As perguntas existenciais do mineiro: quécosô?, oncotô? e proncovô?

Uma das maiores trapaças da tecnologia moderna está na política da obsolescência planejada, ou seja, no envelhecimento premeditado dos objetos, com as mudanças desnecessárias de modelo ou “styling” (este anglicismo já é para enganar), e com peças calculadas para não durarem, ou sistemas que não permitem reparação. O auge desta trapaça está no objeto de um só uso.” José A. Lutzenberger.

Recebi de Dan Moche um excelente comentário ao último post. Com a devida autorização, selecionei trechos, incluindo a citação acima, para apresentá-lo em num post. A versão completa pode ser vista em “comentário de Dan Moche”. Vamos ao post:

Parque Nacional Grande Sertão – Veredas

Post escrito por Dan Moche Schneider:

Um amigo meu lá de Minas, véio Cássio, lixólogo de longuíssima data, foi quem me ensinou que as perguntas existenciais do mineiro: “quécosô?, oncotô? e proncovô?” podem ser úteis não somente para o autoconhecimento mas pra entender muitas situações.

Quécosô?

Já me perguntei muitas vezes; e sempre tive respostas diferentes. O mundo muda a gente muda, de onde concluo que sou mudança, viajante, filho dessa espaçonave Terra, tão extraordinariamente criada, que mantém a vida a bordo em regeneração, a despeito da entropia, graças à energia que obtemos da nave mãe – o Sol , que seguimos por espaços nunca dantes navegados.

Sou imaginação. A imaginação não é um detalhe de nossas vidas, é a própria essência do que somos. Somos co-criadores da nossa realidade. Mas sobre todas as crises, a crise da imaginação é a pior. Qual realidade precisa ser criada? Fecho os olhos, imagino e sinto: a ética controla a técnica; a dança substituiu o ritmo do capital; o antagonismo e controle foram substituídos pelo cuidado entre os homens e deles com a natureza. A economia passou a servir o ser humano. Os objetos já são produzidos para durar e serem compartilhados por todos. Já não um mundo de consumidores, mas de seres criativos, livres e cuidadosos. Um mundo com menos lixo.

Oncotamos?

Estamos numa nave em crise, provocada por modos de produção e consumo que desregulam os sistemas de regeneração da vida a bordo, e cujos timoneiros são incapazes de medidas arrojadas para alterar o curso do desastre. Os sistemas de regeneração de vida da nave, que criam, purificam e reintegram resíduos em ritmo natural, já não acolhem, pelo ritmo industrial em que são produzidos, tantos e tão diferentes tipos de resíduos.

Energia e recursos naturais são crescentemente demandados para a produção de objetos projetados para serem inviabilizados em seu uso prolongado . Pela necessidade de consumo dos objetos produzidos, desenvolveu-se também um complexo sistema de produção de consumidores para os objetos, pela colonização da imaginação. As desigualdades entre os tripulantes da espaçonave se acentuam e, pela primeira vez, a massa de passageiros não é mais necessária para manter o padrão de vida da primeira classe. Nesse sistema, o que, para que e com que consequências se produz, no fundo não interessa.

Proncovamos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, com a Lei Nacional de Saneamento Básico e a Lei de Consórcios Públicos constituem um marco na história recente das políticas ambientais e de saneamento brasileiro e passaram a nortear todas as ações de gestão e manejo de resíduos sólidos.

Depois de mais de vinte de anos de luta por esse marco regulatório, cuja implantação tem pela frente antigas mazelas e novos desafios, vamos proteger a saúde pública e o meio ambiente, segundo a PNRS, pela gestão e gerenciamento de resíduos sólidos:

“Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos”.

A PNRS não indica, no entanto, como isso pode ser alcançado. Os desafios portanto permanecem:

– Como proibir a produção de objetos que não possam ser reutilizados ou reciclados?
– Como aumentar significativamente o prazo de garantia sobre objetos produzidos?
– Como estabelecer limites à produção e ao consumo, sobretudo das elites planetárias?
– Para onde direcionar o crescimento econômico nas regiões que ainda não atingiram condições mínimas?

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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Uma resposta to “As perguntas existenciais do mineiro: quécosô?, oncotô? e proncovô?”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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