10 princípios para uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia.

“… os recentes massacres no Egito indicam que existe a possibilidade real dos desprovidos serem contidos em guetos, impedida a diminuição do trabalho remunerado e imposta, a qualquer custo, a preservação de privilégios.”

Princípios.

8 dos últimos 9 posts foram dedicados a propor e detalhar a existência de uma economia dual à de mercado. Cabe agora mostrar que a adoção deste modelo econômico mais complexo favorece e melhor embasa, dentre outros, o movimento em prol de uma Nova Economia.

Antes de mais nada, convém ressaltar que a economia dual não é um desejo e sim uma constatação que resulta do reconhecimento do trabalho não remunerado e livre. Junto com a economia de mercado forma o todo da atividade produtiva humana. Com seu crescimento, ao longo do tempo, relativamente à de mercado, em razão da expansão do voluntariado e da criação digital, além da pressão pela diminuição contínua da necessidade do trabalho de sobrevivência, a economia dual, em algum momento, torna-se dominante.

Para que isto ocorra, é claro, a atividade econômica e a vida em sociedade, em todos os seus aspectos, terão passado por uma enorme transformação, na direção, espero, de maior bem estar para todos. Em particular, a teoria macroeconômica, mais cedo ou mais tarde, será reformulada de maneira a refletir o modelo ampliado da realidade econômica. Quanto antes, melhor, pois contribui para uma mudança menos turbulenta.

Dito isto, e voltando à Nova Economia, objeto central deste blog, é evidente que tal modelo ampliado pode fortalecer decisivamente o movimento ao mostrar que seus objetivos estão alinhados com mudanças já em curso na sociedade e não apenas uma expressão de desejos, que, por mais justificáveis que sejam, encontram formidáveis barreiras por pretender romper o status quo.

Relembrando, o termo Nova Economia, tem, neste contexto, dois significados.

Em inglês, “economics” tem um sentido preciso, trata-se da ciência social que estuda o sistema produtivo e seus impactos. Daí que “new economics” traz implícita a noção de uma nova teoria macroeconômica. Já “economy”, simboliza o sistema produtivo, em si. Dai que “new economy” traz implícita a ideia de mudança no sistema econômico e em decorrência no sistema social. Na prática, as expressões new economics e new economy tem sido usadas como sinônimos. Por exemplo, as organizações New Economics Foundation, New Economics Institute e New Economy working Group têm uma dupla missão: Mudança no sistema econômico e social e explicitação de uma nova teoria macroeconomia, e não poderia ser diferente, já que uma “puxa” a outra.

Em português a palavra economia já tem, neste contexto, o duplo significado, o que faz com que o termo Nova Economia tenha, naturalmente, os dois sentidos.

Bem, nomenclaturas à parte, o fato é que dentre as prioridades de ação visando favorecer a transição para uma Nova Economia encontra-se a reformulação da teoria macroeconômica. No post Os 12 tópicos mais relevantes o leitor encontrará uma descrição das mencionadas prioridades segunda a ótica, principalmente, da nef.

Hoje, dando um fecho aos 8 posts mencionados na abertura, vou detalhar um pouco mais a questão teórica indicando alguns dos princípios que orientem a formulação, por fazer, de uma teoria macroeconômica para a Nova Economia no contexto, é claro, da existência de uma economia dual e em expansão.

Antes de relaciona-los é importante frisar que o reconhecimento deste modelo econômico mais complexo, facilita, mas não é garantia de que as mudanças ocorram na direção da diminuição das desigualdades sociais, preservação ambiental e maior bem estar humano.

Só para lembrar, os recentes acontecimentos, em especial, massacres, no Egito, indicam que existe a possibilidade real de preservação do status quo, mantendo os desprovidos em guetos, contendo a diminuição do trabalho remunerado e impondo a qualquer custo a manutenção de privilégios, e, com isto, impedindo que os benefícios da chamada civilização moderna se estendam à humanidade como um todo.

O que só faz reforçar a importância de movimentos como o em prol de uma Nova Economia. Eles é que criam as bases para a mobilização de massas que leve às mudanças e na direção adequada.

Vamos então a alguns dos princípios de uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia, já levando em conta o modelo ampliado da atividade produtiva:

  1. O trabalho não remunerado e livre tem existência importante e crescente.
  2. A redução da jornada do trabalho remunerado e a internalização dos impactos sociais e ambientais são objetivos sociais fundamentais.

  3. A atividade econômica é orientada pela sociedade no sentido da diminuição das desigualdades, preservação ambiental e bem estar.

  4. Todos têm acesso a bens e serviços que lhe garanta uma vida digna e plena.

  5. Os bens, serviços e espaços comunitários são parte essencial da vida das pessoas e valorizados.

  6. O lucro é declinante mas a economia de mercado permanece, mais seletiva e menos importante.

  7. O lucro é motivação importante da economia de mercado mas, subordinado aos objetivos sociais dos empreendimentos.

  8. O retorno financeiro tem importância secundária nas decisões de investimentos tanto privados quanto públicos.

  9. O PIB é um indicador precário e inadequado.

  10. Permanecem, mas limitados, os direitos de propriedade privada dos meios de produção e de bens pelas famílias.

O detalhamento destes princípios será apresentado nos próximos posts e terá como foco mostrar a influência específica do modelo dual na formulação de cada um deles.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “10 princípios para uma teoria macroeconômica de transição para uma Nova Economia.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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