Por que os EUA tem a maior taxa de pobreza dentre as 20 economias mais desenvolvidas?

Procurar a reforma dentro do sistema pode ajudar, mas o que agora é desesperadamente necessário é a mudança transformadora do próprio sistema. Gus Speth.

84 aviões F-15 e a modernização de outros 70 aparelhos por US$ 80 bilhões. Operações semelhantes a esta com a Arábia Saudita são feitas pelos EUA em todo o mundo.

84 aviões F-15 e a modernização de outros 70 aparelhos por US$ 30 bilhões. Operações semelhantes a esta com a Arábia Saudita são feitas pelos EUA em todo o mundo.

Curiosamente, o 2º post deste blog, publicado no final de 2010, foi motivado por uma palestra de Gus Speth sobre a eminente necessidade de conjunção de esforços de ambientalistas e ativistas sociais. E agora, no início desta nova fase do blog, apoio-me num novo, oportuno e excelente artigo do mesmo ativista, agora clamando pela transformação (revolução), intitulado “Os EUA são o melhor país se o critério for estar em último lugar”.

Ele começa, explicando a razão de ser do título, comparando os EUA às outras 19 economias mais desenvolvidas do planeta. Dentre os 20 países, os EUA têm:

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A Petrobras, o pré-sal e o tiro no pé.

“O fato é que o pré-sal tem fracassado e, de certa forma, contribuiu para que o Brasil passe pela maior recessão de sua história. O sonho do Eldorado que forneceria recursos para a educação, a saúde e os municípios virou pesadelo. Em vez de industrialização liderada pelos combustíveis fósseis, temos uma grande desindustrialização do país e aumento das taxas de desemprego.” José Eustáquio Diniz Alves.

Alguns dos recentes “estrategistas” da Petrobras.

Em 2006 ocorreu a descoberta de petróleo no pré-sal brasileiro. De “olho grande” cada vez maior à medida que novas descobertas aconteciam os “estrategistas” brasileiros seguraram a partir de 2008 novas licitações pelo regime de concessão para que um novo modelo voltado para os “interesses nacionais” fosse implantado.

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Crescimento desqualificado e exponencial – a marca comum das propostas do PT e do PMDB.

“… não estão nem um pouco preocupados em explicar como um padrão de consumo da classe média das economias desenvolvidas possa ser expandido para bilhões de pessoas sem explodir o planeta. Quem sabe, pensem apenas num jeitinho de incluir uma parte dos brasileiros nesta “boquinha” que aliás não é tão boa assim.”

É curioso, as recentes propostas do PT (O futuro está na retomada das mudanças) e do PMDB (uma ponte para o futuro) são conflitantes apenas na aparência e no jargão. No fundo ambas defendem o mesmo e “esquecem” o principal. Achei especialmente importante trazer isto à tona porque além de criarem uma esperança vã, tais propostas, com pequenas nuances, são a base do credo de todos os partidos existentes e dos que estão por se criar.

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O mercado, dizem os especialistas, é essencialmente um instrumento da democracia.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“Ora, acontece que democracia e capitalismo não andam juntos. Basta lembrar como são geridas as unidades básicas do capitalismo, as suas empresas. O comando e as decisões são simplesmente ditatoriais. Nelas, não há o menor espaço para decisões democraticamente tomadas pelos interessados.”

Parte 3, final, sobre a mão invisível do mercado.

Só faltava esta.

Os especialistas, no caso, são os economistas Gustavo Franco e André Lara Resende, relata Merval Pereira no artigo já referido no último post. As funções do mercado que atingem tão nobre resultado seriam a de transmissor de informações e a de expressar a opinião pública.

Mais uma vez vemos a lógica indireta. O mercado livre produz democracia.

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Gustavo Franco: Transparência é tudo quando se trata do funcionamento do mercado.

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“Deixo ao leitor a divertida tarefa de espantar-se item após item, perceber a fraqueza de cada afirmação e a má intenção nela presente. Não resisto, porém, a falar da transparência. Na verdade, transparência é tudo o que os grandes conglomerados não desejam e não praticam.”

Um dos muitos bancos acusados de manipulação de taxas de câmbio no mercado mundial.

Parte 2 de 3 sobre a mão invisível do mercado.

O intérprete de tal absurdo é o jornalista Merval Pereira em seu artigo “Mercado e democracia”. E não para aí. Entre outras barbaridades, cita:

  • A impessoalidade do mercado sai sempre mais barata para o contribuinte. “Goste-se ou não, o mercado é a forma mais eficiente e influente de expressão da opinião pública.”
  • “Quanto mais distantes do mercado estiverem as relações entre o público e o privado, quanto mais discricionárias as decisões, e quanto menor a transparência, maior será a corrupção.”
  • A contribuição mais relevante do economista austríaco liberal Friederich Hayeck “é o seu papel de defensor dos mercados, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, onde se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado.”

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A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

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Economias duais.

Um modelo para a formulação de uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia.

An  English version of the study is available at:  Dual economies“.

Este post é dedicado a complementar o da semana anterior divulgando a versão em inglês de artigo onde consolido os diversos posts aqui publicados e que procuram mostrar que o sistema produtivo evoluiu para muito além da chamada economia de mercado, que tal entendimento evidencia transformações profundas, em curso, no sistema econômico e social, que uma nova teoria é necessária de forma a refletir tal realidade e que outra, menos abrangente mas mais urgente, facilitará a transição.

Conto com sua contribuição com críticas, comentários e sugestões, tanto formais quanto de conteúdo, ao dito artigo que está disponível em Economias duais“.

Observo que não se trata do “mapa da mina” para a mudança e sim um facilitador para que se chegue à teorias adequadas. Conforme tenho insistido, a mudança se dá através da sociedade civil que, organizada para a ação política, é claro, com diversos segmentos expressando a variedade de correntes de pensamento, força a organização política e social existente a mudar, e não o contrário. Este é, aliás, o evidente desdobramento da manifestações havidas em junho último, das quais os partidos políticos tentam oportunística e inutilmente se aproveitar.

 

O PIB é um indicador precário e inadequado, e o 10º princípio.

“O que realmente importa é não cair na armadilha de “melhorar” a medição do PIB incorporando nele aspectos do trabalho doado como o doméstico e do que atende ao setor sem fins lucrativos.”

Princípios macroeconômicos – parte 4.

Este post completa o detalhamento de princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a Nova Economia relacionados anteriormente.

Antes, uma palavra sobre vínculo entre o modelo dual e a transição para uma Nova Economia.

A noção de uma economia dual representa apenas a tentativa de retratar o “outro lado da moeda” a que me referi no post Economias duais expandindo e entendendo o todo da atividade produtiva. A Nova Economia, por sua vez,é uma proposta em construção que abrange objetivos para este todo. Quanto mais a sua formulação puder refletir os anseios das pessoas e, principalmente, for baseada no entendimento correto da realidade, mais rapidamente ela se imporá.

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O lucro é motivação subordinada aos objetivos sociais dos empreendimentos, e o 8º princípio.

O lucro nunca foi motivação exclusiva. Mas, agora, a ideia de que somente com a vazão do espírito “animalesco” do empresário é que se pode obter eficiência e “progresso”, desabou.”

Princípios macroeconômicos – parte 3.

Este post continua o detalhamento dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a nova Economia relacionados anteriormente.

Antes, uma palavra sobre o termo teoria macroeconômica e o papel dos princípios na sua formulação. Para tanto vou recorrer a um trecho do estudo de Bresser Pereira “Os dois métodos da Teoria Econômica”:

A teoria clássica do desenvolvimento econômico, fundada por Smith e Ricardo, teve em Marx e em Schumpeter seus dois grandes continuadores. A teoria neoclássica representou uma contribuição fundamental para a teoria econômica quando Jevons, Menger, e Walras desenvolveram a abordagem marginalista, quando o último concebeu o modelo de equilíbrio geral, e quando Marshall deu certa praticidade à teoria microeconômica. Finalmente, a teoria macroeconômica fundada por Keynes e Kalecki, que afinal transformou a teoria econômica em um instrumento efetivo de política econômica, teve como principais continuadores Harrod, Hicks e Minsky.

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Os bens comunitários são parte essencial da vida das pessoas, e o 6º princípio.

“O conceito abrange os recursos naturais acessíveis à humanidade, incluindo o ar, a água e a natureza em geral. Incluí também o acervo criado pela nossa civilização, iniciada há cerca de 10.000 anos. Tais bens pertencem, em tese, à coletividade.”

Biblioteca Nacional do Ro de Janeiro

Biblioteca Nacional do Ro de Janeiro

Princípios macroeconômicos – parte 2.

Este post continua o detalhamento dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a Nova Economia relacionados anteriormente.

Antes, uma palavra sobre o termo “princípios”. Isto porque, chamou-me a atenção o uso do termo no manifesto Principles for a New Economy lançado pelo New Economy Network com o sentido de um guia para a ação. Obviamente, o termo é aqui usado para retratar algumas das premissas que orientem a formulação, por fazer, de uma teoria macroeconômica que considere a existência de uma economia dual e em expansão e suas consequências mais visíveis. Em particular o desafio consiste em elaborar um modelo macroeconômico de transição que inclua fatos concretos que já estejam ocorrendo na vida econômica, em especial, o trabalho não remunerado e livre, e com isto facilite a transição para uma Nova Economia.

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A atividade econômica pode e deve ser orientada pela sociedade, e outros 3 princípios.

“… A “prima-dona” da economia deixa de ser o automóvel em prol do transporte coletivo.”

Princípios macroeconômicos – parte 1.

O post de hoje e o próximo são dedicados ao detalhamento dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a Nova Economia relacionados na última 4ª feira.

Vamos então ao detalhamento dos 4 primeiros daqueles princípios:

1 – O trabalho não remunerado e livre tem existência importante e crescente.

Como vimos, o trabalho doado assume, hoje, uma dimensão equivalente ao remunerado e, com uma tendência de forte expansão relativa. Isto faz com que a economia dual, que dele deriva, tenda a ser a força principal na orientação das relações econômicas e sociais. Esta questão foi abordada em detalhe nos posts Trabalho não remunerado – 1, Trabalho não remunerado – 2, O setor sem fins lucrativos e Trabalho doado no Brasil.

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10 princípios para uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia.

“… os recentes massacres no Egito indicam que existe a possibilidade real dos desprovidos serem contidos em guetos, impedida a diminuição do trabalho remunerado e imposta, a qualquer custo, a preservação de privilégios.”

Princípios.

8 dos últimos 9 posts foram dedicados a propor e detalhar a existência de uma economia dual à de mercado. Cabe agora mostrar que a adoção deste modelo econômico mais complexo favorece e melhor embasa, dentre outros, o movimento em prol de uma Nova Economia.

Antes de mais nada, convém ressaltar que a economia dual não é um desejo e sim uma constatação que resulta do reconhecimento do trabalho não remunerado e livre. Junto com a economia de mercado forma o todo da atividade produtiva humana. Com seu crescimento, ao longo do tempo, relativamente à de mercado, em razão da expansão do voluntariado e da criação digital, além da pressão pela diminuição contínua da necessidade do trabalho de sobrevivência, a economia dual, em algum momento, torna-se dominante.

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A existência de uma economia dual. Respostas ao espanto, dúvida e reação.

“… se os benefícios da inovação e do aumento de produtividade convergirem para as pessoas, estas terão que exercer cada vez menos trabalho remunerado.”

Questionamentos.

A afirmação da existência, hoje, de um outro sistema produtivo e, ainda por cima, em expansão, causa espanto, dúvida e reação. Para ajudar a supera-los, relaciono a seguir os que me parece serem os principais questionamentos:

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A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 2.

A sociedade civil, apoiada na força da expansão da economia dual, vai, ao longo do tempo, pressionando e criando os mecanismos para que se reformulem ou sejam substituídas as instituições de todos os tipos, governamentais ou não, deixando estas de ser o que são hoje, em sua maioria, instrumentos do sistema econômico de mercado.”

A economia dual – Parte 2.

Como vimos, o trabalho doado assume, hoje, uma dimensão equivalente ao remunerado e com uma tendência de forte expansão relativa. Isto faz com que a economia dual, que dele deriva, tenda a ser a força principal na orientação das relações econômicas e sociais.

Convém, neste ponto, detalhar um pouco mais uma das figuras apresentadas na parte 1, agora incluindo os principais fatores envolvidos em cada tipo de economia e os tipos de bens e serviços que cada uma gera, o que é mostrado na figura 1 abaixo, complementada por explicações apresentadas logo a seguir.

Retrato atual

Figura 1 – Retrato atual

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Dúvidas.

O post desta semana é dedicado a instigar o leitor a analisar e comentar alguns dos aspectos da economia dual apresentados no último. Faço isto através de perguntas:

  •  A economia dual se opõe e pretende substituir a economia de mercado?
  • Existe um espaço comum entre os dois tipos de atividade produtiva?
  • Será, realmente, que alguém doa trabalho em uma fábrica, num escritório, no campo?
  • Acesse aqui o post completo.

A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 1.

Antes de mais nada vem a pergunta: será mesmo importante o trabalho exercido sem fins remunerativos? Muito. Muito mais do que se possa imaginar à primeira vista.”

Figura 1

Figura 1

A economia dual – Parte 1.

Nem o mais insensível daqueles que possuem a famosa “voracidade animal” ou dos que pensam em seu favor consegue negar que o que gera valor é o trabalho humano. Curiosamente, apenas uma parcela deste trabalho é considerada, o que me levou a afirmar, no último post que reconhecer a importância crescente do trabalho sem fins remunerativos sugeria a existência de dois mundos, o da troca no mercado e o da doação, esquematicamente representados na figura 1, acima.

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Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho sem fins lucrativos e que cria bens e produtos que são doados e não são objeto de troca.”

'Jahangir zodiacal gold coin Leo' photo (c) 2009, zeevveez - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Economias duais.

Começo hoje uma série de posts com anotações de meu entendimento de algumas das mudanças que A Nova Economia precisa e impõe à teoria econômica.

Bem, antes de mais nada, vale desmentir algumas afirmações que tem sido feitas sem base:

  • Não é verdade que sem ter o lucro acima de tudo o capitalista não tem incentivo para investir, restringe-se sua iniciativa e caminha-se para o socialismo, entendido como o fim da propriedade privada.
  • Também não é verdade que o objeto da teoria econômica seja a alocação ótima de recursos escassos.

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A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”. Immanuel Wallerestein.

A grande recessão recrudesce.

Algumas “pérolas” do pensamento da diretora gerente do FMI publicadas no último dia 10 em O Globo sob o título: Para FMI, países ricos devem levar adiante políticas monetárias expansionistas:

O crescimento mundial continuará fraco, o que torna necessária a continuidade da política monetária expansionista dos países ricos”.

A ferramenta implica em riscos para emergentes, como o Brasil, referentes à taxa de câmbio, ao fluxo de capitais, à formação de bolhas de ativos e crédito e à estabilidade dos sistemas financeiros”.

A maior preocupação é que, assim como tudo que sobe desce, tudo que entra sai. Uma reversão abrupta de grandes fluxos de capital pode levar junto as economias. Por ora, o risco está sob controle”.

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Uma leitura crítica do artigo “Emergente tardio” de Cristóvão Buarque

“Emergimos em direção a um objetivo que não mais satisfaz. É como uma família plebeia que emergisse à nobreza na Rússia Czarista na véspera da revolução socialista”.

'Precipicio' photo (c) 2009, ramos alejandro - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Emergente tardio.

Um excelente artigo que faz pensar e por isto mesmo desperta a crítica. A tese central do “Emergente tardio” é a de que o foco no crescimento do PIB pelos países emergentes se dá no momento em que o desafio é justamente superar o PIB como orientador da atividade econômica. E, no caso particular do Brasil, este tem uma tradição histórica de buscar objetivos ultrapassados.

Além de concordar com a tese, lembrei-me imediatamente da política nacional de informática que começou corretamente com o BNDE (na época) apoiando, a partir de meados da década de 60, centros de excelência em universidades brasileiras. A partir daí suas propostas ficaram sempre um passo atrás. Na época que os microcomputadores eram o caminho óbvio, financiou-se e privilegiou-se a fabricação nacional de minicomputadores. Um novo passo atrás deu-se quando a ligação em rede era o caminho e optou-se pela produção de microcomputadores. E seguiu nesta toada. Quando apostar em software era evidente, manteve-se a prioridade no hardware. E quando a informação mostrava-se ser o elemento critico, foi a vez da opção pelo software nacional. Depois disto, sumiu do mapa.

Ih!, acabo de ler que ressurgiu. Mais 500 milhões vão para o TI maior, novo “programa estratégico de software e serviços de tecnologia de informação”. É claro, “esqueceram” do software livre, os governos continuarão comprando softwares proprietários, a internet 2.0 continuará voltada para setores “prioritários” em geral do próprio governo, a criação multi-mídia, a comunicação e a interação de “muitos com públicos específicos”, possível novo paradigma que já se vislumbra, e o uso dos canais digitais, ainda sob domínio dos antigos detentores do espaço analógico, para a difusão da banda larga de verdade e de baixo custo continuarão a não merecer consideração, mantendo assim a tradição do “sempre um passo atrás”.

Bem, voltando ao artigo, ao lê-lo, constatei algumas incongruências que acho importante mencionar.

De início cita que “o mundo desenvolvido tem por base quatro grandes princípios: a Democracia Política, o Crescimento Econômico, o Bem-Estar Social e a Inovação Técnica”. Será? A democracia política via representação mostrou-se incapaz de promover os reais interesses dos representados. E, o bem estar social não é algo que esteja disseminado nos países desenvolvidos. Resta, sim, o crescimento econômico, com a inovação técnica a reboque e o voto e a seguridade social no papel de atenuador de tensões.

Continua dizendo que este países estão mudando devido a “…quatro novos fatores: os limites ecológicos ao crescimento, a mega concentração de renda, uma revolução científica e o descolamento do setor financeiro em relação tanto à realidade econômica quanto às fronteiras nacionais”. Os fatores, é verdade, existem, mas não há sinais de mudança.

Reforça o argumento dizendo que “daqui em diante, os países do Primeiro Mundo, países ricos, estão sendo obrigados a fazer escolhas entre continuar o crescimento econômico em direção a uma grave crise ecológica; restringir os benefícios sociais em direção ao equilíbrio fiscal; equilibrar suas economias nacionais em um mundo integrado; ajustar seus empregos aos tempos da nova ciência e tecnologia; dominar a mega concentração de renda sem ferir a democracia; cumprir compromissos presidenciais com uma população que vive mais anos”. Não, a escolha deles já está feita, e é pelo crescimento econômico a despeito das evidencias de consequências nefastas.

O artigo termina dizendo que “…o mundo evolui para mais tempo livre, maior produção cultural, melhor distribuição e mais qualidade nos serviços públicos, respeitando o meio ambiente; mais atenção à saúde pública, aos idosos e às crianças; revolução no atendimento universal e no conceito de educação por toda a vida; preocupação com o bem-estar e até com a felicidade…”. Não, não é verdade a despeito do desejo de muitos, mas que estão completamente à margem dos centros de decisão.

O fato é que emergentes, subdesenvolvidos e desenvolvidos estão juntos privilegiando o PIB, num salto para o inviável. E, não parece nem um pouco razoável que os emergentes e subdesenvolvidos possam provocar a mudança de caminho.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil

Os produtos, hoje, são projetados e construídos para deixarem de funcionar e com isto forçar sua substituição periódica, e quando não, o são já com novos modelos em vista, sem alterar as suas funcionalidades, e que por meio de marketing agressivo são “empurrados” para o consumidor. Tudo em nome de vendas incessantes e crescentes.

Feito para quebrar, velho por imposição.

Recebi do leitor Paulo Garcia um excelente vídeo sobre a pratica generalizada de fabricar produtos que durem muito menos do que poderiam. O vídeo é relativamente longo, 52 minutos, mas vale a pena. O título do vídeo “obsolescência programada” indica na verdade duas possibilidades principais. Uma, a do feito para quebrar. Lâmpadas, por exemplo, que duram 1.000 horas e poderiam ter vida útil quase que interminável. O vídeo mostra, aliás, uma festa de aniversário dos 100 anos de vida de uma lâmpada. Produtos descartáveis que não precisariam o ser, é um outro bom exemplo. O vídeo mostra o caso de uma impressora que tem embutido um chip que limita o número máximo de impressões.

A outra pratica, a do velho por imposição, talvez um pouco menos criminosa que a anterior, mas muito mais danosa, consiste na “imposição” de modelos novos fazendo com que o consumidor se sinta “obrigado” a trocar, acrescentar ou jogar fora um produto para ter a versão mais recente. E para isto o “marketing” tem um papel decisivo. O automóvel é talvez o exemplo mais marcante. Ano após ano vai aumentando a pressão “psicológica” em cima do consumidor para trocar o seu veículo visivelmente “velho” por um novo com a mesma funcionalidade.

Curiosamente, o vídeo é muito bom na parte factual, mas as conclusões tem pouco embasamento nos fatos que mostra. Tende a concluir que a prática mostra que é preciso diminuir, reduzir, encolher, decrescer, enfim, já que o mundo não é capaz de suportar o crescimento infinito.

Peca pela lógica, neste caso. Ora, se os produtos podem ser fabricados com vida útil de outra ordem de grandeza que os atuais, isto quer dizer, sim, que pode-se atender as necessidades de muito mais gente com a mesma base instalada. Isto, combinado com práticas de consumo mais saudáveis e um desenvolvimento material que não transgrida as barreiras ambientais, pode permitir que uma população estável venha a ter uma vida plena, saudável e com acesso a tudo de bom que a civilização criou até aqui, e virá a criar.

É óbvio que este mundo imaginado contempla práticas que se chocam com os interesses das empresas como existem hoje. Transporte público ao invés de automóveis, prevenção e saneamento em lugar de mais hospitais e assim por diante. Mas isto já é assunto para outro post.

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