Jornada de Trabalho: redução de 50%. E agora, para onde é que eu vou?

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“O que se espera é a recuperação das montadoras para que continuem sua missão de entupir, mais e mais, as ruas das cidades e rodovias que as interligam.”

Jânio Quadros na ponte em Uruguaiana. Foto de Erno Schneider: Prêmio de Jornalismo de 1962.

Não é que neste 1º de maio o governo brasileiro anunciou uma medida radical de redução da jornada em 50%? É claro, não estamos ainda numa Nova Economia, muito ao contrário, mas a chamada flexibilização da jornada mostra com tremenda clareza as contradições com que se defrontam, não só o Brasil, mas todos os países.

É é por esta notícia que reinicio a publicação semanal de posts às 4as feiras, com uma série sobre a decisiva questão da jornada de trabalho, assunto pendente de detalhamento neste blog. Continua também a publicação em português do boletim quinzenal do NEWGroup (sempre numa 6as feira) e que permite ao leitor uma visão mais ampla do que vem ocorrendo nos EUA, em termos da luta por uma Nova Economia.

Antes de detalhar a notícia, cabe lembrar que as mudanças preconizadas pela nova economia só vão ocorrer a partir de movimentos desvinculados das instituições vigentes, especialmente, daquelas que abrigam pseudo representantes da população e que na verdade defendem interesses deles mesmos e dos que os financiaram e não dos que neles votaram, a menos de quando estão “de olho” em manter ou ampliar seu eleitorado.

Evidentemente que tais movimentos, ao contrário de movimentos como o “Diretas Já”, o maior movimento de massas que o Brasil já viu, e o de junho último, também de grandes proporções e por todo o país, exigem continuidade, persistência, recursos e organização, o que faz com se vinculem à entidades da sociedade civil existentes ou se criem novas.

Estes movimentos precisam de “bandeiras de luta” que sejam fundamentais a seus objetivos e o ampliem e impulsionem. De todas as medidas que se tem enumerado, duas têm, a meu ver, a capacidade de aglutinar os interesses e motivar a mobilização de amplas maiorias da população e levam inevitavelmente à necessidade de uma Nova Economia: A redução radical e contínua da jornada de trabalho e a internalização dos custos ambientais e sociais.

Voltando à notícia, trata-se de um Programa Nacional de Proteção de Emprego (PPE) pelo qual os empregados poderão ter a jornada reduzida pela metade e receberem metade do salário. Valida por 6 meses e prorrogável por até 1 ano, o governo utiliza recursos do FGTS para garantir uma complementação inversamente proporcional ao valor do salário, sendo integral, para quem recebe salário mínimo.

A medida atenderá primeiro às montadoras, cujas vendas vêm caindo, por diversas razões que serão analisadas no próximo post e é, evidentemente, mais um “tapa-buraco” já que o que se espera é a recuperação do setor para que continue sua missão de entupir, mais e mais, as ruas das cidades e rodovias que as interligam.

No fundo, a proposta cria uma falsa impressão, sabendo-se que o transporte é o maior fator de poluição ambiental, de que só se pode imaginar a redução da jornada como um artifício para preservar empregos, em mais uma variante do clássico “privatizar lucros, socializar prejuízos”, e não como parte de uma ação integrada.

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Uma resposta to “Jornada de Trabalho: redução de 50%. E agora, para onde é que eu vou?”

  1. Christopher Says:

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