Os franceses parecem ver o Brasil como o país mais violento do Ocidente, devido, entre outros, ao movimento “não vai ter copa”. E, outros artigos.

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Nada indica que uma família sem adequada provisão de escola, saúde, cultura, segurança, moradia, água e esgoto saia da pobreza apenas porque pode comprar aproximadamente oito pães por pessoa a cada dia.” (Cristovam Buarque).

Abertura de “Meu pedacinho de chão”, novela exaltada por Diegues em artigo referido abaixo pela originalidade e beleza.

Em destaque.

Interrompo, nesta semana, a série sobre a jornada de trabalho para dar destaque à alguns artigos recentes e que me parecem da maior importância.

Começo pelo artigo do professor Cristovam Buarque intitulado Pobreza da aritmética onde ressalta, sem desmerecer os programas de complemento de renda, que ultrapassar R$ 70 por pessoa e por mês, não significa que uma pessoa tenha saído da pobreza extrema. Nas palavras do autor:

Nada indica que uma família sem adequada provisão de escola, saúde, cultura, segurança, moradia, água e esgoto saia da pobreza apenas porque pode comprar aproximadamente oito pães por pessoa a cada dia.

A linha da pobreza não deve ser horizontal, separando quem tem mais de R$ 2,33 por dia e quem não tem, mas uma linha vertical, separando quem tem e quem não tem acesso aos bens e serviços essenciais.

Em seguida, um texto primoroso de Cacá Diegues intitulado O futuro dos sonhos. O autor está em Paris e o artigo reflete sua percepção de uma forte reação ao Brasil pelos franceses com quem se encontra e pela imprensa de lá. O país é tratado como o mais violento país do mundo ocidental, visão criada pela repercussão, entre outros, do movimento “Não vai ter copa”.

Para amenizar, o cineasta muda de assunto e, ao final, ressalta a originalidade e a beleza da novela “Meu pedacinho de chão”, opinião da qual compartilho. E diz muito bem, a meu ver: “ignorar essa imagem de sonho infantil é perder o sentido das coisas que não têm idade. A inteligência pode estar em qualquer mídia, gênero ou formato.”

E Kenneth Rogoff ataca novamente desta vez dizendo – não esqueçamos que, quando se trata de reduzir desequilíbrios, o capitalismo teve três décadas impressionantes – na abertura do artigo Onde está o problema da desigualdade? no qual analisa o livro “O Capital no Século 21” escrito por Thomas Piketty.

Ainda bem que, logo em seguida, numa espécie de contraponto, Joseph E. Stiglitz publicou o artigo Uma luz para as cidades, onde diz:

A desigualdade é dos maiores obstáculos à concretização da sustentabilidade. As nossas economias, as nossas democracias e as nossas sociedades pagam um preço elevado pelo fosso cada vez maior que separa os ricos dos pobres.”

Ainda sobre o livro de Piketty, matéria da jornalista Flávia Barbosa mostra que a desigualdade nos EUA atinge maior nível em um século. E haja desigualdade. Em entrevista ao jornalista Bolívar Torres o escritor e professor americano Henry Louis Gates Jr. mostra que o Brasil é o país que mais renega sua negritude.

Para finalizar, um instigante e importante artigo de José Eustáquio Diniz Alves intitulado O mito da independência energética dos Estados Unidos, cuja conclusão, transcrevo:

Na verdade, os Estados Unidos e o mundo vão ter que enfrentar o Pico do Petróleo e o aumento do preço da energia nos próximos anos. Quanto maior for a elevação do preço dos combustíveis fósseis maior será a crise econômica mundial e maiores serão as manifestações populares contra o consequente aumento do desemprego junto com a elevação dos preços dos alimentos. O sonho da independência energética pode se transformar no pesadelo da escassez de energia barata e um aprofundamento da estagnação secular que deve prevalecer no século XXI.

E, nesta sexta-feira leia aqui a nova edição do Boletim do NEWGroup em português.

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Uma resposta to “Os franceses parecem ver o Brasil como o país mais violento do Ocidente, devido, entre outros, ao movimento “não vai ter copa”. E, outros artigos.”

  1. Christopher Says:

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