Rede Sustentabilidade – uma grande chance perdida.

“Será que alguém acredita que o PSB terá a coragem de defender a noção, essencial para a sustentabilidade, de que o PIB é um indicador que deve ser liminarmente descartado?”

Mais de 920 mil apoiadores, desperdiçados.

#Rede – a grande chance perdida.

Há males que poderiam vir para o bem. A recente decisão oficial de negar o registro da #Rede como partido político a tempo de disputar as eleições do próximo ano abriu um enorme espaço para que o grupo que trabalha pela sua criação redefinisse seus objetivos maiores e, ao invés de pretender ser um partido, se voltasse para a promoção e apoio de ações de transformação indispensáveis a uma sociedade sustentável. Explico-me.

A ocorrência política mais importante no Brasil este ano foi, até agora, o movimento de massas ocorrido ao longo do mês de junho. Por várias razões, o movimento esvaneceu-se, mas seu potencial continua latente. A razão mais importante do esvanecimento foi, a meu ver, a falta de iniciativas capazes de dar conteúdo e continuidade àquelas manifestações espontâneas. Outra, muito falada, foi o oportunismo de grupos minoritários como o Black Bloc e a ação de provocadores infiltrados visando enfraquecer o movimento estimulando depredações e abrindo espaço para a violência da repressão.

Observo que a característica principal do movimento foi o de se dar à margem do “establishment”. Os milhões que se manifestaram em todo o Brasil fizeram questão de não serem identificados com nenhum partido político ou linha ideológica. O que é bastante correto já que o sistema de representação está falido e é hora de buscar outras formas de impor ao “status quo” decisões que sejam de real interesse da imensa maioria das pessoas.

Infelizmente, o grupo organizador da #Rede apesar de bem intencionado e merecedor de todo o respeito e consideração, talvez pela origem de sua liderança principal, não percebeu a oportunidade e, com a recente decisão de aliança com o PSB, optou pela vala comum.

O país não precisa de mais partidos políticos e ao se transformar em mais um, travestido, será engulido pelo sistema. Procurei chamar a atenção para este fato no post “Rede Sustentabilidade, incompetência já na largada”. O diagnóstico ali feito foi forte mas, se mostrou correto.

É uma pena. Se, ao contrário, resolvesse se colocar ao lado dos interesses da real transformação e ser um dos que vão dar rumo ao movimento de massas, daria uma contribuição decisiva e efetiva. Evidentemente, não se trata de, oportunisticamente, tirar proveito do movimento de massas de junho mas, sim, aprender com ele e passar a organizar e a promover ações e alianças na direção de uma sociedade onde a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar orientem a atividade econômica.

Ao invés de disfarçar o nome do movimento para adaptá-lo ao de um partido político numa ação de marketing meio atrapalhada cheguei a ter esperança que com o revés o grupo viesse a dar vazão à criatura que realmente se espera que seja: uma rede nacional em prol da sustentabilidade social, ambiental e humana.

Mas não. Ao ver recusado seu registro, ao invés de optar por ser uma rede nacional em prol da sustentabilidade operando ao largo das instituições vigentes, a #Rede preferiu a vingança acordando para o que não quis reconhecer em 2010, que o Lula e seu partido são capazes de tudo. Aliás, a Marina poderia ter ouvido, já na década de 90 o alerta de seu então companheiro de partido, e que é até hoje digno da maior consideração,  Paulo de Tarso Venceslau nas diversas cartas abertas enviadas a Lula e nunca respondidas.

O tamanho da contradição da decisão é enorme. Em nome da “conquista do poder” terão de abrir mão dos princípios mais caros à uma real sustentabilidade. Basta um deles para mostrar o tamanho do buraco em que se meteram: o do fim do crescimento econômico com objetivo maior. Ou será que alguém acredita que o PSB terá a coragem de defender a noção, essencial para a sustentabilidade, de que o PIB é um indicador que deve ser liminarmente descartado?

Enfim. Não se pode contar com a #Rede. Com sua infeliz decisão é mais um a alimentar a ilusão de que é possível usar as estruturas existentes contra aqueles a quem servem. Mas, não faltarão iniciativas, sem vínculos com o estado e de forma pacifica, capazes de mobilizar a sociedade civil e promover as mudanças que um mundo sustentável exige.

Termino sugerindo que você participe da “pesquisa” relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a “central de comentários” para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “Rede Sustentabilidade – uma grande chance perdida.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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