A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos

Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais.

'Wolves attack a grizzly mother & cubs.  She escapes' photo (c) 2012, *christopher* - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

O “dom” animalesco e voraz em sua versão mais pura

A implosão do sistema.

3º post da série, continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

Do ponto de vista social, parece-me que ficou claro que reforma, reconstrução evolucionária e revolução são parte de um mesmo quadro numa sociedade que está em movimento permanente.

Isto vale também para o caso específico da mudança para uma Nova Economia. Trata-se de um movimento de enorme envergadura e complexidade e que assume as três formas em distintos momentos e locais e requer ações que se adequem a tal complexidade. E até mais. Admite e precisa da ação de todos. Tanto dos que pelo exemplo constroem experiências típicas da Nova Economia, quanto dos que procuram, em boa fé, reformar o sistema por dentro, e, em especial, daqueles que protestam e lutam por um futuro melhor.

É um movimento que tem como objetivo a reorientação da atividade produtiva priorizando a redução da desigualdade, a preservação ambiental e o bem estar e que pode alcançar isto, a meu ver, através, principalmente, de duas de suas principais linhas de ação, por terem o necessário poder de transformação: a redução da jornada de trabalho (veja o estudo em português da nef: 21 horas) e a internalização de custos hoje externalizados (veja o post Quanto pior, melhor). Ao mesmo tempo em que são de difícil contestação, per si, elas, se implementadas, desmontam o sistema econômico atual. Afinal quem pode ser contra a redução do tempo de trabalho remunerado e a inclusão, por exemplo, do uso dos recursos naturais não renováveis no custo dos produtos finais. O máximo que se pode dizer, e é o que é dito, é que são inviáveis.

Claro, inviáveis, na visão dos que fazem parte do status quo e que não aceitam subordinar o lucro aos interesses maiores da sociedade. Estes chegam ao auge de sua argumentação esdrúxula dizendo que o lucro é a prioridade máxima porque é ele quem atrai o lado “animalesco e voraz” de alguns poucos seres humanos mais bem dotados de tal “dom” e considerados indispensáveis para que os empreendimentos surjam e floresçam.

Nada mais claro de que se trata de um choque de visões e interesses e que cabe ao movimento social em prol de uma Nova economia, a cada momento e lugar, propor o desdobramento daquelas duas grandes linhas de ações em “bandeiras” de luta que possam ser vitoriosas para, passo a passo, irem acumulando a energia necessária para a superação do impasse atual. A redução da semana de trabalho para 35 horas, por exemplo, foi uma bandeira importante na França no inicio deste século. A luta para que o “custo oculto” da usina de Belo Monte seja revelado, é outro bom exemplo.

Além do simples choque de visões e interesses está a dura luta pela manutenção dos privilégios, de um lado, e por uma vida melhor, do outro. Questões principalmente econômicas, enfim, é que levam os grupos sociais mais desfavorecidos a se mobilizarem e em muitos casos colocarem em risco sua próprias vidas. A verdade é que só com muita mobilização, muita luta é que será possível orientar a atividade produtiva na direção correta. Trata-se de um esforço coletivo e que tem sido chamado, pelas diversas correntes em favor da Nova Economia, de ativismo.

Mesmo sabendo que é indispensável agir, é interessante lembrar que, em paralelo, um vento a favor “oculto” está sempre presente. São as mudanças lentas e profundas de adequação à realidade que se transforma, sem a necessidade de nenhuma imposição moral, econômica ou social. A adequação, se dá pacificamente e é resultado da pressão do inevitável. A incrível penetração da televisão em todo o mundo e a consequente mudança no grau de consciência das pessoas em geral, é talvez o maior exemplo deste fator “invisível”.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “A implosão do sistema econômico via redução da jornada e a internalização de custos”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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