De uma nova economia para o pós-capitalismo e agora, a economia dual

“Concretamente, os exemplos mais importantes de trabalho livre são o voluntário, a criação digital, o doméstico, o de autossubsistência, o do investimento pessoal, a criação artística, cultural ou científica, as atividades sociais e as atividades amadorísticas.”

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Figuras duais

As razões de nova mudança no foco deste blog.

Durante seus 4 primeiros anos este blog teve foco na Nova Economia, movimento que nasceu na Inglaterra em 1984 e que fortaleceu-se tanto lá quanto nos EUA. Ele pode ser sintetizado em três objetivos interligados: redução da desigualdade social, preservação ambiental e maior bem estar.

Ao longo destes anos ficou mais do que evidente que tais objetivos ameaçam de morte o sistema atual já que demandam a superação tanto dos pressupostos econômicos quanto das bases política e social do capitalismo.

Mas, tanto nos EUA quanto na Inglaterra as principais lideranças e organizações da Nova Economia, dada a forte rejeição, evitam abordar tais consequências. Neste países, via de regra, falar em superação do capitalismo significa socialismo, o que obviamente não é fato, mas o preconceito tem força suficiente para impedir que as mencionadas organizações e lideranças encarem de frente a questão. Em consequência, o movimento tem-se enfraquecido e derrapa na incongruência de suas propostas.

Obviamente, a transição para o pós-capitalismo em nada depende da adoção de qualquer das formas de socialismo propostas desde meados do século 19. Ao contrário, a evolução econômica, tecnológica, política e social desde então enterraram tais soluções ao mesmo tempo em que mudanças radicais de outro teor se mostram imperiosas para a sobrevivência da civilização.

São estas considerações que me levaram, no inicio de seu 5º ano, a mudar o foco do blog. Imaginei, na ocasião, que um enfoque mais abrangente poderia ser o caminho, analisando além da vertente econômica os demais aspectos de uma sociedade pós-capitalista.

Ocorre, entretanto, que foi ficando evidente que o foco deveria ser não no resultado final, o pós-capitalismo, e sim no processo de transição para tanto e que a defesa e o detalhamento do modelo dual são a contribuição mais efetiva que posso dar ao ajudar a mostrar que a transformação está em curso e deve se impor apesar dos interesses contrários a este avanço histórico.

Por isto, a partir de agora, este blog passa a se centrar no conceito da economia dual à economia de mercado. A economia dual não é um desejo e sim o resultado concreto do trabalho livre, este entendido como o exercido espontaneamente e sem o objetivo de remuneração. Concretamente, os exemplos mais importantes de trabalho livre são o voluntário, a criação digital, o doméstico, o de autossubsistência, o do investimento pessoal, a criação artística, cultural ou científica, as atividades sociais e as atividades amadorísticas.

Juntas, a economia dual e a de mercado constituem o todo da produção humana, ressaltando-se a tendência de expansão e dominância relativa da economia dual e consequente subversão do sistema econômico.

É de se esperar o crescimento continuo da economia dual e sua eventual dominância em relação à de mercado em razão da expansão, particularmente, do voluntariado e da criação digital. Tal fenômeno é fortalecido ainda por dois outros aspectos:

  • a contínua diminuição da necessidade do trabalho de sobrevivência.

  • a imperativa necessidade de internalização dos impactos ambiental e social nos custos da atividade produtiva.

E, dominante, abre-se o espaço para que a redução das desigualdades sociais, a preservação ambiental e o bem estar humano se tornem os objetivos centrais da atividade produtiva.

O leitor encontrará na opção no topo da pagina do blog e, em especial, no artigo Economias duais, o trabalho já realizado pelo autor sobre o assunto que, a partir de agora será complementado com a maior prioridade.

Contudo, nada é certo. As forças interessadas na manutenção do sistema capitalista podem tentar limitar a diminuição do trabalho remunerado através da exclusão de mais e mais pessoas do sistema através da contenção destas em guetos, num movimento contrário à história do capitalismo, que sempre precisou da expansão contínua de mercados.

Esta última é uma possibilidade improvável mas que não pode ser descartada já que com a dominância da economia dual, desabam os mencionados interesses. Neste novo horizonte, a atividade econômica e a vida em sociedade, em todos os seus aspectos, terão passado por uma enorme transformação, muito provavelmente com grande turbulência, na direção de maior bem estar para todos.

A intensidade da turbulência e duração da transição dependem, é claro, do grau de coesão e adesão ao movimento social interessado na mudança. A afirmação de tal movimento é decisiva pois é quem viabiliza a mobilização de massas em direção às mudanças desejadas, o que por sua vez reforça o próprio movimento social, apressando e tornando menos traumática a transformação em curso.

Enfim, este blog passa, na medida do possível, a incluir comentários sobre o fortalecimento do trabalho livre, a apontar conflitos e impasses insolúveis do sistema atual, a refletir sobre o que é necessário fazer para tornar a mudança menos traumática e mais rápida, a informar a respeito de movimentos sociais em formação capazes de provocar a mudança e a indicar reflexos de tal mudança em termos econômicos, políticos, sociais e jurídicos.

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