As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais

(Participe da pesquisa de opinião sobre este post, logo em seguida a ele.)

Quem seria, então, o ditador global para implementar tudo isto?” (comentário ao artigo de Herman Daly descrevendo as 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio).”

Charlie Chaplin – Tempos Modernos

Retorno hoje à série sobre a jornada de trabalho.

Nunca é demais relembrar que trata-se de uma “bandeira de luta” capaz de aglutinar a grande maioria da população e em especial, os movimentos sociais e que se alcançada junto com a internalização de custos “traz” a mudança do sistema econômico.

Ou seja, não se trata de ficar enumerando o que um ente imaginário deve fazer para que uma Nova Economia se implante senão, torna-se verdadeiro o comentário, com algum humor, de um leitor ao artigo “As 10 principais políticas para uma economia em equilíbrio” de Herman Daly, e que diz, em tradução livre:

OK. Quem seria, então, o ditador global para implementar tudo isto? Ah, sim, espere, isto nunca acontecerá. Pode estar certo que a opção será pela continuidade até que estejamos sem alternativas e entremos em colapso. Excesso para poucos, falta para a imensa maioria, como sempre. Ah, bem, boa tentativa, mas que perda de tempo. Vejo-o na linha de frente da 3ª guerra mundial.”

Uma descrição do que está envolvido na proposta e dos números, no caso brasileiro, será feita nos próximos posts. Até lá deixo ao leitor duas referências sobre o assunto. A principal delas uma publicação, traduzida para o português, da New Economics Foundation (nef) intitulada “21 horas. Porque uma semana de trabalho menor pode ajudar todos nós a prosperar no século XXI?”. E também os resultados do grupo de trabalho inteiramente dedicado ao assunto, mantido pela nef e que podem ser vistos em “Our Work: Work & Time”.

Hoje, acho interessante antecipar-me e abordar as objeções.

A reação é enorme, certamente pela percepção de que sua implementação força a mudança do sistema econômico. São dez as principais objeções a uma radical redução da jornada de trabalho:

  1. Colapso econômico, pois a atividade produtiva está organizada da forma possível e não segundo idealizações.

  2. Não haveria redução significativa do desemprego, além de incentivar, ainda mais, a inovação tecnológica e a prática de horas extras.

  3. Os empregados não aceitariam a redução de salários.

  4. O setor informal e o dos que trabalham por conta própria não estão sujeitos a regras o que tornaria a medida ineficaz para mais de 60% do mercado de trabalho.

  5. Stress nos já precários transportes públicos pois, praticamente dobraria o seu uso.

  6. Não poderia ocorrer isoladamente em um único país, pela perda de competitividade que isto acarretaria.
  7. O desemprego é relativamente pequeno fazendo com que houvesse forte escassez de mão de obra qualificada.

  8. Não é necessário correr tantos riscos já que a redução ocorrerá naturalmente a partir de regras flexíveis e desburocratizadas para o mercado de trabalho.

  9. Incentivo ao 2º trabalho, em alguns casos, e indolência e ócio, em outros.

  10. A competição entre parte dos que trabalham em escritório (“supertrabalhadores”) leva-os a ignorar jornadas preestabelecidas. Além disto, boa parte dos que se aposentam desejam ou manterem a renda ou continuarem ocupados.

No último post desta série pretendo mostrar que tais objeções não se sustentam e não passam de crenças alimentadas pelos que desejam manter o “status quo”. Até lá, faça seus comentários a respeito.

Observação: A nova edição do Boletim do NEWGroup em português, prevista para a última sexta-feira, será publicada depois de amanhã.

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Uma resposta to “As 10 principais objeções à redução da jornada de trabalho para 21 horas semanais”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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