Serviços, última esperança?

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'call center' photo (c) 2006, Vitor Lima - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/É possível que o setor de serviços demande, relativamente aos demais, menos bens físicos e, por ter participação crescente na economia, ser a razão para que o crescimento exponencial possa continuar sem aumento da base material?

A resposta é, claramente, não. O setor é uma extensão da atividade agrícola ou industrial (comércio, transportes, etc.) ou depende fortemente de produtos para que o serviço possa ser prestado (saúde, informação, etc.). E, no caso da administração pública, além desta depender das demais para se financiar, envolve, em boa parte, a contratação ou execução direta de atividades que nada tem a ver com a prestação de serviços.

Não resta dúvida que o setor, na forma como é definido, é o mais importante, pois tem uma dimensão maior do que a dos demais, juntos. No caso brasileiro, O PIB, segundo o IBGE, teve a seguinte composição, tanto por classe de atividade quanto pela ótica da despesa, em valores correntes (milhões de reais):

2009
2010
Agropecuária 166.705 180.831
Indústria 696.611 841.024
Serviços 1.877.417 2.113.788
Valor adicionado a preços básicos 2.740.733 3.135.643
Impostos sobre produtos 444.392 539.321
PIB a preços de mercado 3.185.125
3.674.964
Despesas de consumo das famílias 1.966.492 2.226.056
Despesas de consumo do governo 694.597 778.013
Formação bruta de capital fixo 539.757 677.862
Exportação de bens e serviços 354.235 409.868
Importação de bens e serviços 356.015 446.386
Variação de estoque -13.941 29.551

Realmente, os números comprovam o que foi dito. Os serviços representaram em 2010, 58% do total. O mesmo ocorre nas principais economias. O artigo Don’t Be Afraid of the Service Sector publicado pelo International Economic Bulletin por Uri Dadush e Zaahira Wyne em 10 de novembro último, ilustra bem este fato: “Nos países desenvolvidos o setor de serviços respondeu por 90% do crescimento do PIB entre 1985 e 2005. Em 1991, os serviços constituíram 2/3 do PIB, saltando para 3/4 em 2008. O setor de serviços respondeu por todo o crescimento no número de empregos. Em 2008 o setor empregava 72% da força de trabalho, 10% a mais do que em 1991″.

É bom lembrar que é baixa a qualidade dos empregos que o setor de serviços gera em grande quantidade. Dentre outros, os postos de atendentes nas áreas de saúde, comercial e de telemarketing são mal remunerados, estressantes e desestimulantes. Um excelente artigo no The Nation do último dia 27 de fevereiro “One mancession later, are women really victors in the new economy?” mostra como este fato é especialmente relevante nos EUA, onde boa parte destes novos postos são ocupados por mulheres o que as levou a ocupar, hoje, metade do mercado de trabalho daquele país.

O artigo salienta ainda que uma das consequências da maior participação das mulheres é que num cenário de alto desemprego, os homens são os mais atingidos por este. É este tipo degradado de posto de trabalho, aliás, que está evitando o aumento acentuado do desemprego naquele país e explica eventuais pequenas melhoras, aspecto que não aparece nas estatísticas. Cabe explicar que o termo “new economy” no artigo significa apenas a economia como ela é, hoje.

Mas, o principal é que, como foi dito anteriormente e que será detalhado no próximo post, o setor é totalmente dependente dos demais. Redefinido, retirando-se dele as atividades subordinadas aos demais, ele deixa de ter um papel relevante.

Basta ver o caso do comércio, seu carro-chefe. A atividade existe tão simplesmente porque é o veículo para escoar a produção agrícola e industrial. O que faz com que, sem sua base material, o comércio não faça o menor sentido, esvaziando, em relação a esta atividade em particular, qualquer ilusão de pico de recursos materiais.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Serviços, última esperança?”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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