Saídas para a atual crise da Nova Economia.

(Access here the English version)

Um primeiro passo e relativamente simples é voltar a disponibilizar na internet o histórico de realizações tanto da NEN quanto da NEI que desapareceram (!) junto com os respectivos sites.”

Cartaz de conferência promovida pelo New Economics Institute em julho de 2012.

Parte 3 (final), sobre a “renuncia” de Bob Massie.

A repercussão desta série sobre a renúncia de Massie reforça a importância de apontar para algumas das providências urgentes visando superar a crise que atravessa o movimento por uma Nova Economia.

Vale mencionar que não recebi nenhuma resposta ou ponderação que possa considerar um posicionamento de Massie ou da NEC, apenas manifestações de quem já foi ou é parte da organização. Sem exceção, todos confirmam os problemas aqui mencionados e em alguns casos com novos aspectos e fatos.

1ªUm primeiro passo e relativamente simples é voltar a disponibilizar na internet o histórico de realizações tanto da NEN quanto da NEI que desapareceram (!) junto com os respectivos sites. O da Schumacher Society só não desapareceu junto porque quando ocorreu a fusão, a antiga Schumacher Society desligou-se e criou o Schumacher Center for a New Economics, absorvendo o acervo e dando continuidade à obra que a antiga organização realizava.

2ªUm outro passo, mais profundo é entender que as mudanças preconizadas por uma Nova Economia não vão ocorrer de cima para baixo ou a partir do convencimento das elites do atual sistema. Nem tampouco, sem contar com o trabalho voluntário substituindo-o pelo remunerado, mesmo que via bolsas de estudos e financiamentos.

3ªNeste ponto é preciso dizer que coalizão tem um sentido muito forte e exige grande identidade de propósitos, o que não é o caso entre as cerca de 120 organizações cooptadas (trabalho aliás que já tinha sido feito pela NEN) mas que na prática não aceitaram atuar de forma sincronizada, como era de se esperar.

Assim, a saída é recuar, admitindo humildemente o erro cometido, fortalecer a rede na forma pensada pela antiga NEN (tanto a rede de indivíduos quanto a de organizações), valorizar projetos que aprofundem o conhecimento e difusão das ideias de uma Nova Economia e, aos poucos, ir forjando, na prática, um movimento que seja de fato um instrumento de ação e mudança.

Vale lembrar que serem simplesmente entidades sem fins lucrativos não é garantia de que tais organizações estejam comprometidas e assumam a liderança de movimentos sociais de mudança.

O fato é que à exceção do lucro (espera-se) tais organizações operam como uma empresa privada. Obtém recursos de um lado e mantém uma equipe para que possam desenvolver seus planos. Têm conselho, diretoria, organização hierárquica e pouco apreço, na prática, pela importância decisiva do trabalho voluntário e pela democracia interna.

4ªOutra questão que precisa ser revista é a religiosa. Talvez pelo fato de ser pastor luterano, Massie acabou trazendo tal viés para a NEC o que culminou com a nomeação de um diretor para cuidar do relacionamento com “comunidades de fé”.

O envolvimento da religião com um movimento de massas por mudanças sociais é, por si só, um péssimo caminho. Sobre isto vale a pena ler “Jeová e Alá em Gaza” um brilhante e atual artigo de Mario Sérgio Conti que conclui dizendo: “Um dos passos necessários seria a volta de um princípio cada vez mais em desusoo da separação entre religião e política, igrejas e Estado. Mas, ao contrário de Zeus, Thor e Tupã, Alá e Jeová continuam a ser imiscuídos em afazeres humanos”.

E termino com três sugestões adicionais, estas mais complicadas e profundas.

5ªRecentemente, dadas as dificuldades da transição para uma Nova Economia, passou-se a focar na importância das comunidades e da ação local, acreditando ser esta a estratégia de ação para alcançar as mudanças pretendidas. Na verdade, tal orientação só leva a que o movimento como um todo se coloque num gueto assim como aqueles que acreditam que pelo exemplo em suas comunidades possam ser a semente da transformação.

6ª – Pela mesma razão citada no item anterior, passou-se a focar também em cooperativas e mútuos como se estes representassem uma forma de organização capaz de ser a base de uma Nova Economia. De forma alguma. Muitas destas organizações representam uma opção interessante para que os trabalhadores possam exercer seu trabalho de forma mais democrática e gratificante, mas, são parte do sistema produtivo atual e se não atuarem de forma similar a qualquer empresa, desaparecem.

7ªE, conforme tenho insistido aqui, é preciso uma estratégia bem delineada onde esteja explícito o por que, o que é e como chegar a uma Nova Economia e que um movimento de massas para tanto precisa estar orientado para a luta em torno de dois pilares, a redução radical da jornada de trabalho e a internalização dos custos sociais e ambientais.

Finalmente, uma palavra sobre as dificuldades peculiares ao Brasil. Aparentemente, elas seriam resultado do nosso estágio de desenvolvimento que leva a que não se possa considerar seriamente a proposta da Nova Economia. Acredito que não, ao contrário. Eventualmente, será mais fácil a percepção, aqui, de que crescimento pouco tem a ver com real desenvolvimento econômico e social.

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Uma resposta to “Saídas para a atual crise da Nova Economia.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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