Os bens comunitários são parte essencial da vida das pessoas, e o 6º princípio.

“O conceito abrange os recursos naturais acessíveis à humanidade, incluindo o ar, a água e a natureza em geral. Incluí também o acervo criado pela nossa civilização, iniciada há cerca de 10.000 anos. Tais bens pertencem, em tese, à coletividade.”

Biblioteca Nacional do Ro de Janeiro

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Princípios macroeconômicos – parte 2.

Este post continua o detalhamento dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para a Nova Economia relacionados anteriormente.

Antes, uma palavra sobre o termo “princípios”. Isto porque, chamou-me a atenção o uso do termo no manifesto Principles for a New Economy lançado pelo New Economy Network com o sentido de um guia para a ação. Obviamente, o termo é aqui usado para retratar algumas das premissas que orientem a formulação, por fazer, de uma teoria macroeconômica que considere a existência de uma economia dual e em expansão e suas consequências mais visíveis. Em particular o desafio consiste em elaborar um modelo macroeconômico de transição que inclua fatos concretos que já estejam ocorrendo na vida econômica, em especial, o trabalho não remunerado e livre, e com isto facilite a transição para uma Nova Economia.

O leitor que desejar aprofundar-se na questão do que seja teoria econômica e qual o papel dos modelos para a sua formulação encontrará no estudo de Bresser Pereira Os dois métodos da Teoria Econômica uma exposição das mais interessantes e completas. No profundo estudo “A Scoping Study on the Macroeconomic View of Sustainability” elaborado pela Cambridge Econometrics e o Sustainable Europe Research Institute o leitor encontrará, além de uma visão geral do assunto, um exemplo concreto do trabalho por fazer. E no artigo Modelagem Macroeconômica de José Eli da Veiga, o leitor encontrará uma interessante e concisa análise dos principais trabalhos sobre o assunto sob a ótica da chamada economia verde.

Vamos então ao detalhamento do 5º e 6º princípios.

5. Bens comunitários são parte essencial da vida das pessoas e valorizados.

Lawrence Lessig no livro “O futuro das ideias” dedica um capítulo a caracterizar o que seja “The Commons” cuja melhor tradução para o português acredito ser “bem comunitário”, e que significa um espaço ou acervo de uso livre mesmo que envolva algum custo ou restrição, desde que igual para todos.

O interesse de Lessig é centrado na internet como espaço comunitário e na liberdade de circulação das ideias. No livro, mostra que o conceito abrange muito mais, todos recursos naturais acessíveis à humanidade, incluindo o ar, a água e a natureza em geral. Incluí também todo o acervo criado pela nossa civilização, iniciada há cerca de 10.000 anos. Tais bens pertencem, em tese, à coletividade.

Bens cujo acesso seja irrestrito englobam-se naturalmente no conceito mas, mesmo estes estão ficando cada vez mais raros. A poluição do ar e da água podem vir a torna-los bens relativamente escassos. A água, em particular já é um bem escasso em várias parte do mundo.

Bens restritos, como terras e minérios, por exemplo, também fazem parte do conceito, mas, a sua escassez faz deles alvo da cobiça e desejo de posse. Daí decorre que hoje existe uma ampla e indevida apropriação privada de bens coletivos, seja da natureza, seja os criados pelo homem.

Os bens da natureza, não há muito o que questionar, trata-se de apropriação indébita imposta à força. Os bens criados pelo homem, passado o período de sua depreciação, também caem no mesmo caso. Mesmo porque, para criar, o homem usa, em muitos casos livremente, bens criados por outros, além dos da natureza. Um bom exemplo disto é o do conhecimento. Quem o adquire não pode deixar de reconhecer que boa parte dos bens e serviços que presta tem embutido esta característica, que pertence à coletividade. A célebre frase de Newton expressa isto com felicidade: “Cheguei aonde cheguei porque estava no ombro de gigantes”.

Mas, ideologias à parte, o fato é que a revalorização dos bens comunitários é consequência e ao mesmo tempo agente do reconhecimento e expansão do trabalho não remunerado e livre. O leitor há de concordar que é impossível imaginar um ambiente onde predomine o trabalho doado sem que haja livre acesso aos bens da natureza e da humanidade.

6. O lucro é declinante mas a economia de mercado permanece, mais seletiva e menos importante.

Vamos supor, para efeitos de raciocínio, uma economia de mercado em equilíbrio, significando que não há crescimento do PIB e que este já expressa, obviamente, a reposição do capital produtivo.

Mesmo neste caso, continuam os novos investimentos pois fazem parte da dinâmica da economia de mercado com os agentes procurando gerar e aproveitar as oportunidades que surgem, principalmente, inovação.

Vamos supor ainda que a taxa de investimento no 1º ano seja de 50% do lucro líquido e que este seja de 10% do capital produtivo e que se mantenham constantes, em valores absolutos, já que não há acréscimo no PIB.

Isto significa que em 21 anos as taxa de lucro e de investimentos terão caído pela metade.

Por outro lado, a hipótese de crescimento contínuo do PIB é inviável tanto pela restrição ambiental quanto pela redução da jornada e internalização de custos e ainda pelo desejo de maior bem estar.

Em algum momento, portanto, o cenário apresentado acima será real. Aliás, ele é real mesmo com taxas de crescimento do PIB abaixo da taxa de investimento.

Os efeitos disto são marcantes. O porte da economia de mercado diminui frente á dual, a disputa pela parcela de lucro que o sistema pode gerar se torna mais acirrada e o perfil produtivo se modifica mais rapidamente.

O detalhamento dos 2 próximos princípios será apresentado em post a ser publicado no dia 2 de outubro.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “Os bens comunitários são parte essencial da vida das pessoas, e o 6º princípio.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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