Direita ou esquerda já não é a chave para entender as ideologias.

A intervenção da mulher sabina. Museu do Louvre. Jacques-Louis David.

Focado na recente eleição da nova prefeita de Roma, Virginia Raggio, com 67% dos votos, Daniel Aarão Reis faz, em artigo, um interessante resumo da fundação de Roma, uma ampla análise dos desafios da administração da cidade (tradição machista, falta de transparência, corrupção, descrédito nos partidos e no sistema eleitoral, isenções indevidas de impostos dentre elas, ao Vaticano, dívidas bancárias, transito caótico, corporativismo, coleta precária de lixo, e por aí vai), deixa transparecer esperanças na democracia representativa e aponta para a impropriedade da dicotomia ao se classificar as ideologias.

No artigo “A loba de Roma”  ele afirma:

“A nova loba de Roma pertence aos quadros do Movimento Cinco Estrelas, partido alternativo que, desde 2009, quando apareceu, subverte a atmosfera política italiana e questiona as hegemonias consagradas. As direitas e os fascistas não confiam nele. As esquerdas tradicionais o acusam de “fazer o jogo das direitas”. Grandes interesses econômicos o caracterizam como “populista”. Mas muitos partidários das esquerdas alternativas não apenas ingressaram no Cinco Estrelas, como votam preferencialmente em seus candidatos.”

Acesse aqui o post completo.

Anúncios

As melhores incubadoras de inovação estão nas favelas.

Vale a pena ler a entrevista do professor Kirk Bowman recém publicada e cujo título é o mesmo deste post.

Certamente, ao invés de incubadora seria melhor referir-se a semente já que não se tratam de empreendimentos nascentes mas sim de exemplos concretos em que os os próprios interessados partem para a ação, mas, o que não invalida o conteúdo da entrevista.

 Dentre outras passagens, vale a pena citar:

“A inovação que eu não conhecia até vir para o Brasil é esse processo local, que cria redes de pessoas, encontros, novas comunidades e que traz felicidade. Estamos interessados em inovação social, que usa novas configurações de comunidades bem-sucedidas e desenvolvimento global a nível local.”

 “O Brasil está acordando. Você não pode depender de políticos e grandes empresas para cuidar das pessoas. As pessoas devem criar as próprias soluções. E isso está sendo feito nas favelas. E muitas pessoas de classe média estão unindo esforços nessas comunidades por meio do voluntariado e de projetos.”

A ênfase nas comunidades locais não é a chave para o paraíso.

Mesmo Marx, ao elogiar as cooperativas de trabalhadores como o prenuncio de uma nova ordem reconheceu que tais cooperativas não tem como deixar de reproduzir todas as deficiências do sistema vigente.

Assembleia Geral discute temas de interesse das comunidades locais de Tiquié e baixo Uaupés.

Nos EUA e em alguns países da Europa, principalmente, tem havido uma forte disseminação da ideia de que o foco no desenvolvimento local é a chave para a humanidade superar a crise ambiental e social e promover o bem estar individual. A proposta central desta solução “comunitária” consiste em substituir localmente os produtos hoje importados para a região. Lotes menores de produção, métodos de fabricação mais intensivos em mão de obra, tecnologia adequada à escala e otimização do transporte representam uma expansão do movimento de produção sustentável de alimentos.

Acesse aqui o post completo.

10 razões para repudiar o decreto da participação popular.

(A pesquisa da semana foi substituída por sua opinião na central de comentários sobre qual das razões lhe parece a mais marcante)

Como pôde tal palavrório sem sentido ter sido assinado por uma presidente da República e 3 de seus 39 ministros?”

O círculo da burocracia.

A reação ao post da semana passada foi de, predominantemente, associá-lo ao antipetismo e à negação de conquistas sociais lideradas pelo partido.

É curioso. Tais pessoas tem absoluta convicção de que através do sistema político atual pode-se alcançar a melhoria de vida para amplas camadas da população e ficam cegas para as profundas distorções e consequências nefastas da democracia representativa.

No post em nenhum momento houve a partidarização da questão. Na verdade, ao contrário, manifesta total descrença no sistema político reinante e defende a necessidade imperiosa da sociedade tomar as rédeas de seu próprio destino.

Acesse aqui o post completo.

Participação Social, um decreto abominável. Diga você o quê mais.

A aberração é tamanha que resolvi deixar ao leitor a possibilidade de expressar a sua visão das principais incongruências do decreto através da central de comentários, para, em seguida, na próxima semana, consolidar e complementar as contribuições feitas.”

Veja só, o decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014 foi formulado de cima para baixo e sem participação popular mas, pretende regular a interferência da sociedade no estado.

Esta, de todas, talvez seja uma das menores contradições desta obscura iniciativa que sob o manto do vanguardismo democrático abriga um nefasto ranço populista.

O leitor poderá estranhar o termo “interferência” a que me referi acima, mas é exatamente este o aspecto que mais transparece do texto proposto. Trata-se de uma tentativa do estado “definir” como a sociedade com ele se relaciona, o que, na prática não passa de uma tentativa de limitação e contenção da ação de todos nós.

Acesse aqui o post completo.

Marcha do Povo pelo Clima, neste domingo em Nova Iorque. Previstas mais de 1 milhão de pessoas.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“É um caso exemplar de mobilização da sociedade para impor-se em relação a um tema claro e decisivo.”

Tenho insistido neste blog sobre a necessidade da sociedade exercer o controle e, mais do que isto, subordinar a si o estado. Pode parecer uma afirmativa um tanto vaga, mas não é. Não é vaga, é possível e enquanto não ocorrer, o sistema de representação jamais cumprirá o seu papel democrático.

Veja só como a Marcha do Povo pelo Clima está sendo organizada. E trata-se de um evento gigantesco. Mais de 1.000 organizações uniram-se para promover a marcha no próximo domingo, abrangendo grupos locais da região de Nova York e de outras comunidades, ONGs internacionais, redes de base, empresas, sindicatos, grupos religiosos, iniciativas visando a preservação ambiental, escolas, ações por justiça social e mais. Veja aqui a lista de organizações participantes.

O objetivo é produzir a maior mobilização de massas já havida sobre o tema e levar os participantes da reunião da ONU sobre o clima, 2 dias depois, a agir decisivamente em prol do planeta.

Acesse aqui o post completo.

NÃO VAI TER COPA. A expulsão urbana pelas armas é a explicação.

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

“Não é a toa nem pelos 20 centavos que se viu em junho último as maiores manifestações de massa já ocorridas e por todo o Brasil.”

Helicópteros da polícia sobrevoam a favela da Maré

Em incisivo artigo publicado no The Nation, Dave Zirin faz um importante alerta sobre uma das mais agudas questões urbanas da cidade do Rio de Janeiro, a da especulação imobiliária.

O artigo completo e traduzido está disponível em: “A Copa do Mundo no Brasil e a gentrificação através do cano de uma arma.

O artigo começa com uma distinção entre as palavras favela e gueto. Em inglês seriam “favela” e “slum” respectivamente. E, ressalta como a grande mídia americana retratou a ocupação das “slums” da Maré pelas forças militares. Utilizando, talvez subliminarmente, a degradação do local para reforçar a necessidade da ocupação militar do complexo de favelas.

Acesse aqui o post completo.

A dimensão e possibilidades do trabalho doado – o caso brasileiro.


“Afinal, quem trabalha de fato, os milhões de manifestantes por todo o Brasil, gratuitamente, ou os políticos em Brasília, remunerados?”

Movimento Acorda Brasil

Movimento Acorda Brasil

Trabalho doado no Brasil.

Um belo artigo “O impacto do voluntariado de Bernardo Kliksberg, diretor do BID, publicado há dez anos, já chamava a atenção para o trabalho voluntário e suas ocorrências na América do Sul. Cita exemplos concretos que impressionam pela capacidade de solidariedade inata ao ser humano: “Em meio à gravíssima crise argentina, Margarida Barrientos, que vive numa favela e tem 12 filhos, criou um restaurante popular que alimenta diariamente 1.600 crianças”. “Em São Paulo, há o restaurante popular Tem Yad (“estender a mão”) fundado pelo rabino David Witman, que fornece almoço a mais de 300 pessoas diariamente, com dezenas de voluntários”.

Acesse aqui o post completo.

O que é e os bons e maus usos do setor sem fins lucrativos.

A pesquisa … concluiu por sete valores-chave (do setor): engrandecimento humano, expressão de valores humanos centrais, oportunidade de aprendizado e crescimento, preservação da cultura e das tradições, promoção da criatividade, serem eficazes no que fazem e incentivar o desenvolvimento intelectual, científico, cultural e espiritual.”

Vídeo de apresentação da Ashoka Brasil – pioneira no empreendedorismo social

O setor sem fins lucrativos.

Vale tudo neste setor, ONGs, OSCIPs, associações, fundações, partidos políticos e qualquer outro tipo de organização que se intitule sem fins lucrativos. As motivações vão desde os benefícios fiscais até a promoção pessoal. Mas, é claro, um segmento importante do setor busca realmente ser o braço organizado da sociedade civil.

Acesse aqui o post completo.

Recém publicado no Brasil livro de Assange sobre a liberdade e o futuro da internet.

De um lado, uma rede de governos e corporações que espionam tudo o que fazemos. Do outro, os cypherpunks, ativistas e geeks virtuosos que desenvolvem códigos e influenciam políticas públicas. Foi esse movimento que gerou o WikiLeaks”. Julian Assange.

Este espaço, hoje, é ocupado pela apresentação do livro de Julian Assange “Cypherpunks – Liberdade e o futuro da internet” feita em post publicado no site “Outras Palavras” pela jornalista e codiretora da Agência Pública, NatáliaViana e que também é colaboradora do Wikileaks e autora do posfácio do livro.

Acesse aqui o post completo.

Impasse à vista: Câmara aprova criação de Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

“… o fórum da economia solidária passa por uma prova de fogo quanto à sua capacidade de atuar com independência financeira e gerencial, aspecto, aliás, vital para as organizações da sociedade civil que agem genuinamente em prol do interesse público”.

Plenário da Câmara em 7 de novembro de 2012

6º e último post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

A importância da sociedade civil.

O célebre, e nem por isto verdadeiro, ditado de Churchill “a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras” expressa bem o teor de algumas das reações, as contrárias, ao último post sobre as limitações dos processo eleitoral e a impossibilidade de ser o caminho para se chegar a uma Nova Economia. O ditado faz apenas um jogo de palavras e, ao mesmo tempo em que defende, expõe, de fato, a profunda fraqueza do regime eleitoral.

Continue lendo »

Os cinco patrocínios mais hipócritas

McDonalds, Coca-Cola, Walmart, o banco Wells Fargo, o plano de saúde United Health e a empresa de alimentos ConAgra, dentre muitas, tentam associar suas imagens com organizações de cunho social que praticam exatamente o oposto a elas.

'Coca-Cola & McDonald's' photo (c) 2012, Walter Lim - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Patrocínio hipócrita.

Um recente artigo de Alyssa FigueroaThe Top 5 Most Hypocritical Corporate Sponsors” publicado na revista AlterNet traz casos gritantes de conflito de interesses entre organizações que promovem ações de grande alcance social e corporações que, de fato, remam no sentido contrário e que as patrocinam.

O caso é grave por envolver o argumento de que as entidades da sociedade civil precisam de recursos. Mas, a que preço? Bem, vamos aos 5 casos.

1) McDonalds e Coca-Cola patrocinaram as Olimpíadas de 2012 em Londres.

Este caso provocou grande polemica pela evidente contradição entre uma das missões das olimpíadas, “a promoção da saúde e da atividade física”, e os efeitos nocivos da “fast food” e de bebidas com ciclamato de sódio e/ou açúcar. Isto ocorreu num país onde 60.8% dos adultos e 31.1 das crianças estão acima do peso.

E não é que o prefeito de Londres declarou que: “Trata-se de esnobismo burguês, uma histeria liberal clássica contra alimentos nutritivos, deliciosos e muito bons para as pessoas, fui informado – não que eu os consuma”.

2) Walmart patrocina a “American Cancer Society”.

Por mais que tente limpar sua reputação a empresa é especialmente não sustentável em suas práticas, financia candidatos “anti-ambientais”, oferece e estimula o consumo de alimentos de baixo preço mas prejudiciais à saúde e não tem plano de saúde para a maioria de seus empregados.

3) O banco Wells Fargo patrocina a “Habitat for Humanity”.

Um dos campeões, nos EUA, da retomada de cerca de 4 milhões de imóveis hipotecados em processos em muitos casos fraudulentos e resultado da crise de 2007 provocada pelos próprios bancos.

4) Os planos de saúde da United Health e WellPoint patrocinam a “American Red Cross”.

As duas maiores corporações de seguro saúde dos EUA em conluio com outras do setor fazem lobby, ao mesmo tempo, contra o “Affordable Care Act” que garante acesso à saúde a toda a população e acabam de doar, com o mesmo propósito, USD 100 milhões para a Câmara de Comércio.

5) A empresa de alimentos ConAgra patrocina a “Feeding America”.

A “Feeding America” é a organização americana líder na ajuda aos que precisam de alimentos e tem entre suas prioridades “aumentar o acesso à comida nutritiva e saudável pelos americanos carentes”. E isto nada tem a ver com a ConAgra. A empresa já foi flagrada com salmonela em suas instalações e produtos, etiquetas fraudulentas, e faz lobby para preservar a batata frita e pizzas no almoço escolar e cortar a ajuda federal para alimentos.

Bem, termino pedindo ao leitor que, se os souber, me envie exemplos brasileiros de patrocínio indevido para divulgação em um próximo post. Desde já, incluo os casos da Vale, Santander e Petrobrás, dentre outros, que procuram, oportunisticamente, mostrarem-se como defensores do meio ambiente e que são sérios candidatos aos cinco mais.

E, sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

A hora e a vez da sociedade civil

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Confraternização da Stakeholder e convidados

Desapontamento à parte, faço hoje algumas observações e trago notícias sobre ocorrências paralelas à RIO +20 e relacionadas à Nova Economia.

Com surpresa, constatei que o termo “Nova Economia” foi usado em diferentes momentos e circunstâncias. Até em palestra do presidente do BNDES, o que no caso significou a velha economia recauchutada.

Outro exemplo, e o que mais me surpreendeu, foi o Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia, evento de 3 dias realizado no espaço Humanidade 2012 organizado pela Ashoka em parceria com a Fundação Avina, a Fundação Roberto Marinho e a Skoll Foundation.

Antes, convém lembrar que o Humanidade 2012 é realização da FIESP e da FIRJAN razão da surpresa já que estes estão longe de quererem uma Nova Economia. Acho que escapou meio que “pelos dedos”, talvez porque o fórum foi apoiado pelo Instituto Arapyaú que tem fortes laços com aquelas entidades.

O fórum foi fraco com exceção do painel principal que tratou muito bem do tema. O outro painel mencionando o tema foi tão ruim que deveria ter se chamado, como sugeriu um participante, “Modelos de Negócios para a Velha Economia”. Os demais simplesmente ignoraram a segunda parte do tema. Aliás, a primeira parte também foi mal abordada. O pessoal da “Economia Solidária” não foi convidado e nem sequer mencionado no evento.

E por falar em Fundação Roberto Marinho, em plena abertura da Cúpula a TV Globo deu destaque, em matéria do Jornal Nacional, aos que contestam o aquecimento global e sequer abriu a palavra para os que pensam, e são a quase totalidade, o contrário. Foi como dizer: a conferência fracassou, mas que importância isto tem? Além de entrevistar um cientista americano que diz que as gerações futuras vão até agradecer pelas crescentes emissões de CO2, traz mais uma grande “contribuição” do departamento de Geografia da USP, uma entrevista com um professor, José Bueno Conti, dizendo que o mundo já existe a bilhões de anos e que o aquecimento é apenas parte de um ciclo natural. Isto é que é visão de longo prazo, professor. Será que não ocorreu a ele que a conferência sequer dizia respeito à questões climáticas e que o nome da USP estava em jogo? É, tudo por 5 minutos de “fama”.

Contrariando o ditado “de onde menos se espera, é dali que nada vem, mesmo”, não é que neste domingo, em pleno “Fantástico” foi apresentado mais um episódio de uma bem feita e impactante série “Planeta Terra – Lotação esgotada”, desta vez focado na cidade de São Paulo e que, de forma impecável, faz um diagnóstico que leva à inexorável necessidade de uma Nova Economia.

Outra surpresa foi o destaque dado pela imprensa ao debate entre Ricardo Abramovay, Tim Jackson e Armínio Fraga sobre os limites do crescimento econômico, em painel sobre a economia verde no fórum citado acima. O embate sobre crescimento causou forte preocupação ao beneficiário da privatização da Siderúrgica Nacional que a expressou em artigo na Folha de São Paulo. Como argumento, o artigo apoia-se na velha cantilena da via indireta. Quem sabe ele aceite trocar a ordem dos beneficiários. Desenvolvimento econômico orientado para a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar. E, como resultado indireto, o lucro. E este último, se vier, veio, se não, paciência.

Bem, o fato é que a questão do crescimento ilimitado está se impondo no amplo debate sobre o futuro, inclusive na chamada “grande mídia”, obviamente, com enorme tendenciosidade, por enquanto.

Estiveram por aqui participando dos eventos da Rio +20 e da conferência da Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE2012) pesquisadores e dirigentes da NEI – New Economics Institute, nef – New Economics Foundation e CASSE – Center for the Advancement of the Steady State Economy, dentre outros.

Em particular, no último sábado tivemos, organizado pelo autor deste post, um jantar de confraternização da Stakeholder Forum e seus convidados (ver foto). Comparecerem mais de 30 pessoas, das quais, 12 dirigentes e especialistas da Stakeholder que vieram apoiar a Rio +20. A Stakeholder Forum junto com a nef e a NEI é responsável pela iniciativa chamada “Global Transition 2012” e que busca promover a mudança para a Nova Economia o mais rápida e harmonicamente possível.

Comecei o post expressando meu descontentamento, mas, pensando melhor, acho que a Rio +20 permitiu uma grande articulação e movimentação da sociedade civil. Ora, ficou mais claro do que nunca que ela é que é o agente da mudança. Aos poucos, as diferentes correntes, principalmente ambientais e sociais, vão encontrar pontos de identidade e de ação conjunta viabilizando a mudança e da forma menos traumática possível. Organizações como a Stakeholder Forum atuam exatamente nesta direção, e de forma relevante.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Tribunal Hessel na Rio +20

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Bertrand Russel

Uma ideia que pode fazer com que uma esvaziada Rio +20 venha a ser, mesmo que indiretamente, um evento realmente transformador. Implementada, seria uma ação de grande repercussão e exemplar.

Trata-se de um tribunal para julgar os crimes contra a humanidade que vem sendo cometidos pelos bancos centrais e autoridades financeiras governamentais dos EUA, União Europeia, Reino Unido, França e Alemanha, desde o início da crise de 2007, que perdura. Sob a alegação de evitar uma crise sistêmica, tais entidades insistem no resgate de parte do sistema financeiro internacional, principal responsável pela própria crise. E além disto promovem, nas palavras do artigo referido a seguir, “um crescimento econômico imoral, ineficiente e vazio existencialmente”.

Stéphane Hessel é o renomado autor do livro “indignai-vos” cuja mensagem sensibilizou milhões de pessoas e que levou, “principalmente os jovens, a ocupar em diversos cantos do mundo, praças e ruas”, reagindo à um modelo econômico que “destrói a natureza, provoca desemprego, desarticula os serviços públicos e os condena à uma vida sem futuro”.

A proposta é do professor Cristovam Buarque, amigo de Hessel, feita em artigo “De Russell a Hessel” e publicado em O Globo neste sábado. Ela surgiu de uma ideia similar, o Tribunal Russell, também conhecido como Tribunal Interacional de Crimes de Guerra e Tribunal Russel – Sartre, criado em Novembro de 1966, para julgar crimes da intervenção militar dos EUA no Vietnã. Nas palavras do professor:

“Bertrand Russell, Prêmio Nobel de Literatura em 1950, criou o tribunal para julgar os crimes no Vietnã, e, caminhando ao lado de jovens, despertou o mundo para a tragédia vietnamita. Seu tribunal não tinha qualquer poder legal, mas uma imensa força moral capaz de encurralar os dirigentes da grande potência americana, com seus aviões e bombas, mas sem uma base ética para a guerra”.

Convocado por Hessel e composto por ele e por outras pessoas de excepcional força moral de todo o mundo o tribunal poderia ser instalado na Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental constituída por cerca de 150 entidades de 27 países para acompanhar os eventos preparatórios e funcionar paralelamente à conferência oficial.

Acredito que o objetivo central do tribunal deveria ser o de julgar a conivência e conluio das autoridades com o sistema financeiro, socorrendo-o e ignorando seus crimes, em detrimento dos interesses das populações dos países sobre os quais têm autoridade e responsabilidade. Sobre isto ressalto o artigo, objeto de notícia neste blog, com o irônico título “Grande passo à frente” publicado pelo EconoMonitor no último dia 3 e que mostra que o resgate de Wall Street pelo FED significou que mais de USD 30 trilhões foram para o capitalismo conspícuo.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Do Ambientalismo para a Nova Economia

O professor e ambientalista Gus Speth encerra uma brilhante palestra no Conselho Americano de Ciência e Meio Ambiente em janeiro último com uma ótima citação. Curiosamente, ele cita o expoente do monetarismo e quem hoje seria o mais ferrenho e credenciado opositor às teses da Nova Economia, o que não tira o valor da citação apresentada a seguir, é verdade.

Somente uma crise – real ou pressentida – possibilita reais mudanças. Quando tal crise ocorre, as ações que são tomadas dependem das ideias que estão disponíveis. Esta, eu acredito, é a nossa função básica: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las vivas e disponíveis até que o que era politicamente impossível se torne inevitável” – Milton Friedman.

Superando a realidade política e a “arte do possível” Gus Speth propõe na palestra que o ambientalismo amplie seu foco centrando-se em uma nova economia e para tanto, também em uma nova política. Isto, a partir da conclusão de que após 40 anos de lutas pela causa ambiental “ a esperança de real mudança na América está na fusão dos que se preocupam com o meio ambiente, a justiça social e uma democracia forte, gerando uma poderosa força progressista”.

O impulso sem fim pelo crescimento da economia americana mina as comunidades e o meio ambiente, alimenta uma destrutiva procura internacional por energia e outros recursos, e se apoia no consumismo, o que não está atendendo às reais necessidades humanas. Nós estamos substituindo as questões reais que realmente promovam o bem estar humano pelo crescimento e consumismo”.

Antes que seja muito tarde, eu penso que a América deveria mover-se para uma sociedade pós-crescimento onde o trabalho, o meio ambiente, as comunidades e o setor público não sejam mais sacrificados pelo simples objetivo do mero crescimento do PIB”.

Na transcrição da palestra o leitor encontrará um surpreendente histórico das conquistas ambientais desde o início da década de 70, um impressionante relato da situação ambiental atual e tendências, tanto americana quanto mundial, uma crítica detalhada ao modo de vida que a humanidade está sendo levada a praticar, uma caracterização das políticas públicas inerentes à sociedade pós-crescimento imaginada, e o relato de experiências concretas que proliferam-se relacionadas a novos modelos de vida em comunidade e empresas que priorizam a comunidade e o meio ambiente caracterizando um emergente 4º setor e que lhe permite dizer que “as sementes da Nova Economia já estão sendo plantadas por todo o canto”, enquanto, com diz a citação inicial, as condições para a mudança amadurecem.

%d blogueiros gostam disto: