Classes sociais e o movimento por uma Nova Economia.

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Destas mudanças, a que maior impacto causou, a meu ver, é a televisão. Ao levar informação à imensa maioria da população, acelerou a subversão das antigas rígidas fronteiras ideológicas…”

Família de Pernambuco em frente à TV

A tendência contínua de expansão do mercado consumidor mundial fruto da necessidade de crescimento exponencial do sistema produtivo de mercado na luta pela preservação de sua margens de lucro tem provocado ondas gigantescas de mudança no ambiente social.

E, o mundo de hoje é marcado, claro, por tais mudanças. A afirmação da globalização, a facilidade de comunicação, a rapidez nos transportes e a difusão da informação pelos jornais, radio, TV e internet, todos tendo como base principal a evolução tecnológica, são exemplos evidentes no nosso dia a dia.

Destas mudanças, a que maior impacto causou, a meu ver, é a televisão. Ao levar informação à imensa maioria da população, acelerou a subversão das antigas rígidas fronteiras ideológicas e que possibilitavam uma clara distinção de grupamentos humanos em classes sociais.

E, muito provavelmente, as novelas televisivas, ao levar para todos o conhecimento detalhado e “vivido” do que se passa nos diferentes estamentos, despertou e estimulou, de forma irreversível, o desejo de todos pelos mesmos bens e estilo de vida.

Neste contexto desaba o conceito de classes sociais ao mesmo tempo em que continuam e mesmo pioraram a desigualdade, a injustiça e as más condições de vida.

Isto me parece válido tanto na visão marxista quanto na de Weber, expressões mais significativas do conceito. Para Marx, os que detêm a posse dos meios de produção apropriam-se do trabalho dos que não possuem tais meios e que é exercido para que sobrevivam, constituindo assim classes antagônicas em permanente conflito e que nada mais são que manifestações concretas da luta de classes.

Para Weber a estratificação social reflete uma hierarquia com dimensões econômica, social, política e ideológica. Ela revela uma característica da sociedade e não simplesmente um reflexo de diferenças individuais, tende a continuar de geração para geração, é universal, mas variável e envolve não só a desigualdade, mas também crenças.

Ocorre que mesmo continuando a existir detentores dos meios de produção e haver diferenças sociais profundas, as ideologias e crenças são hoje muito mais difusas anulando um dos pilares do conceito de classes. Além disto, uma sociedade para ser entendida nos dias de hoje precisa da compreensão dos diversos segmentos que a compõe e que não se confundem com classes. Em termos econômicos, fala-se em “classes” A, B, C, D e E. As opções religiosas são também múltiplas e importantes. A sua composição em diferentes raças também assumiu relevância e a diversidade de opções sexuais também se impôs. Isto, sem falar em outras segmentações tão importantes quanto, como a do nível escolar e da região geográfica.

Em outras palavras, apesar de ser nítido, nas chamadas democracias representativas, o controle do estado pelos interesses econômicos, a existência de classes sociais no sentido marxista e mesmo Weberiano esvaneceu-se pois a coesão de cada possível classe em termos das dimensões econômica, social, política e ideológica já não mais existe.

Alternativamente, se poderia pensar num cenário de quetos num mundo onde a continuação do crescimento econômico para atender os desejos de todos se torna inviável sob todos os aspectos.

No entanto, a recente disseminação do vírus do Ebola mostra que de uma forma ou outra os quetos explodem e atingem os que estão fora deles. Não é, portanto, um cenário viável.

Tampouco é o cenário de luta de classes já que estas se dissolveram sem que os problemas tivessem ido junto.

Neste ambiente, a proposta de uma Nova Economia se impõe, a partir de sucessivas e profundas crises sociais e ambientais ou, se for possível, pelo entendimento entre os humanos.

Hoje a crise planetária é certamente o agregador principal seguido da impossibilidade de manter quetos de exclusão como forma de manutenção de privilégios. Assim, sem ingenuidade, já é possível que se estabeleçam não lutas entre classes mas sim movimentos sociais que englobem estratos majoritários, cuja marca é a unidade na diversidade e que buscam, na verdade, superar os privilégios e as barreiras ideológicas, políticas e culturais do chamado status quo.

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5 Respostas to “Classes sociais e o movimento por uma Nova Economia.”

  1. Sergio Amarildo Soares Says:

    Penso que a ideia clássica de classes sociais de fato não se sustenta mais. Contudo, no atual momento histórico há objetivamente uma luta de interesses distintos dispersos em vários grupos, segmentos, classes sociais. Cito aqui a ideia de Bourdieu do mito do fim das classes sociais. A complexidade da composição de classes é muito maior do que no tempo em foram formulados esses conceitos por Marx e Weber, obviamente. Entretanto, há uma variedade significativa de grupos sociais, classes sociais. Assim como, há lutas diversas por interesses políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, ideológicos, simbólicos. Entendo que os conceitos foram transformados consideravelmente no atual contexto no qual vivemos. Não deixaram de ter seu valor para analisarmos a sociedade contemporânea.
    Assim como a TV causou mudanças profundas na sociedade, as redes sociais, a mídia digital também tem alterado drasticamente o modo das pessoas viverem e se relacionarem.

    • Christopher Says:

      Olá Sérgio,
      Acredito que meu comentário ao da Dirlene vai bem na direção do seu. Quanto à televisão, me referi à uma época. No Brasil, por incrível que pareça, Janete Clair e Dias Gomes, não por acaso, fizeram uma revolução na ideologia dos brasileiros. Marxistas e conscientemente o casal destruiu a força da ideologia da dominação. É claro, hoje, a difusão da informação e da possibilidade de troca só fez aumentar o fenômeno.
      Bem, devo dizer ainda da minha satisfação nesta troca de ideias.
      Christopher.

  2. Maria Dirlene Marques Says:

    Ola Christopher
    Concordo com voce de que a tecnologia tem possibilitado uma difusao do pensamento, da cultura do comportamento para amplos setores sociais. E que isto interfere nas expectativas. Mas, isto nao elimina as classes sociais. Como Marx ja dizia, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante pois ela tem a capacidade de divulgacao de seus principios, em qualquer epoca. Mesmo em epocas historicas, onde os meios de comunicacao de massa eram mais precarios.
    Dirlene Marques

    • Christopher Says:

      Bom dia Dirlene,
      O fato do estado e do governo serem dominados pelos interesses do status quo e este ser formado também pelos detentores dos meios de produção não implica mais no domínio ideológico e na luta de classes. Hoje a diversidade de segmentos, com identidade e respeito próprios, e as intensas mudanças a que me referi se retratam numa diversidade de conflitos. A meu ver o “status quo”, que vai bastante além dos detentores dos meios de produção, não consegue mais impor uma ideologia e é, na verdade, obrigado a “engolir” a dos demais segmentos. Esta é a base para afirmar que os movimentos de massa não precisam refletir um luta entre 2 classes e sim uma luta da imensa maioria da população.
      Christopher.

  3. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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