Por que é necessária

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  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.
'Daikokuten at Shinagawa Shrine' photo (c) 2004, Stéfan - license: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

Daikokuten, deus da riqueza

A parte 2 está publicada neste mesmo post em seguida à parte 1.

Parte 1 (publicada em 16 de maio de 2012):

Retomo hoje a caracterização, detalhada, da Nova Economia, objeto central deste blog.

Convém lembrar, antes de mais nada, que esta caracterização está alinhada com a do movimento que nasceu na Inglaterra em 1983 e que é representado hoje por uma ampla rede de organizações de pesquisa e de ação, dentre elas a nef e a NEI, cujos sites podem ser acessados através da seção “links de referência” à esquerda da página principal.

Num primeiro post sobre o assunto, “Por que, o que, como?“, procurei mostrar que é preciso saber com clareza e precisão o “por que” uma Nova Economia é necessária. Sem, isto, o movimento fica à deriva. É necessário também ser objetivo e seletivo no o “que é” preciso fazer, evitando a dispersão de esforços e aprofundando o debate em torno de alguns poucos pontos que tenham o necessário poder mobilizador. Mas, conceber uma Nova Economia é relativamente fácil. O difícil é agir para que ocorra o mais rápida e suavemente possível. Para tanto é preciso saber o “como” deve ser feita a transição para uma Nova Economia. Em outras palavras, quais as formas de mobilização que levarão ao sucesso do movimento.

No post de hoje, entro em mais detalhe em relação ao primeiro ponto.

A Nova Economia redireciona a atividade produtiva de forma a privilegiar diretamente e ao mesmo tempo a redução da desigualdade social, a preservação ambiental e o bem estar do ser humano.

Estes três objetivos foram abordados em muitos dos posts já publicados e que podem ser acessados optando pelo item correspondente na seção “Tópicos” à esquerda da página principal. Como visto, a mudança é necessária e decisiva para a própria sobrevivência de nossa civilização. Além disto, os dois primeiros objetivos são perfeitamente factíveis, já que a atual capacidade produtiva da humanidade os permitem. O último, o bem estar, concorre decisivamente e ao mesmo tempo decorre dos primeiros.

Acho interessante portanto, agora, tratar das principais dúvidas que vêm à mente quando se trata do assunto. Creio que elas são:

  • Mas, não é com crescimento econômico que se alcançam tais objetivos?
  • Não é a proposta de tal modo assustadora que impeça que seja sequer considerada?
  • Na prática, uma Nova Economia não significa o fim do capitalismo?

De fato, desde a 1ª revolução industrial, há mais de 300 anos, vem se consolidando a crença da importância do crescimento econômico. Inicialmente, a ampliação dos mercados e dos produtos e serviços consumidos foi naturalmente vista como a forma de dar vazão ao impeto dos empreendedores e à vontade dos que tinham capital de criar novos negócios e expandir os existentes. No início do século passado em resposta às crises, à luta trabalhista e aos levantes socialistas, foi-se também, principalmente no ocidente, associando ao crescimento econômico a ideia de que é ele que permite o progresso da civilização, e que ele só é plenamente atingido quando há liberdade de mercado e de iniciativa.

É a via indireta. Nesta ótica, as empresas precisam ter lucro para que possam investir e ampliar seus negócios e com isto gerar mais empregos. Ampliam-se em consequência os mercados, diminuí a desigualdade social e melhora o bem estar da população.

Parte 2:

Mesmo no campo socialista, que ganhou força a partir do final da 1ª guerra mundial e e ruiu na década de 90, o crescimento econômico, numa versão sem a liberdade de iniciativa, definiu o rumo das ações, principalmente relacionadas às chamadas indústrias de base indispensáveis para a sua defesa militar.

Até meados do século passado, tanto no mundo capitalista quando socialista, a ideologia do crescimento econômico reinou sem questionamentos e com bastante razão já que, além das necessidades bélicas, os demais bens materiais e serviços eram e continuam escassos em muitos países.

Aos poucos, o crescimento exponencial começou a ser questionado e, como mostrado em diversos posts, é hoje inviável tanto social quanto ambientalmente, sendo necessário que ao invés de esperar que o crescimento econômico traga os benefícios desejados, a humanidade passe a pensar e agir para conquistar aqueles benefícios diretamente, colocando, produção, consumo e investimento a seu serviço.

Restringir o crescimento gera, no entanto uma imensa reação, já que sua limitação acarreta queda na lucratividade das empresas e, como dito anteriormente, o lucro é que é o real motivador da chamada iniciativa privada.

E provoca também um imenso receio de depressão econômica e com ela a drástica queda no nível de emprego, a falta de bens materiais e de serviços para a população e a convulsão social.

Fica-se, entre a “cruz e caldeirinha”. De um lado a pressão dos grupos desfavorecidos, o risco de colapso ambiental e a evidência de que maior bem estar já é possível para todos e de outro o espectro da depressão e tudo de ruim que ela traz.

Mas é um falso dilema, pois o quadro de depressão somente ocorre num cenário onde o crescimento econômico comanda as ações. No outro, onde a capacidade produtiva é posta a serviço da humanidade a ameaça se dissolve. Os próximos dois posts mostrarão isto ao detalharem o que fazer e como chegar à Nova Economia.

E não se trata do fim do capitalismo. Não há uma mudança inevitável no sistema econômico. É claro que sem crescimento econômico as taxas de acumulação e de lucro declinam continuamente. Mas, permanece o espaço para a livre iniciativa atuar, provavelmente com uma tendência declinante pelo atrativo de outras formas de atuação. Novos tempos, novas práticas, novos indicadores e taxas decrescentes.

É que, à medida que a mudança se afirma, é maior o tempo livre das pessoas, levando a que, além de mais lazer, o trabalho não remunerado e altruísta ganhe força e prestígio por ser o canal natural para o ser humano satisfazer sua necessidade de ser produtivo e útil. Neste ponto vale a pena recorrer à “História da Riqueza do Homem” de Leo Huberman que mostra que diferentes sistemas produtivos conviveram e evoluíram ao mesmo tempo. O exemplo mais notável é o do capitalismo que nasceu de dentro do feudalismo. Traços deste último, aliás, perduram até hoje.

Termino sugerindo que você participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Por que é necessária”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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