Degelo do Ártico abre a exploração de carvão, gás natural, petróleo, cobre, cobalto, níquel e rotas marítimas.

“Derretimento recorde do Pólio Norte assusta cientistas, ameaça o clima do planeta e acirra a corrida de empresas e governos por recursos que não podiam ser explorados até agora. Aquecimento global vira um bom negócio”. Agostinho Vieira.

Saque no Ártico.

Com um dramático paralelo com o saque de um caminhão lotado de produtos, Agostinho Vieira faz em artigo “Mudança$ climática$” publicado na Coluna Economia Verde de O globo de 25 de setembro último um alerta para o que está acontecendo, em escala muito maior, é claro, no Ártico.

Nas palavras do autor:

Nas últimas semanas, especialistas do mundo todo vêm alertando para o nível cada vez mais crítico de degelo na região. Imagens de satélite do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC) dos EUA revelaram que no último dia 16 de setembro a camada de gelo ficou com 3,42 milhões de Km2, a menor extensão desde que começou a ser medida, em 1979. O que representa um nível de declínio no gelo marinho de 13% a cada década. Até 2000, a velocidade de redução era de 6%.

Não é surpresa nenhuma que o aquecimento global atingiria, primeiramente e de forma mais acentuada, o Ártico. Mas os cientistas estão assustados com a velocidade com que vem acontecendo. A região funciona como uma espécie de ar-condicionado do planeta e influencia as correntes marítimas e de vento em vários países. É difícil prever o que acontecerá, mas é certo que o degelo provocará, no mínimo, a extinção ou a migração de diversas espécies de animais.

Enquanto o caminhão do Ártico parece cada vez mais desgovernado, crescem as apostas sobre o tamanho da oportunidade econômica que o derretimento trará. A área é rica em carvão, gás natural e petróleo, que até agora não podiam ser acessados. Estima-se que 25% de todo o petróleo ainda não explorado no planeta esteja ali. Assim como reservas de cobre, cobalto e níquel. O degelo também deve criar novas e rentáveis rotas marítimas, ligando a América e a Europa ao Extremo Oriente.

Além de países como os EUA, o Canadá, a Rússia e a Dinamarca, que detêm parte do Ártico, outras nações estão de olho nesse pote de ouro, argumentando que a riqueza seria de toda a humanidade. A China, campeã mundial em emissões, é uma delas. Com isso, fecha-se o círculo vicioso. Combustíveis fósseis e crescimento desordenado ajudaram a derreter o Ártico. Sem o gelo, teremos mais combustível e mais crescimento. E assim navega a nossa nau dos insensatos. Até quando?”.

Incrível, não é? O fato é que diminui rapidamente o espaço para os céticos do aquecimento global.

Um mês depois, a repórter Camila Nóbrega, após passar 18 dias a bordo do navio Arctic Sunrise em expedição do Greenpeace publicou uma detalhada reportagem sobre o assunto intitulada “Ártico registra recorde de degelo e aquece disputa internacional” no caderno “Amanhã” de O Globo de 2 de outubro último. Destaco um trecho do artigo diretamente relacionado à questão do aquecimento global:

“— O que vocês estão presenciando é um dos maiores desastres do planeta — esclarece, por e-mail, o pesquisador Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, um dos maiores especialistas em gelo do mundo.

É dele a projeção de que o gelo do Ártico desapareceria entre os anos de 2015 e 2016. Seu diagnóstico data de 2007, só que seus próprios colegas de academia chegaram a considerar que Wadhams havia exagerado nas suas estimativas. À época, o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) considerou o cenário alarmista, projetando o degelo para 2050. Mas cientistas do mundo inteiro estão revendo suas previsões, encurtando o tempo restante até que os verões no Ártico não tenham mais gelo na paisagem. Eles estão de olho em dados que já comprovam que, desde 1979, o Ártico perdeu 50% de sua cobertura.

O gelo deverá desaparecer até 2016. Empresas veem isso como um bom negócio, porque haverá mais acesso à extração de petróleo na área de oceano aberto e mais facilidade de navegação. Por outro lado, o oceano descoberto absorverá mais calor, o que vai acelerar cada vez mais a própria causa do problema, o aquecimento global — diagnostica Wadhams”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “Degelo do Ártico abre a exploração de carvão, gás natural, petróleo, cobre, cobalto, níquel e rotas marítimas.”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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