Superbactérias resistentes a antibióticos e os guetos.

Sucessivas e cada vez mais violentas tentativas de segmentos privilegiados isolarem os demais em guetos formados dentro e principalmente fora dos países desenvolvidos são inevitáveis. O muro para impedir a entrada de mexicanos nos EUA já é uma realidade que se expande com o apoio de milhões de americanos. As barreiras europeias aos refugiados de países em guerra no Oriente Médio e Africa é outro exemplo brutal e atual.

As tentativas de preservação de seus privilégios são em vão. A economia depende da globalização e do crescimento dos mercados. Sem eles, desaba ainda mais rápido. E com eles, a crise ambiental amplia ano a ano os riscos da própria existência da humanidade.

Não bastasse tudo isto, um recente e impressionante relatório sobre a expansão de superbactérias resistentes aos antibióticos mostra um outro risco também alarmante para a civilização. E que só se agrava, evidentemente, com as tentativas de formação de guetos.

Leia um resumo do relatório em português e o relatório completo em inglês.

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A China reage à ofensiva americana com a marcha para o oeste.

Aonde o inimigo avança, nos recuamos. Aonde o inimigo recua, nós avançamos”. Mao Tsé-Tung.

'Mikhail Gorbachev' photo (c) 2008, Ben Sutherland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Mikhail Gorbachev. Dirigente soviético que liderou o fim da guerra fria.

A marcha para o oeste.

O último post de 2012 foi sobre a guinada na política externa americana focando na Asia em reação à percebida ameaça chinesa. A razão do post foi a de que a possibilidade subjacente de guerra entre potencias significa um enorme retrocesso para a humanidade e para o avanço dos conceitos de uma Nova Economia.

De lá para cá, um estudo publicado por Wang Jisi, o mais proeminente e influente analista chinês em política internacional e também professor da Universidade de Pequim, tem sido muito discutido e criou uma forte corrente dentro da China em favor da chamada marcha para o oeste, que seria uma reação ao movimento americano evitando o conflito militar aberto.

Com efeito, a resposta tem tudo a ver com a proverbial “paciência chinesa” que não se veria pronta, ainda, para o confronto aberto, coisa para a próxima década.

Em seu artigo “March West: China’s Response to the U.S. Rebalancing” publicado pela Brookings Institution em 31 de janeiro último, Yun Sun detalha a estratégia de desvio de atenção da conturbada competição no Este da Asia em direção ao oeste abrangendo a Asia Central e o Oriente Médio, de onde os EUA estão tirando o foco.

Acesse aqui o post completo.

A divulgação de documentos militares americanos pelo WikiLeaks foi decisiva para a eclosão da “primavera árabe”.

….Lembro da “audácia da esperança”.… Quem pode negar que o presidente dos EUA seja mesmo muito audacioso?! Não é muita audácia dizer, na 3ª-feira (após sua releição), que “os EUA apoiaram as forças da mudança” na Primavera Árabe”? Julian Assange.

Julian Assange Award, foto de Stefan Wermuth, Reuters. 2011.

Premio da Fundação pela Paz sediada em Sydney, Austrália.

A perseguição a Assange.

5 de abril de 2010: É divulgado o vídeo Collateral Murder mostrando disparos de um helicóptero de guerra americano contra civis iraquianos. Os soldados confundem uma câmera fotográfica com uma arma e atiram. E depois destroem uma camionete de transporte de crianças.

25 de julho de 2010: (Afghanistan War Logs) cerca de 92 mil documentos militares americanos sobre a guerra no Afeganistão são revelados. Eles relatam o crescimento da insurgência Taleban, o desapontamento dos civis com seu governo e a queixa de falta de recursos para empreender a guerra.

22 de outubro de 2010: (Iraq War Logs) cerca de 400 mil documentos militares americanos são revelados e mostram que 63% das mais de 109 mil mortes é de civis, casos de abusos e descontrole de seus soldados, que o exército americano ocultou casos de tortura dentro das prisões iraquianas e que haviam equipes encarregadas de perpetrar torturas e assassinatos.
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Naves não tripuladas (drones) afrontam a lei internacional. A justificativa é o terror contra o terror.

“São naves leves, não identificáveis e que disparam mísseis letais e de alta precisão. … Uma nova caixa de pandora foi aberta. …Israel, Irã, Rússia, Índia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Taiwan, Turquia e Coreia do Norte, além dos EUA, já possuem drones de ataque”.

Direitos Humanos e o uso de “Drones”.

Dar como certo o respeito aos direitos humanos é um erro que o movimento por uma Nova Economia não pode cometer sob pena de sucumbir por um longo período. A violação de tais direitos pelos países com real poderio militar, principalmente os EUA, é patente e vem se institucionalizando, alegando que o fazem para se proteger do “terrorismo” e que este põe em risco a sua “segurança nacional”. Já vimos este filme há poucas décadas. Como aqui, naqueles países os militares vem assumindo cada vez mais um papel preponderante já que, em tese, são especialistas no assunto. E, sob a bandeira da segurança nacional tudo pode ser justificado, inclusive, se pensarem ser a saída para eles, isolar pela força os excluídos tanto internamente quanto nos demais países.


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Cidadania é o caminho

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  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Crowd' photo (c) 2007, James Cridland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Como estabilizar a população mundial que acaba de chegar a 7 bilhões e se prevê que possa atingir 10 bilhões até o fim do século? Isto, num mundo onde os seus habitantes têm mais e mais acesso à informação e desejam os mesmos bens e serviços.

Em excelente artigo Como estabilizar a população mundial?  publicado no EcoDebate em 26 de outubro o pesquisador e professor do ENCE/IBGE, José Eustáquio Diniz Alves, responde de forma detalhada, cuidadosa e especialmente respeitosa em relação aos direitos dos mais humildes.

Assunto de tremenda importância para a Nova Economia, tomei a liberdade de transcrever os trechos que me pareceram mais importantes, em especial as propostas, e deixar ao leitor a oportunidade de acessar a íntegra do artigo através do link acima. É o que passo a fazer.

Sete bilhões de habitantes no mundo poderia não ser muito se houvesse a adoção de um nível de consumo compatível com a sustentabilidade ambiental. Porém, o consumo médio da população mundial já está acima da capacidade de regeneração do Planeta e a demanda agregada continua crescendo.

E,

…devido à estrutura etária jovem prevalecente em uma parcela ampla da população mundial, mesmo com uma queda rápida da fecundidade, o crescimento atual da população vai continuar devido à inércia demográfica. Depois dos 7 bilhões de habitantes de 2011 os 8 bilhões de habitantes já estão encomendados para algum ano entre 2025 e 2030. Entretanto, a população mundial pode parar de crescer antes de chegar aos 9 bilhões de habitantes.

A estabilidade da população mundial não requer esforços extraordinários. Já existem países nos quais a população está decrescendo, como: Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, etc. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coreia do Sul, Irã, Vietnã, etc. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo.

Contudo, existem atualmente cerca de 30 países que possuem taxas de fecundidade muito altas e cujos governos apresentam dificuldades para ajudar suas populações a atingir o tamanho de famílias que desejam. Nestes países – que geralmente são pobres e possuem altos índices de violência e insegurança – o fenômeno da gravidez indesejada é muito alto. A maior parte do crescimento populacional projetado até 2.100 está concentrada nestes poucos países (a grande maioria na África ao sul do Saara).

Para estabilizar a população dos países com alto crescimento demográfico, ainda no século XXI, seria preciso trazer as taxas de fecundidade para o nível de reposição (2,1 filhos por mulher)…

É fato também, e os hábitos das pessoas nos países com baixas taxas de fecundidade comprovam isto, mesmo na China onde houve fortíssima ingerência do estado, que

…com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios.

E para isto, é necessário em todo o mundo e em especial para os mais pobres:

  1. Universalizar o ensino fundamental para todas as crianças e jovens do mundo;
  2. Garantir o pleno emprego e o trabalho decente;
  3. Garantir direitos iguais para homens e mulheres (equidade de gênero);
  4. Garantir habitação e serviços adequados de água, esgoto, lixo e luz para todos;
  5. Reduzir a mortalidade infantil e garantir o acesso universal à saúde, à higiene, combatendo as principais causas de epidemias;
  6. Garantir acesso universal à saúde sexual e reprodutiva (o que inclui disponibilidade e variedade de métodos de regulação da fecundidade);
  7. Garantir liberdade de organização, manifestação e acesso à informação;
  8. Garantir a governança nacional e o apoio e a coordenação internacional para implementar, de maneira universal e indivisível, a plenitude dos direitos humanos.

É claro, respeitando a soberania de cada país, mas num contexto onde todos precisam colaborar de forma digna para um objetivo comum de nossa civilização.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

A Economia Solidária

A proposta da economia solidária tem importantes afinidades com o movimento pela Nova Economia. Destaco na entrevista de Paul Singer a afirmação de que aos poucos, muita gente tem optado pela economia solidária, porque trata-se não apenas de melhoria na renda, mas de uma relação de trabalho mais humana, que leva em conta a felicidade pessoal. Este movimento tem ajudado a dinamizar as economias locais, garantir trabalho digno e renda às famílias envolvidas, e promover a preservação ambiental e a conscientização sobre o consumo responsável.

O movimento, no Brasil, iniciou-se nos anos 80 e está hoje bastante difundido. O último mapeamento localizou 22 mil empreendimentos no setor. O número hoje deve ser significativamente maior pois o mapeamento foi feito em 2007 e abrangeu apenas 52% dos municípios. Em 2003 organizou-se através de um fórum nacional autônomo. A ideia foi, desde então, incorporada às políticas públicas em centenas de municípios, em 18 estados e no governo federal e tornou-se objeto de ensino, pesquisa e extensão em mais de 100 universidades em todas as regiões do Brasil.

A marca da economia solidária são as cooperativas, cujos donos são os próprios trabalhadores e gestores. Redes, facilitam a comercialização de produtos e serviços. São iniciativas de projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, catadores de materiais recicláveis, redes de produção, comercialização e consumo, instituições financeiras voltadas para empreendimentos populares solidários, empresas autogestionárias, cooperativas de agricultura familiar e agroecologia e cooperativas de prestação de serviços.

Igrejas, sindicatos, universidades, entidades da sociedade civil e governos envolvidos com a economia solidária têm um papel relevante de apoio.

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária, fundado em junho de 2003, é o coordenador nacional do movimento e não se confunde com o similar estatal, a Conselho Nacional de Economia Solidária. Seu desafio é apoiar o abastecimento e a comercialização, o uso de moeda social, promover rodadas de negócio, realizar feiras, fazer campanha de consumo consciente, comércio justo e solidário, constituir redes, cadeias produtivas, finanças solidárias e trabalhar no campo do marco legal (especialmente: lei geral do cooperativismo e cooperativa de trabalho). Dele participam entidades como Abcred, Anteag, Concrab, Ecosol, Unicafes, Unisol Brasil, Cáritas Brasileira, FASE Nacional, Ibase, IMS, PACS, Rede ITCPs e Rede Unitrabalho.

O professor Paul Singer, economista e sociólogo da USP é a principal voz do movimento em prol da economia solidária. Além de diversos trabalhos sobre o assunto, ajudou em 1998 a criar a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP e assumiu a coordenação acadêmica da incubadora. A partir de junho de 2003, passou a ser o titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária.

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