Uma Nova Economia ou, então, guetos de excluídos. Uma visão recente dos EUA.

Mantive contato com duas da principais organizações que lutam por uma Nova Economia, a New Economy Coalition e o New Economy Working Group. Ambas, assim como a imensa maioria das organizações do gênero, arrecadam doações de um lado e contratam colaboradores de outro. Ou seja, reproduzem, mesmo sem ter finalidade lucrativa, o modelo de negócios reinante.

Além disto, têm como alvo de sua ação, a mudança de comportamento das pessoas pela informação e convencimento e que se desdobra na mobilização em torno de experiências localizadas, tais como cooperativas, valorização da produção local, consumo consciente e atividades similares. E, com isto, imaginam uma gradual transição de hábitos e práticas na direção preconizada pela Nova Economia ou por propostas similares como a adoção de uma economia em “steady state”, o “degrowth” do sistema produtivo e outras. E, no fundo, contam ainda, como grande esperança, com o acirramento da crise e com ele a pressão pela mudança.

A NEC tem uma ação um pouco mais voltada para a transformação via movimentos sociais, mas o faz através da contratação de “lideranças”.

Não que doações não sejam uma forma válida de cobrir despesas, nem que a crise tenha se esgotado, muito pelo contrário. Mas, a ação de tais organizações não pode, de forma alguma, deixar de estar centrada no trabalho voluntário, o que garante a sua vitalidade e inserção na realidade que pretende mudar. O Greenpeace, o Médico sem fronteiras e a Anistia Internacional são excelentes exemplos de atuação, a meu ver, corretas. Além dos movimentos políticos e sociais, é claro.

E a grande recessão, que parece estar entrando numa nova fase, também global, e ainda mais aguda, atingindo mais fortemente os países emergentes e em seguida a economia global, numa demonstração cabal das consequências danosas das iniciativas de contenção da crise tomadas pelos EUA e Europa utilizando-se principalmente do afrouxamento monetário para salvar os bancos e financiar obras de infraestrutura, não é garantia de mudança na direção correta.

O fato é que a realidade vai, a meu ver e como procurei mostrar nos 4 posts anteriores, em outra direção. Na prática, as iniciativas pela mudança em prol da preservação ambiental, redução da desigualdade e maior bem estar não estão conseguido se afirmar como movimentos de massa e estão se enfraquecendo.

O que salienta a possibilidade de guetos de excluídos, separando populações de uma mesma nação e mesmo, nações inteiras, mantidos sob o jugo da força. Ocorre que esta possibilidade se choca com o sistema econômico vigente que precisa crescer continuamente e expandir seus mercados. O que prenuncia o aumento de conflitos, crises econômicas e desastres ambientais, antes que uma nova ordem econômica, na melhor das hipóteses, se imponha. A ver.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: