Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho sem fins lucrativos e que cria bens e produtos que são doados e não são objeto de troca.”

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Economias duais.

Começo hoje uma série de posts com anotações de meu entendimento de algumas das mudanças que A Nova Economia precisa e impõe à teoria econômica.

Bem, antes de mais nada, vale desmentir algumas afirmações que tem sido feitas sem base:

    • Não é verdade que sem ter o lucro acima de tudo o capitalista não tem incentivo para investir, restringe-se sua iniciativa e caminha-se para o socialismo, entendido como o fim da propriedade privada.
    • Também não é verdade que o objeto da teoria econômica seja a alocação ótima de recursos escassos.

  • É absurdo pressupor que as pessoas sempre tomam decisões baseadas no seu interesse pessoal e de forma racional.
  • É totalmente insensato afirmar que uma unidade monetária tem o mesmo valor para uma pessoa rica e outra pobre.
  • E muitas outras, que configuram uma sucessão de “nonsenses” cujo ponto alto é a afirmativa de que somente com a vazão do espírito “animalesco” do empresário é que se pode obter eficiência e “progresso”.

Tais afirmativas foram se construindo ao longo dos últimos 3 séculos e são na verdade parte da ideologia criada para sustentar os interesses daqueles que se beneficiam com o sistema econômico que, é claro, evoluiu ao longo deste período.

Outro preconceito, este essencial à teoria vigente, é o de que os agentes econômicos precisam de ampla liberdade para atuar de forma a que o mercado seja a principal força a determinar suas decisões.

Tal preconceito tem como consequência direta a de que qualquer tentativa de dar rumo à atividade produtiva significa dirigismo, estatização, socialismo e desestímulo ao animo empresarial. Ou seja, não se pode sequer dizer o óbvio, que a atividade produtiva deve estar a serviço das pessoas e do planeta, sem ser vítima da observação de esta deve ser regulada pelo mercado e que os benefícios para as pessoas e o planeta são uma decorrência. Com isto, o que ocorre de fato é que os verdadeiros interesses da humanidade são desprezados. Basta ver a insensibilidade para a miséria e para a crise ambiental.

O corolário deste fato é que, hoje, a atividade produtiva é induzida pelo lucro. Se não beneficiar ou ameaçar as pessoas e o planeta, paciência. E se se inverter o ordem, priorizando as pessoas e o planeta e se não houver lucro, paciência? Aí dirão, cessa o incentivo a quem investe.

Isto foi até verdade ao longo do processo de acumulação de capital e das sucessivas fases pelas quais vem passando o sistema econômico. Hoje, não. A humanidade já tem a capacidade e os recursos para o redirecionamento da atividade produtiva de forma a privilegiar diretamente e ao mesmo tempo a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar do ser humano.

Este é um lado da equação e que se dá dentro do sistema econômico vigente. Para se redirecionar a atividade produtiva de mercado na direção correta, duas variáveis precisam ser introduzidas de forma a calibrar a renda das pessoas e controlar a ameaça ambiental: a jornada de trabalho e o impacto social e ambiental oriundos da produção e consumo de bens.

O outro lado da equação, ou, se quisermos, da moeda, surge da existência de uma atividade produtiva intensa, importante e que corre à margem da economia de mercado. A base dela é o trabalho livre não remunerado. Tal tipo de trabalho cria bens e produtos que, em sua maior parte, são doados e não são objeto de troca. O atendimento à família, o serviço voluntário, o cuidado do próximo, e uma extensa gama de outras atividades são exercidas pelo ser humano, tem uma enorme importância, mas são desconsideradas.

Se pararmos para pensar vamos verificar que este tipo de trabalho sempre existiu, na maior parte do tempo só ele, ao longo da existência da humanidade. E que, com o capitalismo, foi relegado a segundo plano. Ocorre que este outro lado da moeda vem crescendo e deve se impor como saída para a atual crise sistêmica.

Trata-se, pois, de reconhecer a existência de duas economias, duais. Uma, a de mercado, que pode ser, parcialmente, estudada utilizando-se a teoria ortodoxa mas que não tem mais como se expandir, e outra que não se adapta à teoria convencional, precisa de um novo conjunto de conceitos e é a porta para um futuro onde o bem estar da humanidade se imponha.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “Economias duais: além da troca no mercado existe a doação de bens e serviços.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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