Classes sociais e o movimento por uma Nova Economia.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Destas mudanças, a que maior impacto causou, a meu ver, é a televisão. Ao levar informação à imensa maioria da população, acelerou a subversão das antigas rígidas fronteiras ideológicas…”

Família de Pernambuco em frente à TV

A tendência contínua de expansão do mercado consumidor mundial fruto da necessidade de crescimento exponencial do sistema produtivo de mercado na luta pela preservação de sua margens de lucro tem provocado ondas gigantescas de mudança no ambiente social.

E, o mundo de hoje é marcado, claro, por tais mudanças. A afirmação da globalização, a facilidade de comunicação, a rapidez nos transportes e a difusão da informação pelos jornais, radio, TV e internet, todos tendo como base principal a evolução tecnológica, são exemplos evidentes no nosso dia a dia.

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Saídas para a atual crise da Nova Economia.

(Access here the English version)

Um primeiro passo e relativamente simples é voltar a disponibilizar na internet o histórico de realizações tanto da NEN quanto da NEI que desapareceram (!) junto com os respectivos sites.”

Cartaz de conferência promovida pelo New Economics Institute em julho de 2012.

Parte 3 (final), sobre a “renuncia” de Bob Massie.

A repercussão desta série sobre a renúncia de Massie reforça a importância de apontar para algumas das providências urgentes visando superar a crise que atravessa o movimento por uma Nova Economia.

Vale mencionar que não recebi nenhuma resposta ou ponderação que possa considerar um posicionamento de Massie ou da NEC, apenas manifestações de quem já foi ou é parte da organização. Sem exceção, todos confirmam os problemas aqui mencionados e em alguns casos com novos aspectos e fatos.

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Uma rede destruída e uma coalizão fracassada. Tudo, de uma só vez.

(Access here the English version)

“Fiquei bastante apreensivo ao verificar que um trecho de seu e-mail “A triste verdade é …” atesta que o anúncio da fusão foi uma peça de falso marketing. … Obviamente, forçar a saída do NEI fez também parte da história não contada do real fusão.”

Parte 2 de 3, sobre a “renúncia” de Bob Massie.

O post de hoje transcreve e-mails que explicam bem parte da crise causada pela tentativa de formar uma coalizão. Eles podem ser sintetizados pela fórmula: NEI (Institute) + NEN (Network) = NEC (Coalition) = nada.

Na terça-feira, 11 de marco de 2014 eu escrevi para membros do conselho da NEN – New Economy Network, Sarah Stranahan, Gus Speth e Keith Harrington:

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A verdadeira razão da “renúncia” de Bob Massie e a crise no movimento da Nova Economia

(Access here the English version)

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

A falta de transparência na notícia da “renúncia” é triste. Até agora não se sabem os reais motivos, apesar de ser bastante fácil deduzi-los. É como se não revelar a própria fraqueza e dificuldades as tornassem inexistentes.”

Bob Massie, 2º a partir da esquerda no debate entre democratas.

Parte 1.

Antes de continuar a análise da radical redução da jornada de trabalho, proposta que, aliás, está se tornando, ainda em variados graus, cada vez mais difundida e aceita, o que se comprova por recentes entrevistas de personalidades do “establishment”, dentre elas, uma concedida pelo presidente do Google, Larry Page e outra pelo mexicano Carlos Slim, dono de um dos maiores conglomerados do mundo, vou dedicar os próximos posts a alguns fatos e assuntos recentes e de especial interesse para a Nova Economia.

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O trabalho não remunerado. Os muitos e importantes bens e serviços que dele dependem – parte 2.

Somente bem mais recentemente, com o modo de produção capitalista, é que o trabalho remunerado se impôs como relação dominante na produção dos bens e serviços seja para consumo seja para investimento.”

Trabalho não remunerado – Parte 2.

Soa como uma contradição, tal a crença que se formou que trabalho e remuneração andam juntos.

Mas não. Basta relembrar que outros tipos além do remunerado ocorreram com maior ou menor intensidade ao longo da história, dentre eles o trabalhos isolado, cooperativo, coletivo, não remunerado, escravo e feudal. Uma ou mais destas formas de trabalho e de sua apropriação parcial ou total por terceiros foram dominantes em cada época. Algumas, se mantém até hoje.

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O trabalho não remunerado. Os muitos e importantes bens e serviços que dele dependem – parte 1.

Apesar das evidências, pode-se imaginar um certo irrealismo ao crer que seja possível existir trabalho não remunerado, tal o peso da crença que se cristalizou de que o que motiva o ser humano é o ganho material e o que o obriga a trabalhar é a necessidade de sobrevivência.”

Trabalho não remunerado – Parte 1.

As dúvidas que enumerei no último post serão respondidas ao longo dos próximos posts e também em post específico ao final daqueles, consolidando as respostas.

Bem, como dito no penúltimo post, o trabalho doado ou não remunerado por decisão própria é a base da economia dual à de mercado e está em expansão ao contrário do trabalho remunerado que declina.

O trabalho não remunerado sempre existiu, e de forma expressiva. A produção de bens e serviços para o consumo familiar, o serviço doméstico, o estudo, treinamento e aprimoramento formais e informais, uma parte substancial da criação artística e científica, a atividade altruísta e a participação quando não remunerada e compulsória em guerras, conquistas, lutas sociais e de reconstrução após catástrofes e guerras são historicamente os exemplos mais interessantes. É a sua presença que, em boa parte, explica o surgimento e o progresso das civilizações.

Mais recentemente, a ação voluntária e a produção de informação digital destacaram-se e tornaram ainda maior e crescente a importância do trabalho não remunerado.

Acesse aqui o post completo.

Grupos de estudantes do movimento em prol da Nova Economia estão ativos em 14 câmpus de universidades dos EUA.

“Será que a mobilização de estudantes brasileiros não seria também uma alavanca em prol de uma Nova Economia por aqui combinando justiça social, preservação ambiental e bem estar?”

Estudantes se engajam nos EUA.

Ao relatar em recente post a formação de uma coalização por uma Nova Economia e o início de amplo movimento popular nos EUA, mencionei que a principal iniciativa de liderada por Bob Messie, presidente da Coalizão, além da própria expansão da coalizão, seria focar na difusão do movimento nas universidades americanas.

Acesse aqui o post completo.

Coalização marca o início de amplo movimento popular nos EUA por uma Nova Economia.

“A melhor chance de mudança é a convergência para uma causa comum dos que lutam pela preservação do meio ambiente, por justiça social, por uma democracia verdadeira e por bem estar.” Gus Speth.

Coalizão por uma Nova Economia.

Bem, inicio os posts de 2013 relatando a formação nos EUA em 8 de janeiro último da Coalizão por uma Nova Economia, inicialmente através da fusão do NEI – New Economics Institute com a NEN – New Economy Network e com o objetivo de atrair para seu universo todos as correntes afins, juntar forças e constituir um movimento de massas que se contraponha ao status quo e demonstre a vontade e a necessidade de mudança por justiça social, preservação ecológica e bem estar.

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Formulação teórica, mobilização, obtenção de recursos, treinamento, organização, divulgação e manifestação pública.

Quando há acumulação de massa crítica, não tem jeito, a “explosão” ocorre. É inevitável, quando se trata de extinguir interesses profundamente enraizados, mas são episódios relativamente curtos na história.

'green labyrinth at sunset' photo (c) 2007, Madalena Pestana - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Ativismo ou …

4º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Como visto até aqui, a Nova Economia é uma proposta que se pode visualizar como mais um elo do processo histórico de mudança que marca a “evolução” de nossa civilização e que teve origem há cerca de dez mil anos. É uma enorme mudança que depende de movimentos sociais e estes do ativismo.

O ativismo toma várias formas. Volto a citar o Alperovitz autor do artigo, em inglês, “Mais ativo do que se pensa”, para ilustrar uma delas, a da vivência por grupos relativamente pequenos de práticas que exemplificam uma Nova Economia. Na verdade, nem tão pequenos assim. No artigo, ele mostra que mais de 40% dos americanos estão envolvidos em atividades como: cooperativas, em particular as de crédito, empresas de propriedade dos próprios trabalhadores, propriedade comunitária da terra, empresas sem fins lucrativos, bancos estaduais e preservação ambiental. Na mesma linha, vale a pena conhecer os resultados de um projeto do “New Economics Instituteque mostra e mapeia iniciativas em todo o mundo que contribuem para o que chama de “A grande transição para uma Nova Economia”.

Entre nós, a “economia solidária” é o exemplo mais marcante da vivência e experiência em pequena e média escala de reconstrução evolutiva.

Além desta forma, a ação dos grupos interessados e organizados pode se dar também em outros dois cenários principais que ocorrem, juntamente com o anterior, como vimos, concomitantemente. Um, de dentro do sistema, tentando fazer com que este modifique a si mesmo. A democracia por representação é a pratica mais citada neste cenário. A tese é de que o processo eleitoral ao se repetir e consolidar leva ao aperfeiçoamento das instituições. Não creio. Voltarei a este tema detalhadamente, mas por ora basta lembrar as limitações do principal exemplo, o americano. Mas isto não invalida, de forma alguma, as atividades reformistas. A ação de profissionais bem intencionados “ajudados” pela “opinião pública”, em muitas áreas, tem levado a mudanças interessantes. Melhor educação, saúde, segurança, justiça são bons exemplos.

O último, é o do rompimento. Quando há acumulação de massa crítica, não tem jeito, a “explosão” ocorre. É inevitável quando se trata de extinguir interesses profundamente enraizados, mas são episódios relativamente curtos na história. Curtos porque tanto o imobilismo, contraditoriamente, e a revolução não são estados de equilíbrio. O fato é que nenhuma sociedade fica parada ou em revolução permanente. A primeira parte da afirmação é óbvia. A segunda, é evidenciada pela história. A revolução russa de 1918 mostrou isto muito bem. A partir dela seguiu-se uma trilha reformista buscando a criação de infraestrutura econômica e militar e de forma a enfrentar a guerra civil e a ameaça externa.

Outro exemplo é o das recentes “explosões” no norte da Africa, na Espanha, na Itália, na Inglaterra e agora nos EUA com os movimentos “Occupy Wall Street” e “99% Power” que parecem ter o potencial de se tornarem movimentos sociais. Que, por sua vez, podem consolidar as rupturas, induzirem a reforma e a evolução, ou também, no balanço de forças, evidenciar que o status quo é, neste momento, ainda o mais forte. A ver.

Enfim, para que um movimento social vá se construindo e fortalecendo é preciso também que o ativismo ocorra de forma coordenada. Para isto, é necessário, nos três cenários desenvolver as atividades clássicas e típicas dos grandes movimentos sociais: formulação teórica, mobilização, obtenção de recursos, treinamento, organização, divulgação e manifestação pública, claro, sempre adaptadas às circunstâncias específicas.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos

Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais.

'Wolves attack a grizzly mother & cubs.  She escapes' photo (c) 2012, *christopher* - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

O “dom” animalesco e voraz em sua versão mais pura

A implosão do sistema.

3º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Do ponto de vista social, parece-me que ficou claro que reforma, reconstrução evolucionária e revolução são parte de um mesmo quadro numa sociedade que está em movimento permanente.

Isto vale também para o caso específico da mudança para uma Nova Economia. Trata-se de um movimento de enorme envergadura e complexidade e que assume as três formas em distintos momentos e locais e requer ações que se adequem a tal complexidade. E até mais. Admite e precisa da ação de todos. Tanto dos que pelo exemplo constroem experiências típicas da Nova Economia, quanto dos que procuram, em boa fé, reformar o sistema por dentro, e, em especial, daqueles que protestam e lutam por um futuro melhor.

É um movimento que tem como objetivo a reorientação da atividade produtiva priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar e que pode alcançar isto, a meu ver, através, principalmente, de duas de suas principais linhas de ação, por terem o necessário poder de transformação: a redução da jornada de trabalho (veja o estudo em português da nef: 21 horas) e a internalização de custos hoje externalizados (veja o post Quanto pior, melhor). Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais. O máximo que se pode dizer, e é o que é dito, é que são inviáveis.

Claro, inviáveis, na visão dos que fazem parte do status quo e que não aceitam subordinar o lucro aos interesses maiores da sociedade. Estes chegam ao auge de sua argumentação esdrúxula dizendo que o lucro é a prioridade máxima porque é ele quem atrai o lado “animalesco e voraz” de alguns poucos seres humanos mais bem dotados de tal “dom” e considerados indispensáveis para que os empreendimentos surjam e floresçam.

Nada mais claro de que se trata de um choque de visões e interesses e que cabe ao movimento social em prol de uma Nova economia, a cada momento e lugar, propor o desdobramento daquelas duas grandes linhas de ações em “bandeiras” de luta que possam ser vitoriosas para, passo a passo, irem acumulando a energia necessária para a superação do impasse atual. A redução da semana de trabalho para 35 horas, por exemplo, foi uma bandeira importante na França no inicio deste século. A luta para que o “custo oculto” da usina de Belo Monte seja revelado, é outro bom exemplo.

Além do simples choque de visões e interesses está a dura luta pela manutenção dos privilégios, de um lado, e por uma vida melhor, do outro. Questões principalmente econômicas, enfim, é que levam os grupos sociais mais desfavorecidos a se mobilizarem e em muitos casos colocarem em risco sua próprias vidas. A verdade é que só com muita mobilização, muita luta é que será possível orientar a atividade produtiva na direção correta. Trata-se de um esforço coletivo e que tem sido chamado, pelas diversas correntes em favor da Nova Economia, de ativismo.

Mesmo sabendo que é indispensável agir, é interessante lembrar que, em paralelo, um vento a favor “oculto” está sempre presente. São as mudanças lentas e profundas de adequação à realidade que se transforma, sem a necessidade de nenhuma imposição moral, econômica ou social. A adequação, se dá pacificamente e é resultado da pressão do inevitável. A incrível penetração da televisão em todo o mundo e a consequente mudança no grau de consciência das pessoas em geral, é talvez o maior exemplo deste fator “invisível”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Reforma, revolução ou reconstrução evolucionária, qual o caminho para a Nova Economia?

É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…
As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política”.
Gar Alperovitz e Steve Dubb.

'March on Washington for Jobs and Freedom, Martin Luther King, Jr. and Joachim Prinz pictured, 1963' photo (c) 2012, Center for Jewish History, NYC - license: http://www.flickr.com/commons/usage/

Marcha pelos direitos civis. Washington, 1963.

Reforma ou revolução?

Continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, terceira e última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

No último post, acredito que ficou claro que uma Nova Economia somente se tornará realidade através de movimentos sociais de enorme alcance e motivados pelos que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações do mundo.

Hoje vou procurar detalhar um dos aspectos destes movimentos recorrendo a um artigo em inglês de Gar Alperovitz e Steve Dubb: “Se você não gosta do capitalismo nem do socialismo, o que é que você quer? onde descrevem três possibilidades básicas de mudança social:

“É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…

As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política. O planeta como um todo está ameaçado pelo aquecimento global. A vida de milhões esta afetada pelo sofrimento social e econômico. Nossas comunidades estão em decadência. Existe alguma saída para isto?…

Pensadores e ativistas têm abordado as possibilidades de mudança a partir de duas perspectivas. Uma, a tradição reformista que acredita que as instituições existentes são capazes de se adaptar e promover o progresso… Outra, a tradição revolucionária que prevê eliminação das instituições existentes, na maior parte dos casos, violentamente, e normalmente precipitada por um colapso do sistema vigente.

Mas, o que ocorre se o sistema nem se reforma nem entra em colapso?

Este é exatamente o caso dos EUA, que pode ficar nesta situação por décadas… Neste contexto, possibilidades estratégicas muito interessantes podem ser viáveis…São processos de longo prazo que podem ser bem descritos como reconstrução evolucionária, a saber, uma transformação institucional e sistêmica da politica econômica ao longo do tempo”.

A marca da reconstrução evolucionária me parece ser a da implantação prática, em relativamente pequena escala, de experiências que se dão à margem do sistema vigente e que podem ganhar massa crítica para o transformar. No dizer dos autores: “Cooperativas, áreas comuns, propriedades mistas com a municipalidade, propriedade pública, são algumas destas possibilidades e que levam à democratização da propriedade”.

O artigo todo é muito interessante, ajuda a pensar a questão da mudança mas me parece induzir a uma conclusão de que a reconstrução evolucionária é quase que uma síntese do conflito entre reforma e revolução. Não creio.

Na verdade, gradualismo e mudança de qualidade, assim como reforma e revolução no caso das mudanças sociais, se opõe mas, são parte do mesmo quadro. As instituições evoluem até o ponto de ruptura, e em seguida a evolução retoma seu curso, agora em novas bases. Isto não quer dizer que se possa ficar esperando a evolução gradual. Ao contrário, a história mostra que a pressão dos movimentos organizados levados adiante pelos grupos interessados é indispensável para que a mudança ocorra na direção que interessa à grande maioria.

Trata-se, acredito, de movimento de longo prazo, organizativo, que assume ao longo do tempo várias formas: reformista, revolucionário e evolutivo, adaptativo às circunstâncias e culturas e com vários polos e viéses. De grande complexidade, enfim.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

Mudança: uma força surpreendente, transformadora, inevitável, contínua

Veja, é importante procurar viver sustentavelmente. Como disse Gandhi: “seja a mudança”… Este é um grande ponto de partida. Mas, péssimo ponto de chegada. Afinal, será que nós sequer saberíamos quem Gandhi foi se ele apenas costurasse suas próprias roupas e ficasse esperando os britânicos saírem da Índia?”. Annie Leonard.

A força das mudanças.

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando da terceira e última parte, a de como fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

As duas primeiras partes dizem respeito às razões que impõe uma Nova Economia e em quais mudanças mais convém focar e já foram analisadas em posts específicos. Agora, o desafio é expor as formas de ação que podem levar a uma Nova Economia e com o menor trauma possível.

Ao preparar o texto me deparei com a necessidade de aprofundar alguns tópicos, dentre eles:

Mudança social.
Reforma ou revolução.
Democracia.
Direitos humanos.
Sociedade civil.
Ativismo.
Vivência (valores e atitudes).
Transição.

Isto, na esperança de que detalhando tais tópicos pudesse responder algumas das questões mais importantes sobre a mudança e que me vêm à mente, insistentemente:

  1. O quanto a vivência e a experiência pessoal podem ser exemplares, embrionárias e transformadoras?
  2. Até onde a chamada democracia política é capaz de modificar a realidade social ou é uma preservadora do status quo?
  3. Se as instituições oriundas da chamada democracia política, em especial, as que se justificam pela tão falada separação de poderes, promovem ou vem a reboque da luta pelos direitos humanos?
  4. Quão real é a possibilidade dos privilégiados imporem a direção da mudança e com isto cristalizar um mundo com castas, guetos e nações inteiras de excluídos?

Na própria formulação das perguntas acho que dá para perceber um certo pessimismo e a visão de um caminho com inúmeras dificuldades para que se chegue a uma mudança do porte da prevista pela Nova Economia. E a percepção de que a mudança é inevitável mas os resultados dela não. Depende da intensidade das crises, da evolução social e sobretudo do grau de consciência, luta e obstinação daqueles que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações das nações do mundo. Em suma, mesmo com um resultado incerto, o que é preciso mesmo é engajamento para que a Nova Economia se imponha.

Por isto, escolhi começar esta última etapa da caracterização de uma Nova Economia referindo-me a um filme legendado, simples e curto, “A história das mudanças”, e que faz pensar na mudança. O filme foi produzido pelo projeto “História das coisas”, narrado por Annie Leonard e animado pela RSA Animate. Observo que história, no caso, tem um sentido de pequena narrativa e não uma análise de sua ocorrência ao longo do tempo.

Um post de Taís CapeliniMuito além do ativismo de teclado” publicado no Blog Coletivo Outras Palavras, apesar do título que parece desvalorizar o trabalho intelectual, faz uma boa análise do filme. Mas, leia antes algumas das passagens do filme que me chamaram especial atenção:

Mudança de verdade ocorre quando os cidadãos se unem para mudarem as regras do jogo …

Veja, é importante procurar viver sustentavelmente. Como disse Gandhi: “seja a mudança”… Este é um grande ponto de partida. Mas, péssimo ponto de chegada. Afinal, será que nós sequer saberíamos quem Gandhi foi se ele apenas costurasse suas próprias roupas e ficasse esperando os britânicos saírem da Índia?

Portanto, como fazer uma grande mudança?

Para responder esta questão, eu olhei para Gandhi, para o movimento anti-apartheid na Africa do Sul, o movimento pelos direitos civis nos EUA e as vitorias em prol do meio ambiente também nos EUA na década de 70. Eles não apenas induziram as pessoas à escolhas perfeitas em seu dia a dia. Eles mudaram as regras do jogo.

Percebe-se que três aspectos estão presentes quando tais mudanças ocorrem.

Primeiro, as pessoas partilham uma grande ideia de como as coisas poderiam ser melhores. Não apenas um pouco melhor para algumas pessoas mas, muito melhores para todos … Elas atingem o coração do problema, mesmo que isto signifique mudar sistemas que não querem ser mudados. E isto pode ser assustador …

Segundo, as milhões de pessoas que fizeram mudanças extraordinárias não tentaram fazê-las sozinhas e sim trabalharam juntas até o problema ser resolvido …

E finalmente, tais movimentos alcançaram seus objetivos porque pegaram uma grande ideia e sua disposição para lutarem juntas, e partiram para a ação”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

O que fazer

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 30 de maio de 2012):

Continuo hoje com a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog, tratando do que fazer para que se alcance os resultados pretendidos.

É claro que o aumento na frequência e intensidade das catástrofes naturais devidas ao aquecimento global, o acirramento das tensões sociais e ambientais decorrentes da incorporação constante de pessoas aos padrões vigentes de consumo e do aumento populacional oriundo dos países mais pobres e a crescente percepção de que um maior bem estar já é possível e desejável, são tremendos impulsionadores para uma Nova Economia. Ocorre, que os que têm interesses contrários já estabelecidos, se não enfrentados, retardarão ao máximo a mudança, tornando-a mais danosa e dramática, se é que não nos levarão a um ponto sem retorno em termos de preservação da civilização.

Assim, é central se contrapor ao status quo e convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes.

Evidentemente, inúmeras possibilidades surgem à mente. Estabilização da população, mudança da mentalidade consumista, substituição das fontes de energia fóssil, são alguns exemplos. Mas, é preciso selecionar, dentre elas, aquelas que tenham o maior potencial de irradiar a mudança, o que por sua vez permite, o que é decisivo, focar a ação.

Quatro questões me parecem constituir este grupo: restringir os impactos sociais e ambientais negativos oriundos da produção e consumo de bens, reduzir a jornada de trabalho, romper com a teoria econômica ortodoxa e viabilizar decisões mandatórias globais.

Em relação aos impactos negativos, o uso de recursos naturais, em particular o que causa poluição atmosférica, emissão de carbono, depleção dos recursos hídricos e de cardumes, degradação do solo, desflorestamento e o esgotamento de fontes não renováveis, vem intuitivamente à mente, como exigindo uma compensação de forma a evitar ou se, inviável, limitar o dano.

Estes e outros impactos sociais e ambientais negativos são de complexa e difícil medição, tornando vulnerável qualquer uma das formas que têm sido aventadas para restringi-los. Mas, fato é, que a dificuldade não impede que sejam considerados.

É uma medida que dirige claramente a atividade produtiva no sentido dos interesses maiores da humanidade, principalmente em termos de proteção ambiental e da redução e redirecionamento do consumo.

A forma que parece, em geral, a mais adequada é a de quantificar e incluir os impactos quando do estabelecimento dos custos dos produtos, serviços e investimentos. O que, em outras palavras, significa passar a considerar no custo o que os economistas tradicionais chamam de externalidades, forma confortável de definir privilégios, passando a internalizá-las.

Este aspecto, aliás, tem sido objeto de especial atenção de Herman Dale. Um recente post “Quanto pior, melhor” faz referência a isto e detalha um pouco mais o assunto, que será ainda objeto de um novo, específico.

O mecanismo para a inclusão dos custos dos impactos negativos que, parece, vai se impor é o da taxação. Em especial, a do carbono, que consiste em uma taxa coletada pela coletividade e que incide na produção e importação de combustíveis fósseis. O Centro pela Taxação do Carbono (Carbon Tax Center) é uma ótima referência sobre o assunto.

Até do ponto de vista econômico tradicional a taxação pode ter um resultado positivo, pois, além dos benefícios da redução dos impactos é de se esperar a redistribuição social da taxa coletada. Evidentemente que a transição para este novo cenário não é simples, fazendo com que a taxa deva ser ajustada paulatinamente, enquanto a economia se reorganiza.

Parte 2.

 A segunda questão, a da redução da jornada de trabalho, é tão ou mais importante que a primeira. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

Do ponto de vista econômico a redução tende, mas não necessariamente, a valorizar a mão de obra e ser mais um fator de redistribuição de renda e realinhamento da produção de bens e serviços.

As objeções à redução são inúmeras. Parece até que a jornada é algo imutável e resultado de uma constante mágica da natureza. Pretendo analisar isto em detalhe em um post específico.

Bem, ao colocar na mesa as duas questões anteriores, está-se necessariamente rompendo com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, esta é a terceira grande questão.

Passa-se a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses e que a via indireta, descrita no post anterior, deve ser contida. Não é mais possível contar com a “lógica” da livre ação dos mercados para resolver os impasses sociais e ambientais da nossa época.

É interessante observar que faz parte da teoria dominante afirmar que o sistema econômico é na verdade um mecanismo onde a liberdade de iniciativa permite que os empreendimentos floresçam e que portanto não deve ser dirigido nesta ou naquela direção. Fazê-lo, caracterizaria o dirigismo estatal. Os mais radicais, dizem que significa adotar o socialismo. Será mesmo?

As recentes medidas tomadas pelo FED, em particular, mostram que nada está mais longe da verdade. Romperam com todas as regras, protegeram bancos e grandes grupos, inundaram o mundo com dólares aproveitando-se do fato de ser aquela a moeda de referência, tudo em nome da sobrevivência e estabilidade da economia, o que na visão deles significa dizer, primado do crescimento econômico como guia da evolução da atividade produtiva.

Quer dizer, dirigismo para orientar na direção do crescimento econômico, pode. Já, ações na direção dos reais interesses da humanidade, não. São puro socialismo.

A verdade, no entanto, é que nada impede, além do preconceito e de interesses menores, que se substitua a inflação e o crescimento pela taxação e a jornada de trabalho como elementos básicos a orientar a atividade produtiva, subordinando o lucro aos objetivos de aumento do bem estar, preservação ambiental e redução das desigualdades.

Finalmente, é interessante, e dramático, observar que, idealmente, as duas primeiras questões devem, em suas formas mais incisivas, serem implementadas globalmente sob pena, em geral, dos países que o fizerem independentemente perderem competitividade. Daí a última e importante questão, o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Por que é necessária

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Daikokuten at Shinagawa Shrine' photo (c) 2004, Stéfan - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Daikokuten, deus da riqueza

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 16 de maio de 2012):

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog.

Convém lembrar, antes de mais nada, que esta caracterização está alinhada com a do movimento que nasceu na Inglaterra em 1983 e que é representado hoje por uma ampla rede de organizações de pesquisa e de ação, dentre elas a nef e a NEI, cujos sites podem ser acessados através da seção “links de referência” à esquerda da página principal.

Num primeiro post sobre o assunto, “Por que, o que, como?“, procurei mostrar que é preciso saber com clareza e precisão o “por que” uma Nova Economia é necessária. Sem, isto, o movimento fica à deriva. É necessário também ser objetivo e seletivo no o “que é” preciso fazer, evitando a dispersão de esforços e aprofundando o debate em torno de alguns poucos pontos que tenham o necessário poder mobilizador. Mas, conceber uma Nova Economia é relativamente fácil. O difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Para tanto é preciso saber o “como” deve ser feita a transição para uma Nova Economia. Em outras palavras, quais as formas de mobilização que levarão ao sucesso do movimento.

No post de hoje, entro em mais detalhe em relação ao primeiro ponto.

A Nova Economia redireciona a atividade produtiva de forma a privilegiar diretamente e ao mesmo tempo a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar do ser humano.

Estes três objetivos foram abordados em muitos dos posts já publicados e que podem ser acessados optando pelo item correspondente na seção “Tópicos” à esquerda da página principal. Como visto, a mudança é necessária e decisiva para a própria sobrevivência de nossa civilização. Além disto, os dois primeiros objetivos são perfeitamente factíveis, já que a atual capacidade produtiva da humanidade os permitem. O último, o bem estar, concorre decisivamente e ao mesmo tempo decorre dos primeiros.

Acho interessante portanto, agora, tratar das principais dúvidas que vêm à mente quando se trata do assunto. Creio que elas são:

  • Mas, não é com crescimento econômico que se alcançam tais objetivos?
  • Não é a proposta de tal modo assustadora que impeça que seja sequer considerada?
  • Na prática, uma Nova Economia não significa o fim do capitalismo?

De fato, desde a 1ª revolução industrial, há mais de 300 anos, vem se consolidando a crença da importância do crescimento econômico. Inicialmente, a ampliação dos mercados e dos produtos e serviços consumidos foi naturalmente vista como a forma de dar vazão ao impeto dos empreendedores e à vontade dos que tinham capital de criar novos negócios e expandir os existentes. No início do século passado em resposta às crises, à luta trabalhista e aos levantes socialistas, foi-se também, principalmente no ocidente, associando ao crescimento econômico a ideia de que é ele que permite o progresso da civilização, e que ele só é plenamente atingido quando há liberdade de mercado e de iniciativa.

É a via indireta. Nesta ótica, as empresas precisam ter lucro para que possam investir e ampliar seus negócios e com isto gerar mais empregos. Ampliam-se em consequência os mercados, diminuí a desigualdade social e melhora o bem estar da população.

Parte 2:

Mesmo no campo socialista, que ganhou força a partir do final da 1ª guerra mundial e e ruiu na década de 90, o crescimento econômico, numa versão sem a liberdade de iniciativa, definiu o rumo das ações, principalmente relacionadas às chamadas indústrias de base indispensáveis para a sua defesa militar.

Até meados do século passado, tanto no mundo capitalista quando socialista, a ideologia do crescimento econômico reinou sem questionamentos e com bastante razão já que, além das necessidades bélicas, os demais bens materiais e serviços eram e continuam escassos em muitos países.

Aos poucos, o crescimento exponencial começou a ser questionado e, como mostrado em diversos posts, é hoje inviável tanto social quanto ambientalmente, sendo necessário que ao invés de esperar que o crescimento econômico traga os benefícios desejados, a humanidade passe a pensar e agir para conquistar aqueles benefícios diretamente, colocando, produção, consumo e investimento a seu serviço.

Restringir o crescimento gera, no entanto uma imensa reação, já que sua limitação acarreta queda na lucratividade das empresas e, como dito anteriormente, o lucro é que é o real motivador da chamada iniciativa privada.

E provoca também um imenso receio de depressão econômica e com ela a drástica queda no nível de emprego, a falta de bens materiais e de serviços para a população e a convulsão social.

Fica-se, entre a “cruz e caldeirinha”. De um lado a pressão dos grupos desfavorecidos, o risco de colapso ambiental e a evidência de que maior bem estar já é possível para todos e de outro o espectro da depressão e tudo de ruim que ela traz.

Mas é um falso dilema, pois o quadro de depressão somente ocorre num cenário onde o crescimento econômico comanda as ações. No outro, onde a capacidade produtiva é posta a serviço da humanidade a ameaça se dissolve. Os próximos dois posts mostrarão isto ao detalharem o que fazer e como chegar à Nova Economia.

E não se trata do fim do capitalismo. Não há uma mudança inevitável no sistema econômico. É claro que sem crescimento econômico as taxas de acumulação e de lucro declinam continuamente. Mas, permanece o espaço para a livre iniciativa atuar, provavelmente com uma tendência declinante pelo atrativo de outras formas de atuação. Novos tempos, novas práticas, novos indicadores e taxas decrescentes.

É que, à medida que a mudança se afirma, é maior o tempo livre das pessoas, levando a que, além de mais lazer, o trabalho não remunerado e altruísta ganhe força e prestígio por ser o canal natural para o ser humano satisfazer sua necessidade de ser produtivo e útil. Neste ponto vale a pena recorrer à “História da Riqueza do Homem” de Leo Huberman que mostra que diferentes sistemas produtivos conviveram e evoluíram ao mesmo tempo. O exemplo mais notável é o do capitalismo que nasceu de dentro do feudalismo. Traços deste último, aliás, perduram até hoje.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Conferência da Nova Economia – 8 a 10 de junho de 2012

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

'Workshop' photo (c) 2011, Heinrich-Böll-Stiftung - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/O Instituto pela Nova Economia ( NEI – New Economics Institute), com o intenso apoio da nef (New Economics Foundation), promove em junho próximo no Bard College no Estado de Nova Iorque um encontro de 3 dias com cerca de 60 reuniões de trabalho, palestras, discussões localizadas e resoluções plenárias e ao qual são bem vindos os que queiram conhecer mais sobre o tema e participar dos debates.

Denominada “Estratégias para uma Nova Economia“, a conferência representa, pela sua amplitude, mais um passo na direção do amadurecimento do movimento. Organizado em torno de 10 temas, o evento destacará as melhores experiências práticas e trabalhos teóricos relativos a cada um. E pretende, em última instância, demonstrar que uma economia decentralizada, sustentável e cooperativa já está se formando.

As inscrições podem ser feitas acessando a pagina “registration“.

Os 10 temas são:

  1. Bancos e financiamento numa Nova Economia: escala, critérios e inovação – explorando sistemas financeiros alternativos que promovam o desenvolvimento sustentável.
  2. Medição do bem estar: alternativas de indicadores de riqueza e progresso – compreendendo as medidas de prosperidade, incluindo indicadores ecológicos e de qualidade de vida.
  3. Comunicação: educação, mídia e campanhas públicas – discutindo com se dá a comunicação acerca de e numa Nova Economia.
  4. Governos comprometidos: política que priorize as pessoas e o planeta – discutindo como a ação local, nacional e global deve se dar.
  5. Economia local: mecanismos para a sua resiliência – reconstruindo as economias locais.
  6. Propriedade e trabalho: cooperativas, participação e estrutura corporativa – reimaginando a propriedade e o trabalho.
  7. Produção e consumo: sustentabilidade, simplicidade, suficiência e abundância – analisando como atender as necessidades e aspirações numa sociedade pós-consumo.
  8. Uso do coletivo: identificação, alocação e restauração. Explorando a proteção, restauração e uso do patrimônio coletivo.
  9. Transformação do dinheiro: estruturação, emissão e valor de novos meios de troca. Explorando sistemas de troca justos que promovam o desenvolvimento local e justiça social.
  10. Visualização e modelagem da Nova Economia: prosperidade para todos dentro dos limites do planeta – considerando as economias das comunidades e do planeta operando dentro dos limites ambientais.

Os organizadores da conferência colocaram à disposição os textos mais importantes relativos a cada um dos temas. 31 palestrantes, dos mais destacados, já confirmaram sua participação.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Capitalismo. Sem início nem fim?

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'Wall Street Bull Behind Bars - Illustration' photo (c) 2011, DonkeyHotey - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Ex economista-chefe do FMI, professor de Harvard e autor de livros e artigos importantes, Kenneth Rogoff é mais um que não consegue, ou não quer, encontrar soluções para o impasse atual. E o pior, lança ainda mais confusão. Em recente artigo “O moderno capitalismo é sustentável?” publicado no site do ProjectSyndicate e, traduzido, em O Globo em 18 de dezembro último, surge com uma “pérola”: “O capitalismo moderno tem tido um extraordinário curso desde o início da revolução industrial dois séculos atrás, tirando bilhões de pessoas comuns da pobreza”.

Ele começa o artigo respondendo a pergunta do título de seu artigo ao dizer que não há um substituto viável à espreita. E aí, fica a vontade para desfiar um rosário de problemas para os quais o capitalismo não tem tido resposta: preços para produtos públicos como ar e energia, desigualdade, saúde, bem estar e crise financeira.

Tanto num caso como no outro o autor, me parece, inverte a questão e transfere os méritos e críticas a um sistema econômico que nada mais é do que o resultado histórico do que foi possível ao homem construir. Pelo relato, parece que sempre existiu e continuará existindo. É claro que se aceitar o óbvio, que é resultado da evolução do sistema feudal, terá que aceitar também que mesmo que não consiga ver, sua superação é inevitável, o que, aliás, parece mais a espreita do que nunca.

É sempre bom lembrar que quem gerou o sistema, quem produziu bens e serviços e quem é responsável pelo progresso social é o próprio ser humano a despeito de formulas econômicas. E a que preço? Sofrimento, fome, miséria para a maioria e que perduram até hoje.

Rogoff termina o artigo com a mesma inversão que faz crer que, criado, aí sim, é que os benefícios do capitalismo se afirmaram, com a pergunta: “Será o capitalismo uma vítima de seu próprio sucesso ao produzir prosperidade maciça?

É, o que é efeito vira causa. E ao fazer a inversão, foge da perspectiva histórica e perde a chance de imaginar e lutar por sua natural, porém traumática, é claro, evolução.

Interessante é que em seu último artigo “Rethinking the growth imperative” cuja tradução foi publicada em O Globo no último dia 5, ao questionar seriamente o crescimento econômico como objetivo, apesar de não tornar explícito no artigo que diminuição do crescimento significa diminuição nas taxas de acumulação e lucro, ele, de fato, parece ter concluído pela insustentabilidade do moderno capitalismo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Faz de conta

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Bem, para iniciar o ano, um pouco de humor. Por indicação do leitor Edson Franco cheguei ao blog Chá de Burro que faz um breve resumo das consequências da crise na Grécia.

E vamos ao assunto do dia. Recebi do economista Hugo Penteado através da lista “Decrescimento” um e-mail com o título: “Desesperador”. Indignado com as projeções otimistas e a insistência no crescimento econômico como solução ele apresenta uma crítica irônica invertendo os fatos.

É um texto que, de uma forma original, serve também como um resumo dos principais aspectos envolvidos na Nova Economia. Vamos a ele:

Faz de conta que a produção brota do nada.
Faz de conta que a economia está totalmente separada da natureza, do tamanho do planeta, dos serviços ecológicos.
Faz de conta que o crescimento econômico jamais é deseconômico.
Faz de conta que o crescimento gera justiça social e bem estar e não guerras e devastação.
Faz de conta que poderemos dessalinizar e ressalinizar a água dos oceanos a um custo energético mínimo.
Faz de conta que a economia pode ser maior que o planeta.
Faz de conta que iremos usar terras de outros planetas para depositar nossas produções.
Faz de conta que a produção, a partir de um determinado ponto crítico, irá se tornar imaterial.
Faz de conta que as leis da termodinâmica são falsas.
Faz de conta que a economia não é uma pseudo-ciência autista que não se comunica com nenhuma outra descoberta científica relevante, como aquecimento global e a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos causados por nossa espécie.
Faz de conta que do ponto de vista da biologia não somos todos um e que o ser humano não faz parte dessa teia da vida sem a qual não teríamos água, ar para respirar, comida.

E para finalizar:

Faz de conta que todo esse faz de conta não rege universalmente todas as decisões governamentais e empresariais à nossa volta e que isso não irá causar a extinção da vida desse planeta e da nossa espécie animal.

Faz de conta.

Num segundo e-mail ele menciona que a saúde dos balanços dos sistemas previdenciário, tributário, fiscal, financeiro e empresarial está de tal forma vinculada ao crescimento econômico que apesar de contraproducente, é a única solução que os que decidem, antevem. Claro, sempre afirmando que é o caminho para a salvação social. E os governos, na melhor das hipóteses, fingem acreditar nessa mentira ao se mancomunarem com os interesses corporativos e produzirem as piores atrocidades contra as pessoas. Surreal, diz ele.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

1º Ano

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'Construção' photo (c) 2008, nandinhazinha - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Na última 5ª feira completou-se 1 ano desde o lançamento deste blog. Com um número crescente de acessos semanais, atualmente 600, alcançou 12 mil no total.

O blog é inteiramente dedicado à causa da Nova Economia. A sua grande referência foi e continua sendo a nef, the new economics foundation, que é, a meu ver, o principal centro de estudos sobre o assunto. É espantosa a alta qualidade e a quantidade de estudos e atividades desenvolvidas pela fundação.

A Nova Economia tem uma mensagem relativamente simples: voltar a capacidade produtiva da humanidade para seu próprio benefício, reduzindo a desigualdade social, preservando o meio ambiente e buscando o bem estar. Difícil é implementá-la, pois as resistências são enormes e variadas. É verdade que a crise, que vem desde 2008, com fortes efeitos em todo o mundo, trouxe um novo impulso para que a mudança se imponha.

No Brasil, especificamente, frente às enormes carências de grande parcela da população, é mais difícil escapar da lógica do “crescimento econômico” como meio para resolver os problemas, apesar dele ser, de fato, a sua causa. Mas, cedo ou tarde, é inevitável que por aqui também, o movimento se afirme.

Enfim, difícil ou não, a causa me entusiasma, torna leve o trabalho e faz desta uma marcante experiência de vida.

De todos os posts, dois foram, para mim, especiais. Um, Do Ambientalismo para a Nova Economia focado numa brilhante palestra de Gus Speth (preso recentemente por protestar em frente da Casa Branca) e que mostra a necessidade de entendimento e ação conjunta de todos os que militam em áreas afins. O outro, A democracia sobreviverá?, foi o 1º post de outro autor neste blog, uma transcrição de artigo publicado por Elimar do Nascimento e que faz um preciso e inovador diagnóstico da democracia por representação.

Foram ao todo 45 posts, além de pesquisas semanais, das notícias e textos “Em destaque” e de citações em “Você concorda?”. O que mais me surpreende e agrada, apesar de não ter sido fácil entender isto antes de decidir-me a lança-lo, é que o blog está sempre em elaboração, mutação, melhoria, mesmo conservando sua concepção original. E que é com o passar do tempo e publicação de posts que ele vai ganhando consistência e qualidade.

A criação da central de comentários foi uma destas mudanças, permitindo a troca de ideias independentemente do tema de um post ou da publicação de um novo. Ela começa a ser usada e espero que se afirme ao longo do próximo ano.

A criação da página de notícias permitiu a informação diária de links para notícias e textos que possam interessar o leitor e que sejam relevantes para a Nova Economia.

A reindexação do conteúdo nos tópicos “por que”, “o que” e “como”, e seus sub tópicos foi outra mudança importante, que, aliás, ainda está em processo à medida que procuro caracterizar os principais aspectos envolvendo a Nova Economia.

Tornar-se um apoio para o CASSE (Centro para o avanço da economia em equilíbrio) no Rio de Janeiro foi outro acontecimento importante no período. A partir daí seguiu-se a preparação, divulgação e coleta de assinaturas para versão brasileira de sua declaração de princípios e a troca de ideias com colaboradores do centro. 

Bem, vamos em frente. A causa vale a pena.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Por que, o que, como?

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'Postal' photo (c) 2011, Isaac  AraGuim - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Bem, conforme prometido, explico hoje as recentes alterações que fiz no blog e que tornam explícitos os tópicos “por que” uma Nova Economia é necessária e “o que” e “como” fazer para para suavizar e acelerar a transição.

Evidentemente, os posts já publicados trataram, direta ou indiretamente, de um ou mais destes aspectos. O que procurei com este novo enfoque foi tornar mais clara e direta a caracterização e o que me parece ser o melhor caminho para chegarmos a uma Nova Economia. O leitor poderá observar o acréscimo, na página principal, de uma seção focada nos três tópicos, e seus sub tópicos. Agora, ao optar por um tópico ou sub tópico serão mostrados todos os posts que dele tratam. Além disto, a seção “Post por assunto” está organizada segundo palavras-chave e com destaque proporcional ao número de referências.

Uma Nova Economia é necessária porque intenciona e possibilita promover diretamente e ao mesmo tempo, a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e a melhora do bem estar do ser humano. São necessidades inter-relacionadas e que se não atendidas comprometem a própria sobrevivência da humanidade. Veja só. Levas de seres humanos, cerca de 200 milhões, são incorporados ao mercado anualmente. Com o livre acesso à informação, estes e os que já estão no mercado sabem o que é possível e desejam os mesmos bens e serviços. Para atendê-los, no estilo de vida vigente, é preciso um contínuo aumento na produção de bens e serviços, o que compromete gravemente o equilíbrio ambiental. É uma situação inviável, que terá que ser mudada.

As pressões das catástrofes naturais, das tensões sociais e da procura por maior bem estar não são entretanto suficientes para garantir que a transição para uma Nova Economia ocorra a tempo e na direção correta, já que a reação a ela é imensa. Assim, é central convergir a luta para questões que ao mesmo tempo acelerem a transição e que possam, impulsionadas pelas crises, serem implementadas gradualmente ainda sob as regras vigentes. Quatro questões me parecem prioritárias, são viáveis de serem objeto de consideração imediata e aceleram e suavizam a inevitável mudança.

Resumidamente, uma destas questões é a de serem considerados os impactos sociais e ambientais quando da formulação dos preços dos produtos serviços e nas decisões de investimentos. Por exemplo, o preço da gasolina deveria levar em conta o custo que traz em termos de poluição. Os economistas tradicionais chamam tais impactos de externalidades, forma confortável de definir privilégios. Trata-se, pois, de internalizar tais externalidades.

Uma segunda questão é a da jornada de trabalho. Um estudo da nef “21 hours” mostra que uma redução drástica já é possível e que traz inúmeros benefícios, dentre eles maior tempo livre para atividades não remuneradas e eliminação do flagelo do desemprego. Uma versão em português do estudo da nef está disponível em 21 horas.

A terceira questão é a do rompimento com a teoria econômica ortodoxa que faz do crescimento econômico um objetivo intocável em torno do qual todo o esforço produtivo tem que se adaptar. E, passar a entender que a capacidade produtiva da humanidade deve ser usada em prol de seus verdadeiros interesses.

A última, é o fortalecimento da ONU de forma a superar o atual impasse nas decisões globais. Hoje 5 países podem vetar decisões dos demais, e estas têm que ser, no que interessa, consensuais. E o mundo precisa de decisões mandatórias globais.

Mas, falar em transição é relativamente fácil. Difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Três ações me parecem essenciais para tanto.

A mais importante delas é o ativismo principalmente o daqueles mais atingidos. Os acontecimentos no norte da Africa, na Espanha, na Itália, na Inglaterra e agora nos EUA, mostram que o impensável começa a ocorrer, a rebelião. Fôrça, é claro, da crise.

Infelizmente não se pode contar com a democracia de representação para apoiar a mudança. Ao contrário, a função dela tende a ser a de preservar o status quo. A forma de superar esta barreira é a adoção da democracia direta, local, regional e nacionalmente, e que hoje é tremendamente facilitada pela internet, tanto para decidir quanto para pressionar pelas necessárias mudanças.

E o papel das entidades civis é fundamental para canalizar corretamente a insatisfação. É através delas que pode se dar um grande impulso à transição. Sua atuação vai desde a formulação das ideias que instruem a transformação até o apoio para que a luta pela mudança possa ocorrer.

As questões e ações acima mencionadas precisam, é claro, de detalhamento, o que será feito em novos posts, específicos.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

O profeta do apocalipse retorna

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Helicopter Ben

Os acontecimentos das últimas semanas me levaram a interromper uma série de posts sobre a Rio +20 e comentar o que parece ser um repentino acirramento da grande recessão. No último post, expus a surpreendente, apesar de óbvia, comparação feita por Jacques Attali da rolagem da dívida pelos países desenvolvidos com o esquema da piramide.

O post de hoje centra-se em nova previsão de Nouriel Roubini professor de economia da NYU e um dos poucos a antecipar a eclosão da crise de 2008. Ignorado e criticado até então, chegou a receber a alcunha de “senhor apocalipse”, mas acabou por obter grande reconhecimento, o que fez sua empresa de consultoria econômica RGE tornar-se voz importante. Tão importante que ficou nítido o cuidado excessivo com que passou, desde então, a tratar os temas e o alinhamento com os novos cavaleiros do apocalipse (Bernanke, presidente do FED e Geithner, secretário do Tesouro).

Em seu último artigo, entretanto, “Estará o capitalismo arruinado?”, ele rompe com esta passividade e volta a fazer uma cuidadosa, embasada e dramática análise da situação atual, certamente optando por manter sua base de leitores (na verdade, clientes) corretamente informados.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção no artigo foi a afirmativa de que o FED (banco central americano) já esgotou os mecanismos de manipulação capazes de contornar a crise. Em enfática afirmação na entrevista ao WSJ em apoio ao artigo ele voltou ao ponto: Evitar nova recessão é missão impossível. O mundo caminha para um segundo mergulho na crise e não se pode mais “tirar coelho da cartola”.

Nesta sexta-feira, espera-se que que Bernanke anuncie novas medidas e será possível confirmar se há ainda algum “coelho na cartola”. O que parece certo é que o banco central americano tentará uma nova rodada de afrouxamento monetário (“quantitative easing”). Vale a pena lembrar que Bernanke, estudioso da grande depressão, é adepto da tese de que com afrouxamento monetário não se teria chegado à tamanha crise na década de 30. É por isto que em 2002 chegou a dizer que se fosse necessário “jogaria” dólares de helicóptero para garantir a fluidez do sistema, o que lhe valeu o apelido de “helicopter Ben”. É claro que pôde dizer isto apoiado no fato que o dólar é a moeda de referência mundial. Num primeiro momento, pelo menos, pode emitir sem maiores consequências.

 “Jogar” dinheiro do céu dá uma ideia de imparcialidade na sua distribuição. Mas, é sintomático que quando pôs sua teoria em ação atingiu do seu “helicóptero” os  alvos com precisão: Bancos. Nem ao menos os que estavam com o pagamento de suas hipotecas atrasado foram contemplados. Enfim …

Voltando ao artigo do Roubini, mais adiante ele afirma ainda que o doloroso processo de desalavancagem das famílias, bancos, instituições financeiras, corporações e governos locais e centrais mal começou e que a redução forçada do débito (calote) será necessária para que aqueles possam reequilibrar suas finanças.

E, talvez para chamar atenção para suas propostas, ele afirma que a possibilidade aventada por Marx de autodestruição do capitalismo se confirmará caso não se consiga evitar que a atual crise evolua para o que ele chama de “a grande depressão 2.0”, daí o título do artigo.

Roubini termina com uma série de sugestões para que o capitalismo possa sobreviver e se desenvolver. Para tanto, sugere a criação de empregos via estímulo, taxação, rigor fiscal, reforço na atuação monetária dos bancos centrais, redução dos débitos (calote) das famílias e outros agentes que estejam insolventes, políticas efetivas de crescimento, supervisão e regulação da atividade financeira, e investimento no capital humano.

É mais um a insistir no crescimento econômico como solução. E pior, as medidas que propõe para tanto ou já foram implementadas ou são politicamente inviáveis, como se viu no recente impasse na renegociação do teto da dívida americana.

Uma coisa é certa. A necessidade de soluções efetivas torna inevitável considerar novos caminhos. O que amplia e antecipa a possibilidade de transição para uma Nova Economia. E com ela, forjar um mundo com justiça social, que preserve o meio ambiente e que nos permita maior bem estar. Infelizmente, não sem grandes traumas sociais, já que uma mudança de tal porte somente ocorrerá após vencidos os interesses estabelecidos.

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