Por que uma sociedade pós-capitalista?

”Não se consegue nem imaginar este mar de gente consumindo no chamado padrão “desenvolvido”: automóvel, estradas e vias de circulação para veículos individuais, bens descartáveis, desperdício, educação e saúde privadas, casa própria, saneamento, segurança, energia abundante e barata, lazer, viagens, e mais, muito mais.”

Porque o sistema econômico atual não tem como oferecer uma resposta apta para as questões ambientais e sociais e com isto, ameaça, de morte, a civilização. Umbilicalmente atrelado ao lucro e tratando-o como o motivador principal da ação humana, é incapaz de dirigir suas ações priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e maior bem estar.

E porque, a necessidade de uma nova economia, decorrente do acima exposto, traz, por sua vez, invitáveis e profundos desdobramentos nas dimensões política, social e demais aspectos da vida humana, o que significa, portanto, uma nova forma de convivência entre as pessoas.

O fato é que, hoje, o essencial para o sistema é a lucratividade do capital e, para tanto, precisa do crescimento econômico exponencial. O que a gera distorções cada vez maiores.

O crescimento exponencial, o que se pode constatar ao longo da história do capitalismo, impõe a contínua ampliação e expansão dos mercados. Levas humanas são incorporadas ao mercado e os que já estão são levados à permanente ampliação do consumo. É o efeito indireto. Mesmo sem o buscar, o crescimento causa melhoria na renda e, em geral, amplia o bem estar material das pessoas beneficiadas.

Obviamente, parte da população mundial ainda não foi incorporada ao mercado e existiria espaço, ainda, para a ampliação do consumo dos que já estão no mercado. Contudo, o crescimento exponencial chegou num ponto de pressão insustentável sobre os recursos naturais, inviabilizando o efeito indireto.

E isto, num mundo com uma população de mais de 7 bilhões de pessoas, que projeta-se, chegará até 2050 a 9 bilhões de pessoas e continuará crescendo. E onde a segmentação de classes sociais esvanece-se e as pessoas, no geral, estão cada vez mais bem informadas e desejosas de acesso ao padrão de bens e serviços dos segmentos mais privilegiados.

Não se consegue nem imaginar este mar de gente consumindo no chamado padrão “desenvolvido”: automóvel, estradas e vias de circulação para veículos individuais, bens descartáveis, desperdício, educação e saúde privadas, casa própria, saneamento, segurança, energia abundante e barata, lazer, viagens, e mais, muito mais.

O que surpreende é saber que a civilização já dispõe dos recursos para atender ao bem estar humano de forma direta. Mas que só acontecerá quando as pessoas aceitarem, desejarem, e, principalmente, imporem uma radical mudança aonde o suposto bem estar material seja secundário ao bem estar pessoal mais amplo.

Vivemos um dilema explosivo: de um lado um sistema que anda na direção oposta dos interesses maiores da humanidade e de outro a possibilidade de redirecionar nosso destino.

Não há mais dúvida. É preciso dar um fim à obsessão pelo crescimento econômico, promover a redução radical e contínua da jornada de trabalho e implementar a taxação do carbono e demais internalizações dos custos sociais e ambientais. Mas, fazer isto, muito mais do que transpor as resistências dos interesses constituídos, significa transitar para um sistema econômico, político e social que, por enquanto, melhor pode ser definido como pós-capitalismo já que seu contorno ainda não está suficientemente definido.

E, para que isto ocorra, somente através de um amplo movimento de massas e, no melhor de nossas esperanças, a partir de praticas realmente democráticas.

É claro que um movimento de massas tem limitações, avanços e recuos. E que mudanças transformadoras são seguidas por outras evolutivas que preservam o acervo de vida social já conquistado pela humanidade e o melhora. Como também, outros elementos entram na direção que uma mudança toma: os desejos das lideranças, os acidentes de percurso e os recursos disponíveis, dentre outros.

Mas, além da força própria inigualável que um movimento de massas tem, o que se comprova em inúmeros exemplos históricos, se este estiver navegando “a favor” da superação de um impasse global, torna-se irresistível à medida que a crise se torne mais e mais evidente. A ver.

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2 Respostas to “Por que uma sociedade pós-capitalista?”

  1. J.Celio Says:

    Está óbvio que não se pode perseguir PIB ininterruptamente em crescimento. É uma utopia.


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