NÃO VAI TER COPA. A expulsão urbana pelas armas é a explicação.

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“Não é a toa nem pelos 20 centavos que se viu em junho último as maiores manifestações de massa já ocorridas e por todo o Brasil.”

Helicópteros da polícia sobrevoam a favela da Maré

Em incisivo artigo publicado no The Nation, Dave Zirin faz um importante alerta sobre uma das mais agudas questões urbanas da cidade do Rio de Janeiro, a da especulação imobiliária.

O artigo completo e traduzido está disponível em: “A Copa do Mundo no Brasil e a gentrificação através do cano de uma arma.

O artigo começa com uma distinção entre as palavras favela e gueto. Em inglês seriam “favela” e “slum” respectivamente. E, ressalta como a grande mídia americana retratou a ocupação das “slums” da Maré pelas forças militares. Utilizando, talvez subliminarmente, a degradação do local para reforçar a necessidade da ocupação militar do complexo de favelas.

Obtidos em sua última viagem ao Brasil, o autor relata depoimentos de residentes e líderes comunitários dizendo que os dois grandes eventos, Copa do Mundo e Olimpíadas, estão sendo usados como pretexto para liberar áreas e abri-las à especulação imobiliária.

Ele não diz isto para romantizar a real pobreza, o domínio pelo crime organizado e milícias e demais desafios existentes nas favelas, mas sim para alertar, como diz um dos seus entrevistados para “a contínua expansão do programa de pacificação em áreas estratégicas envolvendo o turismo, esporte e infraestrutura de transporte que escondem, na verdade, uma ação de anti-insurgência.”

É, não é a toa nem pelos 20 centavos que se viu em junho último as maiores manifestações de massa já ocorridas e por todo o Brasil. É o fenômeno da expulsão urbana que se inicia pelos setores menos favorecidos e atinge em seguida a classe média e vem ocorrendo nos principais centros urbanos. Ambos os setores não suportam a especulação imobiliária oriunda da “pacificação”, de novas infraestruturas de transportes e outras razões, caso a caso.

É por isto que, de lá para cá, ainda timidamente, vem se esboçando um 2º round através do movimento “NÃO VAI TER COPA”. Apesar de nossa paixão pelo futebol, parece que começamos a entender as reais motivações do movimento de junho e que dá para prever que ele retornará com ainda mais força. A ver.

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Uma resposta to “NÃO VAI TER COPA. A expulsão urbana pelas armas é a explicação.”

  1. Christopher Says:

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