A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”. Immanuel Wallerestein.

A grande recessão recrudesce.

Algumas “pérolas” do pensamento da diretora gerente do FMI publicadas no último dia 10 em O Globo sob o título: Para FMI, países ricos devem levar adiante políticas monetárias expansionistas:

O crescimento mundial continuará fraco, o que torna necessária a continuidade da política monetária expansionista dos países ricos”.

A ferramenta implica em riscos para emergentes, como o Brasil, referentes à taxa de câmbio, ao fluxo de capitais, à formação de bolhas de ativos e crédito e à estabilidade dos sistemas financeiros”.

A maior preocupação é que, assim como tudo que sobe desce, tudo que entra sai. Uma reversão abrupta de grandes fluxos de capital pode levar junto as economias. Por ora, o risco está sob controle”.

Quando a maré virar e os juros subirem de novo (nos países ricos), perigos ocultos serão expostos à luz fria do dia. Então, os mercados emergentes têm de reforçar suas defesas, receitando a reconstrução dos espaços fiscais para ação do Executivo, limitação de expansão do crédito, controles de capitais, monitoramento da exposição cambial das empresas, aperto da regulação sobre mercados financeiro, imobiliário e de derivativos”.

Interessante é ver que, sem querer, ela foge, parcialmente é verdade, da crença dominante de que o sistema econômico passa por crises mais, ou menos, severas mas sai delas em um novo ciclo de prosperidade. É uma crença, diga-se, muito reforçada pela teoria da “destruição criativa” formulada por Joseph Schumpeter. Por ela, nas crises, destrói-se o velho e abre-se a oportunidade para o novo. Faz sentido, principalmente levando em conta que o PIB não inclui a destruição, as perdas, o desgaste.

Já o pensamento da diretora faz crer que a enxurrada monetária nos países ricos será bem sucedida para eles mas que empurrará os demais para a crise. O fato é que tudo aponta para o fracasso da tentativa monetarista reforçado pelo efeito bumerangue da crise nos emergentes, num mundo globalizado, reforçando a crise nos países ricos.

Em entrevista a Lee Su-hoon, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerestein reforça a ideia que desta vez a crise iniciada em 2007 não é parte de mais um ciclo do atual sistema econômico. Ele diz:

estamos diante de algo muito mais profundo que uma mera turbulência financeira. Foram abaladas as bases do próprio capitalismo”.

(O) sistema … atingiu o limite de suas possibilidades, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que há alguns dilemas insolúveis. Nada dura para sempre – nem o Universo”.

Mesmo sabendo que nenhum sistema é para sempre, vai-se “empurrando com a barriga” o enfrentamento da questão, na esperança que o sistema ainda não tenha chegado ao seu estertor. Qualquer sinal de recuperação é visto como uma confirmação dos ciclos, fazendo com que a grande recessão que o mundo atravessa seja apenas parte de um movimento que se perpetua.

Só que, tudo indica que desta vez a grande recessão veio para ficar e obrigar às mudanças profundas preconizadas pela Nova Economia. Sobre isto, aliás, vale a pena ler o artigo, em inglês, de Kemal Derviş, da Brookings Institution, intitulado: Porque a melhora do mercado financeiro está em descompasso com os eventos políticos e indicadores da economia real, no qual conclui que “a desconexão pode continuar por algum tempo, mas se nenhum programa alternativo surgir, a enorme dispersão entre a performance do mercado financeiro e o bem estar da maioria das pessoas é pouco provável que persista num prazo maior. Quando o preço dos ativos superestimam a realidade, eventualmente, ele não tem nenhum lugar para ir senão cair.”

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “A grande recessão recrudesce. E a diretora do FMI tenta repassar a “bomba” para os emergentes.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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