Pico de recursos materiais?

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'Junk Shop, Astoria' photo (c) 2009, John Gullo - license: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/Mais uma surpresa. Desta vez, uma pesquisa do ambientalista inglês Chris Goodall publicada no Carbon Commentary em 31 de outubro de 2011 e intitulada Peak Stuff – did the UK reach a maximum use of material resources in the early part of the last decade?, sugerindo que há fortes indícios de que em economias desenvolvidas é possível haver crescimento econômico sem aumento no uso de recursos.

O trabalho levanta questões muito interessantes o que me levou, apesar de contestar as conclusões, a apresentar um resumo no post de hoje. A quantificação, mesmo imprecisa, torna mais perceptível a atividade produtiva e seu impacto, impressionante. São cerca de 2.100 milhões de toneladas por ano no Reino Unido, ou 34 toneladas por habitante. Imagine transpor esta realidade para 9 ou 10 bilhões de habitantes em todo o mundo.

Trata-se de um trabalho criterioso, com muitas ressalvas sobre imprecisões nas medidas e validade das conclusões. É restrito ao Reino Unido, que dispõe de uma contabilidade específica do fluxo de recursos materiais.

Os tipos de recursos materiais considerados na pesquisa são a biomassa, os minerais e os combustíveis fósseis. O principal indicador utilizado é o da matéria total necessária, em inglês, TMR, que expressa o peso da biomassa, minerais e combustível fóssil retirados do solo no Reino Unido, adicionado das respectivas importações e deduzidas as exportações e acrescido de estimativa dos materiais empregados em outros países relativos a produtos importados.

O TMR do Reino Unido teria atingido o pico de 2.174 milhões toneladas em 2001, caindo 3,8% para 2.091 milhões toneladas em 2007, antes do início da recessão. Isto ocorreu ao mesmo tempo em que a população aumentou em 2,3% e o GDP (produto doméstico bruto) aumentou em 24%.

O autor parte em seguida para a análise de itens que concentram a maior parte do impacto ambiental na vida moderna: água, alimentos, papel, têxteis, fertilizantes, cimento, carros, energia, transporte e perdas.

Água: A distribuição de água atingiu o pico de 15,7 milhões de litros por dia em 2003 reduzindo-se em 4% até 2007.

Alimentos: A despeito do aumento da obesidade o consumo de calorias por pessoa por dia, incluindo bebidas alcoólicas, refeições fora, refrigerantes, e confeitos caiu de 2.400 kcal em 2001 para 2.300 kcal em 2007, cerca de 4% de redução.

Papel: O consumo de papel e cartolina atingiu o pico de 12,9 milhões de toneladas em 2001 e reduziu-se para 12,1 milhões de toneladas em 2007, cerca de 6% de redução.

Têxteis: Este é o único item em que há um aumento constante no consumo. Entre 2002 e 2007 aumentou em 16% chegando a cerca de 1,2 milhões de toneladas.

Fertilizantes: A aplicação de nitrogênio por hectare teve seu pico em 1991, 25% a mais do que em 2007. O fosfato teve uma redução de 40% entre meados da década de 80 e 2007. O uso de potássio caiu em cerca de 30% entre meados da década de 90 e 2007.

Cimento: Em 2007 as entregas de cimento foram de 11.6 milhões de toneladas, a maior quantidade em 10 anos, período em que esteve praticamente estável em torno de 11.2 milhões de toneladas por ano.

Carros: O número de carros novos chegou ao auge em 2003 com 2,75 milhões de veículos. Este número caiu 10% para 2,5 milhões. Novos veículos de transporte, motocicletas e ônibus tiveram reduções ainda maiores.

Energia: O total de energia primária inclui todo o consumo de combustíveis, como gasolina, carvão, e gás natural, tendo atingido 240 milhões de toneladas equivalentes de óleo em 2001, caindo 3% até 2007.

Transporte: O número de viagens de mais de 1 milha por todos os meios de transporte atingiu seu máximo em 2002 e caiu mais de 4% até 2007. Já o total de óleo refinado para transporte atingiu seu pico em 2007 com um aumento de 4% em relação aos 10 anos anteriores.

Perdas: O total de lixo doméstico coletado caiu 5% entre 2002 e 2007, tendo havido no período um sensível aumento na reciclagem. O entulho de construções e demolições caiu de 113,3 milhões de toneladas em 2004 para 109,5 em 2006. Já o lixo comercial e industrial caiu de 67,9 milhões de toneladas em 2002 para 47,9 milhões de toneladas em 2009.

Acredito que a análise dos itens destacados, com queda ou não, torna ainda mais palpável a realidade da atividade produtiva. Os números absolutos do consumo de uma sociedade desenvolvida valem por mil palavras.

Antecipo um dos pontos da análise que farei nos próximos posts, talvez o mais importante: A frota de automóveis, e tudo o que gira em torno dela, continua crescendo, mantendo o carro como um dos elementos mais dinâmicos da atividade econômica do Reino Unido, o que bate de frente com a ideia do crescimento econômico ambientalmente sustentável.

Termino sugerindo que você, leitor, participe da pesquisa relacionada ao tema, no post que se segue.

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Uma resposta to “Pico de recursos materiais?”

  1. Christopher Says:

    Utilize preferencialmente a central de comentários, no menu principal.


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