Corrupção endêmica, estelionato eleitoral e aguda crise econômica – o que revelam?

“O estelionato eleitoral é mais uma face da falência do sistema de representação pelo voto no qual o representante nada tem a ver com o representado.”

Os acontecimentos em curso no Brasil, muito mais do que tomar partido por um grupo ou outro, leva-nos a constatar as profundas dificuldades por que passa o atual sistema econômico, político e social e ajudam a vislumbrar que para superá-las será preciso que uma nova ordem se imponha.

A corrupção endêmica carrega a marca do capitalismo que se auto proclama da livre inciativa mas que no mundo moderno mantêm suas margens de lucro através de monopólios, oligopólios e falsa competição. O estelionato eleitoral é mais uma face da falência do sistema de representação pelo voto no qual o representante nada tem a ver com o representado. E a crise econômica mostra ao mesmo tempo um estado que tudo quer fazer e pouco pode e uma realidade profunda a qual se tenta ver como passageira, mais um ciclo do sistema econômico.

Movimentos, lideranças e pensadores tem procurado mostrar, ajudar sua ocorrência e divulgar esta mudança crítica sob uma ótica mundial e com soluções e nomes os mais variados. Dentre outros, ecosocialismo, economia do compartilhamento, colaboração no espaço comum, economia solidária, nova economia, decrescimento, socialismo e pós-capitalismo procuram antever uma nova ordem social viável do ponto de vista ambiental e justa do ponto de vista social e contam com repercussão expressiva em diversos países.

Em abril de 2014, Jeremy Riftkins, um dos principais defensores de que atravessamos por um período que seria da 3ª revolução industrial, lançou seu último livro intitulado: “A sociedade do custo marginal zero: A Internet das Coisas, a ascensão da colaboração no espaço comum e o eclipse do capitalismo.

A sua tese é essencialmente a de que:

Centenas de milhões de pessoas estão transferindo parte de sua vida econômica dos mercados capitalistas para o da colaboração no espaço comum. Consumidores se transformaram em “Proconsumidores” e estão não apenas produzindo e compartilhando suas próprias informações, entretenimento, energia verde, produtos impressos-3D e se matriculando em cursos online grátis que operam próximos do custo marginal zero. Eles também estão compartilhando carros, casas e até mesmo roupas uns com os outros através de sites de mídia social, aluguéis, clubes de redistribuição, e cooperativas, próximos do custo marginal zero.

Ou seja, por razões tecnológicas:

Um novo sistema econômico está entrando no palco do mundo. É o da Colaboração no Espaço Comum e afirma que é o primeiro paradigma econômico novo que cria raízes desde o advento da capitalismo e de seu antagonista, socialismo, do início do século 19. O novo sistema já está transformando a forma como se organiza a vida econômica, com profundas implicações para o futuro do mercado capitalista.

E mais, ao longo do tempo o novo sistema será dominante.

Haja futurismo. Ele simplesmente ignora os riscos ambientais e sociais (como por exemplo a exclusão de grande parte da humanidade em guetos) e afirma uma fé inquebrantável no efeito do avanço tecnológico.

Mas, mais do que antever o futuro, o importante é entender que fenômenos estão ocorrendo hoje e que podem ter importância decisiva para a civilização. Ritkins faz isto ao afirmar que nova revolução tecnológica já está em curso. Afirma também que o espaço para o trabalho dedicado ao mercado está se estreitando rapidamente abrindo as portas para o da Colaboração no Espaço Comum, que, neste blog, de forma menos abrangente e mais precisa, é denominado de Trabalho livre.

Não só o Ritkins e o autor deste blog, mas muitos mais percebem a ascensão do trabalho livre, sob as mais diferentes denominações e em contraposição ao trabalho de sobrevivência, como o fenômeno mais importante de nossos dias. Cito a nef, New Economics Foundation, pioneira nos estudos e propostas relacionadas, entre outros, à redução radical da jornada de trabalho, que diz:

Apesar do enorme progresso social e tecnológico ao longo do século passado, nossa atitude para com o horário de trabalho permanece fundamentada na revolução industrial e não há reconhecimento real do valor da economia fundada no trabalho não remunerado. Reexaminar a jornada das 9 às 5 e avançar redistribuindo o tempo remunerado e não remunerado ajudaria a restaurar o equilíbrio, com benefícios para a nossa economia, sociedade e meio ambiente.

Não custa lembrar que o trabalho livre é aqui entendido como o exercido espontaneamente e sem o objetivo de remuneração. Concretamente, os exemplos mais importantes de trabalho livre são o voluntário, a criação digital, o doméstico, o de autossubsistência, o do investimento pessoal, a criação artística, cultural ou científica, as atividades sociais e as atividades amadorísticas. Ele é a base do que aqui se chama de economia dual.

Juntas, a economia dual e a de mercado constituem o todo da produção humana, ressaltando-se a tendência de expansão e dominância relativa da economia dual e consequente subversão do sistema econômico.

É um fenômeno em curso que além de facilmente observável, tem explicação no fato óbvio de que o cria valor é o trabalho e se existe mais e mais mão de obra disponível, esta irá se organizar e produzir da forma que puder e desejar.

Afirmar que a força de trabalho existente e subutilizada não consegue se organizar para além do sistema econômico vigente e ser produtiva, porque, segundo os economistas de plantão, não basta ter mão de obra, é preciso ter capital e os demais fatores de produção disponíveis, faz, portanto, pouco sentido.

E que também não faz sentido insistir no impossível crescimento exponencial do PIB para manter o sistema atual vivo e impedir que a civilização atual canalize seus esforços e recursos na direção dos interesses das pessoas.

Infelizmente, os setores que tem interesse em tal ideologia procuram de todas as formas manter o status quo e cobrarão um alto preço antes de perderem seus privilégios. Por outro lado, como a força da mudança é crescente e esta indispensável, ou ela ocorre ou a civilização sucumbe.

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2 Respostas to “Corrupção endêmica, estelionato eleitoral e aguda crise econômica – o que revelam?”

  1. Luiz Carlos Ramos Cruz Says:

    “A situação é dramática, mas isto me alimenta de esperanças”.
    Há controvérsias:
    1. Até o MERDAL condenou a ação do promotor Conserino, até o Merdal, enfim a minha segunda concordância na semana. A primeira foi com o lula que: “ O pt não pode ficar calado”. E, eu=Fala Vacari, fala! Fala Tudo Duque ! Fala mais Deoscídio, fala ! ( este Sr tem 15 anos de pt/é senador pelo pt / e era líder do governo no senado).
    2. Lula, está vivendo a injustiça que sofremos no nosso dia a dia: Ação coercitiva / autos de resistência / uso das forças armadas nas favelas com métodos que utilizou no Haiti / implantação de upp que aterroriza e não controla o tráfico de: drogas/armas/humanos). O que foi feito neste período de governança petista no Judiciário ? O que foi sabatinado aos postulantes ao cargo de juiiz ?
    3. Eu transfiro a pergunta: O que faz o min da Defesa _ Aldo Rebelo ( do PC genérico=pcdob) ? a frente das forças armadas no tal enfrentamento aos agentes espiões ?
    4. Não basta denunciar-Dilma, falou uma única vez e se calou, mistério ? Não, rendição !
    5. Sobre o tripleX, tenho lá minhas dúvidas,falta-me alguns matérias pra concluir esta suspeita – Aguardemos!
    6. Não tem nada de furado – O mensalão, existiu, assim como, existe a lava jato.
    7. Lula, não aceitou aliança.Ele fez a aliança.Não só os procurou como isolou a esquerda ( qdo falo esquerda, não considero pcdob nem partidos satélistes, nem a corrente “esquerda marxista”do pt)
    8. Precisamos é de todos ( idosos/jovens/…) sem seletividade, heim?!
    9. É preciso sair deste Flax Flu ou melhor do PIG x PIL ( partido da imprensa lulista !) –É preciso sair desta comparação com o pior ( psdb).
    10. Lula, quanto Dilma, rasgaram sua biografia há muito tempo….
    11. Só faltou dizer no meme arrolado abaixo – lula o defessor dos pobres, onde complemento, e protetor dos ricos – Auditagem da dívida ? Esperem sentados, pois com lula / dilama, não aconrteceá nem que a vaca tussa…
    12. Quanto a estas empreiteiras que praticam trabalho escravo / fazem loby pra tirar seus nomes na lista de denunciados com esta prática nojenta de exploração do trabalhador / que subfaturam suas compras-compra de materiais x sonegação de impostos x superfaturamento nos empreendimentos das obras, inclusive PAC’s da vida e MCMV – Que obrinhas chinfrim…( falo com conhecimento de causa, pois vivenciei o maior empreendimento do MCMV no Rio – 2442 habitações)…É preciso ter responsabilidade social e não somente razão social. Estes empreendimentos (PAC ),não poderiam ser conduzidos da forma que foi sem haver a contra partida aos postulantes interessados em construir, mas não entregou tudo ao Deus mercado, deu no que deu.
    13. Não basta ser nordestino, sem dedo e não falar inglês.É preciso muito mais que não virá deste Sr.Enfim, eis o “esse é o cara” do Obama – O cara para fazer o jogo sujo, o cara que veio para confundir e não pra explicar.
    14. Nem 13 nem 31 e rumo a greve geral !Motivos não faltam ( ajuste fiscal do levy, ainda está imbuido nas tenebrosas transações PTUCANAS -Pra que tiraram o Levy ?)
    15. Agora recorrerei a psicologia com o diagrama de Maslow, com a SWOTT e o MASP pra seguir a vida …

    Sds do

    Luiz Carlos Ramos Cruz – HÁ CAMINHOS !!!

    • Christopher Says:

      Bem, Luiz Carlos, acho que é bom olhar para além deste dia a dia um tanto macabro.E,concordo, existem bons caminhos, como o apontado neste blog. Mas, é bom não esquecer que as possibilidades ruins também podem ocorrer.


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