bem vindos, os seus comentários ajudam a melhorar e aprofundar o conteúdo deste blog.
  2. Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Helicopter Ben

Os acontecimentos das últimas semanas me levaram a interromper uma série de posts sobre a Rio +20 e comentar o que parece ser um repentino acirramento da grande recessão. No último post, expus a surpreendente, apesar de óbvia, comparação feita por Jacques Attali da rolagem da dívida pelos países desenvolvidos com o esquema da piramide.

O post de hoje centra-se em nova previsão de Nouriel Roubini professor de economia da NYU e um dos poucos a antecipar a eclosão da crise de 2008. Ignorado e criticado até então, chegou a receber a alcunha de “senhor apocalipse”, mas acabou por obter grande reconhecimento, o que fez sua empresa de consultoria econômica RGE tornar-se voz importante. Tão importante que ficou nítido o cuidado excessivo com que passou, desde então, a tratar os temas e o alinhamento com os novos cavaleiros do apocalipse (Bernanke, presidente do FED e Geithner, secretário do Tesouro).

Em seu último artigo, entretanto, “Estará o capitalismo arruinado?”, ele rompe com esta passividade e volta a fazer uma cuidadosa, embasada e dramática análise da situação atual, certamente optando por manter sua base de leitores (na verdade, clientes) corretamente informados.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção no artigo foi a afirmativa de que o FED (banco central americano) já esgotou os mecanismos de manipulação capazes de contornar a crise. Em enfática afirmação na entrevista ao WSJ em apoio ao artigo ele voltou ao ponto: Evitar nova recessão é missão impossível. O mundo caminha para um segundo mergulho na crise e não se pode mais “tirar coelho da cartola”.

Nesta sexta-feira, espera-se que que Bernanke anuncie novas medidas e será possível confirmar se há ainda algum “coelho na cartola”. O que parece certo é que o banco central americano tentará uma nova rodada de afrouxamento monetário (“quantitative easing”). Vale a pena lembrar que Bernanke, estudioso da grande depressão, é adepto da tese de que com afrouxamento monetário não se teria chegado à tamanha crise na década de 30. É por isto que em 2002 chegou a dizer que se fosse necessário “jogaria” dólares de helicóptero para garantir a fluidez do sistema, o que lhe valeu o apelido de “helicopter Ben”. É claro que pôde dizer isto apoiado no fato que o dólar é a moeda de referência mundial. Num primeiro momento, pelo menos, pode emitir sem maiores consequências.

 “Jogar” dinheiro do céu dá uma ideia de imparcialidade na sua distribuição. Mas, é sintomático que quando pôs sua teoria em ação atingiu do seu “helicóptero” os  alvos com precisão: Bancos. Nem ao menos os que estavam com o pagamento de suas hipotecas atrasado foram contemplados. Enfim …

Voltando ao artigo do Roubini, mais adiante ele afirma ainda que o doloroso processo de desalavancagem das famílias, bancos, instituições financeiras, corporações e governos locais e centrais mal começou e que a redução forçada do débito (calote) será necessária para que aqueles possam reequilibrar suas finanças.

E, talvez para chamar atenção para suas propostas, ele afirma que a possibilidade aventada por Marx de autodestruição do capitalismo se confirmará caso não se consiga evitar que a atual crise evolua para o que ele chama de “a grande depressão 2.0”, daí o título do artigo.

Roubini termina com uma série de sugestões para que o capitalismo possa sobreviver e se desenvolver. Para tanto, sugere a criação de empregos via estímulo, taxação, rigor fiscal, reforço na atuação monetária dos bancos centrais, redução dos débitos (calote) das famílias e outros agentes que estejam insolventes, políticas efetivas de crescimento, supervisão e regulação da atividade financeira, e investimento no capital humano.

É mais um a insistir no crescimento econômico como solução. E pior, as medidas que propõe para tanto ou já foram implementadas ou são politicamente inviáveis, como se viu no recente impasse na renegociação do teto da dívida americana.

Uma coisa é certa. A necessidade de soluções efetivas torna inevitável considerar novos caminhos. O que amplia e antecipa a possibilidade de transição para uma Nova Economia. E com ela, forjar um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar. Infelizmente, não sem grandes traumas sociais, já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá após vencidos os interesses estabelecidos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Madoff é o grande mestre

1) Para ler notícias relacionadas à Nova Economia, acesse o link à direita.
2) A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'three horsemen of the apocalypse, greenspan, et al' photo (c) 2009, derek visser - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Os três cavaleiros do apocalipse: Greenspan (centro), Rubin e Summers

As nações desenvolvidas estão fazendo de suas dívidas enormes pirâmides, agindo como o Madoff. A pertinente afirmação foi feita por Jacques Attali em entrevista para o Le Monde na última 4ª feira e reproduzida no O Globo no dia seguinte.

Bernard Madoff, financista americano, foi quem provocou, em 2008, perdas de 65 bilhões de dólares com o golpe da piramide, pagando a seus investidores altos rendimentos, enquanto pôde, utilizando os recursos advindos dos novos investidores atraídos pelos mesmos altos rendimentos.

Vale lembrar que no post publicado em maio último A Grande Recessão se desdobra e apoiado em estudo da Auvest ficou claro que “o problema de débito excessivo não pode ser resolvido assumindo-se mais débito” e que estamos apenas na 2ª de 5 fases de acirramento da crise global, cujo ápice foi previsto para meados desta década. As ocorrências da última semana, provocadas pelo rebaixamento da classificação da dívida soberana americana e a impossibilidade da Europa gerir a crise da dívida que agora atinge a Espanha, a Itália e a França, por contágio da que se instalou na Irlanda, Grécia e Portugal, indicam que o desfecho pode se dar antes do que o imaginado.

É um mundo em turbulência, com o desemprego instalado e ampliando-se e que leva à revoltas populares na Espanha, Grécia, Norte da África, Israel e Síria, e agora com grande fúria, na Inglaterra.

Retornando à entrevista, o entrevistado vê fundamento no pânico que se instalou na semana passada, já que “a crise não foi resolvida, nem a do endividamento, nem a da governança tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O sistema está super endividado e os mercados sabem que um dia será preciso pagar a conta”.

O problema está concentrado nos países desenvolvidos. No estudo “Debt burden in advanced economies, now a global threat” de Eswar Prasad e Mengjie Ding, tanto o problema quanto a concentração ficam claros: “O percentual do débito líquido em relação ao PIB dos países desenvolvidos foi de 46% em 2007 para 70% em 2011 e chegará a 80% em 2016. Já para as economias emergentes o mesmo percentual foi de 28% em 2007 para 26% em 2011 e chegará a 21% em 2016. Para mais e impressionantes detalhes, comparando países, o leitor poderá cessar o gráfico interativo online do Financial Times mediante registro gratuito.

O entrevistado não para por ai. Ele ressalta que na Espanha e nos EUA já começaram as moratórias no setor privado e que um calote da dívida americana só não ocorre graças ao poder que tem de imprimir dólares. E mencionou que após 2008 o ocidente não fez as reformas estruturais, apenas adiou o problema. Foi como dizer: “um momento, senhor carrasco”.

Mas, capitula na conclusão ao insistir no crescimento econômico como solução. Curiosamente, ele “esqueceu” que da mesma forma que mais dívida não resolve a dívida, mais crescimento somente irá aguçar os problemas que este mesmo gerou.

A crise se acirra e tem desfecho incerto. As guerras impulsionaram, historicamente, a “destruição criadora” teorizada por Schumpeter (ver o post Socialismo?) mas hoje teriam, se entre potencias bélicas, consequências catastróficas. A inflação, dissolveria as dívidas, mas traria efeitos políticos e sociais igualmente graves.

Em algum momento, portanto, a humanidade irá iniciar a transição para uma Nova Economia, forjando um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar.  Infelizmente, não sem grandes traumas sociais já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá, previsivelmente, após esgotadas as tentativas via crescimento, guerra e inflação.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A “grande recessão” se desdobra

Leitor: A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A Nova Economia é uma resposta concreta à crise ambiental, ao desiquilíbrio social e à procura por um já possível bem estar. Estas são questões que, mesmo urgentes, tendem a ser enfrentadas somente a longo prazo. Um fato contudo, pode levar a que a mudança se antecipe e comece em meados desta década. Trata-se da “Grande Recessão” que ao contrario de estar acabando, tudo indica, está se desdobrando em movimentos ainda mais graves.

Um artigo que acaba de ser publicado no RGE – Roubini Global Economics – “The End of Financial Vandalism – Moving Forward to the Real Economy” de Humayun Shahryar e Santi Rasanayagam no último dia 5, e principalmente o cuidadoso estudo, com o mesmo título, que o embasa e preparado pela Auvest Services Limited traz uma descrição contundente dos mencionados desdobramentos.

Os autores dão consequência em termos de análise a uma constatação já evidente: “O problema de débito excessivo não pode ser resolvido assumindo-se mais débito” e que foi exatamente o recurso utilizado pelos Bancos Centrais dos países desenvolvidos. Isto dá grande solidez à previsão que fazem. No documento a crise é vista em 5 grandes movimentos:

Crise de Crédito Global (já ocorrido): A escalada da alavancagem e o subsequente colapso no preço dos ativos levou a uma crise bancária e contração no crédito. Uma repentina queda no consumo e falta de financiamento para o comercio levou a um acirrado declínio no comércio internacional.

 Suicídio soberano (implementado nos países desenvolvidos): O amplo resgate de bancos e empresas pelo estado e os imensos estímulos fiscais em conjunto com menor receita de impostos resultou na disparada no débito governamental. Já sem opções de políticas fiscais, os bancos centrais recorreram a políticas monetárias não convencionais para gerar crescimento econômico.

A Falência do Mercado Emergente (em curso): O excesso de liquidez esta levando à inflação dos ativos, “commodities” e preços dos produtos e serviços nos mercados emergentes ao mesmo tempo em que cresce a pressão dos países desenvolvidos pela reavaliação das moedas. O aumento da inflação gera conflitos nas políticas econômicas e instabilidade política e social.

A Destruição do Débito (a ocorrer nos países desenvolvidos): O forte aumento no endividamento levará a um aumento no custo de seu financiamento nos próximos anos. Muitos devedores não vão conseguir honrar ou terão que reestruturar suas obrigações e o contágio resultante causará um colapso no preço dos ativos.

O Fim da Globalização (a ocorrer até meados da década): Falta de demanda final, alto desemprego no mundo desenvolvido e inflação nos países emergentes levará ao protecionismo e eventualmente a uma guerra de moedas e de cambio. Um novo sistema monetário terá que substituir o atual.

 Os autores indicam a Índia como o país emergente com maior possibilidade de iniciar a fuga de capitais. Isto devido à inflação, o custo dos alimentos e os déficits fiscal e de conta corrente. Ressaltam também a crise no mercado europeu. Mas, como outras crises têm demonstrado, qualquer acontecimento mais forte, ou mesmo o passar do tempo, pode deflagrar o desdobramento desta.

Sobre a crise europeia em particular, a jornalista Míriam Leitão publicou um excelente artigo, “De novo, a Europa” em O Globo, no último dia 10, onde ressalta que “Em algum momento os países mais fragilizados financeiramente do continente terão que renegociar suas dívidas, dando calote parcial nos bancos”. E mais adiante, reforça a visão de uma crise ainda se desdobrando: “A situação na Europa é crítica. Não há saídas fáceis pela frente. Tudo ainda é consequência da crise que atingiu o mundo desenvolvido em 2008”.

Aliás, ela volta ao assunto de forma ainda mais enfática na coluna de hoje “Na corda bamba” focando na situação da Grécia. “O país enfrenta enorme fuga de capitais dos próprios gregos para outros países”. A renegociação parece inevitável e “… a possibilidade de contágio em caso de calote grego é grande” porque “… a renegociação da dívida implicaria em perda para os bancos, e como a crise americana mostrou todo o sistema está interligado”.

É provável que o Brasil não venha a estar no epicentro da crise já que esta se deslocará para os países desenvolvidos a partir do 4º movimento, mas sofrerá com a inflação, uma forte redução no valor dos ativos (ações, imóveis, etc.) e recessão devida à redução no volume e valor do comércio internacional.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa de opinião da semana, apresentada no post que se segue, e relacionada ao tema. 

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