Naves não tripuladas (drones) afrontam a lei internacional. A justificativa é o terror contra o terror.

“São naves leves, não identificáveis e que disparam mísseis letais e de alta precisão. … Uma nova caixa de pandora foi aberta. …Israel, Irã, Rússia, Índia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Taiwan, Turquia e Coreia do Norte, além dos EUA, já possuem drones de ataque”.

Direitos Humanos e o uso de “Drones”.

Dar como certo o respeito aos direitos humanos é um erro que o movimento por uma Nova Economia não pode cometer sob pena de sucumbir por um longo período. A violação de tais direitos pelos países com real poderio militar, principalmente os EUA, é patente e vem se institucionalizando, alegando que o fazem para se proteger do “terrorismo” e que este põe em risco a sua “segurança nacional”. Já vimos este filme há poucas décadas. Como aqui, naqueles países os militares vem assumindo cada vez mais um papel preponderante já que, em tese, são especialistas no assunto. E, sob a bandeira da segurança nacional tudo pode ser justificado, inclusive, se pensarem ser a saída para eles, isolar pela força os excluídos tanto internamente quanto nos demais países.


Não, não é exagero pensar na possibilidade, mesmo que somente para garantir uma sobrevida ao sistema econômico vigente, de que parte da população mundial possa ser contida e mantida em guetos dos excluídos. Neste e nos próximos dois posts vou detalhar fatos em curso que indicam que a possibilidade existe e é forte. Hoje abordarei a questão dos “drones”. Nos próximos posts, a perseguição a Julian Assange e o conflito militar que vem se configurando em torno da China. Vamos a ela.

Se não bastasse a submissão ao setor financeiro, a retomada das residências hipotecadas, a insistência no crescimento econômico ilimitado, a venda de armas sem restrições, o menosprezo à preservação ambiental, o uso da base em Guantánamo para prender sem garantir os direitos humanos básicos, a intervenção militar no Iraque, Afeganistão e Líbia, os EUA desenvolveram e estão usando com cada vez mais desenvoltura naves não tripuladas genericamente chamadas de “drones” para assassinar “inimigos” teleguiadamente, por enquanto, em outros países.

No dia 30 de setembro de 2011, por exemplo, um drone matou 2 americanos e um grupo indeterminado de pessoas no Iêmen, numa clara violação das leis americanas e internacionais. No dia 13 de outubro, um jovem de 16 anos, também americano, e outros 5 da mesma idade foram mortos, no mesmo país, enquanto jantavam num restaurante ao ar livre.

O alvo do 1º atentado mencionado foi Anwar al-Awlaki um clérigo muçulmano nascido no estado do Novo México, EUA. O Jovem morto, seu filho. O principal crime de Awlaki foi ter instigado à distância, por e-mail, o Major Nidal Malik Hasan, psiquiatra do exercito americano, a matar, atirando a esmo durante uma crise psicótica, 13 pessoas em Fort Hood, Texas, em novembro de 2009. Anwar seria assim um perigoso criminoso virtual a ser eliminado. Note o leitor que não é a primeira vez que autoridades americanas transferem a responsabilidade por ataques internos a cidadãos de outros países.

O pai de Awlaki, Nasser al-Awlaki, do Iêmen, já havia processado, 13 meses antes, o presidente Obama e outras autoridades americanas, para que parassem de tentar matar o filho. O Pai foi representado pela ACLU – American Civil Liberties Union e pelo Center for Constitutional Rights, argumentando que a lei internacional e a constituição americana estavam sendo afrontadas, especialmente tratando-se de um cidadão americano. Em vão. Em 18 de julho passado, o pai de Awlaki entrou com novo processo contra os chefes militares americanos e o da CIA responsabilizando-os pelo assassinato ilegal de seu neto.

Líbia, Somália, Líbano, Gaza, Iraque, Afeganistão e Paquistão, além do Iêmen, são, dos que se sabe, alvos constantes de ataques, secretos, destinados a matar “inimigos” dos EUA. Somente no Paquistão, nos últimos 9 anos, 3.300 pessoas foram assassinadas em 350 ataques por drones. Destas, a imensa maioria vitimas do chamado “dano colateral” eufemismo para designar o assassinato de inocentes mesmo à luz do agressor.

É estarrecedor, assustador. O mundo vive hoje com uma permanente ameaça de ser alvo do maior poderio militar de todos os tempos, e por qualquer razão. Hoje, a razão é o “terrorismo”. Amanhã pode ser a “segurança nacional” de uma forma mais ampla e a partir daí tudo é argumento, desde práticas comerciais que considerem inconvenientes até regimes de governo inadequados.

Trágica ironia é que a criatura parece que começa a se voltar contra o criador. Ao contrário das armas nucleares, os drones são passíveis de serem produzidos com relativa facilidade e já fazem parte do arsenal de dezenas de outros países. Um drone pode ficar no ar por até dois dias. Novas versões, com uso de energia solar, já permitem a permanência no ar e alcance ainda maiores. São naves leves, não identificáveis e que disparam mísseis letais e de alta precisão.

Uma nova caixa de pandora foi aberta. Em consequência aumentou a ameaça para todos e dificultou ainda mais o caminho para um mundo melhor.

Israel, Irã, Rússia, Índia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Taiwan, Turquia e Coreia do Norte, além dos EUA, já possuem drones de ataque. Imagine-se o que estes países já não estão fazendo em termos de preparo, planejamento e uso deste tipo de armamento. Recentemente, por exemplo, dois drones que teriam sido cedidos pelo Irã ao Hamas, sobrevoaram e fotografaram áreas de produção de artefatos nucleares de Israel.

Ou imagine-se o que pode ocorrer se algum outro país concluir que precisa se precaver e montar uma frota de drones. Digamos, a Venezuela, por hipótese. Se o fizer, além de uma corrida por drones nos países vizinhos, provocaria uma crise semelhante à dos mísseis em Cuba já que os EUA jamais aceitariam serem ameaçados e apelariam, sem maiores consequências, para o que fazem rotineiramente, o uso da lei dos mais fortes, aliás, dos muito mais fortes.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “Naves não tripuladas (drones) afrontam a lei internacional. A justificativa é o terror contra o terror.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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