A Síria permanece como alvo dos EUA. Por que?

“A alegação de uso de armas químicas nunca foi a verdadeira razão.”

Por que a Síria?

Antes de mais nada manifesto minha solidariedade a Marco Lucchesi que no tocante artigo Paolo e a Revolução revela: “Paolo é um dos amigos a quem mais estimo e admiro. Vivo dias de angústia e trepidação. Redigi com Faustino Teixeira uma carta aberta, em árabe e português, clamando pela sua liberdade”.

Nestes e no artigo Desastre na Síria, Marco Lucchesi nos faz lembrar que acima dos interesses políticos que causam uma guerra civil fratricida estão as milhões de pessoas desabrigadas e as mais de cem mil mortes. Um resumo cronológico dos principais eventos preparado pela BBC que se inicia em outubro de 1918 e vem até os nossos dias mostra como é complexo e difícil de entender o contexto e o que está ocorrendo na Síria.

Ao ler os artigos citados me lembrei muito do livro “Saga” de Érico Veríssimo, talvez o que mais impacto me causou até hoje e que retrata a história de um conterrâneo que vai lutar pela causa da liberdade na guerra civil espanhola como brigadista internacional.

Bem, voltando ao tema principal do post, é fato que o mundo passa por um desiquilíbrio notável. Os EUA, uma potencia econômica em declínio relativo, permanece sendo uma potencia militar sem igual. Os riscos de conflito são enormes e uma grande ameaça para a civilização.

Conforme relatei no post – Direitos humanos – Asia – o aumento do poderio militar e da influência da China fez os EUA mudarem o foco para a Asia. Um novo artigo em inglês – Encurralada: Como os EUA está cercando a China com bases militares – escrito por John Reed reforça o fato.

O que leva à pergunta: Será que a “questão” Síria está relacionada com esta virada estratégica dos EUA?

Seja ou não verdadeira a declaração de Assad de que não atacou civis nem rebeldes com gás sarin, é claro que a alegação de uso de armas químicas na guerra civil síria, que tem de um lado a ditadura militar e de outro a oposição apoiada por Israel e os EUA e outros grupos rebeldes, e que possa até ter sido articulado pelo próprio EUA para justificar um pretendido ataque, não convence. O governo do país que usou intensamente o Napalm no Vietnã, foi o único até hoje a atacar com bombas atômicas destruindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki, deflagrou uma guerra contra o Iraque sob a alegação não comprovada até hoje do país ter armas de destruição em massa e usa drones para matar “inimigos” em vários países do mundo, dentre outros fatos, está muito longe de tornar crível seu apreço pela humanidade.

Temporariamente interrompida devido à crise política interna, a oposição majoritária de seu povo e à uma brilhante manobra diplomática da Rússia antecedida por artigo de Putin no New York Times, não há muito porque ter dúvidas de que os EUA venham a retomar a ação militar contra a Síria reforçando o apoio ostensivo aos “rebeldes” e derrubando a ditadura militar. O artigo em inglês de Noam Chomsky – Os EUA estão longe de se comportar como uma democracia, mas você nunca saberá disto através de nossa “imprensa livre” – reforça a afirmativa acima.

Algumas razões têm sido aventadas para a agressão, em curso. Uma delas é o petróleo. Apesar da Síria não ser um produtor significativo, o país tem uma posição geográfica estratégica e alianças com o Irã e com o Hezbollah no Líbano. E, mesmo com o “boom” da geração de gás em território americano, os EUA continuam fortemente dependentes de fornecedores externos. O artigo Why the Push for Syrian Intervention Is About More Than Just Assad | The Nation analisa em detalhe esta possibilidade.

Uma outra foi mencionada recentemente por um congressista americano em entrevista e reportada no artigo nobody wants this except the military-industrial complex e que evidencia os interesses mais do que conhecidos do aparato industrial e militar, que precisa da guerra para sobreviver.

Uma outra razão, nova, e que parece a mais importante já que está diretamente relacionada à mudança de foco estratégico dos EUA é que a rota da seda, a via comercial terrestre que ligava a China ao Mar Mediterrâneo e muito utilizada desde os primeiros séculos da nossa era até ao início da Idade Moderna, está sendo retomada, fato bem caracterizado no artigo Rota da seda renasce. Com isto, abre-se mais uma alternativa de acesso da China à Europa e, principalmente, ao mediterrâneo, complicando a já difícil tentativa de cerco da China pelos EUA.

Seja qual for a razão, lamentavelmente, caso a ditadura síria se fortaleça, como parece, frente à oposição, o ataque virá, e com ele mais uma grave ameaça à paz mundial. A ver.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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3 Respostas to “A Síria permanece como alvo dos EUA. Por que?”

  1. Marcelo Says:

    Christopher, de uma olhada no Podcast “No Agenda”, episodio 386.
    Show notes no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=7xcqkNlG3ik

    • Christopher Says:

      Bom dia Marcelo,
      Muito interessante. O “podcast” apesar de enfatizar a questão do petróleo mostra por um outro ângulo a reabertura da rota da China.
      Christopher.

  2. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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