A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.

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Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica indireta: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico.”

O meu descrédito com o mecanismo de representação é total. As eleições criam falsos representantes e principalmente ilusões e não são, da forma como usadas hoje, o veículo para um sistema democrático.

Mas, com as eleições presidenciais a cerca de 40 dias acredito interessar ao leitor tratar de alguns aspectos das propostas e programas “meia-boca” de governo sob a ótica do que é preconizado por uma Nova Economia.

Hoje, abordo a questão do papel do estado na condução da política econômica. E no próximo post a dos famigerados conselhos populares e a possibilidade de ação das pessoas não só através do voto. Em seguida, retomarei a análise da redução da jornada de trabalho, ideia que aliás, está se difundindo, como detalhei no primeiro post sobre a demissão do presidente da NEC.

Nem falo do crescimento econômico medido pelo PIB, cujas insolúveis distorções o invalidam. Basta pensar que uma guerra, por exemplo, contribui para o PIB, já que registra o consumido mas não o destruído. Os que defendem tal medição dizem que as distorções são marginais e em seguida usam sempre o argumento indireto: mais crescimento implica em maior atividade econômica e esta traz progresso.

Nenhum dos três principais candidatos escapa desta lógica. Não se dão nem ao trabalho de distinguir desenvolvimento de crescimento econômico. Qualquer proposta que procure afirmar que redução da desigualdade, proteção ambiental e bem estar subordinam a atividade produtiva é taxada de intervencionista e voluntarista, isto porque, seriam tentativas de resolver por outros meios que não os das sábias mãos do mercado.

Antes de mais nada é preciso alertar que a ideia de que o mercado é o melhor caminho para definir preços e alocar recursos não tem respaldo teórico e surge como “muleta” para a ideologia “liberal”. Por ela, os agentes econômicos precisam de ampla liberdade para atuar de forma a que a “mão invisível do mercado” seja a principal força a determinar suas decisões.

Ou seja, não se pode sequer dizer o óbvio, que a atividade produtiva deve estar a serviço das pessoas e do planeta, sem ser vítima da observação de que esta deve ser regulada pelo mercado e que os benefícios para as pessoas e o planeta são uma decorrência. Com isto, o que ocorre de fato é que os verdadeiros interesses da humanidade são desprezados. Basta ver a insensibilidade com a miséria e a crise ambiental.

Não é difícil desconstruir o papel da “mão invisível do mercado”. Basta lembrar dos monopólios, oligopólios e cartéis que primeiro definem preços e margens de lucro e depois lançam seus produtos e serviços no mercado. É verdade, tentam atuar de forma invisível e silenciosa para que suas trapaças e arranjos não sejam contestados.

Pense o leitor no “grosso” da atividade produtiva brasileira: petróleo, energia elétrica, veículos, remédios, empréstimos, seguros, investimentos, obras de infraestrutura e publicidade, para citar apenas alguns, e verifique se nestas atividades é a “mão invisível do mercado” quem define preços e aloca recursos.

(Continua na próxima semana)

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3 Respostas to “A mão invisível do mercado, como sempre, trapaceira.”

  1. andre perucci Says:

    concordo plenamente contigo. estamos numa seca muito severa aqui no estado de sao paulo brasil estava eu em sitio de um amigo conversando sobre a falta de noção dos donos de fazendas que plantam eucalipto ao lado das nascentes fazendo que as mesmas sequem , se comparadas com as guerras é a mesma coisa soma- se a venda do eucalipto ao PIB e a destruição da nascente é totalmente desconsiderada.

  2. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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