A China reage à ofensiva americana com a marcha para o oeste.

Aonde o inimigo avança, nos recuamos. Aonde o inimigo recua, nós avançamos”. Mao Tsé-Tung.

'Mikhail Gorbachev' photo (c) 2008, Ben Sutherland - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Mikhail Gorbachev. Dirigente soviético que liderou o fim da guerra fria.

A marcha para o oeste.

O último post de 2012 foi sobre a guinada na política externa americana focando na Asia em reação à percebida ameaça chinesa. A razão do post foi a de que a possibilidade subjacente de guerra entre potencias significa um enorme retrocesso para a humanidade e para o avanço dos conceitos de uma Nova Economia.

De lá para cá, um estudo publicado por Wang Jisi, o mais proeminente e influente analista chinês em política internacional e também professor da Universidade de Pequim, tem sido muito discutido e criou uma forte corrente dentro da China em favor da chamada marcha para o oeste, que seria uma reação ao movimento americano evitando o conflito militar aberto.

Com efeito, a resposta tem tudo a ver com a proverbial “paciência chinesa” que não se veria pronta, ainda, para o confronto aberto, coisa para a próxima década.

Em seu artigo “March West: China’s Response to the U.S. Rebalancing” publicado pela Brookings Institution em 31 de janeiro último, Yun Sun detalha a estratégia de desvio de atenção da conturbada competição no Este da Asia em direção ao oeste abrangendo a Asia Central e o Oriente Médio, de onde os EUA estão tirando o foco.

Nas palavras de Yun Sun:

… Pequim vê uma política abrangente de Washington visando bloquear a ascensão da China na região através do fortalecimento de alianças militares, sabotagem dos laços da China com o bloco ASEAN e se contrapondo ao esforço de integração econômica da região sob a liderança da China com o fortalecimento da Aliança “Trans-pacific” sem a inclusão da China.

…Em comparação, a região à oeste da China, incluindo a Asia Central, a Asia do Sul e o Oriente Médio, traz riscos muitos menores. … Ao contrário do Este da Asia existem interesses comuns nesta outra região envolvendo, investimentos, energia, anti-terrorismo, não proliferação e estabilidade. … Dentre outros, os EUA estão ansiosos pelo apoio da China ao processo de estabilização do Afeganistão e do Paquistão.

Será? Parece-me que não. Basta ver os comentários ao artigo de Yun Sun. Na verdade, a China está se expandindo por todo o mundo, inclusive por aqui, e jamais abandonaria ou relativizaria seus interesses no Este da China. No máximo, o que se pode esperar é uma tentativa de mostrar que está mudando seu foco, de maneira a ganhar tempo enquanto se fortalece militar e economicamente.

Ganhar tempo é importante para todos nós, mas, quanto mais o tempo passa mais os EUA se enfraquecem, relativamente. E nada indica que estejam prontos para aceitar um mundo multi-polar, já que continuam sendo uma potencia militar sem igual.

O fato é que o Obama não é o Gorbachev. É altamente improvável que os EUA aceitem pacificamente a nova ordem política e econômica que já está claramente delineada.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “A China reage à ofensiva americana com a marcha para o oeste.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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