Direita ou esquerda já não é a chave para entender as ideologias.

A intervenção da mulher sabina. Museu do Louvre. Jacques-Louis David.

Focado na recente eleição da nova prefeita de Roma, Virginia Raggio, com 67% dos votos, Daniel Aarão Reis faz, em artigo, um interessante resumo da fundação de Roma, uma ampla análise dos desafios da administração da cidade (tradição machista, falta de transparência, corrupção, descrédito nos partidos e no sistema eleitoral, isenções indevidas de impostos dentre elas, ao Vaticano, dívidas bancárias, transito caótico, corporativismo, coleta precária de lixo, e por aí vai), deixa transparecer esperanças na democracia representativa e aponta para a impropriedade da dicotomia ao se classificar as ideologias.

No artigo “A loba de Roma”  ele afirma:

“A nova loba de Roma pertence aos quadros do Movimento Cinco Estrelas, partido alternativo que, desde 2009, quando apareceu, subverte a atmosfera política italiana e questiona as hegemonias consagradas. As direitas e os fascistas não confiam nele. As esquerdas tradicionais o acusam de “fazer o jogo das direitas”. Grandes interesses econômicos o caracterizam como “populista”. Mas muitos partidários das esquerdas alternativas não apenas ingressaram no Cinco Estrelas, como votam preferencialmente em seus candidatos.”

O trecho acima ressalta a consideração mais importante do artigo: a de que a dicotomia esquerda/direita não é mais parâmetro para circunscrever as ideias em relação à complexa realidade política, econômica e social. Ainda em mais detalhe, vale transcrever um outro trecho do artigo:

“Na Europa atual a díade direita-esquerda, embora ainda válida, já não é mais uma chave que abre todas as portas do conhecimento político. Mesmo agora, no plebiscito que agitou a Inglaterra, pessoas de direita e de esquerda votaram a favor e contra o Brexit. O mesmo acontece na Itália, onde subsistem ambivalências e ambiguidades. Virginia Raggi terá de lidar com elas. Em certa medida, é expressão delas e sobre elas deverá definir-se. Mas não deixa de ser estimulante que “candidatas alternativas”, como Ada Colau, em Barcelona; Manuela Carmena, em Madri e, na própria Itália, Chiara Appendino, em Turim, também do Cinco Estrelas, estejam ganhando eleições com propósitos críticos ao “sistema”.

Como avisavam os antigos: caveant consules! Ou, traduzindo-se livremente a advertência: que se cuidem as elites tradicionais, de direita e de esquerda!”

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