Reforma, revolução ou reconstrução evolucionária, qual o caminho para a Nova Economia?

É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…
As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política”.
Gar Alperovitz e Steve Dubb.

'March on Washington for Jobs and Freedom, Martin Luther King, Jr. and Joachim Prinz pictured, 1963' photo (c) 2012, Center for Jewish History, NYC - license: http://www.flickr.com/commons/usage/

Marcha pelos direitos civis. Washington, 1963.

Reforma ou revolução?

Continuo hoje o detalhamento de como fazer para que a Nova Economia se imponha, terceira e última parte da caracterização do objeto central deste blog e que foi antecedida pela abordagem, também detalhada, do por que e o que fazer.

No último post, acredito que ficou claro que uma Nova Economia somente se tornará realidade através de movimentos sociais de enorme alcance e motivados pelos que estão à margem dos benefícios da civilização moderna e que são a grande maioria das populações do mundo.

Hoje vou procurar detalhar um dos aspectos destes movimentos recorrendo a um artigo em inglês de Gar Alperovitz e Steve Dubb: “Se você não gosta do capitalismo nem do socialismo, o que é que você quer? onde descrevem três possibilidades básicas de mudança social:

“É cada vez mais evidente que os Estados Unidos enfrentam problemas sistêmicos…

As disparidades de renda e riqueza tornaram-se mais agudas e corroem as possibilidades democráticas. A economia está em frangalhos. Desemprego, pobreza e decadência ecológica acentuam-se dia a dia. O poder das corporações dominam agora as decisões através de lobby, contribuições políticas sem controle e publicidade política. O planeta como um todo está ameaçado pelo aquecimento global. A vida de milhões esta afetada pelo sofrimento social e econômico. Nossas comunidades estão em decadência. Existe alguma saída para isto?…

Pensadores e ativistas têm abordado as possibilidades de mudança a partir de duas perspectivas. Uma, a tradição reformista que acredita que as instituições existentes são capazes de se adaptar e promover o progresso… Outra, a tradição revolucionária que prevê eliminação das instituições existentes, na maior parte dos casos, violentamente, e normalmente precipitada por um colapso do sistema vigente.

Mas, o que ocorre se o sistema nem se reforma nem entra em colapso?

Este é exatamente o caso dos EUA, que pode ficar nesta situação por décadas… Neste contexto, possibilidades estratégicas muito interessantes podem ser viáveis…São processos de longo prazo que podem ser bem descritos como reconstrução evolucionária, a saber, uma transformação institucional e sistêmica da politica econômica ao longo do tempo”.

A marca da reconstrução evolucionária me parece ser a da implantação prática, em relativamente pequena escala, de experiências que se dão à margem do sistema vigente e que podem ganhar massa crítica para o transformar. No dizer dos autores: “Cooperativas, áreas comuns, propriedades mistas com a municipalidade, propriedade pública, são algumas destas possibilidades e que levam à democratização da propriedade”.

O artigo todo é muito interessante, ajuda a pensar a questão da mudança mas me parece induzir a uma conclusão de que a reconstrução evolucionária é quase que uma síntese do conflito entre reforma e revolução. Não creio.

Na verdade, gradualismo e mudança de qualidade, assim como reforma e revolução no caso das mudanças sociais, se opõe mas, são parte do mesmo quadro. As instituições evoluem até o ponto de ruptura, e em seguida a evolução retoma seu curso, agora em novas bases. Isto não quer dizer que se possa ficar esperando a evolução gradual. Ao contrário, a história mostra que a pressão dos movimentos organizados levados adiante pelos grupos interessados é indispensável para que a mudança ocorra na direção que interessa à grande maioria.

Trata-se, acredito, de movimento de longo prazo, organizativo, que assume ao longo do tempo várias formas: reformista, revolucionário e evolutivo, adaptativo às circunstâncias e culturas e com vários polos e viéses. De grande complexidade, enfim.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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3 Respostas to “Reforma, revolução ou reconstrução evolucionária, qual o caminho para a Nova Economia?”

  1. Arlindo Says:

    Qual será o custo oculto de não se construir Belo Monte, levando-se em conta que o país pode estar sujeito a apagões se não houver oferta abundante e em tempo hábil de energia para abastecer casas, hospitais, escolas, bancos de sangue, repartições públicas, lojas, etc.?

    • Christopher Says:

      Olá Arlindo,
      Com certeza, os benefícios da energia elétrica são muitos. E os da civilização moderna maiores ainda. Eu me refiro aos custos que não são internalizados, ambientais, sociais e humanos. Entro em mais detalhes sobre isto em vários posts do blog, dentre eles: Xingu: Os Caminhos de um Rio e Quanto pior, melhor.
      Abraços,
      Christopher.

  2. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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