E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 2

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria. Fonte: The Conference Board Total Economy Database™,January 2014.

Horas anuais por trabalhador em atividade – Empregados em tempo integral, parcial e atividade própria.
Fonte: The Conference Board Total Economy Database™, January 2014.

Parte 2. (Acesse aqui a Parte 1 que foi publicada em 4 de junho de 2014)

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida à parte 1)

“Mas, por que 21 horas, e não 20 ou 25 horas?”

A parte 1, publicada semana passada, terminou com a pergunta: Mas, por que 21 horas, e não 20 ou 25 horas?

Bem, primeiro uma explicação pontual. O estudo da nef utilizou uma pesquisa de uso do tempo na Inglaterra ao longo das 24 horas e de todos os dias da semana. Isto para mulheres entre 16 e 59 anos (!) e homens entre 16 e 64 anos (!). Veja a tabela em “21 horas” (página 33).

Lembro que, como me referi no artigo “Economias duais” (página 6) tal faixa de idade já não corresponde mais ao período produtivo de um ser humano que poderia ser visto com sendo dos 16 aos 80 anos, não que deva, necessariamente, buscar trabalho remunerado todo este tempo.

A pesquisa incluí empregados, trabalhadores por conta própria, desempregados e os economicamente inativos (!), aqueles que não estão procurando um trabalho remunerado.

Na média, esse grupo trabalha 19,6 horas por semana em trabalho remunerado e esta foi a base para apontar a semana de 21 horas como possível e capaz de se tornar o novo “normal”. A mesma pesquisa mostra que o mesmo grupo trabalha 30,9 horas por semana em trabalho não remunerado.

O estudo da nef sugere que uma a melhor maneira de pensar sobre a proposta seria considerar diferentes opções de distribuição das 1.092 horas de trabalho remunerado ao longo de um ano.

Veja, na figura acima, como isto não é tão absurdo. A Alemanha, por exemplo, está abaixo das 1.400 horas por ano de média para os que trabalham. Evidentemente que, mesmo lá, as distorções são enormes em função do nível de remuneração e de dedicação.

Trabalhar por remuneração 3 dias por semana e dedicar os outros ao trabalho não remunerado é uma possibilidade concreta e factível. Com o passar do tempo se torna o novo “normal” e consistente com uma economia movida a energia de baixa intensidade em carbono.

Mas, o fato é que não ocorreu até agora porque a redução radical da jornada, mesma implementada gradualmente como preconiza a nef, não é capaz de ser absorvida no contexto do atual sistema econômico, voltado para o lucro.

A visão da nef sobre o gradualismo é curiosa e inclui:

redução do horário gradualmente ao longo de vários anos, em consonância com incrementos salariais anuais; mudar a forma como o trabalho é gerenciado para desencorajar horas extras; oferecer treinamento ativo para combater a escassez de competências e para ajudar o retorno dos desempregados de longo prazo para a força de trabalho; gerenciar o custo das empresas de forma a recompensar em vez de penalizar a contratação de pessoal adicional; garantir uma distribuição da remuneração mais estável e igualitária; introduzir regulamentos para restringir as horas e que ao mesmo tempo promovam acordos flexíveis para atender os funcionários, como compartilhamento de trabalho, licenças mais longas e períodos sabáticos; e oferecer maior e melhor proteção para os que trabalham por conta própria evitando baixos salários, longas horas e insegurança sobre o futuro.”

E diz, para justificar isto que:

“Há muitos exemplos de normas sociais aparentemente rígidas e estáveis, mudando muito rapidamente, por exemplo, as atitudes em relação ao tráfico de escravos e ao direito de voto das mulheres, o uso de cintos de segurança e capacetes, e não fumar em locais públicos. O peso da opinião pública pode mudar de repente de antipatia à aprovação, como resultado de novas provas, forte campanha, e alteração das circunstâncias, incluindo uma sensação de crise. Há alguns sinais que condições favoráveis começam a surgir para uma mudança de expectativas em relação ao que seja uma semana de trabalho “normal”. Outras mudanças também, podem ajudar, como uma cultura mais igualitária, a valorização do trabalho não remunerado, forte apoio do governo para atividades não padronizadas, e um debate nacional sobre como nós usamos, avaliamos e distribuímos o trabalho e tempo.”

É uma visão totalmente reformista, que vê a mudança ocorrendo a partir das próprias estruturas vigentes.

Não vejo assim. Não existe só a ruptura nem só a reforma. Mas, chega-se um ponto em que a ruptura é inevitável e necessária para que, em seguida, as reformas ocorram, já num novo contexto de balanço de forças envolvidas nas decisões.

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Uma resposta to “E pensar que em 1930 a semana de trabalho era de 40 horas e que assim permanece – 2”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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