A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 1.

Antes de mais nada vem a pergunta: será mesmo importante o trabalho exercido sem fins remunerativos? Muito. Muito mais do que se possa imaginar à primeira vista.”

Figura 1

Figura 1

A economia dual – Parte 1.

Nem o mais insensível daqueles que possuem a famosa “voracidade animal” ou dos que pensam em seu favor consegue negar que o que gera valor é o trabalho humano. Curiosamente, apenas uma parcela deste trabalho é considerada, o que me levou a afirmar, no último post que reconhecer a importância crescente do trabalho sem fins remunerativos sugeria a existência de dois mundos, o da troca no mercado e o da doação, esquematicamente representados na figura 1, acima.

Figura 2

Figura 2

Já a figura 2 ilustra o fato que o trabalho remunerado apesar da pressão do desemprego e da inclusão social tem uma tendência declinante principalmente porque ele ocorre dentro da chamada economia de mercado e esta está encontrando os seus limites por três razões básicas: a exaustão ambiental do planeta, a extrema desigualdade social e a vontade dos indivíduos por maior bem estar. Esta parte do trabalho humano será tratada mais adiante e se verá que pode contribuir para andarmos na direção de uma Nova Economia, mas, pela limitação mencionada, de forma pouco expressiva.

E na figura 3, abaixo, mostro os principais fatores que fazem com que o trabalho não remunerado tenha uma tendência de expansão. No post de hoje, começo a tentativa de aprofundar o conhecimento deste tipo de trabalho e da chamada economia dual à de mercado e, com isto, vislumbrar os elementos que nos levem a superar o impasse atual.

Figura 3

Figura 3

Antes de mais nada vem a pergunta: será mesmo importante o trabalho exercido sem fins remunerativos? Muito. Muito mais do que se possa imaginar à primeira vista.

 A classificação da ONU do setor sem fins lucrativos permite uma visão impressionante ainda que parcial deste tipo de atividade humana, embora este conte também com trabalho remunerado:

  1. Provedores de serviços sem fins lucrativos, como hospitais, universidades, creches, escolas.

  2. Organizações Não Governamentais, dedicadas, entre outros, ao desenvolvimento econômico e à redução da pobreza em áreas carentes, à assistência social e à proteção ambiental.

  3. Organizações culturais e artísticas, incluindo museus, teatros, orquestras, grupos e sociedades históricas e literárias.

  4. Clubes esportivos, envolvidos com o esporte amador, treinamento, preparação física e competições.

  5. Grupos de influência, trabalhando pela promoção de direitos civis e outros ou pela defesa de interesses sociais e políticos.

  6. Fundações, ou seja, entidades que tenham à sua disposição bens e renda de patrimônios e que os usem para fazer doações ou desenvolver seus próprios projetos.

  7. Associações comunitárias, atuando na defesa e oferecendo serviços a seus membros.

  8. Clubes sociais, provendo serviços, convívio e recreação a seus membros e a comunidades.

  9. Sindicatos e associações profissionais e empresariais, responsáveis pela defesa de interesses profissionais e corporativos.

  10. Congregações religiosas, como paroquias, sinagogas, mesquitas, templos e santuários, promotoras de credos, serviços e rituais religiosos.

  11. Grupos de auto-ajuda, visando o suporte mutuo na superação de problemas normalmente não obtida individualmente.

O trabalho voluntário, um dos tipos de trabalho doado, é o aspecto mais notável do setor sem fins lucrativos.

Por um lado, a existência de organizações e eventos sem fins lucrativos viabilizam, incentivam e canalizam o trabalho voluntário. De outro, o trabalho voluntário é que permite a existência e o cumprimento dos objetivos da maior parte de tais organizações, em especial aquelas em franco desenvolvimento e desvinculadas da atuação tradicional relacionada à educação, saúde e assistência social.

O Greenpeace na defesa do meio ambiente, o Worldwatch Institute na promoção de uma sociedade justa e ambientalmente sustentável, a Anistia Internacional na luta pelos direitos humanos e os Médicos sem Fronteiras são exemplos de organizações, com forte atuação e importância em vários países, inclusive no Brasil, que viabilizam, incentivam e canalizam o trabalho voluntário.

Bem, e esta é apenas uma parte do retrato. O assunto continua no próximo post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “A economia dual. Um outro mundo já existe e se expande – parte 1.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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