Quanto pior, melhor

  1. Utilize preferencialmente a central de comentários para as suas críticas, sugestões e observações.
  2. Veja notícias e artigos relacionados à Nova Economia na coluna da esquerda.
  3. A Pesquisa da Semana é sobre o tema tratado no post e está apresentada em seguida a ele.

Arte: Uccello-nella-Primavera, por Anita Klein http://www.anitaklein.com

Bem, a hipótese de pico no uso de recursos materiais em economias desenvolvidas abre uma oportunidade de contestações de grande interesse para uma Nova Economia.

A primeira delas é sobre o PIB já que este é usado para dizer que há diminuição no uso de recursos ao mesmo tempo em que ocorre crescimento econômico.

A todo momento somos informados de medições, estimativas e ações justificadas pelo PIB. A crise e a queda do PIB na Europa, por exemplo, levam a medidas as mais absurdas, dentre elas, o aumento na idade da aposentadoria. Quer dizer, num ambiente onde já grassa o desemprego, principalmente dos jovens, os gênios de plantão, apresentam como solução mais desgraça, tudo em nome das condições para que no futuro o PIB possa crescer.

Hoje, a meu ver, é simplesmente ridículo que se use tal indicador. Num mundo altamente sofisticado onde um simples automóvel dispõe de um painel com vários indicadores para uma condução segura e um avião comercial, muito mais, é incrível que a atividade econômica seja monitorada por apenas 1 indicador, e ainda por cima, errado, para tal fim, como se verá a seguir.

É claro que isto interessa a muitos pois deixam de entrar no mérito do que realmente interessa: bem estar, preservação ambiental e equidade social, mas, mesmo com a força que têm na manutenção do status quo, nem para aqueles a prática se sustentará.

E digo isto porque fica cada dia mais evidente que o indicador é totalmente falho para fins de avaliação de crescimento, o que dirá, do desenvolvimento econômico.

Veja só, o PIB mede quantidade, não qualidade. Aos olhos dele as coisas mais incríveis são bem vindas.

Neste ponto vale a pena recorrer a um belo artigo do Herman Dale “Wealth, Illth, and Net Welfare” publicado no blog do CASSE em 13 de novembro último, adaptado de um artigo publicado na revista “Resurgence” do mesmo mês.

“A contabilidade nacional mede apenas a atividade econômica. Esta não é separada em custos e benefícios. Tudo é somado ao GDP, nada é subtraído”.

“O lixo nuclear, as áreas mortas no Golfo do México, a perda da biodiversidade, a mudança climática pelo excesso de carbono na atmosfera, minas exauridas, solo erodido, poços secos, trabalho perigoso e exaustivo, transito, etc, não entram na contabilidade”.

Mas é pior. Em um completo “nonsense” o custo para contornar tais problemas entra na contabilidade. A limpeza da poluição, por exemplo entra como aumento do PIB. As doenças, um outro exemplo, em boa parte advindas da miséria humana e ambiental não são computadas mas o seu tratamento, sim. Quanto mais doença, melhor, do ponto de vista do PIB, principalmente em países que privilegiam a medicina privada.

E se já não bastasse isto, a depleção de capital natural como florestas, peixes, petróleo, carvão, minérios, etc, é contabilizada como renda. Chegamos quase ao máximo do contrassenso ao lembrar que a reposição de bens produzidos pelo homem, como a manutenção de estradas e pontes, entra na contabilidade, sem, é claro, sua contrapartida, a depreciação.

Para culminar, quanto mais se produz, mais difícil é obter recursos naturais, o que aumenta o PIB. A extração do petróleo, por exemplo, é cada vez mais difícil, o que faz com que cresça a participação dessa industria no PIB. Do ponto de vista do PIB o pré-sal é o “nirvana”. Pode?

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

Anúncios

3 Respostas to “Quanto pior, melhor”

  1. Michel Siekierski Says:

    Esse modelo fazia muito sentido antes da Revolução Industrial, quando, independentemente do quanto produzíamos, tal quantidade não seria suficiente para todos – a escassez era uma realidade. Então, se buscava produzir sempre cada vez mais, na esperança de suprir as necessidades de um maior número de pessoas. Hoje, já estamos há algumas décadas produzindo acima da demanda e continuamos mantendo uma escassez artificial para gerarmos lucratividade aos “donos” dos recursos…

    • Christopher Says:

      Olá Michel,
      Pois é. Acima da demanda de alguns e abaixo das necessidades mínimas da maioria. Esta, uma das contradições que a chamada economia de mercado não consegue resolver.
      Abraços,
      Christopher.

  2. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: