O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil

Os produtos, hoje, são projetados e construídos para deixarem de funcionar e com isto forçar sua substituição periódica, e quando não, o são já com novos modelos em vista, sem alterar as suas funcionalidades, e que por meio de marketing agressivo são “empurrados” para o consumidor. Tudo em nome de vendas incessantes e crescentes.

Feito para quebrar, velho por imposição.

Recebi do leitor Paulo Garcia um excelente vídeo sobre a pratica generalizada de fabricar produtos que durem muito menos do que poderiam. O vídeo é relativamente longo, 52 minutos, mas vale a pena. O título do vídeo “obsolescência programada” indica na verdade duas possibilidades principais. Uma, a do feito para quebrar. Lâmpadas, por exemplo, que duram 1.000 horas e poderiam ter vida útil quase que interminável. O vídeo mostra, aliás, uma festa de aniversário dos 100 anos de vida de uma lâmpada. Produtos descartáveis que não precisariam o ser, é um outro bom exemplo. O vídeo mostra o caso de uma impressora que tem embutido um chip que limita o número máximo de impressões.

A outra pratica, a do velho por imposição, talvez um pouco menos criminosa que a anterior, mas muito mais danosa, consiste na “imposição” de modelos novos fazendo com que o consumidor se sinta “obrigado” a trocar, acrescentar ou jogar fora um produto para ter a versão mais recente. E para isto o “marketing” tem um papel decisivo. O automóvel é talvez o exemplo mais marcante. Ano após ano vai aumentando a pressão “psicológica” em cima do consumidor para trocar o seu veículo visivelmente “velho” por um novo com a mesma funcionalidade.

Curiosamente, o vídeo é muito bom na parte factual, mas as conclusões tem pouco embasamento nos fatos que mostra. Tende a concluir que a prática mostra que é preciso diminuir, reduzir, encolher, decrescer, enfim, já que o mundo não é capaz de suportar o crescimento infinito.

Peca pela lógica, neste caso. Ora, se os produtos podem ser fabricados com vida útil de outra ordem de grandeza que os atuais, isto quer dizer, sim, que pode-se atender as necessidades de muito mais gente com a mesma base instalada. Isto, combinado com práticas de consumo mais saudáveis e um desenvolvimento material que não transgrida as barreiras ambientais, pode permitir que uma população estável venha a ter uma vida plena, saudável e com acesso a tudo de bom que a civilização criou até aqui, e virá a criar.

É óbvio que este mundo imaginado contempla práticas que se chocam com os interesses das empresas como existem hoje. Transporte público ao invés de automóveis, prevenção e saneamento em lugar de mais hospitais e assim por diante. Mas isto já é assunto para outro post.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue, e que utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.

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3 Respostas to “O caso da impressora com chip que pré-define sua vida útil”

  1. Filipe Boechat Says:

    “nada, nada pode conseguir dar vazão às montanhas de produtos que se amontoam maiores e mais altas do que as pirâmides do Egito: a produtividade dos operários europeus desafia todo o consumo, todo o desperdício. […] Nos nossos distritos onde há lã, desfiam-se trapos manchados e meio podres, fazem-se com eles panos chamados de renascimento, que duram o mesmo que as promessas eleitorais; em Lyon, em vez de deixar à fibra sedosa a sua simplicidade e a sua flexibilidade natural, sobrecarregam-na de sais minerais que, ao acrescentarem-lhe peso, a tornam friável e de pouco uso. Todos os nossos produtos são adulterados para facilitar o seu escoamento e abreviar a sua existência. A nossa época será chamada a idade da falsificação, tal como as primeiras épocas da humanidade receberam os nomes de idade da pedra, idade de bronze, pelo caráter da sua produção.” (Paul Lafargue, Le Droit à la paresse, 1880.)

  2. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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